A Lenda de Yuuki - Livro 1: Medos

2 Capítulo 2 - A Luz em Meio as Trevas


Notas iniciais
Tive a chance de introduzir mais alguns personagens na história, tanto novos quanto recorrentes. Espere fortes emoções durante o capítulo!

– Yuuki! Ei, volta aqui, Yuuki! – Junji me chamava, mas eu não o respondia. Preciso sair do mundo espiritual, preciso falar com o Nazai. Acalme-se, Yuuki.

Sempre tive facilidade de entrar no mundo espiritual, mas extrema dificuldade de sair. Nazai me ensinou que preciso estar com a mente em paz para encontrar o caminho de volta para meu corpo.

– Yuuki!! Onde você está?! – Junji não desistia.

Enquanto eu não falar com ele, eu não terei o sossego necessário. Decido aparecer e falar com ele.

– Estou aqui, Junji... – Disse enquanto acenava na direção dele.

– Yuuuuuuuuuukiiiiiiii!!!!!! – O cogumelo louco veio voando de encontro ao meu rosto, agarrando-o com suas asas. – Por que você saiu correndo?! Eu pensei que você tinha me abandonado!! Uwaa!! – Junji disse com um tom choroso.

É tão estranho ter alguém que se importe comigo dessa forma.

– Calma, Junji – disse enquanto o acariciava – eu nunca vou te abandonar, amigo.

– Acho bom!!

O agarrei, e o desgrudei do meu rosto. Ainda era possível sentir sua aflição.

– Junji, preciso que você me deixe sozinha agora, se não eu não serei capaz de voltar para o meu corpo.

– Eu irei, mas se você me responder uma pergunta! – Disse ele, sério. – Você vai voltar, não é?

– É claro que vou, Junji! Não se preocupe. Agora vai!

– Tá, tá! Já tô indo! Tchau, Yuuki!

E dizendo essas palavras, ele voou para longe.

Finalmente pude me concentrar, e em poucos consegui retornar ao meu corpo. Nazai estava meditando ao meu lado.

– Finalmente voltou, Yuuki. Fiquei preocupado, tendo em vista que você nunca ficou tanto tempo no mundo espiritual.

– Eu encontrei o General Iroh, da Nação do Fogo, em uma árvore, e ele me falou sobre o Avatar...

Os olhos de Nazai brilharam como faróis, era como se o mundo dele se enchesse de esperança novamente. Eu não posso dizer o que o Iroh me disse, isso faria com que ele ficasse triste, não é?

– Então, o que ele falou? Ele sabe onde, ou quem, é o Avatar? Yuuki, não esconda nada de mim, por favor!

Comecei a estremecer, gotículas de suor escorriam pela minha testa.

– Ele... eu... hã...

As palavras não saíam, era como se minha voz sumisse nos momentos em que eu mais precisava.

– Ele não sabe sobre o Avatar, não é? – Nazai disse, com os olhos cheios de lágrimas.

Me corta o coração, mas não posso contar, isso só traria uma decepção maior. Se eu contar, ele depositará todas as esperanças em alguém que nem sequer dobra algum elemento.

– Não tem problema – ele disse, secando os olhos. – vou apenas continuar meditando aqui. Você poderia ir à cidade e comprar alguns suprimentos? Iremos viajar para a Tribo da Água do Sul.

– Tribo da Água do Sul?

– Preciso visitar meu irmão. Temo que ele já não esteja tão forte quanto ele costumava a ser.

O irmão do Nazai era um guerreiro do exército da Terra, mas após uma vida de batalhas, decidiu se instalar na Tribo da Água do Sul. Nazai nunca me contou muito sobre seu irmão, apenas que ele agora está doente.

– Voltarei o mais rápido possível, Nazai. – Disse a ele enquanto me levantava. – Estarei aqui antes do pôr-do-sol.

Me retirei da sala de meditação e iniciei minha caminhada até o bisão do Nazai. Apesar de não acreditar no que o General Iroh disse, sinto que de alguma forma, ele não estava mentindo. Ele falava com o coração.

Mas por que eu? Isso não tem o menor sentido.

– Huooo...

– Olá, Pip, como o meu bisão preferido está?

– Huoo.

Subi nas costas do Pip, e levantei voo, em direção à cidade.

*

A cidade de Zion, era a mais próxima do Templo do Ar. Serviu de refúgio para boa parte do povo da Nação do Fogo quando o Avatar Soushiro lutou contra uma organização Anti-Paz. A guerra durou três anos, o suficiente para que muitas vidas fossem perdidas. Uma delas, foi a do Avatar.

– Pip, vamos descer aqui.

– Huoo...

Ao aterrissar, peguei minha bolsa com alguns Yuans, e fui ao mercado da cidade. Tudo estava calmo, as pessoas faziam suas compras de forma tranquila, porém veloz.

O mercado era um lugar muito bem estruturado, porém era formado de ruas estreitas, e cheias de becos, alguns sem saída.

Parei em uma venda de frutas, peguei algumas, e segui meu caminho. Era isso que eu queria, mas não foi bem assim que aconteceu.

– Hehehe... – Um cara, que movia pequenas pedras por entre os dedos, me despia com os olhos. Nojento.

– Ei, espera um pouco... não quer dar uma voltinha comigo e com os meus amigos, hein? – Mais deles apareciam das sombras, era fácil de perceber que eram todos dominadores, e ladrões.

– Eu não estou muito afim... agora se não se importa, você poderia me deixar pas-

Pude sentir um braço se enroscar no meu pescoço, abraçando-o.

– Claro que poderíamos, mas não vamos, não é pessoal? Hahaha!

– Claro que não. Hahaha!

Nazai sempre me avisou para tomar cuidado, nunca entrar em becos. Por que eu não prestei mais atenção? Droga, como vou sair dessa agora?

– Se eu fosse vocês, deixaria ela ir.

Uma voz. Feminina. O que ela tá fazendo?!

– Ou você vai fazer o q-? – O ladrão que antes mantinha uma panca de valentão parecia um cachorrinho assustado quando percebeu com quem estava falando.

– Wei?! Ei, espera aí! Eu não estava fazendo nada demais! Não é mesmo, galera! Ha... ha...

Sem mesmo ter a chance de correr, rajadas de fogo foram lançadas contra eles. Todos eles caíram um por um, sem chance de se defender, enquanto que nem ao menos uma faísca chegou perto de mim.

Assim que tudo acabou, Wei estendeu sua mão para mim, me ajudando a levantar.

– Você é a dominadora de ar que vive com aquele nômade esquisitão, não é? Por que não se defendeu?

– Eu não sou uma dominadora, só sigo ele nas viagens.

Pude sentir o olhar confuso direcionado para mim. Eu pareço tanto assim com uma dominadora?

– Então faz sentido.

– O quê?

– Você não ter se defendido. Afinal se você fosse uma dominadora, teria dado uma surra nesses palhaços.

Acho que mesmo se eu fosso dominadora eu teria capacidade de machucar alguém. Ainda mais se os meus ataques machucassem muito.

– Quer uma escolta até o Templo? Prometo não cobrar nada! – Wei disse enquanto fazia um “jóinha” para mim. – Ah, vamos lá! Eu sempre quis conhecer esse tal Templo do Ar!

Acho que o Nazar não vai ligar se eu a levar, ainda mais se ela estiver garantindo minha segurança.

– Tudo bem, eu acho...

– Ótimo! Como chegamos lá? Deve ser voando, não é? Vamos! Diga que é voando!!

Parece que ela está muito feliz. Gostaria de ter essa felicidade toda.

*

Wei me ajudou a finalizar as compras, e em menos de algumas horas conseguimos chegar ao Pip.

– Uuuuuuaaaaaaauuuuu! É um BISÃO VOADOR!! – Os olhos da Wei saltaram das órbitas, sua felicidade era cativante.

Eu nunca pensei que veria alguém que ficaria tão feliz em ver um bisão voador. Quero dizer, além de mim. A primeira vez que o Nazai me mostrou o Pip, a minha reação foi igual à da Wei, mas na época eu tinha apenas dez anos, já a Wei parece ter pelo menos dezoito.

– Vamos logo! Voa! Vai!

– Temo que não seja assim que o Pip trabalha, Wei... – disse a ela enquanto escalava o Pip. – Precisamos usar uma palavra mágica.

Wei passou a mão em seus cabelos negros e a levou até a testa. – Uma palavra mágica? Hmm... deixa eu pensar. Tipo, “upa, upa!”? Isso! É “upa, upa” não é?

– É, Wei, não foi dessa vez, mas foi próximo. Vamos lá, Pip, Yip, Yip!

– Yip, yip? Sério mesmo?

– Aham.

Pip levantou voo, e a felicidade da Wei só aumentava. Pensando bem, é a primeira vez que tenho uma companhia que não seja o Junji ou o Nazai.

A brisa acariciava meu rosto com uma enorme leveza. Quando eu voo com o Pip, parece que eu e o ar somos um só, é um sentimento indescritível.

– É, então... você tá me levando pro Templo do Ar e tudo mais, mas você nem me disse seu nome. O meu nome é Wei, como você já soube pelos arruaceiros de antes. – Wei disse isso enquanto coçava a parte de trás da cabeça.

– Meu nome é Yuuki, prazer em conhecê-la, Wei. – Estendi minha mão.

– Um nome bem bonito, e pela sua aparência, você não é da Nação do Ar, certo? Seus olhos são fortes, como os de um cidadão da Nação do Fogo. – Wei continuou falando enquanto retribuía o aperto de mão.

– Nasci na Nação do Fogo, mas após alguns problemas precisei me afastar de lá.

– Você é uma criminosa?! Uau!

– N-não! Não sou uma criminosa! E por que você ficou tão feliz?

– É que o que é perigoso sempre me atrai...

– Então vou ter que te decepcionar, e dizer que não sou perigo... sa...

Wei olhou para o mesmo lugar que eu, e pôde entender o porquê do meu silencio.

O Templo do Ar.… queimava.

– É.… acho que o Templo do Ar não solta fogo, não é?

– NAZAI!! Pip, mais rápido!

Pip passou a voar mais depressa, mas não sei se vou chegar a tempo.

*

– Pip, desça já!

– Ei, Yuuki, espera aí! – Wei gritava, mas eu nem ligava para o que ela dizia, pelo menos não até ela me segurar pelo braço.

– Me deixa! O Nazai está em perigo!

– Eu sei, mas se você for correndo descuidadamente, você é quem ficará em perigo!

Ela está certa...

– Então me diga o que fazer!

– Apenas me diga para onde ir, eu te protejo.

– C-certo. Por aqui.

Começamos a correr feito loucas, mas não havia sinal de qualquer ser vivo no Templo, apenas fogo e pedras. O único lugar que restava era o salão de meditação, no topo do templo.

Assim que chegamos na frente da enorme porta que nos separava do salão, algo maior, uma espécie de força, me impedia de avançar–– era o verdadeiro medo.

– Yuuki? Por que você parou? Vamos! – E com um apenas um chute, Wei derrubou a porta.

Dentro do salão estavam Nazai e um homem, aparentemente outro dobrador de Ar, lutando. Rajadas de ar faziam com que tudo que as encontrasse se despedaçasse. Quando ambos ouviram o barulho que Wei fez ao abrir a porta, cessaram a batalha.

– Vejam só... é a queridinha do Nazai. Yuuki, não é?

– Saia de perto do Nazai, seu monstro!

– Monstro? Eu só estou tendo uma conversa com o seu velho. – Ele disse enquanto girava o seu planador no ar.

Nazai estava ferido demais. A idade para ele agora é apenas um empecilho.

– Não ouviu ela não, ô palhaço! – Wei gritou. – Sai logo de perto do velhinho! – Labaredas de fogo foram lançadas contra o homem.

Como esperado de um dobrador de ar, ele desviou de todas as labaredas com uma enorme graciosidade. Entretanto, ele realmente recuou.

– Tsc! Uma dobradora de fogo logo aqui e agora? Teremos que conversar depois, Nazai. – O homem abriu o planador e sumiu por entre as nuvens.

Fui correndo em direção ao Nazai, seus ferimentos pareciam graves. O coloquei em meus braços.

– Vai ficar tudo bem, Nazai. Eu vou cuidar de você.

Nazai passou a mão em meu rosto, secando minhas lágrimas, e disse:

– Eu quero que você me prometa que vai viver sua vida, Yuuki... não deixe que meu sonho se torne o seu também... por favor... me prometa isso.

– Do que você está falando?! Você vai ficar bem, para de brincar, Nazai!

Nazai me olhou com lágrimas nos olhos. Wei permaneceu calada, na frente do salão.

– Você ainda lembra do meu sonho, não é, Yuuki? Encontrar o Avatar, e ajuda-lo a restaurar o equilíbrio...

– S-sim...

– Saiba que eu o encontrei. Eu... encontrei o Avatar, Yuuki...

Fiquei atônita com essas palavras, Nazai encontrou o Avatar? Droga, isso não é hora de se preocupar com isso!

– Do que você está falando, Nazai? Pare de falar, preciso fazer curativos em você!

Os olhos de Nazai foram se fechando aos poucos, e as palavras escapavam suavemente da sua boca.

– Para mim, você foi a esperança, Yuuki... para mim, você foi o meu equilíbrio.... Você foi o meu... Ava... tar...

– Na...zai...? Ei, Nazai, para de brincar, é sério! Eu não sou o Avatar! O Avatar não é covarde, ele se preocupa com o mundo, ele ajuda as pessoas, ele... ele...

Mais lágrimas escorriam como uma cachoeira. Wei pôs a mão em meu ombro.

– Yuuki... a gente precisa sair daqui o templo está com a estrutura comprometida.

– Não!! Eu vou ficar aqui, com o Nazai, eu sei que ele vai acor-!

[TAPA]

– Ele tá morto! Você acha que ele ia querer que você morresse com ele aqui? Você ao menos ouviu o que ele te pediu? Acorda, garota! Anda logo!

Wei me agarrou pelo braço, e me arrastou para fora do templo. Quando me dei conta, já estávamos encima do Pip.

Não lembro por quanto tempo voamos, mas foi o suficiente para que eu ao menos conseguisse dormir.

A pura e simples escuridão. Era isso que eu conseguia ver e sentir. Entretanto, uma voz no meio da escuridão, me alcançou, e com ela, a luz.

– Yuuki... o mundo precisa de você.

Um homem vestindo roupões verdes apareceu na minha frente. Seus cabelos castanhos desciam até a cintura. Era o Avatar Soushiro.

– Eu também passei por isso, também tive medo, mas tive ajuda. Essa maluca aqui me ajudou.

Soushiro apontou para uma silhueta de uma mulher, que logo tomou forma. Olhos azuis, e cabelos curtos. Avatar Korra.

– Eu não sou maluca, mais respeito com o você do passado, Soushiro.

– O que vocês estão fazendo na minha cabeça? Por que ninguém me deixa em paz?

– Porque nós dois somos você, durr! Korra deu um peteleco leve na minha testa.

– Exatamente. – Soushiro confirmou com a cabeça.

– Eu já disse que não sou o Avatar! Por que continuar com essa história? – Queixei-me.

– Você está me chamando de mentirosa, mocinha?

Claro que não, Avatar Korra! Eu nunca faria isso!

– Esse é o problema, você não faz nada!

– Pega leve, Korra...

– Não, ela tem razão, eu sou um fracasso. Mas eu quero mudar! Me ajudem, por favor!

– Hm... ela parece estar determinada, não acha, Korra?

– Talvez.Korra deu de ombros.

– Infelizmente, Yuuki, nós não podemos mudar você, mas podemos guia-la. – Soushiro comentou.

– Você ao menos sabe o porquê de não conseguir dobrar? Korra perguntou.

Os dois estão falando coisas diferentes, de maneiras diferentes. Eles poderiam ter treinado isso antes.

– Korra, eu tô tentando dar uma lição de vida pra ela e tudo mais...

– E eu tô tentando fazer ela entender o que há de errado com ela, Soushiro!

Parece que eles concordam comigo. Total falta de sincronia.

– Eu volto depois, vou deixar a Yuuki com você então. Yuuki, a Korra parece meio mandona, mas ela é legal, pelo menos ela vai direto ao ponto, hahaha! Bom, melhor ir! Tchau~

Soushiro desapareceu, não me dando tempo de me despedir. Apenas a Avatar Korra permaneceu diante de mim, aparentemente esperando a minha resposta.

– Se eu sou o Avatar, por que eu não consigo dobrar? Eu não deveria ser a pessoa que domina os quatro elementos?

– Vaatu. – Ela me disse, com um tom seco.

– O que a entidade que representa o caos tem a ver com isso?

– Vaatu a está impedindo de se conectar com Raava, e é você que o fortalece. O medo o fortalece, e enfraquece Raava. Se você quiser ter alguma chance de dominar algum elemento, terá que compreender a verdadeira essência de cada um, e isso, você terá que descobrir por conta própria.

Korra começou a desaparecer, da mesma forma que Soushiro.

– Vaatu está interferindo com a nossa comunicação. Tsc.

– Espere, não vá! Eu tenho tantas perguntas!

– Eu sei, mas elas terão que ficar pra próxima, Avatar Yuuki.

[...]

Assim que Korra desapareceu, acordei do meu sono. Wei ainda estava do meu lado, dormindo. Pip pousou em um campo, estávamos em terra firme. Me levantei, pensando no que sonhei.

– Eu alimento Vaatu... – sussurrei.

Continuei pensando, enquanto o mundo continuava girando.

Notas finais
Obrigado a todos que leram! Lembrem-se que seu feedback é de extrema importância para a melhora como um todo da história! Até o próximo capítulo!