— COMO ASSIM ELES SAÍRAM? –perguntou Victor a Rafaela.

— Como eu disse – continuou ela impacientemente, era incrível como o garoto de óculos podia não entender algo tão simples –, César foi para algum lugar e levou Manu, Matheus, João e Larissa com ele. Era de manhã, nem me lembrei de perguntar aonde iam.

Isso era péssimo, depois de tanto tempo Victor finalmente decidira ir ao vale dos dragões e, justamente nessa hora, César resolve agir por conta própria e levar os companheiros a algum lugar. Não podia ficar melhor. Porém já que estava ali não desperdiçaria a oportunidade, não era um simples contratempo que o impediria.

— Então que seja você, tenho que ir ao vale dos dragões, ou ao que restou dele. Tenho que checar algo.

A loira o encarou surpresa, fazia meses desde que o outro o chamara para alguma missão. A última foi com os demônios e isso já era história passada. Ou quase passada, não é sempre que se chega perto da morte, porém desde que se juntou aquele grupo isso se tornara costume.

— Espere eu me arrumar ao menos – disse dando passagem ao outro que entrou no mesmo instante. Ele iria usar o tempo que tinha para chamar Arthur e Gabriela.

—

— Não vai funcionar – disse Miguel batendo a mão na mesa exigindo atenção, seu cabelo loiro encaracolado parecia ainda mais claro em contraste com o sol que adentrava o local. – Temos que fazer uma ofensiva direta. Tudo ou nada. Eles ou nós.

— Brilhante, genial, como você é inteligente, Miguel – exclamou Leandro com uma animação falsa e sarcasmo estampado na voz. – Exceto pelo fato de que nosso lado está em desvantagem, e a presença dele – disse apontando para César, que tinha os olhos fechados e massageava suas têmporas para acalmar-se, estava duas horas naquele lugar e queria sair o mais rápido possível, infelizmente isso iria demorar e só levantou o olhar ao notar que o rumo da conversa estava convergindo para sua pessoa –, confirma isso. Não iríamos pedir ajuda a essa espécie se isso pudesse ser evitado.

— Minha “espécie” – devolveu irritado, porém uma raiva contida –, está praticamente extinta, obrigado pela preocupação. Eu também não iria ajuda-los se eu tivesse opção, pois já deixei claro que não me importaria caso todos vocês fossem mortos, na verdade até gostaria que isso acontecesse. Não merecem minha ajuda, e me pergunto porque meu povo recebia ordens de lixos como vocês, devíamos ser patéticos mesmo – Miguel estava transbordando de raiva agora, porém Leonardo e Jael o contiveram, sem mostrarem terem sido ofendidos pelas palavras proferidas. – Mas Leonardo tem razão, uma ofensiva direta seria suicídio. Esperava mais de você, Miguel. O que aconteceu? Nunca imaginei que chegariam ao ponto de um arcanjo se deu nível decair tanto.

A reunião se seguiu por quase mais uma hora, até que optaram por atrair o inimigo para um local vazio e espaçoso, enviando o grupo de César como atacantes que entrariam diretamente no combate, enquanto outro pequeno grupo seguiria para as bases, as destruiriam causando pânico e confusão geral, assim como a perda de seus suprimentos, estratégia e dados. Não foi uma decisão adquirida com calma uma vez que Miguel tentava arrancar a cabeça de César a cada cinco minutos e o garoto não media suas palavras.

Quando finalmente foi liberado, César voltou caminhando para o apartamento, sentindo cada raio de sol aquecer sua pele enquanto ouvia os pássaros cantando com suavidade, apenas no momento em que se aproximara de sua hospedagem foi quem lembrou-se de algo que não havia perguntado, seu bom-humor se foi assim que percebeu que teria de voltar para o castelo. Diferente da volta, na ida foi voando, pois quanto mais rápido chegasse mais rápido sairia.

Caminhando pelo tapete vermelho nos corredores brancos aproximou-se com calma da sala. Mesmo sem entrar pode ser que havia alguém conversando e iria interromper essa conversa sem se importar sobre o que era, no entanto as palavras chamaram sua atenção e o menino se escondeu do lado de fora para poder ouvir melhor.

— Aquele demônio está com eles, tem certeza de que quer manter segredo? – indagou Jael.

— Sabe que ele tem direito de saber – disse uma voz feminina e César reconheceu ser a voz de Dayane, a anja que dera a sugestão acatada.

— Demônios não tem direito a nada, ele deveria estar feliz de ainda estar vivo em nosso território. Não precisamos de um demônio descontrolado com problemas emocionais à solta, isso complicaria ainda mais as coisas – respondeu Miguel.

— Mas mesmo assim... – começou Jael.

— Ele tem o direito de saber sobre Gadrel – declarou Dayane.

— Não! – gritou Miguel. – Não ousem contar a ele sobre Gadrel, isso não vai melhorar nossa situação em nada, e ainda que ele saiba não poderá fazer nada para mudar o que houve. Gadrel estará lutando como um dos comandantes do exército inimigo, nem ousem contar que foi ele que matou Aaba milhares de anos atrás.

Ao ouvir isso César abandonou o lugar antes que fosse encontrado. Contar isso a Matheus estava, definitivamente, fora de questão, era melhor que o garoto nunca soubesse. O primeiro ataque seria dali a dois dias e deviam se preparar. A primeira coisa era tirar a falecida, vulgo assassinada brutalmente, Aaba da cabeça. A melhor maneira de esconder isso de Matheus era sequer pensar no assunto.

Só ouvira aquele nome uma vez antes, em uma rápida conversa com a elfa Anna. Até onde podia se lembrar, Aaba era a mãe de Matheus.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.