Já fazia três meses que Matheus havia deixado o grupo, os amigos o procuraram em todo o lugar, mas não tiveram sucesso. O garoto também não entrara em contato.

Até João se esforçou, tentou um feitiço localizador, porém não o achou. O feitiço deveria ser a prova de falhas e encontrar o alvo aonde quer que estivesse, mas infelizmente isso não ocorreu.

Gabriela e Larissa estavam caminhando pelo perímetro da cidade no final da tarde, voltando para casa. Estavam à procura do garoto, sem resultado, infelizmente.

— Onde será que ele se meteu? Foi embora há três meses e não disse a ninguém aonde ia – comentou Larissa desanimada e cansada.

— Talvez esteja no Mundo Inferior.

— No Inferno? Já pensei nisso, mesmo que o feitiço localizador de João não o encontrasse lá não haveria motivo dele permanecer tanto tempo naquele lugar principalmente sem avisar.

Ambas continuaram caminhando, nenhuma das duas dizia nada, estavam cansadas demais. Cansadas de procurar por Matheus.

Gabriela parou por um instante e encarou o céu. Pássaros voavam sem ser interrompidos pelas poucas nuvens, o sol deixava o horizonte com uma coloração alaranjada. Quando se virou para a outra seu rosto parecia vazio, sem emoções. Sua boca se abriu e fechou como a de um peixe.

— Lari, se eu sumisse também vocês iriam me procurar? – indagou com tristeza na voz.

— Hã... claro, eu acho... – respondeu com cuidado, tentando descobrir onde ela queria chegar.

— Não importa o tempo que levasse?

— Por que está perguntando isso? – gritou. – Sim, a gente iria te procurar, apenas precisaríamos de tempo para acha-la.

Gabriela abriu um sorriso. Um sorriso triste.

— Obrigada! – disse ela se afastando. – Mas acabou. Não temos mais tempo.

No instante seguinte, as roupas de Gabriela se transformaram, dando lugar à roupas e sapatilhas brancas assim como suas asas. Antes que Larissa tivesse a chance de se aproximar e pedir mais explicações, umas rajada de vento forte atingiu o chão entre as duas. Larissa raspou no chão e Gabriela bateu contra uma árvore.

Ao levantar-se, suas roupas transformaram-se em sua tradicional túnica cinza. Seus olhos foram de encontro ao céu, mal acreditando no que via.

Gabriela se recuperou do impacto e agora estava sentada com as costas apoiadas na árvore que atingira. Quatro figuras pousaram à sua frente. Fadas com vestidos de cores diferenciadas, assim como suas asas, e com lanças em suas mãos. A outra não fazia nada, não se defendia nem atacava, apenas as encarava sem demonstrar qualquer sentimento.

Uma das fadas, a que parecia ser a líder, de cabelos louros e vestido e asas amarelos, levantou a mão e uma gaiola prateada apareceu no chão. Gabriela se levantou e entrou nela, logo após isso a porta desapareceu, prendendo-a lá dentro.

Larissa se levantou, irritada com o que via.

— Quem são vocês? Soltem ela agora! – gritou. Sem esperar uma resposta ela pegou seu pequeno martelo de madeira que começou a crescer. Outra fada, dessa vez com vestido e asas violeta, deu um passo à frente e lançou uma rajada de ar que lançou a garota para cima, que caiu fortemente no chão.

— Não sei quem é você – disse a fada de amarelo. – Mas não se meta, garota. Isso é assuntos das fadas.

— Não estou nem aí. Gabriela é minha amiga e antes de levá-la terá que passar por mim.

Um sorriso apareceu em seus lábios.

— Com prazer. Jenna, cuide disso, por favor.

A fada violeta assentiu e se aproximou.

Larissa sentiu seus pulmões se esvaziarem. Tornou-se mais difícil de se respirar. Seu coração estava acelerado e ela estava perdendo a consciência. Seus joelhos tocaram o chão, era impossível para suas pernas sustenta-las.

Antes de desmaiar, o ar voltou e ela tornou a respirar normalmente. Não entendeu o que havia acontecido, mas encarou a garota de pé em sua frente e se preparava para atacar, mas o ar lhe faltou novamente.

Isso continuou acontecendo por minutos. Talvez horas. Larissa não sabia mais quanto tempo havia se passado. O ar faltava e ela sentia como se fosse asfixiar, mas antes que desmaiasse o ar retornava. Isso acontecia de novo. E de novo. E de novo...

Ela se encontrava caída agora, sem forças para levantar.

— Nada mal. Você aguentou muito bem, é muito fraca em combate físico por ser uma usuária do plano mental, mas estou admirada – falou a líder. – Como é seu nome.

— Larissa, a Juíza do Purgatório – respondeu. Na verdade, a garota não sabia o por que exatamente respondera a pergunta da outra. Mas não importava, mal tinha forças para se mexer, quem diria pensar racionalmente.

Ela levantou sua lança, provavelmente para matar a garota, quem nem pode processar direito o que via. Um estrondo forte chamou a atenção de todas as presentes para a gaiola. Gabriela havia atacado as barras com vento, mas não surtiu efeito, era como se elas nunca tivessem sofrido algum dano.

— Você veio aqui por minha causa e agora você me tem. Sua missão é me capturar e não matar essa menina. Não tem mais motivos para permanecer aqui, vamos logo – disse Gabriela.

A loura lhe lançou um olhar irritado, mas por fim saiu voando com as outras três fadas. A gaiola prateada com Gabriela flutuava no meio das quatro. Essa foi a última coisa que Larissa viu antes de desmaiar.