A Lenda de Yuan
5 O Solstício se aproxima
Notas iniciais
Ao fazer-me vítima do mundo dos sonhos, fui levado para um lugar onde, há muito, não visitava. Intrinsecamente transportado para a escuridão do meu subconsciente. O labirinto sem solução, recheado visões tão vívidas quanto quando desperto. Mas o lugar onde eu habitava não parecia ser simplesmente um sonho ou uma visão. Era real. Uma mulher negra, de vestes características da tribo da água estava diante de mim. Seus cabelos eram curtos, castanhos, e os olhos tão azuis quanto o próprio mar.
O corpo da jovem estava envolvido por uma tênue luz azul, representando-a como um espírito. Nos encaramos por alguns instantes, como se uma conexão intensa existisse entre nós dois. Parecia uma dobradora no auge de seu poder, repleta de vitalidade, embora imaterial — apesar de ser um espírito, ainda estava viva. E estava viva dentro de mim. Ela não parecia ser capaz de se comunicar comigo. Pude vê-la por poucos instantes, até que desaparecesse em meio a uma eclosão de fumaça. Depois disso, ainda no mundo onde imaginei serem meus próprios sonhos, tive a visão de um cometa. Ele queimava intensamente, riscando os céus em estupenda velocidade. O calor era tão forte, que mesmo em um universo além da realidade, pude sentir a imensa energia que ele transmitia. Uma energia assustadora. E, por último, um homem mascarado apareceu das sombras, vestindo um capuz negro. Meu corpo inteiro foi tomado por um arrepio, mas não um arrepio comum; eu estava vivendo aquele sonho — sonho? não, pesadelo — com extrema realidade, algo que eu nunca presenciara antes.
Quando me dei por mim, estava na minha cama na Ilha do Templo do Ar. Era noite. A janela estava aberta, privilegiando-me com uma soturna visão da lua nos céus e refletindo sua beleza na água, iluminando suas ondas como se pequenos cristais estivessem distribuídos milimetricamente pela baía de Cidade República. Meu medo deu um jeito romanticamente doloroso de fazer o cenário noturno tão bonito e assustador. Não estava calor, mas meu corpo suava; e não era um suor comum — era um suor frio. Suor de pavor. Minha respiração estava ofegante, pesada. Tudo que acabara de vivenciar parecia tão real. Com certeza não conseguiria pegar no sono novamente, ou talvez conseguiria, mas o meu medo falava mais alto.
Um pensamento repentino se passou por minha cabeça, como um flash, e eu me lembrei de Fang. Não o via desde aquele acontecimento. Segui até o seu quarto e deslizei sua porta para a lateral lentamente, esperando encontrá-lo lá, dormindo, e foi o que vi. ‘’Ele fica bonito dormindo, pra um menino.’’ foi o que pensei. Fui até o pátio do templo e evitei fazer barulho para não acordar ninguém, até finalmente chegar na parte externa e alcançar o círculo yin e yang feito de mármore. Assumi a postura conforme o filho de Mako havia me ensinado; pernas levemente espaçadas, braços posicionados.
Deixei com que minha respiração fluísse, assim como meu chi. Eu o senti percorrendo todo meu corpo. A dobra de fogo não era um grande empecilho para mim. Um soco direto no ar e eu senti a energia ser expulsa na forma de um jato de fogo, que dissipou-se. Não estava bom o suficiente. Bohai, no fim de contas, estava certo. Minha mente era um empecilho. Eu sabia que minha dobra estava vindo dos músculos, da minha fúria, e não da minha energia, como deveria ser. Mas eu a aprimoraria da minha forma. Fiz com que uma pequena centelha de fogo aparecesse na palma da minha mão e aumentei meu chi, fazendo com que, gradativamente, seu tamanho aumentasse.
Eu não sabia as formas de luta, então decidi treinar apenas meu controle sobre o fogo. Eu percorri as chamas pelo ar, desenhando um risco avermelhado que contrastava a escuridão noturna, e fechei os punhos, em um movimento semelhante e um soco, de cima para baixo, fazendo com que o fogo se chocasse contra o solo de mármore e desaparecesse. Embora eu quisesse ludibriar a mim mesmo que estava praticando a dobra de fogo, eu sabia que meus pensamentos estava em outro lugar: no meu sonho. Estava prestes a fazer outro disparo, até ser interrompido.
— Acordado, Yuan?
Eu olhei por cima do meu ombro e pude ver o filho de Tenzin, Rohan, aproximando-se. Ele vestia um manto típico dos Nômades do Ar, e a capa vermelha arrastava pelo chão. Os olhos cinzentos do dobrador de ar percorreram toda minha silhueta, em uma análise silenciosa, até que ele finalmente prosseguiu:
— Vejo que seus pensamentos estão inquietos, jovem Avatar.
— Eu acabei de ter um pesadelo — respondi para Rohan. Mesmo que tenha sido só um pesadelo, tocar no assunto me deixava desconfortável — ainda que fosse simplesmente para comentar sobre. — Estava com medo de dormir e sonhar com aquelas coisas novamente, então vim pra cá.
— Você sabe que, para um Avatar, os sonhos raramente são só sonhos, certo?
— Não — eu disse, sincero. — Eu não sei nada sobre a vida de um Avatar.
— Com o que sonhou, Yuan?
Eu contei a ele sobre todo o meu sonho, todas as visões, e dei ênfase no cometa. Rohan pareceu pensativo, tão pensativo que seria possível ver as engrenagens girando em sua cabeça. Ele destinou seu olhar aos céus por alguns instantes, antes de voltá-lo para mim.
— Entendo — concluiu, após um breve momento de quietude. — Yuan, você precisa se comunicar com Korra o mais rápido possível.
— Eu não sei como fazer isso — falei, como se fosse óbvio. — Eu não sabia que era o Avatar até uma semana atrás!
— O solstício está se aproximando. — Rohan ergueu seu olhar para o céu. — A conexão entre os nossos mundos fica mais poderosa, e você pode absorver a energia dele para contatar Korra. Ela é parte de você.
— Quanto tempo temos até o solstício?
— Algumas semanas. Jovem Avatar, presumo que você deva se apressar para dominar os quatro elementos, se não… — ele pareceu perder a noção do que ia dizer, mas rapidamente recuperou. Arregalou os olhos ao ver minha expressão e fechou a boca novamente. Silêncio. Assim como aquele dia, em Ba Sing Se. Decidi não perguntar, já que, sem dúvidas, ele não me responderia, então mudei de assunto.
— Rohan, aconteceu outra coisa, também. Eu e Fang fomos emboscados por… algo. E eu não sei dizer o que aconteceu depois.
— Eu já sei dos detalhes — interviu ele. — Seu amigo já me contou tudo. O Avatar é poderoso, Yuan. Além de ser mestre dos quatro elementos, quando em um perigo eminente ou em influência de grandes emoções, seu espírito desperta para protegê-lo de ameaças. Seu poder se eleva ao máximo, muito além de qualquer outro dobrador, até mesmo o mais poderoso mestre.
— Mas… eu já estava com medo e em perigo desde o começo. Mas eu não sei porquê, só sei que quando vi o Fang naquele estado, eu pensei que ele estava… — eu torci os lábios, esforçando-me para concluir a frase — Achei que estava morto.
— Isso tem um significado, mas só você pode descobrir, Yuan. — E uma espécie colapso inconsciente ocorreu. — O amanhecer se aproxima.
— Você sempre acorda essa hora?
— Sempre. Ver o dia amanhecer é uma experiência única, além de ser saudável. É o melhor horário para se meditar, segundo Jinora e meu pai.
— Como posso contatar Korra?
— Bem… — Ele pareceu refletir sobre o assunto, antes de encontrar uma resposta. — Você pode ir até o templo construído em sua homenagem, bem aqui, na Cidade República. Lá, existe uma estátua da Avatar Korra, e a luz do solstício atingirá bem em seu centro. Além disso, você também pode tentar contatá-la através de meditações.
— Eu vou tentar. Obrigado, Rohan.
E uni as mãos, inclinando suavemente o tronco e agradecendo ao filho de Tenzin.
Aos poucos, pude perceber a noite escura transmutando-se, não que eu fosse capaz de acompanhar, mas não levaram tantas horas até que o sol aparecesse por trás dos prédios, atribuindo um tom azul claro para o céu. As nuvens, limpas, anunciavam mais um dia de calor na Cidade República. Passei todo o restante de madrugada treinando, até que, finalmente, os acólitos e dobradores do ar levantaram, bem cedo.
Como agora o Templo do Ar era lar de mais pessoas do que na época que Korra estava viva, agora tinham mais construções, tal como um pequeno salão onde os membros da Nação do Ar se reuniam para comer. Eram poucos, se comparasse com os membros dos outros templos, era mais como uma grande família. Meus medos ainda me aterrorizavam, resguardados dentro de mim; mas, no final, preferi mantê-los bem dentro dos meus pensamentos, onde ninguém — como meu irmão — poderia usá-los como arma.
O café da manhã dos monges não me parecia tão saboroso; grãos, frutas e bebidas feitas de frutas. Por sorte, minha mãe fez os bolinhos de arroz que eu amava. Por algum motivo, eu tive a sensação de que ela estivera me dando mais atenção desde que descobrira que eu era o Avatar, o que, aparentemente, não agradou muito o meu irmão. Ele raramente olhava direto para mim, às vezes trocavamos olhares, mas ele não demorava para olhar em outra direção. Por algum motivo, enquanto estávamos sentados à mesa, eu não conseguia parar de reparar em Fang. A forma como seus cabelos caíam na frente dos olhos de vez em quando e ele os tirava eram até que bonitas, para um menino. Decidi não pensar muito sobre isso.
Depois de comer, fui para o lado de fora, onde ficava o círculo Yin e Yang. Pensava muito em meu pesadelo, em como eu vira uma imagem tão real de Korra, e aquelas coisas queriam dizer. Meus pensamentos estavam completamente nublados, ao contrário do céu acima de mim. Meu irmão apareceu após um determinado tempo, não consegui perceber exatamente quando ele chegou. Só pude ouvir sua voz logo atrás de mim.
— Você parece assustado.
— Não estou assustado.
Eu me virei para ele, tentando me convencer da própria mentira.
— Você franze as sobrancelhas quando está mentindo.
E foi só quando ele falou que pude perceber que minhas sobrancelhas estavam unidas. Devo ter ficado vermelho.
— Eu… não estou mentindo! E não estava franzindo as sobrancelhas.
— Olha, começamos errado — ele contraiu o maxilar quando começou a falar, como se em dúvida se prosseguia ou não. — Você ainda é meu irmão. Eu fiquei sabendo do que aconteceu. — E seus olhos voltaram-se para o mar, em conjunto com um suspiro. — Seu amigo me contou tudo. Não sei como eu me sentiria se você tivesse sido capturado ou coisa pior.
Foi como se o peso dos céus fosse retirado dos meus ombros. Eu não acreditei no começo; pensei que fosse uma piada. Mas não era, ou, pelo menos, o rosto do meu irmão transmitia seriedade e convicção.
— Tudo bem, Shun. O que eu não entendo: quem eram aqueles caras?
— Eu também não sei. Não que eu estivesse espionando ou ouvindo escondido, mas eu pude ouvir Ikki, Rohan e nossos pais conversando. Aquelas pessoas eram…
E nossa conversa foi interrompida, quando, a partir do rádio, uma voz áspera como facas se amolando saiu. Não sei porquê, mas tanto eu quanto Shun parecemos ficar em um dilema sobre chamar alguém ou não. Nos entreolhamos até desistir da ideia.
— O Avatar está em Cidade República. — falou a voz desconhecida. — Mestre de todos os elementos. Ele estava se escondendo, como um rato. Mas ele ainda não é um Avatar totalmente realizado. É apenas um dobrador de terra. O perdido ressurgirá, Avatar. O legado de Aang e Korra será quebrado. Nós iremos voltar das cinzas, fogo e punhos, unidos pela sua destruição, Avatar. Nada mais justo se comparar com o que você já fez antes.
E, assim, o rádio desligou novamente. Eu teria recebido um soco no estômago bem melhor do que esse anúncio, feito por alguém nada menos do que ninguém. Eu não fazia a menor ideia do que essa pessoa estava falando, ou sobre o quê se referia. Mesmo Shun parecia impressionado — ou aterrorizado — com o que acabara de ocorrer. Parecia muito conveniente que meu sonho com o cometa e o homem mascarado tenha sido no mesmo dia que essa possível ameaça. Um silêncio assombroso se formou, tanto eu quanto meu irmão não arriscamos dizer a primeira palavra. Teria ficado assim, se Fang não tivesse chegado. Ele me pareceu ansioso para falar comigo, com um sorriso contido traçado em seu rosto. Meu irmão bipartiu a atenção entre nós dois e disse:
— Vou deixá-los sozinhos.
E, sem esperar resposta, partiu. Foi quando meu amigo parou bem perto de mim e deixou escapar um suspiro de alívio.
— Fang. — Eu o olhei por alguns instantes, confuso sobre o que deveria dizer. — Fico feliz que esteja bem.
— Digo o mesmo — respondeu. — Você desmaiou depois do que houve. Mas, agora, todo mundo sabe.
— Sabe o quê?
— Sabe sobre você. A estátua de Korra acendeu, e isso não foi apenas em Cidade República. — Ele mordeu os lábios, nervoso. — Acredito que tenha sido no mundo todo.
— Como chegamos aqui?
— Veja, promete que não fica irritado?
Eu fiz que sim.
— Então o.k. Bem, Ikki parecia incerta sobre nos deixar sozinhos, à noite, na cidade, então ela mandou que uma dobradora de ar nos seguisse.
Conforme falava, ele uniu a ponta dos dedos indicadores uma a outra, desviando o olhar para o chão. Eu provavelmente fiz uma cara nada amistosa. Pudera, afinal, nunca gostei que me privassem da liberdade. Tentei soar o mais calmo possível:
— Quem foi a dobradora de ar?
— Eu só vou dizer se você prometer que não vai brigar com ela — falou, com convicção.
Era óbvio que eu não ia fazer o que ele me pediu, mas decidi fingir que concordei com seus termos. Novamente, em silêncio, eu assenti com a cabeça.
— Ela se chama Seoyin. É aquela garota de cabelo castanho que costuma cuidar dos jardins.
Não me parecia estranha. Eu já vira na ilha alguém como ela — embora fosse difícil dizer com exatidão — e que estava sempre cuidando dos jardins. Pensei por alguns instantes, tentando ao máximo me lembrar com perfeição do rosto da dobradora de ar. Então, dei as costas para Fang e segui até os jardins do templo.
— Ei!
Ele falou, atrás de mim. Decidi continuar seguindo meu caminho.
— Você vai me deixar falando sozinho? Onde você está indo?
— Falar com essa garota.
— O quê? Espera! — protestou Fang. — Não! Você prometeu.
Em partes, ele estava certo, mas eu não tinha tempo para me preocupar com isso agora. Senti minhas orelhas esquentarem. Queria muito conhecer a tal dobradora de ar que me salvara e, embora lhe fosse grato, ela não tinha o direito de me seguir. Conforme eu seguia até os jardins, podia ouvir os passos d0 meu amigo atrás de mim, apressado para me acompanhar. E, como eu já suspeitava, a tal garota estava lá, de costas, regando as plantas. O cabelo estava preso e caía pelos ombros, e usava vestimenta típica da Nação do Ar. Eu não sabia exatamente como abordar uma garota e encontrar a melhor forma de perguntar ‘’você estava me seguindo?’’, então fiz o que meus sentimentos mandaram.
— Ei, você!
Ela parecia esperar que eu a chamasse. Ela jogou os cabelos por cima do ombro e levantou. Se o jardim era bonito, a dobradora de ar era muito mais. Os olhos eram cinzentos, e o cabelo possuía um tom amendoado, mais puxado para o preto. Parecia ter uns… quinze? Dezesseis? Não sabia dizer.
— Posso ajudar?
— Por que você me seguiu?
Ela olhou para algo acima do meu ombro, que eu imaginei ser Fang, e depois voltou a atenção para mim. Cruzou os braços e levou alguns instantes para responder, pareceu pensativa.
— Sifu Ikki me pediu. Ela disse que talvez você precisaria, mas não me deram mais informações. Estou quase tão leiga quanto você.
— Eu não sou leigo!
Ela pareceu querer rir, embora lutasse contra isso, como se me achasse bastante engraçado e não quisesse fazer com que eu me sentisse envergonhado.
— Tudo bem, tudo bem. Vamos nos apresentar devidamente. Eu sou Seoyin.
— Yuan.
— É um prazer.
— Esse aqui é o…
— Já nos conhecemos — interviu ela. — Fang, dobrador de água.
Eu olhei por cima do ombro e transcorri meu olhar por todo o cenário, até focá-lo novamente em Seoyin. Era estranho que se conhecessem, mas até que fazia sentido, afinal, foi ela quem me salvara depois do desmaio. Fang obviamente não daria conta de me carregar até o Templo do Ar.
— Você tem certeza que não sabe de nada, Seoyin?
— Tudo que sei é o que todos da cidade já sabem. Aparentemente, uma ameaça antiga retornou: os igualitários. — Ela deixou com que seu olhar se perdesse em algum lugar, até retorná-lo para mim. — A cidade está bastante perturbada, porque não sabem no que vai dar. — prosseguiu, fez uma breve pausa e pareceu incerta se deveria continuar. — E… aparentemente, não estão sozinhos. As tríades, gangues clandestinas, todos estão se juntando à sua causa.
— Tríades? Gangues clandestinas? Eu nunca ouvi falar sobre nada disso.
Tentei parecer o menos estúpido e desinformado possível, mas a verdade é que, quando se cresce no anel inferior, alheio ao mundo, pouco se sabe sobre muitas coisas.
— As respostas virão na hora certa — disse-me Seoyin. — Foi isso que Ikki disse. Por isso pediu para que não lhe contássemos sobre nada, porque poderíamos te traumatizar.
— E por que você me contou?
— Porque eu conheço meninos como você. Não iria me deixar em paz até que eu contasse.
No fundo, ela tinha razão. Fiquei sem saber o que dizer, até que Fang decidiu participar da conversa:
— Me parece o começo de uma boa e duradoura amizade.
Dei de ombros e segui colina acima.
…
— Mais forte!
Dei mais dois socos no ar, sentindo o suor banhar meus fios na testa e escorrerem pelo meu rosto. Junto aos dois ataques desferidos contra o espaço, dois jatos impetuosos de chamas partiram de meus punhos, dissipando-se em labaredas alguns metros de mim. Minha respiração estava ofegante, e conforme eu sentia o suor escorrendo pelo meu rosto, tentava calibrar meu próprio ar, usando a boca e enchendo o peito com oxigênio. Olhei para Bohai, que estava de braços cruzados. Ele me estudou indiscretamente, o olhar era rígido, firme, mas transmitia confiança; parecia gostar do que fazia, ou, pelo menos, parecia tentar gostar.
— Bom.
— Eu preciso descansar.
— Tudo bem, daremos uma pausa.
— Bohai, quando eu devo começar meu treinamento na dobra de ar?
— Em breve, Yuan. Muito em breve.
Sua expressão ganhou um ar soturno, como se fosse algo que ele estivera evitando falar sobre. Engoli em seco com a forma como ele falou.
— Guarde suas perguntas, jovem Avatar. O solstício se aproxima.
E não falou mais nada. Sentei no chão para pegar ar, minha respiração estava tão pesada que parecia que tinha alguém sentado sobre mim. A dominação de fogo não era tão pesada quanto a de terra, mas ainda assim demandava um grande esforço físico, tanto pelos movimentos quanto pelo fôlego necessário para produzir as chamas. Ela se diferenciava da dominação de terra por um motivo bem simples; a força da dominação não parecia partir dos meus músculos, e sim do meu próprio fôlego. Pelo menos, foi o que Bohai disse.
A grande pergunta que parecia inquietar tanto minha mente quanto meu próprio espírito era: será que Korra tinha as respostas para minhas inúmeras questões?
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