A Lenda do Clã dos Pokémons Lasanha
7 Decisão
— Tem certeza de que podemos confiar nele? – perguntou Arthur.
Estavam todos reunidos no quarto de Victor agora que, assim como os outros, era pequeno. Havia um colchão com um travesseiro e algumas cobertas em um dos cantos junto a um criado-mudo, o resto do espaço estava desocupado. Estavam sentados em círculo, de modo que pudessem ver uns aos outros. Os únicos que não estavam presentes eram Fan e Matheus.
— Mas é claro que podemos! – respondeu Victor.
— Ele é um demônio! – declarou Larissa.
— Acima disso ele é nosso amigo! Um dos líderes e fundadores do Clã dos Pokémons Lasanha – falou Gabriela.
— Isso não muda o fato do que ele é – argumentou Cecilia.
— Ele não é um inimigo, se fosse jamais teria nos avisado sobre Satanás e os guardas demoníacos e muito menos ajudado a selá-los a 1.800 anos atrás – comentou Amanda.
— Vamos esperar um pouco pra ver o que vai acontecer – sugeriu Rafaela.
— Não sei, mas vamos tomar mais cuidado com ele de agora em diante – impôs Emanuele.
— Você fala como se ele fosse nos matar a qualquer momento – ironizou Amanda.
— Esperem um momento – ordenou César dirigindo a palavra a Victor. – Você sabia disso desde o começo e não falou nada?
O olhar de acusação de César era intenso, mas também demonstrava uma pequena raiva crescendo.
— Sabia – respondeu simplesmente.
— Se ele é realmente do Clã dos Demônios, então por que é tão fraco comparado a eles? – Indagou César novamente.
O silêncio tomou conta do local. O argumento do Filho da Luz possuía lógica. Os demônios eram considerados um dos clãs mais fortes existentes, possuíam grande força e perigosos poderes, como haviam comprovado com seus próprios olhos. Porém Matheus não demonstrara isso, foi facilmente derrotado por um de seus irmãos que sequer havia recuperado os poderes após ser libertado do selamento. Ele era forte, sem dúvidas, mas fraco demais para poder se comparar aos demônios.
— Ele nunca usa totalmente seus poderes – respondeu Victor recebendo alguns olhares de dúvidas. – Ele selou grande parte deles há muito tempo, mas não conheço os detalhes, isso é algo que Matheus nunca me falou.
— E ainda acha que podemos confiar nele? – perguntou Larissa.
— Tenho certeza! O que você acha? Lhe garanto que não vai se arrepender.
Larissa pensou por um momento, mas por fim tomou sua decisão.
— Se você diz, então vou confiar nele mais uma vez, mas ainda vou querer respostas.
Victor sorriu com a resposta da garota e, pelo que pode observar, os demais concordaram com ela, mesmo sendo cedo demais para afirmar alguma coisa.
—
A noite havia sido longa. Ninguém conseguira dormir direito devido as últimas descobertas. Alguns possuía olheiras evidentes e profundas.
Ao acordar arrumaram os quartos nos quais ficaram o mais rápido que puderam, desejavam voltar o mais rápido possível para onde deveria estar.
Fan lhes preparara o mesmo que a noite passada, após comerem se encontraram em frente ao templo.
— Já estão partindo – perguntou Fan.
— Temos que voltar o quanto antes, existem coisas importantes que devemos fazer por lá e não podemos perder tempo.
Fan lhes dirigiu um último sorriso antes de virar-se de costas a eles.
— O casebre da feiticeira fica a sudeste daqui, boa sorte.
No segundo seguinte os encontravam-se a caminho do velho casebre na floresta.
Ao chegarem na periferia do vilarejo sua velocidade diminuiu para fazer uma procura mais detalhada pelo lar da feiticeira, mesmo que soubessem onde ele se encontrava, não havia garantias de que seria fácil encontra-lo.
A primeira hora de busca havia sido em vão, porém demorou aproximadamente mais quinze minutos para achar o que parecia ser o que tanto procuravam. Era uma casa feita de madeira pobre que continha vários buracos e rachaduras tanto nas paredes quanto no teto, duas pequenas escadas levavam até a porta da frente.
Arthur subiu as escadas e bateu na porta que foi aberta logo após. Uma mulher que aparentava estar na casa dos 30 a abriu, possuía cabelos pretos e curtos e pele morena e suas vestes eram um kimono branco e uma tiara dourada.
— Eu estava esperando por vocês, entrem!
O interior era tão pequeno quanto aparentava, não havia parede dividindo cômodos, havia apenas uma mesa com alguns objetos em um dos cantos ao lado de um pequeno altar.
Ela ajoelhou-se no chão e o pequeno grupo imitou o gesto postando-se diante dela.
— Fan lhes enviou aqui para que eu os mandasse para seu mundo não foi? De fato eu posso fazer isso, mas há um preço – o silêncio no local era arrebatador e suas próximas palavras trouxeram um incomodo mútuo. – Para poderem retornar ao seu mundo um de vocês deve morrer para o portal poder ser aberto. Façam sua escolha!
O espanto dominou os olhos de todos. Alguns sentiam dúvida quanto a quem deveriam escolher, sendo que não queriam que alguém se sacrificasse para isso. Outros estavam assustados com a menção de tais palavras. Mas o sentimento em comum que pairava entre todos eles era o medo. Medo de serem escolhidos e de serem forçados a fazer essa escolha.
— O tempo está acabando – disse a feiticeira. – Já decidiram quem morrerá?
— Espere um pouco! Agora temos um tempo-limite? – indagou Rafaela boquiaberta.
— Têm! Um que está quase acabando.
Dois minutos se passaram, mas pareciam ser anos. A situação era sufocante e era difícil sequer pensar em algo. Porém o pior veio no segundo seguinte.
— O tempo acabou! Quem é o escolhido.
Não houve resposta. Necessitavam de mais tempo. Tempo que obviamente não teriam, não importa o quanto ficassem ali.
A feiticeira sorriu. Ato que foi estranhado por todos os presentes.
— Resposta correta!
Ao ouvir tais palavras todos os sentimentos que os rondavam foi substituído por apenas um: o espanto.
— Como assim resposta correta? Não dissemos nada – questionou Manu.
A feiticeira continuava a sorrir.
— E essa foi a resposta certa. Se vocês realmente sacrificassem alguém para conseguir realizar suas ambições, então tudo estaria perdido e o portal jamais se abriria. Não sacrificar ninguém foi a resposta certa – seu sorriso se estreitou. – Estão prontos para voltarem ao seu mundo?
Sua resposta foi um aceno de cabeça positivo acompanhado por sorrisos ansiosos.
— Nesse caso...
Um gesto de mão foi suficiente para um pequeno portal dourado se abrir e, um por um, os jovens o atravessaram até ele se fechar deixando a feiticeira sozinha em seu casebre.
— Ah! – exclamou massageando os ombros. – Fazer essas coisas é realmente cansativo. Seria mais fácil se Fan parasse de enviar para cá todo mundo que precisa de ajuda. Mas – um pequeno sorriso surgiu novamente em seu rosto – eles são os primeiros que não sacrificaram alguém para conseguir o que tanto almejavam. Eu gostaria de ver o caminho que vão trilhar, eles são realmente muito especiais. Então... que história será que vão me mostrar? – sua risada abafada ecoou pelas pareces de madeira até cessar completamente.
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