A Lenda do Anel
7 Capítulo 06- A Lenda
Capítulo 06- A Lenda
Acordei com a luz do sol batendo em meu rosto. Rolei de um lado para o outro, tentando voltar a dormir, mas qualquer posição era insuportável. Por fim levantei-me e tomei um susto ao ver duas meninas me encarando. A do lado direito tinha cabelos louros que iam até seus ombros, e olhos azuis claros. A da esquerda era uma morena linda, com olhos claros.
— Meu Deus! – grito colocando a mão sobre o peito. Elas se olham culpadas e depois murmuram;
— Desculpe-nos.
— Não, não. Tudo bem, eu é que não deveria ter me assustado assim. – falo rindo – hãm ... quem são vocês!? – pergunto sentando na cama e abrindo espaço para que elas possam sentar-se ao meu lado. Elas se olham mais uma vez e negam com a cabeça.
— Não seria apropriado sentarmos contigo, senhorita – avisa a do lado direito. Suspiro e dou três batidinhas na cama.
— Vamos lá meninas! Eu acho que não mordo – falo sorrindo. A da direita aceita e senta-se ao meu lado, enquanto a do lado esquerdo continua em pé. Reviro os olhos, é só uma cama e eu nem são tão gorda!
— Eu me chamo Mary – avisa a que agora está ao meu lado.
— Prazer Mary, me chamo Sophie – falo sorrindo e depois viro-me para a que continua em pé.
— Me chamo Yasmin, senhorita- cumprimenta ela finalmente.
— Por favor, me chame de Sophie – falo e elas assentem – Eu tenho uma dúvida. Por que hãm, sem querer ofender, você estão aqui?! – Elas se entreolham mais uma vez e dão uma pequena risadinha.
— O Rei pediu que ajudássemos a senho... tu – corrige-se ela.
— E no que eu preciso de ajuda, exatamente?! – pergunto
— Bom ... para vestir-se, banhar-se e ... – a interrompo.
— E por que, sem ofensa novamente, eu preciso de ajuda para banhar-me ou vestir-me?!
— Para facilitar tua vida! Penses, não precisas limpar, não precisar preocupar-se com vestimentas. – fala Mary
— Mas eu consigo fazer isso! – falo levantando-me da cama.
— Eu sei senhorita, mas é nosso trabalho! – fala Yasmin. Suspiro, ótimo agora sou incapacitada de vestir-me!
— Bom meninas, creio que precisarei da ajuda de vocês.
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Depois de me vestir e passar-me conselhos pedi para as meninas saírem. Elas conheciam o castelo muito melhor que eu, então me ajudaram a procurar lugares calmos, sem precisar ver ... pessoas.
Segui para o salão onde seria o nosso café e sentei-me ao lado de minha mãe. O salão estava agitado, com criados por todos os lugares, tentando servir todos. Além de minha família, o Rei convidou algumas outras pessoas. Percorri os olhos pelo salão e então deparei-me com Charles. Seus olhos estavam em mim, seguindo cada movimento.
— Então Sophie, – começou a Rainha, fazendo-me desviar os olhos de Charles- soube que precisou ausentar-se mais cedo ontem – Comentou ela.
— Sim Vossa Majestade. Senti-me cansada e precisei dormir um pouco. – Explico. O que não é totalmente mentira – Mas creio que deu tudo certo, quer dizer, que o príncipe achou sua noiva.
— Infelizmente não. – falou ela sorrindo tristemente.
— Não?!
— Não, minha querida. A verdadeira historia é que não seria Charles a escolher sua noiva, seria o Anel.
— Anel?! – pergunto confusa.
— Sim. Bom, recebemos uma visita um tanto inesperada há algumas semanas. Uma senhora veio até o castelo e falou que poderia ajudar-nos, sobre o casamento de Charles. Sua solução seria o Anel. Esse Anel sempre foi considerado uma lenda. Uma historia, ás vezes.
— Ah, A Lenda do Anel – comenta meu pai – todos os joelheiros a conhecem.
— Poderia contar-nos? – perguntou o príncipe Juan. Meu pai assente.
— “Há um século atrás, um reino corria muito perigo. Seu Rei estava prestes a morrer e seu herdeiro ainda não tinha casado, então não poderia assumir o trono. O príncipe queria casar-se com qualquer uma, mas todas as tentativas que foram feitas terminaram em tragédias.”
“ A rainha tentava fazer de tudo para que as coisas ficassem em paz, então rezou para que seu filho achasse uma mulher, a mulher de sua vida. Alguém que seria uma boa rainha, uma boa mãe e esposa.”
“ Alguns dias depois uma mulher apareceu no castelo, dizendo que a resposta para a oração da Rainha havia chegado. Ela apresentou o Anel para o príncipe, e falou-lhe que o Anel somente caberia na mão do verdadeiro amor do príncipe e que somente poderia ser retirado com a morte da portadora. O príncipe riu e falou que tudo era mentira. A Rainha ,por outro lado, acreditou e decidiu que um baile seria a melhor chance para achar o amor do príncipe.”
“ Todas as damas do Reino foram convidadas para o baile, mas ninguém sabia o que aconteceria. O Anel foi colocado em cada mão das donzelas presentes, mas não ficou em nenhum.”
“Ao calar da noite, todos os presentes foram para seus aposentos descansar, enquanto a criadagem limpava o palácio.”
“ Todas as criadas foram instruídas a não tocar no Anel, afinal o amor verdadeiro do príncipe não podia ser uma mera criada; Então uma criada foi instruída a arrumar o salão para o dia seguinte, onde o príncipe escolheria sua noiva, com ou sem anel.”
“ Ao ver o Anel a criada ficou encantada e ousou-se aproximar dele. Segundo ela, o Anel a atraia, assim como atrai um guerreiro para uma guerra. Um passo ... dois passos ... três passos ... ela foi se aproximando ainda mais. Então um clarão invadiu a sala e o Anel começou a brilhar. A jovem, hipnotizada com a beleza do Anel, ousou-se experimentá-lo. E uma vez que o Anel entrou em seu dedo, nunca mais foi retirado.”
— Mas o príncipe aceitou casar-se com ela?! – pergunto hipnotizada com a historia.
— Não. O príncipe falou que era mentira, que de algum jeito ela havia conseguido colar o Anel em seu dedo para tornar-se da realeza. O que veio a seguir foi pior:
“Com o passar dos tempos, a saúde do Rei foi piorando, assim como seu Reino. Doenças matavam crianças, soldados, damas. Tempestades deixavam as pessoas sem casa, sem família, com medo. As flores morriam, as arvores já não conseguiam mais aguentar e caíam. Tudo tornou-se uma loucura.”
“ A mulher que havia levado o Anel para o palácio retornou com um recado: Se o príncipe não se casasse com A Escolhida, não teria mais um Reino para governar, nem uma vida.”
“ A Rainha, apavorada com a possibilidade de todos no Reino morrer, decidiu fazer o casamento, sem o consentimento do príncipe e da criada. Quando eles aceitaram o Reino ficou em paz. Sem doenças, pragas, tempestades, mortos. Tudo voltou a sem o que era antes, mas o príncipe foi quem mais ganhou. Ele apaixonou-se pela criada, e então tiveram quatro filhos.”
“Quando a Rainha, a criada, morreu, o Anel se perdeu. Ninguém ouviu falar sobre Ele novamente. Mas muitos dizem que Ele foi a salvação do Reino, assim como o do coração do príncipe.”
— Uau papai. Que linda! – falei secando as lagrimas de meu rosto. Charles continuava a me observar, assim como um lindo rapaz que estava a minha frente.
— Será que esta historia que tu contou trata-se do mesmo anel? – perguntou a Rainha.
— Possivelmente, Vossa Majestade.
— Se tu o visse de perto, o reconheceria? – Perguntou o príncipe Charles, agora olhando para meu pai.
— Creio que sim. Não sei exatamente como ele é, mas tenho uma imagem que eu mesmo desenhei em minha cabeça.
— ótimo meu amigo! – fala o Rei – o que estamos esperando?! Vamos ao salão!
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— Então Sophie – começou o príncipe Juan juntando-se a mim – tu experimentou o Anel? – pergunta ele apontando para o centro do salão, onde estava o Anel.
— Não, vossa majestade. Como, acho que, soube, tive de me retirar mais cedo.
— Ah sim. O que achas de experimentá-lo? – perguntou ele com um sorriso no rosto.
— Sem querer ofender teu irmão, mas eu nunca seria A Escolhida. – Todos os outros estavam em volta do Anel, enquanto eu preferi ficar longe, bem longe.
— Mas o que custas tentar?- pergunta ele.
— Tudo! – falo rapidamente e depois mais baixo – quer dizer ... seria uma perda de tempo. Eu não gosto do teu irmão, e tenho quase certeza que o sentimento é reciproco.
— Acho que não. Ele olhou-te o café inteiro – Isto era verdade.
— Mas isto não significa nada. Aposto que ele já tem pretendentes, com ou sem anel.
— Ah, então soubestes de Katherine? És uma dama extremamente ... bom, não dama. A observo há meses e sei que ela e meu irmão possuem um ... caso. Com certeza não és mais virgem, como tu família pensa. Ela sabe que não terá nada serio com meu irmão futuramente, o que ele já deixou bem claro. Mas não significa que ela não possa estar em tua vida como ... amante, amante do Rei. – fala ele rindo – Aquela é Katherine – ela aponta, discretamente, para um dama muito linda. Possui cabelo cor de mel, cacheado e olhos castanhos.
— Hm – murmuro reparando nela.
— Sim, ela é linda. Mas aposto que só quer a coroa. Ontem, quando ela foi experimentar o Anel, fez um escanda-lo, pois não serviu. Os guardas tiveram de arrastá-la para fora da fila, já que ela não queria que outra experimentasse – ele ri – ela não entende que és só o brinquedinho de meu irmão. Quando ele se cansar dela arranjará outra. Isso sim seria um espetáculo para o castelo – ele ri e sai andando. Balanço a cabeça, rindo também, e decido ir para o jardim.
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