A Lenda dos Guerreiros de Centurian
15 Capítulo 15 - Hugo e o Poder do Fogo
Hugo chegou em Rubian através do portal, mas este não ficava dentro da cidade como em Miramar, ficava num pico íngreme e ele teria que ser capaz de descer aquela montanha por suas próprias mãos até o povoado dos Essthi, ele não tinha asas.
Ele iniciou a descida perigosa sem a utilização de nenhuma corda de segurança, tinha o hábito de driblar a morte e sentir prazer no perigo. Desceu até uma cavidade que deveria ser plana, mas ficou atento aos sinais de deslizamento recente.
O caminho encontrava-se obstruído não por pedras e sim por um Essthi caído, ele se agachou para verificar os sinais vitais, porém a quantidade de sangue derramado indicava o contrário, os hematomas e a asa quebrada eram indícios de que ele havia se batido ao cair, lesando-o em várias partes do corpo e até mesmo perdido a consciência antes de morrer.
O descendente Elfo segurava algo em sua mão, uma pedra opaca, a curiosidade foi maior e infelizmente ele precisou cortar os dedos do morto para retirar o objeto. Os anos de convívio com os biltres de Miramar lhe ensinaram a reconhecer de longe quando via algo que tinha valor e o vício de um ladino falou mais alto naquele momento.
A pedra tinha uma superfície polida como as gemas preciosas, ele segurou aquele artefato desejando que aquela pedra fosse a gema que Morphilus o incumbiu de procurar. Hugo, de súbito sentiu sua palma gelando enquanto seu corpo ardia como se estivesse em chamas e fitou a pedra que reluzia num tom avermelhado.
Uma sensação de vertigem se apossou dele e imagens fluíam em sua mente trazendo-lhe informações preciosas, a mulher refletida no Espelho da Verdade era mãe de Eólia e elas haviam evocado os Guerreiros de Centurian.
Eólia, a Guerreira dos Ventos; Serena, a Guerreira das Águas; Thor, o Guerreiro das Terras e... Ele viu o que aconteceu ao último deles, a gema apareceu no céu e o impacto da luz o cegou de forma que ao cerrar os olhos, bateu de encontro ao rochedo e perdeu a consciência em queda livre.
Como a gema foi parar na mão do Essthi era um mistério, mas a causa da morte dele foi bem previsível, as asas quebradas, ou seja, a perda de seu órgão vital os tornava seres altamente mortais e essa era a diferença entre os elfos e os Essthi, seres com asas descendentes dos elfos, a imortalidade. Era como se ao ganhar asas e o dom de voar, eles tivesse trocado a liberdade pela vida.
E agora? O que deveria fazer? Tomar posse e se tornar o próximo guerreiro? Segurou a gema firmemente, quase sem pensar, num átimo decidiu que lutaria para estar ao lado de Eólia e que ele resolveria qualquer pendência, seja quais fossem as conseqüências.
Ele foi envolvido pela luz, sabia que a sua escolha poderia ir de encontro aos objetivos de seu mentor e que poderia levá-lo a trair seu salvador, quase pai e conselheiro, porém lembrou que a proteção de Eólia era também desejo de Morphilus. E a verdade surgiu de forma matemática, o Senhor das Trevas e a Senhora da Luz eram os pais da Guerreira do Vento.
Ele foi envolvido pelas chamas, em sua mão a gema evoluía de uma forma a outra até sentir o cabo de um chicote e testou sua eficiência estalando-o no chão, tão bom quanto uma espada, foi o que pensou e surpreso, viu o chicote mudar de forma novamente, segurava uma espada. Hugo embainhou sua nova arma, agachou-se para carregar o corpo morto do jovem Essthi e encaminhou-se para a entrada de Rubian.
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