A Lenda do Clã dos Pokémons Lasanha
28 Fada Mais Poderosa
Nada daquilo era sua culpa. Gabriela observava os amigos e as fadas que enfrentavam. Seus amigos estavam exaustos, César mal conseguia manter a plataforma de luz para sustenta-los, Victor apesar de bater as asas e se manter no ar sabia que seria derrotado numa luta no estado em que se encontrava, Amanda ainda sangrava, João não conseguiria realizar mais muitos feitiços e ela própria nem ao menos conseguiria voar caso tentasse. A única coisa que impedia sua morte instantânea era o demônio em sua frente que os protegia.
“Não é minha culpa”, dizia Gabriela a si mesma, encolhida em um canto da cidade enquanto chorava. As outras fadas a evitavam, ela nem sequer sabia o motivo de tal desprezo ou de tal solidão.
A rainha das fadas, Titânia, conhecida por ser justa, forte, bondosa e gentil apresentava para ela uma face fria, desprovida de qualquer coisa boa, tudo que mostrava era ódio.
Anos depois, invadiu o palácio em busca de respostas, encontrando a rainha sentada em seu trono.
— O que um mero inseto como você, Gabriela, está fazendo aqui? Retire-se antes que eu mude de ideia! – rugiu com nojo na face.
— Por que me despreza tanto? – indagou, assustada com a resposta que poderia receber e com o que a rainha poderia fazer com ela.
No lugar da resposta a rainha simplesmente atacou-a e, na luta que se travou Gabriela perdeu, acordando novamente algemada nos calabouços. Olhou ao redor, deparando-se sozinha novamente, as algemas eram fortalecidas com magia, de modo que não poderia cortá-las com o vento.
— Por que logo uma fada fraca e inútil como você seria escolhida? – perguntou Titânia após abrir sua cela. – Responda!
— Não sei do que está falando – respondeu indiferente.
— Em toda a história do Clã Fada, ninguém, absolutamente ninguém herdou um poder tão grande. Por que você, que não faz diferença a ninguém, tem poder tão grande? – perguntou aos gritou desferindo-lhe um tapa na face, saindo e fechando a cela.
Alimentação era precária, sendo alimentada apenas três vezes ao dia o suficiente apenas para manter-se viva, porém a fome nunca era saciada. Seus músculos ficavam cada dia mais rígidos, pois suas algemas não possibilitavam muita movimentação. Foi assim durante cinco anos.
Sua mente fora levada ao limite assim como seu corpo. A fada não podia mais suportar. Ao ver uma bandeja ser colocada ao seu lado, seu sangue ferveu e a raiva a dominou. Os ventos ao seu redor se agitaram e as correntes, mesmo enfeitiçadas foram destroçadas e o calabouço ruiu. Escapou da ilha voadora fugiu de suas perseguidoras durante anos e, ao despistá-las, entrou no Clã dos Pokémons Lasanhas.
Pensando que tudo aquilo houvesse acabado, relaxou e, devido a situação, destruiu uma pedra mágica que alertou as fadas, acabando na situação atual. Jamais imaginou que as fadas poderiam causar-lhe tantos problemas novamente.
Era sua culpa.
Matheus mantinha as fadas afastadas, o vento era inútil contra ele, pois ao se aproximar eles simplesmente se desfaziam. Notando que era inútil lutar contra ele, as fadas começaram a se afastar, algumas frustradas e outras assustadas, exceto por uma. Titânia que havia recuperado a consciência vinha voando em alta velocidade até eles.
— Esperem um pouco, isso vai acabar rápido – disse Matheus ao resto do grupo.
— Não! – falou Gabriela. – Isso é assunto meu, me deixa acabar com ela.
— Você nem ao menos consegue se manter de pé!
Gabriela virou o centro dos olhares com a observação de Victor, e ele estava certo. A fada apresentava dificuldades em manter-se em pé, suas pernas tremiam.
— Não tem problema, posso dar um jeito nisso – falou João inclinando-se para frente, pondo uma mão no braço de Gabriele e a outra no de Matheus. – Transferre vis inter bina sunt corpora, alterum altero praeterito voluntatem.
Imediatamente, sentiu-se renovada, enquanto João desmaiou, exausto devido as magias usadas.
Gabriela foi ao encalço de Titânia atingindo-a com seus ventos, porém a outra desviou e contra atacou atingindo a primeira que caiu no meio da floresta atingindo o chão e levantando uma nuvem de poeira. Ao descer para acabar com a adversária, Gabriela a atingiu lançando-a para o céu, logo após seguindo-a e socando seu rosto e chutando sua barriga. Titânia quase caiu sobre uma árvore, porém conseguiu parar a queda em meio ao ar.
Um tornado enorme surgiu atrás de si e foi em direção a Gabriela, arrancando diversas árvores do chão e fazendo a terra tremer. Gabriela controlou os ventos e logo três tornados estavam a sua disposição. Os dois primeiros destruíram o de Titânia enquanto o terceiro acertou a mesma, que gritou enquanto era levada de um lado pra outro do tornado.
Quando os ventos cessaram assim como o próprio tornado, uma porção enorme de terra encontrava-se desprovida de vegetação, e Titânia se encontrava lá, inerte.
Gabriela já retornava para junto dos amigos, mas parou e se virou ao ouvir um grito.
— Pare! Tem alguma coisa lá! – gritou Victor.
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