A Lenda dos Guerreiros de Centurian
21 Capítulo 21 - O Beijo de um Guerreiro
Enquanto os dois jovens conversavam na praça, Hugo e Eólia caminhavam em direção a casa do Líder em silêncio, num mutismo que não ocorria quando estavam todos juntos. Hugo deixou que Eólia caminhasse à sua frente para poder admirá-la sem que percebesse e surpreendeu-se ao vê-la estacar detendo-se para encará-lo, ela o pegava em flagrante.
- Fique ao meu lado, Hugo.
- Vai retirar o prazer que estou tendo em admirá-la? – sorriu malicioso.
- Sim, não me faça corar... – disse segurando as bochechas quentes.
- Talvez seja melhor nos tornamos íntimos.
- Co-como? – gaguejou surpreendida e confusa. – O que você que dizer com isso?
- Você não acha que vai conseguir informações dizendo a verdade... – usava seu tom de ironia usual. – Viemos saber mais sobre o Senhor das Trevas porque tencionamos matá-lo...
- Só se for preciso para salvar minha mãe e meu povo.
- Venha! – Segurou-a pela mão o resto do caminho.
Eles chegaram à casa de Vicent Fawks, uma criada veio atendê-los, o homem era muito rico e a riqueza que era ostentada, não condizia com a simplicidade do povoado.
- Bom Dia!
- Bom Dia, senhor. O Senhor Fawkes está ocupado no momento, caso queira falar-lhe deverá marcar uma entrevista.
- Diga ao senhor Vicent Fawkes que Hugo Lantis traz notícias de Miramar!
- Certamente, senhor! – A criada fechou a porta e depois de algum tempo voltou solícita. – Por favor, acompanhe-me até a saleta.
- Você conhece esse homem? – Eólia indagou após a saída da criada, porém Hugo não teve tempo de responder, um homem gordo de olhar ladino entrou saudando o guerreiro.
- Hugo Lantis! A que devo a honra de sua visita? Como estão todos os irmãos em Miramar?
- Não tão prósperos, mas... – olhou a sua volta avaliando cada peça – todos estão bem de saúde, estou surpreso que tenha prosperado tanto em tão pouco tempo.
- É possível quando se trabalha de sol a sol – o líder ensaiou um sorriso amarelo.
- Estou vendo que mudou os seus hábitos, amigo – incrédulo ergueu a sobrancelha. – Estou de passagem, na verdade em lua de mel, apresento-lhe minha esposa, Eólia... – sorriu malicioso para ver se ela negaria – Lantis!
- Muito prazer! – o pançudo pegajoso havia beijado sua mão enquanto a olhava de modo desagradável. – Meus parabéns! Onde pretende se estabelecer, em Miramar?
- Talvez, aqui! Já que está prosperando tanto – disse cínico. — O que me diz?
- Claro! – o homem engoliu em seco – É óbvio que você será sempre bem-vindo.
- O que há de novo por aqui? Não vejo nada de diferente, onde estão as construções e inovações que foram aprovadas, o Senhor das Trevas há de querer um relatório completo, onde cada moeda foi aplicada.
- Hum! – Fawkes pigarreou. – Alguns imprevistos surgiram e espero que esteja tendo uma boa estadia e me renda algumas boas recomendações. Obviamente estão hospedados no Harold’s?
- Sim. Deixaremos você trabalhar em paz e espero que possa levar boas notícias antes de partir.
- E quando partirão?
- Breve! Vai depender da disposição de minha querida esposa, não é mesmo, meu amor? – Ela tentava esconder a fúria sorrindo, mas seus olhos lançavam faíscas. – Sou um homem apaixonado e...– agarrou-a beijando-lhe no pescoço e sentiu que ela tremia – faço apenas o que ela me pede.
- O que é isso, amor... – ela lhe beliscou enfiando a unha afiada no seu braço quase arrancando um pedaço de carne – o que o Sr. Fawkes vai pensar de nós com essas demonstrações em público.
- Que são apaixonados e estão loucos para voltar a Hospedaria. Muito sortudo, de fato.
- Claro! Obrigado por nos receber.
- Disponha!
Eles se despediram, mas dessa vez Eólia não deixou que o pançudo pegajoso lhe desse um beijo nas mãos, saindo antes de Hugo. Ela caminhava rápido como se quisesse por distância, mas o guerreiro a alcançou.
- Devagar, meu amor! – segurou sua mão – Não vai querer dar motivos! Ele está nos olhando da janela do alto à esquerda.
- Eu não vejo ninguém – ela disse desconfiada olhando para a janela em questão enquanto ele se aproximava cada vez mais até que seus olhos se encontraram – realmente é necessário... – ela abriu os lábios involuntariamente – Hugo...
- Shhhh! Juro que não tiro o pedaço... – levantou-lhe o queixo para um toque suave.
Era para ser um beijo breve, mas ele não estava preparado para encontrar a maciez dos lábios e a aceitação dela fê-lo demorar mais do que deveria, afastou-se quando o que mais queria era continuar saboreando os lábios bem feitos, ela virava-lhe as costas caminhando para a praça central e com pesar viu que não podia ver-lhe as feições.
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