A Lenda dos Guerreiros de Centurian

19 Capítulo 19 - O Túmulo do Rei de Lan


Lyan saiu dos aposentos para explorar o castelo, Morphilus ainda dormia quando o deixou, os corredores pareciam menos sombrios durante o dia e por isso, seguiu para a Ala Norte, onde os mortos descansavam em paz, desceu as escadarias que levavam para um imenso jardim, de onde estava podia ver o labirinto que a levaria até o cemitério.

No canteiro de flores, ela colheu algumas rosas para alegrar os túmulos, a Senhora da Luz sempre cultuou a visita ao Cemitério do Reino de Lan, havia um memorial a todos os combatentes que ficaram lutaram em Topáz, um ataque surpresa antecipou a subida do Castelo de Zahfir e por isso, muitos civis também morreram.

Ela entrou no labirinto, caminhou entre as ameias altas sempre seguindo a direita, a manhã estava agradável para caminhar, havia um silêncio, uma paz, ela estava segura de que nada mais abalaria sua decisão, precisava se preparar para o que tinha de ser feito, de seu desespero nascia à certeza de que o destino tinha que ser mudado a qualquer custo. O labirinto chegava ao fim e apressou os passos para a saída.

- NÃO! – largou as flores e correu – Por quê? – soluçou desesperada ao reconhecer o esqueleto de seu pai ajoelhado como se estivesse pedindo perdão – Meu pai, no que transformaram você... Então... Não foi lhe dado descanso... É minha culpa. Desculpe-me!

Ela tocou na estátua de ossos e não conseguiu controlar as lágrimas dando vazão ao sofrimento por encontrar seu querido pai numa posição tão humilhante para um Rei que só lutou por seu povo antes de morrer.

- Estive cego de ódio, Lyan. Sem você me tornei um monstro... Lágrimas novamente... Quando fomos tão felizes à noite passada.

- Eu lhe imploro... Deixe-o repousar... – Lyan voltou-se para ir embora, mas ele a abraçou impedindo-a de ir embora.

- Você me perdoa por todas as atrocidades que cometi em nome do ódio? – ajoelhou-se repousando o rosto no ventre dela enquanto agarrava as pernas dela.

- Eu sou culpada... Se tivesse tido a coragem de contar sobre nós... Nada disso teria acontecido, não haveria espaço para mal entendidos... Talvez ele estivesse vivo, você não estaria cheio de ódio e... Eólia saberia quem é o pai... Nós estaríamos todos juntos... Por favor, deixe-me ir!

- NÃO! – apertou-a com mais força. — Você não faz idéia da dor que senti ao me ver sozinho, quando pensei que tivesse se arrependido e me abandonado, agora que a tenho novamente em meus braços, não deixarei que suma sem lutar.

- E como acha que me senti quando soube que o Rei Lan estava morto? De todas as vezes que esperei que retornasse para Zahfir. Eólia nasceu sem pai e ao tê-la em meus braços vi seus olhos refletidos nela. Ou quando descobri que Morphilus Zagard estava vivo e se tornado o Senhor das Trevas, justamente quando escolhi ser a Senhora da Luz para defender Centurian de seu tirano e opressor...

- Preciso de você para me manter lúcido! Partirei feliz mesmo que o destino nos reserve somente o dia de amanhã. Não há como mudar o que fiz, mas enterrarei Lan Dragonnis se me faz um homem melhor diante de seus olhos.

- Ow Morphilus! Será que mereço? Eu ativei os Guerreiros para matá-lo – acariciou-lhe os cabelos da nuca e o puxou para que se levantasse. – Venha!

O Senhor das Trevas se levantou para caminhar ao lado de sua esposa, Lyan deixou de ser a jovem delicada para se tornar a Senhora da Luz, ele admirou-a pela força que demonstrava. Naquela tarde, O Rei Lan Dragonnis de Tópaz, nos desertos de Kenob foi finalmente enterrado em seu túmulo branco para descansar por toda a eternidade.