“Por que logo eu?” era a pergunta que se repetia infinitamente na cabeça de Larissa enquanto andava por Nova Alvorada ao lado de Arthur. Tanto Matheus quanto Victor a haviam pedido para se encontrar com o garoto, sendo que a ideia foi do primeiro. Como se não bastasse agora tinha de esperar “certa pessoa” sair da escola que vigiavam.

Sinceramente, achou que a expressão “todo mundo se matando” era exagero do menino, porém estava redondamente enganada e percebeu isso em menos de dois minutos.

Dois garotos estavam brigando e uma quantidade considerável de pessoas estava reunida ao redor incentivando a luta. Duas meninas que estavam no meio da multidão puxavam os cabelos uma da outra e distribuíam-se tapas na cara. Em um local um pouco mais afastado uma guria ruiva corria atrás de um menino de cabelos pretos com um taco de beisebol. Onde diabos ela havia conseguido aquilo? Porém o que realmente chamava sua atenção era o fato do taco estar em chamas. Uma professora, ou ao menos achava que era uma professora pela altura e idade que aparentava, estendeu o pé fazendo com que o menino tropeçasse e caísse no chão, o que permitiu que a ruiva com o taco de beisebol em chamas o alcançasse e... bom, melhor não saber.

Larissa lançou um olhar que era ao mesmo tempo confuso e curioso para o rapaz ao seu lado que apenas deu de ombros, dizendo que já havia se acostumado, resultando em uma careta por parte dela que dizia “É sério isso?”.

Ambos já estavam ficando cansados de esperar e a tentação de ir embora era grande, porém decidiram esperar e 15 minutos depois a escola começou a se esvaziar.

— Entramos agora? – perguntou encarando-o com o canto do olho.

Após um “acho que sim” os dois saíram de onde estavam e entraram no local, quando este ficou vazio tanto Larissa quanto Arthur estavam com as vestimentas que usavam para lutar.

— Se lembre de qual é o seu trabalho. Não cause problemas – “avisou”.

— Eu sei – respondeu grosseiramente.

Avistaram um garoto de cabelos pretos e olhos castanhos ao mesmo tempo, com uma troca rápida de olhares ambos confirmaram que aquele era seu alvo. Ele havia saído de uma das salas de aula do segundo andar e, por sorte, não os avistou.

Os passos nos degraus eram rápidos assim como a velocidade com a qual atravessou o pátio e entrou na sala dos professores. Ao sair de lá em suas mãos estava uma pulseira com uma pedra roxa. Arthur já se preparava para pôr em prática o plano e assim como a amiga.

No momento em que o de cabelos pretos se preparou para sair do lugar, Arthur apareceu em sua frente e o socou mandando-o de encontro a uma parede que se quebrou. O outro demorou um pouco para se levantar e se dar conta do que estava acontecendo e, ao perceber colocou a pulseira rapidamente em seu bolso.

Sua reação foi lenta e antes que pudesse perceber Arthur estava em sua frente novamente e um soco em seu queixo o lançou para o alto fazendo-o cair no meio do pátio. Foi rapidamente imobilizado pelo outro.

Larissa apareceu no instante seguinte parando na frente do garoto.

— Então esse é o tal Pedro? – perguntou sendo completamente ignorada.

A garota se abaixou e tocou-lhe a testar com a mão, fechando os olhos logo em seguida.

Arthur apenas observava enquanto os olhos do outro se arregalavam, em um tipo de transe. Imagina o que a garota via na mente dele e se perguntava qual seria a sensação de ter sua mente vasculhada e invadida.

O processo demorou pouco minutos e logo Larissa abriu os olhos encarando o amigo.

— Pode soltá-lo, já temos o que precisávamos saber – disse dando as costas aos garotos. No minuto seguinte pode ver Arthur sendo arremessado, pois este passou ao seu lado batendo em uma parece distante.

Pedro estava de pé batendo em sua roupa para tirar a sujeira, seus olhos encaravam a garota que estava vestida de cinza.

— O que você quer?

Larissa hesitou.

— Agora, nada. Já conseguimos o que queríamos, então não temos motivo para lutar com você.

O rosto de Pedro adquiriu uma expressão desconfiada.

— Como posso confiar em você?

— Aí é que está, você não pode, não somos amigos. Terá que acreditar em minhas palavras.

O garoto de cabelos pretos bufou e deixou a escola a passos lentos, como se nada de anormal tivesse acontecido. Arthur se levantou prestes a ir atrás do outro para devolver a pancada, porém foi impedido pela garota.

— Por que? Acha que vou ficar sem fazer nada depois dele me fazer dar de cara em um parede?

— Você bateu nele muito mais – disse passando por ele. – Além disso, não quero lutar sem necessidade.

— Tanto faz – disse seguindo a outra.

—

— Sério? – perguntou Rafaela para Victor.

Ambos estavam sentados na mesa da cara do garoto que mexia freneticamente em seu notebook. Quando sua resposta não chegou ela deu um tapa a testa do outro que murmurou um “Ai!” enquanto passava a mão pelo local.

— Me responda! É verdade que vocês mandaram a Larissa e o Arthur atrás daquele cara?

— A ideia foi do Matheus.

O canto dos pássaros só aumentava a raiva da garota. Não podia acreditar que os quatro haviam sido tão idiotas assim, de agir sem avisar os outros. E como sabia? Larissa havia contado, ou seja, fofoca.

Tanto a atenção de Rafaela quanto de Victor se desviaram da conversa ao ouvir o som da porta sendo aberta e Matheus entrar, passou por ambos e se jogou no sofá.

— Eles chegam daqui a pouco.

Foram as últimas palavras pronunciadas e o silêncio se fez presente.

Após meia hora a porta foi aberta novamente atraindo a atenção dos presentes. Arthur e Larissa entraram e, assim como Matheus, se jogaram em cima do sofá.

— Conseguiram? – perguntou Victor se aproximando dos outro junto de Rafaela.

— Sim, mas eu ainda queria quebrar a cara dele.

Larissa o encarou com uma cara indignada.

— Cala boca! Você quer quebrar a cara de todo mundo – disse ela.

— Queria quebrar ele por que? – perguntou Rafaela curiosa.

— Porque...

— Chega! – gritou Matheus interrompendo o outro. – Isso não vem ao caso. Falem logo o que queremos saber.

Arthur abriu a boca para falar, mas Larissa o interrompeu para que o outro não dissesse nenhuma besteira como de costume, logo era o centro da conversa.

— Vocês estavam certos. Invadi a mente dele e peguei o que achei ser o principal, eles não parecem ser nossos inimigos e logo vão embora.

— Mesmo assim... – incentivou Victor que ouviu a garota bufar.

— O nome de dele era Pedro. Pedro do Orgulho. São um grupo nômade formado por sete pessoas, estavam atrás de algumas joias, mas parece que encontraram, estão indo para a África, precisam delas para abrir algum tipo de porta. Não sei, não vi direito.

— E quem são eles? – perguntou Victor novamente.

— Pedro do Orgulho e aqueles que vocês me falaram, Karen da Luxúria e Katie da Ganância, não sei o nome dos outros.

— Acho que meu palpite estava certo – disse Matheus para si mesmo recebendo um aceno positivo da outra. – Primeiro os demônios e agora isso. Que chato!

— Querem parar, os dois idiotas, de fazer suspense e dizem logo quem são? – gritou Rafaela.

— Os sete pecados capitais – disse Larissa dando de ombros.