A Lenda dos Guerreiros de Centurian

11 Capítulo 11 - O Primeiro Contato


Hugo precisou olhar várias vezes severamente para que Manta não desse com a língua nos dentes, o velho se mostrou tão solicito que nem cobrou a hospedagem das garotas, mas ele era astuto demais para acreditar na lorota do muquirana e descobriu, que os dedos leves do homem trabalhavam para conseguir algo valioso, as gemas.

Na manhã seguinte, ele encurralaria o ladino para que devolvesse o que roubou antes que as duas mulheres percebessem e descobriu pelo café da manhã ralo, que Manta não conseguiu o intento e seu estava de péssimo humor.

Elas resolveram partir e Hugo as acompanhou até a encosta, estava curioso para saber como aquelas duas sairiam da ilha. O caminho foi feito em silêncio, as duas caminhavam à sua frente e ele aproveitava para admirar Eólia sem que ela percebesse.

- É uma “pena” nos despedirmos, não é Lantis? – Serena disse alegre – Obrigada pela companhia, mas você está dispensado.

- Por nada, “criança”! – Hugo alfinetou – o prazer foi meu em companhia tão agradável – beijou galantemente a mão de Eólia e fitando-a nos olhos continuou – tenho a certeza de que ainda nos veremos novamente.

- Talvez... – Eólia retirou a mão abruptamente e sentiu-se corar – bons ventos o levem para onde for, Hugo.

E ele pensou que os ventos a levariam para junto dela, pois seria capaz de fazer o impossível para cruzar seu caminho novamente.

- Agora se afaste! – Serena adorou ordenar – precisamos de espaço.

- Íris! – Eólia evocou e o dragão azulado surgiu e montou nele – Adeus!

- Seres! – Serena disse por sua vez e um dragão esverdeado surgiu – Espero nunca mais vê-lo!

Elas acenaram enquanto as criaturas alçavam vôo rumo a Ishitar.

Hugo voltou para os arredores da cidade rapidamente, caminhou para o centro de Miramar e para o portal, tinha sido um golpe de sorte encontrar Eólia Dragonnis, sabia o suficiente para um primeiro relato e mostrar sua eficiência para Morphilus.

Assim que entrou no portal, o feixe de luz o transportou para dentro do Castelo Negro em Topaz, dentro seguiu pelos corredores sombrios até o aposento de seu senhor, ele não parecia em seus melhores dias e por experiência sabia que deveria tomar cuidado, já havia visto muitos perecerem por nada.

- Trago-lhe boas novas, meu senhor! – cumprimentou colocando-se em posição de sentido.

- Então, você a encontrou – Morphilus fitou-o longamente – Eólia é seu nome?

- Sim, Eólia Dragonnis! – disse surpreso – É uma guerreira mágica. Vi usar seus poderes contra meus homens.

- Em Miramar? – ele não parecia surpreso. – Creio que estava acompanhada. Quem é a criança?

- Tem apenas a aparência de uma criança – sorriu por ser capaz de observar. – Serena Marmeid é uma sereiana, porém tem a característica peculiar de um elfo.

- Então, Nereid deixou uma herdeira e com característica de um elfo... – Morphilus disse pensativo – o que me faz concluir que ela foi a responsável pelo desaparecimento de Desmond.

- O Rei Desmond? Aquele em que os elfos pensam ser traição dos Essthi? – disse assombrado com a revelação – mas então, essa inimizade entre povos irmãos é sem sentido.

- Inveja é o nome que dá sentido a essa inimizade sob o nome de preconceito, jovem Hugo – Morphilus fez uma pequena pausa – não nos desviemos do assunto, o que mais descobriu?

- Descobri que elas possuem duas gemas preciosas e... – estava relutante em relatar o restante – creio que é o que lhes dá poder.

- Quais são os poderes? – Morphilus notou sua relutância e pareceu testou sua lealdade.

- Vislumbrei o poder de Eólia – desconcertou-se pela maneira íntima que se referiu a ela e pigarreou – humm... Dragonnis tem o poder dos ventos. E deduzo que Marmeid tenha o poder das águas.

Morphilus sinalizou e o Espelho da Verdade mostrou as duas jovens montadas em seus dragões.

- Ishitar! – os olhos de Morphilus brilharam — minha doce esposa é muito criativa.

- Como? – Hugo às vezes ficava sem entender os devaneios de seu mestre – Não entendi, senhor?

- Nem precisa entender, Hugo. – Morphilus foi enigmático — quero que siga para Rubian.

- Rubian? – disse desapontado, pois esperava reencontrá-las – o que devo fazer no Reino de Xangid.

- Procure o dono de uma gema, não me importa como conseguirá, mas faça-o! – Morphilus disse maléfico – Obtenha a gema antes que elas o encontrem e aguarde por novas instruções.

- Sim, mestre! – cumprimentou se dispensando. – Partirei imediatamente.

Hugo se virava para sair quando ouviu o Senhor das Trevas lhe perguntar.

- Como ela é?

- Quem senhor? Dragonnis? – pensou em como responder e decidiu que a cautela era o melhor caminho – É uma mulher muito bonita, tem um espírito valoroso e sabe manejar bem a sua arma.

- Hugo! – fitou-o como se visse através dele – Será responsável pela proteção dessa jovem, cuide para que nada aconteça a ela.

- Sim, senhor! – prometeu desgostoso.

Morphilus estava sendo enigmático demais e não via com bons olhos o interesse do regente pela moça, ela poderia ser sua filha, a quem estava querendo enganar, a si mesmo talvez, pois sabia que a sua reticência vinha do interesse que nutria pela jovem.

Notas finais
Simmmm! É ele *.*