A Lenda dos Guerreiros de Centurian

29 Capítulo 29 - A Sobrevivência de uma Raça


Os Guerreiros de Centurian poderiam ter interferido com seus poderes para impedir a fúria da natureza, porém eles foram mais sagazes ao ouvir o conselho do guardião.

_ A Natureza precisa seguir seu curso natural de vida e morte. Quando interferimos de alguma forma um outro lugar sofre por esta interferência. Temos um exemplo bem próximo. Antes da guerra, Centurian tinha os mais belos recantos, éramos afortunados por possuir uma fauna e flora harmônica. Porém, algo interferiu no curso das águas, trazendo seca, sede, fome e finalmente a guerra.

Eles se despediram da sabedoria do grande guardião e dos supersticiosos elfos alados deixando-os a salvo na cadeia de montanhas geladas ao sul. Ainda puderam ver a fumaça cinza saindo da maior montanha ao norte trabalhando para seu resfriamento natural.

Os dragões viajavam em direção aos corais que serviam de esconderijo para entrada que os levaria as profundezas de Oppal, a cidade submersa das sereias. Eólia cumpria a promessa que fizera a Serena, de levá-la até lá para descobrir sobre a verdade de sua existência. Os dragões planaram até estarem num local plano.

_ Obrigada, Íris! – Eólia alisou o pescoço úmido e rugoso de sua companheira.

_ Tenham cuidado! Os homens principalmente... – lançou seu olhar condescendente para eles e subiu para os céus juntamente com os outros dragões antes de desaparecer.

_ Já se perguntaram para onde eles vão? – Serena disse ingenuamente.

_ Já! Eu também gostaria de ter essa resposta. – Lantis puxou as tranças dela. – Está menos zangada? Então... Seja uma boa anfitriã e nos leve direto para Oppal.

_ Acabei de ficar irritada novamente.

_ Lantis... Pare de provocar a nossa pequena.

_ Mas... – suplicava em tom de brincadeira — É tão divertido!

_Serena! – Thor chamou-a em parte para tirá-la daquela situação e também porque acabava de encontrar a entrada. – É este?

_ Sim! – correu para junto dele sorrindo. – Você encontrou. Eu poderia ir nadando, mas agora podemos ir todos juntos.

A caverna era um labirinto escuro e à medida que Serena os conduzia, mais sinistro ele se tornava. Lantis tentava controlar a chama em sua palma para iluminar o caminho, porém quanto mais desciam mais o ar parecia rarefeito e cada vez mais sua chama diminuía. Eólia sobrepôs sua mão na dele, aproximando as pedras e as chamas aumentaram novamente.

_ Não entendo... Já deveríamos ter chegado. – Serena externou sua preocupação.

_ Estamos perdidos? – Thor acrescentou logo depois. – Estou com um mal presságio.

_ É? Creio que definitivamente estamos perdidos. – Lantis foi eloqüente.

_ Um pouco de crédito aqui, por favor? – Serena cruzou os braços.

_ Tudo bem! – Eólia tentava apaziguar os ânimos, como sempre estava num fogo cruzado entre aqueles dois. – Tente se lembrar o que está diferente...

_ É que tudo isso aqui teria que estar submerso e Aoki deveria estar por perto.

_ Quem ou o que é Aoki? – Lantis disse levantando a sobrancelha.

_ Acho que acabamos de encontrá-lo. – Thor apontava para algo que se movimentava fazendo um barulho estrondoso.

_ Você está louca! – Lantis gritou nervoso. – Nos trouxe para a toca de um monstro marinho?

Aoki era um monstro marinho gigante de carcaça dura sustentada por várias pernas menores que o corpo, mas o mais impressionante eram os olhos redondos que se destacavam pelo vermelho vivo, ele parecia irado e perigoso.

_ Ele é inofensivo...

Mas antes que pudesse defendê-lo Aoki lançava os tentáculos cortantes de dentro da boca para aniquilar os invasores, causando um leve tremor onde lascas de pedras pontiagudas voavam em várias direções ao destruir tudo em seu caminho. Thor bravamente tentava se desviar deles lançando as flechas que pulverizavam as lascas maiores.

_ Chamas do Inferno!

Lantis lançou várias labaredas acertando os tentáculos que se recolheram temporariamente, porém a chama em sua mão por fim falhou. Eólia estava bem próxima e estendeu sua mão tocando-o novamente quando um dos tentáculos a alcançou num abraço apertado. Ouviu-se apenas o seu grito antes de tudo escurecer.

_ Não se mecham! – Serena gritou de algum lugar.

Quando a claridade voltou, Thor e Lantis estavam prontos para atacar.

_ Afastem-se vocês dois! – Serena girou seu tridente ficando-o no chão. A água começou a jorrar lentamente formando uma poça. – Aoki! Garoto mau. Não faça isso com minha amiga.

A água fluiu enchendo a pequena cavidade onde estavam. A água apaziguava a fera. A criatura agarrou-a também, porém aos poucos seus olhos vermelhos mudavam para um azul cristalino. Os tentáculos ameaçadores não se agitavam perigosamente, pareciam apenas estar flutuando no ar e então, as duas guerreiras foram colocadas no chão molhado.

_ Ele me reconheceu! Mas por um momento pensei que não fosse...

_ O quê? – Abraçou Eólia de uma forma protetora enquanto brigava com Serena. – Você nem sabia se serviríamos de isca pra essa coisa?

_ Quando eu vim a última vez ele ainda era pequenino. – tentava se desculpar.

_ Não seja severo! – Thor se interpôs encobrindo Serena. – Deu tudo certo!

_ Por favor? – Eólia suplicou.

_ Tudo bem! – Ele passou a mão nos cabelos impaciente. – Mais alguma surpresa?

_ Nenhuma. – Serena disse num fio de voz. – Só precisamos passar por aquele buraco dentro da água.

_ É um buraco muito estreito.

_ Há pontiagudas lá dentro para que se arrastarem. É mais rápido nadar... Mas terão que nadar como um peixe.

As pernas de Serena se transformavam numa bela calda azul. Ela demonstrou que em vez de baterem as pernas e os braços, eles deveriam manter a postura ereta e ondular da cintura para baixo para que o corpo seguisse para frente.

_ Entenderam?

Eles fizeram que sim e se preparam para submergir.

_ Esperem! Invólucro de ar! — Eólia envolveu-os numa bolha para que pudessem respirar dentro da água.

Logo que eles entraram a escuridão pareceu tomar conta, mas aos poucos os olhos se acostumaram a pouca luz. Na verdade algo minúsculo incrustado na gruta brilhava iluminando o caminho que eles seguiam. Os segundo se estendiam em minutos e os minutos pareciam não ter fim.

A passagem era estreita formada por pedras pontiagudas e qualquer movimento mais brusco seria o início de um fim trágico, um ferimento poderia causar outro até a morte. Quanto tempo teria se passado até eles encontrarem a saída.

_ Bem vindos! – a voz de Serena soava encantador.

Oppal era apenas um conjunto de cavernas. Mas Serena não era mais uma garota comum. As tranças se desfizeram soltando-lhe os cabelos ruivos. Sua aparência sereiana estava magnífica tornando-a uma criatura encantadora apesar das sombras. Podia-se dizer que ela iluminava aquele ambiente deprimente.

- OLÁ!? Há alguém aqui?

Notas finais
Será que sobreviveu alguém?