Notas iniciais
Capitulo escrito por Live Gabriela Woiciekoski ^^ e narrado por Jamie Carter.

Depois da missão voltamos ao acampamento. O sol estava quase no topo quando chegamos o que era muito agradável em meio a toda aquela neve. Estávamos cansados, mas ainda tínhamos coisas a fazer...

- Contudo, controlamos o fogo antes que causasse mais destruição e prendemos todos os moradores num celeiro, uma vez que pudessem armar algo contra nós de novo. – concluíra Steve.

Brown leva a mão ao queixo com sua barba para fazer e o coça rapidamente. Estávamos no centro do acampamento e muitos homens se reuniram para ouvir a notícia.

- Voltemos para o vilarejo então. – disse Brown – Julgaremos os camponeses, é possível que haja os que foram obrigados a aceitar ordens e não são a favor da separação. Pessoas simples fazem o que é preciso para sobreviver. Não os mataremos antes de saber se são vítimas ou traidores.

- Sim, senhor. – disse Steve.

- Senhores, já que tiveram tempo para ouvir essa trágica história, peço-vos que me acompanhem até a cidadela, onde perigos podem nos aguardar, mas sei que juntos podemos enfrentá-los pois o nosso dever é maior do que qualquer risco que podemos correr. – discursou o General.

- Este homem realmente é uma inspiração para nós, soldados ingleses! – comentou um soldado ao meu lado. Ele sorria e tinha um estranho brilho no olhar enquanto falava.

E assim voltamos para o vilarejo. Estava montada em Larápio admirando o caminho quando vejo Sebastian me chamando andando ao meu lado.

- Você está bem? – perguntara ele olhando para frente.

- Han? Estou. Porque pergunta?

- Vi que teve algumas dificuldades em batalha ontem.

- Ah, apenas levei um golpe no rosto com o cabo de uma espada.

- Pegue. – ele me jogou uma pequena caixinha de madeira quadrada. A abri e lá dentro havia algum tipo de pasta. – Passe no ferimento, irá melhorá-lo.

- Obrigado... – fiquei o olhando.

- O que há? – perguntou grosso como já foi de costume.

- Nada. – olhei para frente. Pude avistar os cavaleiros à frente, inclusive Hammel. – Sebastian... O que acha de Hammel? Digo, acha ele confiável?

- Porque a pergunta?

- Acho que ele está bravo comigo, por não ter cumprido algo que dissera. Tenho medo que ele possa fazer algo.

Assustei-me ao ouvir uma voz diferente do meu lado direito, olhei e vi Flyn:

- Você não cumpriu algo que o cavaleiro Hammel pediu? Está louca? Quer morrer?

- Céu, Flyn, não me assuste assim!

- Ora James, sabe que meu irmão às vezes é meio inconveniente. Ignore-o, mas... Você realmente deixou de cumprir ordens do Hammel? Que diabos há com você?– falou Flitzwilliam se aproximando do meu lado esquerdo.

Vi Sebastian acelerar o passo deixando-me para trás com os gêmeos, expliquei-lhe a situação que ocorrera ontem e poucos minutos depois já estávamos no vilarejo.

- Capitão Steve, mostre-nos onde estão os cidadãos. – pediu Brown gentilmente.

Então fomos todos até o celeiro e ao chegar uma surpresa nos aguardava. O local estava todo em cinzas, ainda havia fumaça saindo de lá. Um incêndio tinha acontecido.

O General rapidamente mostrou uma expressão de espanto diante da terrível imagem. Corpos queimados largados ao chão, fumaça negra por todo lado, pedaços de madeira que antes seriam do celeiro. Tudo destruído.

Todos estavam espantados com tal atrocidade. Como havia ainda muita fumaça saindo de lá de dentro, provavelmente aquilo havia acontecido há pouco tempo.

- Meu Deus... – dizia Brown enquanto passava a mão nos cabelo os levando para trás. – O que aconteceu aqui...? Capitão Lion. O que aconteceu? Não disse que havia controlado as chamas?

Steve saiu da formação e se aproximo de Brown e do celeiro.

- Nós controlamos... – disse ele olhando para dentro do matadouro. – Verificamos ainda algumas vezes antes de partimos.

- Vasculhem a área! – ordenou Brown – Se acharem alguém vivo tragam-no à mim e se acharem qualquer pista de como isso aconteceu me avisem. – disse descendo do cavalo.

Dispersamos-nos tanto dentro quanto fora do celeiro. Pela cidade e as redondezas dela. Eu entrei no celeiro, havia muitos corpos lá. O cheiro era terrível, de carne queimada. Eu andava procurando por algo até que vi em um canto um garotinho, deveria ter uns oito anos. Parecia estar respirando então me aproximei.

Seu corpo estava todo queimado, mas de seu peito pra cima estava apenas parcialmente ferido.

- Aqui! – gritei – Aqui! Um sobrevivente!

Rapidamente alguns homens vieram assim como o General. Ele se aproximou mais do garotinho.

- Consegue falar? – perguntou. – Não se preocupe nós vamos te ajudar agora garoto, mas também precisamos saber, você viu quem fez isso?

O garotinho com os olhos claros, semiabertos abriu vagarosamente a boca. Olhava fixamente para o teto e conseguimos ouvir apenas o som de sua respiração enquanto ele tentava arduamente falar. Brown se aproximou ainda mais para ouvir, mas depois de um ultimo grunhido do garotinho ele parou de respirar. Brown se levantou rapidamente, colocou a mão sobre os olhos e esfregou as sobrancelhas.

Todos ficaram em silêncio e após uns instantes um soldado apareceu com uma tocha queimada dizendo que aquilo poderia ter sido a causa do incêndio e que poderia ter sido proposital.

- Já chega! Um cavaleiro não pode permitir tal ato de maldade! Quero o culpado e o quero agora!

Um burburinho começou entre todos ali, a possibilidade de alguém ter feito aquilo propositalmente incomodava a muitos. Especulações começaram a surgir até que uma se resaltou sobre as outras...

“Apostaria minha besta que foi ele.”

“Mas é claro que foi, estava aqui de manhã.”

“Todos sabem de suas estórias e do que ele é capaz.”

“Lembra-se de que foi ele quem matou uns franceses queimados, mas com uns aliados junto? Porque não faria agora que foi pego numa armadilha?”

... E acabou chegando aos ouvidos do general. Ele juntou nossa equipe e conversou conosco longe dos outros soldados.

- Muito bem, alguém tem de se responsabilizar pelo ocorrido. Quem foi o ultimo a ter contato com o celeiro?

- Lembro-me de mandar Carter verificar se estava tudo devidamente trancado antes de partimos, senhor. – disse Mark.

- Quem?

- Eu, senhor. – falei temerosa – O cavaleiro Powell pediu para que eu verificasse se havia alguma rota de fuga, através de janelas e se as portas estavam devidamente fechadas.

- E você viu o fogo?

- Não, senhor.

- E você foi o ultimo a aparecer antes de irem de volta ao acampamento?

- Eu...

- Não, Hammel foi o ultimo. – interrompeu-me Steve – Pedi para que olhasse ainda os arredores da cidade para ver se poderíamos finalmente ir em paz.

- Hammel... – Brown ficava olhando-o enquanto andava ao redor dele. – Já ouvi muitas estórias sobre você, meu caro. E devo complementar de que muitas delas me deixaram intrigado. Gostaria de falar com você a sós, se não for inconveniente, é claro. – parou em sua frente.

- Se o senhor ordena um bom soldado cumpre.

- Lion! – ele se ira para Steve — Creio que não há mais o que se possa fazer aqui. Guie os homens de volta ao acampamento em segurança. Terei uma breve conversa com seu amigo e então partiremos atrás de vocês.

- Sim, senhor. Homens, voltando para o acampamento! Vamos! – disse Steve.

Então fomos deixando o General e Hammel para trás. Ainda olhei para os dois antes de sair e pude ver Hammel nos olhando, ao me ver me encarou com raiva, mas logo se voltou para o general que o chamara atenção.

Voltamos ao acampamento e todos só falavam no que ocorrera...

- Com certeza o General Brown dará uma justa punição ao cavaleiro desrespeitoso. – ouvi um homem falar e percebi ser o mesmo que vira sorrir e puxar o saco de Brown outras vezes.

- Pois eu não acho que tenha sido Hammel. – me intrometi.

- Ora! E quem é você para achar algo? – perguntou um soldado gordo e com halito de álcool.

- Não interessa quem sou a questão é que o verdadeiro culpado pode estar a solta pronto para incendiar nosso acampamento!

- Não, a questão é de que ele é um psicopata e fez isso! – falou outro homem.

- Jamie, deixe os homens falarem em paz. – interviu Sebastian.

- Falarem o que não sabem? Eles não estavam lá! Eu sim, quando saímos vi que estava tudo em ordem. Não havia fogo. Alguém o colocou lá, alguém que quer incriminar a gente e provavelmente nos ferir também!

- Ignorem o idiota puxa sacos, foi treinado por Hammel, vai defendê-lo até a morte. – ouvi uma voz familiar, mas não vi de quem era em meio a tanta gente.

A ironia da frase me fez decidi sair dali da pequena multidão então fui até minha tenda. Eu realmente não achava que fosse Hammel, eu já ouvira suas estórias e sei muito bem do que é capaz, é um homem de sangue frio, mas eu havia checado tudo e não teria como ter sido Hammel. Com certeza fora outra pessoa, mas quem... Eu não sei.

Estava quase escurecendo e vi que nossa fogueira ia precisar de mais madeira para nos aquecer de noite. Então fui até a entrada da floresta. Comecei a juntar uns gravetos até ter a ligeira impressão de estar sendo observada. Parei por um instante e vagarosamente saquei a adaga. Fiquei ouvindo os sons da floresta até identificar um mais próximo de mim. Arremessei a adaga na direção de uma pequena moita e ouvi um barulho. Corri até lá então vi minha adaga cravada num coelho morto.

- Céus... – peguei minha arma de volta e o animal morto.

Comecei a pensar que estava ficando muito preocupada, depois de ficar tanto tempo sem o Ryan tive que aprender a me virar sozinha nesse mundo de guerras, mas agora que realmente estava no meio da ação estava ficando paranoica. Qualquer barulho me assustava, qualquer ato inesperado.

“Está tudo bem, são só alguns animais” pensei comigo mesma e então peguei minha arma e o coelho. Assim que me levantei e virei na direção do acampamento fui surpreendida por um soco que veio tão rápido e forte que não pude me defender.

Dei alguns passos pra trás e levei à mão a boca, estava sangrando. Olhei para o agressor e logo ele me deu outro soco no estômago, fiquei sem ar e cai de joelhos.

- H-a...Hamm—ah...

Hammel me levantou pelo pescoço e me bateu contra uma árvore.

- Sentiu minha falta marica? – ele me deu uma joelhada no estomago.

- Ahhh...ah.

- Acha que não sei o que você fez? Acha que sou idiota por acaso? – ele me levantou novamente e me deu um tapa tão forte no rosto que me fez cair com tudo no chão. Senti meu pescoço estralar e levei a mão ao rosto.

- Oh... O q-eu ah- o que- -- eu mal sentia minha boca enquanto falava, só conseguia sentir o sangue escorrendo dela.

Ele se aproximou me deu um chute nas costas. Gritei de dor, mas mal conseguia respirar.

- P-por fa-vor... Por fa-

- Cale a boca idiota. Quer saber, você aprendeu algo com o maldito Campbell afinal, aprendeu a questionar os mais graduados, a querer fazer as coisas do seu jeito. – ele me puxou pela roupa me deixando meio sentada – A desrespeitar... E graças a você meu superior me tirou temporariamente das missões.

- Eu- uh-- me des-cuul-pe.

- Te desculpar? – ele me empurra com força contra o chão e me dá outro soco na cara. – Por me fazer ser expulso de uma missão? Por ser impedido de exercer minha função? Meu dever divino? — ele tira a espada para fora – Eu vou é arrancar a sua cabeça agora mesmo! – disse colocando a espada no meu pescoço.

Naquele momento meus olhos arregalaram, sentia uma dor insuportável que eu não sabia se era das costas, do rosto ou do estômago atingido. Tudo tomara uma dimensão maior. Minha boca não parava de sangrar. Senti meu coração bater tão rápido, tão rápido que achei que de alguma forma ele fosse sair de dentro de mim. Nunca estive daquele jeito antes. Pude sentir sua lâmina sendo pressionada lentamente contra meu pescoço, via sua expressão furiosa enquanto sentia fazer um pequeno corte em mim e dele escorrer sangue. Eu senti que naquele momento iria morrer.