A Lenda dos Guerreiros de Centurian

25 Capítulo 25 - A Caminho da Evolução


Algum tempo se passou desde a chegada dos guerreiros, a vida parecia seguir seu curso normal na cidade e a presença deles foi aceita pelos anciões, o que significava que já não eram considerados perigosos, a ponto de serem esquecidos por Fawkes, permitindo assim, que os guerreiros colhessem informações cruciais.

Não era à toa que Topáz parecia não progredir, Vicent Fawkes estava planejando algo grandioso, à revelia de Zagard, as verbas estavam sendo utilizadas numa construção secreta e todo operário braçal estava sendo removido para lá.

Na madrugada silenciosa, homens, mulheres e até crianças saiam furtivamente de suas casas para trabalharem na grandiosa obra e por isso a cidade parecia formada só de idosos durante o dia, o povo trabalhava arduamente e voltava para suas casas tarde da noite e após um breve período de descanso saíam novamente.

Os guerreiros podiam sentir que esta noite era especial, um véu negro se estendia no céu sem estrelas, olhando o horizonte das areias no deserto, via-se uma lua grande e redonda, com uma tonalidade avermelhada ao seu redor, quase como se um borrão de sangue espalhado.

Eles seguiram o povo sorrateiramente até a colina e ficaram deslumbrados, com a grandiosidade da torre, toda feita em cristal, que se erguia majestosa apontada para o céu e em breve, o objetivo de tamanho desprendimento seria finalmente descoberto, pois o prefeito havia saído de sua toca.

Thor teve uma premonição e segurou na mão de Serena, e esta procurou por Eólia, que protelou por alguns momentos, porém acabou segurando na mão de Hugo, houve uma reação em cadeia e eles puderam ver nitidamente a imagem onde se via a aproximação do Castelo de Cristal e o sinal latente de perigo que se tornava claro a cada momento.

- Meu povo! Finalmente, os anos de espera terminarão. Quem não quer ver seus parentes de volta? Quem não quer que Zahfir retorne para casa? Creio que hoje seus esforços valerão à pena...

Os guardiões se entreolharam... Eles sabiam que não era uma boa idéia trazer Zahfir naquele momento, pois as trevas que cobriam Zahfir estenderiam a maldição por todo o povoado de Tópaz. Eles resolveram agir aproximando-se da plataforma em que Fawkes continuava sua preleção:

- Zagard não é um herói... Ele esqueceu da sua terra natal, de seu povo... Ele esqueceu da promessa de trazer Zahfir de volta dos céus. Ele esqueceu que seu povo está dividido, que seu povo quer o retorno de seus entes queridos... Ele é indiferente aos seus anseios, mas EU não sou... E hoje, graças ao auxílio de vocês podemos trazer o Castelo de Cristal de volta ao seu lar.

O ex-larápio apontou para cima, a luz da lua incidia sobre Zahfir ao longe, as torres do castelo pareciam tênues, o brilho trazia esperança ao povo e ele foi ovacionado.

- Fawkes! Com palavras bonitas ou vestimentas mais elegantes, você não consegue negar o que é... Você é só um ladrão! Seja lá como quer conseguir o Castelo... Está pensando apenas em saquear os tesouros não é mesmo?

- Você também começou furtando e veja até onde chegou... Exterminador!! Braço direito de Zagard... Homem de confiança do Senhor das Trevas... Explique para eles porque seu senhor está no Castelo Negro e não aqui com eles?

- O castelo está se aproximando... – Serena disse apreensiva.

Eólia surgiu das sombras para que seu povo a visse.

- É a Princesa Lyan! É Princesa Lyan! – alguém havia dito.

- É MENTIRA! – Fawkes gritou desesperado. — A princesa Lyan não seria tão jovem, seria “Esposinha”?

- Dragonnis! Dragonnis! — o povo saudava.

A terra começou a vibrar causando pânico entre as pessoas que fugiam numa fuga desabalada e desordenada.

- Por aqui! Voltem para suas casas! Lanças de Chama! – Hugo abria caminho com rajadas de fogo para alargar o caminho. – Eólia! O CRISTAL...

Ela não pôde ouvir o que Hugo lhe disse, mas virou-se para a grande torre de cristal, que brilhava intensamente tingindo o translúcido em vermelho vivo.

- HUAHUAHUAHUA! Não vai conseguir impedir... O Castelo está vindo! E você não vai impedir... Homens! Ataquem! – disse enquanto fugia sorrateiramente.

- Deixem! Eu os detenho! Areia Movediça! O cristal deve ser destruído.– Alguns capangas sumiram engolidos e outros foram acertados pelas flechas de raios de Thor.

Serena correu para junto de Eólia, justamente na hora em que ela lançava seu ataque: — Rajada de Vento! Não havia surtido efeito.

O castelo de cristal começava a descer e os efeitos das trevas imediatamente começaram a tomar conta, as heras espinhosas brotaram da terra destruindo tudo que obstruía seu caminho e era como se ganhasse força diante do terror daquelas pessoas.

A pequena sereia respirou fundo, ela nunca havia testado seus poderes, mas vendo o desespero de Eólia, desejou ter uma força capaz de destruir aquele enorme cristal, abriu os braços e as palavras certas surgiram em seus lábios: — Águas Cortantes!

Jatos de água saíram velozes na direção do grande cristal partindo-o em duas metades. Ao perceber que o cristal se espatifaria em mil pedaços cortantes, Hugo correu desabalado na direção das duas garotas enquanto disseminava a corja restante com sua espada de fogo.

- Saiam daí! – essa distração custou-lhe um corte profundo em seu ombro, mas o que lhe importava era apenas a distância que o separava de Eólia, não havia mais tempo para salvá-la e sentiu uma dor que vinha de sua alma.

- Invólucro de Ar! – uma bolha apareceu em volta protegendo-as enquanto o cristal se estilhaçava.

- Pelas graças de Baeldae (Guardião Sagrado)! Vocês estão bem? – Thor parecia mais diáfano que o normal.

- Sim! – elas responderam juntas, mas Eólia se afastou imediatamente ao ver Hugo sangrar.

- Seu ombro está sangrando. – tocou delicadamente em seu braço.

Ele a apertou contra si como se precisasse sentir a presença dela e deixou-se beijar na tez, no rosto, nos lábios, uma felicidade havia se alojado quando Hugo descansou o queixo em seus ombros.

- Se algo lhe acontecesse... Eu morreria hoje...

- Hugo? HUGOOO!

O Guerreiro de Fogo finalmente foi tomado pela escuridão e tombou enquanto Zahfir subia lentamente, o Castelo de Cristal se distanciava de Tópaz rumo ao céu límpido levando as Trevas para além do horizonte que amanhecia.