A Lenda dos Guerreiros de Centurian
13 Capítulo 13 - A Decisão das Trevas
Morphilus assistia aos passos da filha com orgulho, não era apenas bela, possuía fibra e inteligência, porém a bondade era seu ponto fraco, descobrir que o Tirano que mantém a mãe presa é o próprio pai, por certo trará dificuldades para que complete sua missão e ele não pretendia mais compactuar com o segredo de Lyan, queria chamá-la de filha mesmo que estivessem de lados opostos.
Sorriu ao lembrar que Hugo tentava esconder o interesse crescente que tinha por Eólia, mas para quem já passou por um caminho parecido era fácil notar onde a paixão o levaria. O rapaz seria uma ótima ajuda para a filha manter aquele grupo unido, ele era um guerreiro completo, se preciso fosse, sabia que ele o mataria para protegê-la.
O Espelho da Verdade mudou seu enfoque chamando sua atenção para um Essthi, o último guerreiro, riu maléfico sabendo que sozinho aquele jovem não era páreo para seu poder e assim, fez jus à fama de tirano intervindo novamente em seu destino evocando o feitiço que o traria para si: “Trevas que se escondem sob a luz, apodere-se do medo e traga-o até seu senhor!”
As nuvens escurecerem em volta do jovem, o medo era palpável, a ponte para as trevas se abriu e uma garra gigante surgiu aprisionando o guerreiro e sugando-o dentro da escuridão, do nada o dia voltou a ser brilhante e enquanto isso Morphilus aguardava a chegada dele, que foi cuspido por um vórtice e caiu ajoelhado diante dele.
- Seja Bem-vindo, jovem Essthi! – a saudação soou irônica – você têm algo de muito valor e preciso que me conceda – era uma ordem – faço votos de que seja inteligente o suficiente para cedê-lo pacificamente.
- Infelizmente não sou letrado! – o jovem se recuperava – Não há a mínima chance!
- Esse assunto não lhe diz respeito! – foi categórico ao abrir outro vórtice – é uma briga familiar – a Senhora da Luz surgiu – sente-se ao meu lado, esposa.
O jovem pareceu surpreso com suas palavras, principalmente por verificar que Lyan Dragonnis estava bem, supunha-se que os guerreiros teriam que vir resgatá-la do Senhor das Trevas.
- Vejo que está surpreso! – fitou Lyan – ela não está sob o meu poder, ao contrário está aqui por sua própria vontade. Diga-lhe!
- Isso foi um erro! – Lyan disse suavemente – não há causa para os guerreiros, eu preciso que me devolva a gema, pois só assim poderemos terminar essa guerra entre os Centurianos.
O Essthi sentiu-se seguro diante das palavras da Rainha de Zahfir e confiante entregou-lhe o artefato mágico, para sua surpresa um outro vórtice se abriu trazendo uma outra Senhora da Luz.
- Quem é ela? – a mulher disse zangada e um feixe de luz saiu de sua mão – Impostora! Assuma sua identidade.
Morphilus havia sido mais rápido, fez a pedra levitar para suas mãos antes que o feixe de luz atingisse a impostora, transformando-a numa sereiana, os gritos estridentes não afetavam o Senhor das Trevas, o único atingido foi o Jovem Essthi que se contorcia de dor.
- Faça parar! – Lyan gritou – vai estourar seus tímpanos!
- Faça você! – a fúria latente em todos os poros – então, a Rainha está recuperada e estava apenas fingindo fraqueza? – tentava controlar a raiva – prefiro pensar num castigo para você, Lyan.
Ele se aproximava da Rainha enquanto ela tentava se afastar amedrontada pela cólera que Morphilus demonstrava naquele momento. Mesmo estando dolorido e sem senso de direção, o guerreiro chegou até o Senhor das Trevas tentando feri-lo com a espada que desembainhou do próprio Tirano. A espada pesou em suas mãos, fazendo-o cair, mas o que impediu o jovem Essthi de prosseguir foi sentir os dentes afiados em suas asas, a mordida da sereiana conseguiu seu intento de ferir mortalmente.
- Não! – Lyan atirou outro feixe de luz na sereiana desta vez atingindo-a em cheio para deixá-la desacordada e suplicou. – Fuja!
Mesmo ferido o guerreiro correu para a janela da torre, se alçando num vôo para longe do Castelo Negro. Imediatamente Morphilus acionou o Espelho da Verdade, o rapaz conseguiu voar, porém sua asa quebrada não o levaria para muito longe, viu-o se debater e despencar no despenhadeiro.
- Ele não precisava ter morrido. – fitou-a zangado – Por quantas mortes precisa ser responsável?
A amargura era visível quando ele se aproximou de Lyan, as lágrimas desciam pelo belo rosto da rainha, ele abrandou nas suas atitudes, consolou-a enxugando-lhe as lágrimas numa leve carícia, mas não abrandou suas palavras.
- Será preciso Eólia morrer? – a angústia era verdadeira – Você pode mudar seu desejo.
- E você o seu! – os olhos de Lyan brilharam com esperança – escolha viver...
- Você me amaria... – temia pela resposta, mas precisava saber — mesmo sendo o que sou agora?
- Nunca deixei de amá-lo – fitou-o profundamente – nem mesmo agora.
- Então, esteja aqui quando voltar! – sôfrego, beijou-lhe os lábios – mostre-me que nunca traiu minha confiança, Lyan.
Ele partiu para ir atrás do Essthi, deixando-a livre para fazer o que bem entendesse até mesmo partir seu coração novamente.
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