Notas iniciais
Capítulo escrito por Live Gabriela Woiciekoski ^^ e narrado por Jamie Carter.

Abri os olhos assustada e ofegante. Olhei em volta, aos meus pés estava o rio e mais adiante, do meu lado direito, estava Ryan assando algo numa fogueira.

- Já era hora de acordar. — disse ele.

Inclinei-me para sentar e então percebi que minhas roupas estavam encharcadas, eu não usava minha capa. Olhei mais uma vez em volta e a vi pendurada num galho ao sol. Comecei a me lembrar o que tinha acontecido...

"- Ryan, Ryan! Onde estamos indo? — eu já estava cansada de subir aquela montanha.

- Estamos indo até um lugar ali no meio, você vai gostar. — respondeu meu mestre.

Uma corrente fria passava por nós, então me aproximo de Campbell o abraçando. Subimos o resto da montanha assim até chegarmos a um paredão, onde ele me mandou subir.

Ao terminar a escalada, vejo um vale dentro da montanha, como se fosse numa tigela de sopa. O lugar era lindo.

- Ryan... Isso é... Lindo.

- Espero que tenha gostado.

- Eu adorei, obrigado.

Comecei a correr pelo lugar, o ar era bom. As flores eram lindas, assim como as pedras e até mesmo as pequenas formigas.

Ryan interrompe meu momento de felicidade e começamos a discutir o que faríamos ali. Ele diz que iríamos treinar. E após uma breve discussão sobre seus métodos ele simplesmente me pergunta quanto pássaros havia no céu. Olhei, mas não havia nenhum, era tudo uma distração, pois antes de eu responder ele pegou o bastão e me acertou, defendi com meu braço e logo ele repetiu o ataque e dessa vez me defendi com meu arco novo. Não agüentaria mais pancadas naquele braço, ele ainda não estava totalmente recuperado.

- Jamie, bom trabalho. — disse ele após minha defesa.

- O que?

- Você passou no teste.

- O que? Como assim?

- Só resta mais um teste a se fazer.

- Ryan o que você quer dizer com isso? Não entendo nada do que diz.

- Assim que nos encontrarmos lhe explico.

- Encontrarmos? Encontrarmo-nos aonde? — do que ele está falando?

- Lá embaixo. — iremos ter que descer tudo de novo? Mas ficamos to pouco tempo...

- Lá em baixo? Ryan, o que-- ele me interrompeu pulando sobre mim. Estávamos caindo em direção a cachoeira.

Segurei-me forte nele, mas no meio da queda ele se soltou de mim. Projetou seu corpo e deu um mergulho, tentei fazer o mesmo, mas não obtive sucesso e cai meio de costas, meio de lado. Afundei tanto na água que não consegui voltar rapidamente, a correnteza me levou. Quando subi para pegar ar não pude ver o que estava em minha frente, pois estava sendo levada de costas, logo, as bati numa pedra. A correnteza continuou me levando até eu no conseguir mais respirar. Desmaiei.”

Direciono-me a Ryan, mas tusso antes de falar.

- Você é louco? Porque fez aquilo? Senhor, eu sei que seus métodos são todos usados para meu bem, mas eu não sei nadar e...

- Jamie. — ele adora me interromper.

- Sim, senhor?

- Está morta?

- Como?

- Você. Está morta?

- Não senhor.

- Então vá caçar um coelho para comer para depois voltar ao acampamento.

- Mas...

- Só faça. Não questione.

Fiz que sim com a cabeça enquanto dizia "sim, senhor".

Fui atrás de um coelho e logo capturei um. Voltei à margem do rio, perto da cachoeira e ele ainda estava lá. Sentado com uma das pernas esticada e a outra dobrada, apoiando seu braço enquanto comia a carne.

Mostrei o coelho e ele fez sinal para eu colocá-lo na fogueira. Enquanto meu almoço assava notei que Ryan me olhava com cara de quem pensava muito em algo.

- Senhor?

Ele chacoalhou a cabeça como alguém que acorda no susto.

- O que?

- Vamos voltar agora para o acampamento?

- Sim, algum problema?

- Bom, minhas roupas estão encharcadas, grudadas no corpo! Desse jeito da pra ver que não sou homem.

Ele parou e olhou para elas um instante. Cruzei os braços.

- Vista as minhas então.

- Como?

Ele se levantou e tirou a camisa, mostrando seu abdômen trabalhado. Jogou as vestes do corpo para mim.

- Está calor mesmo.

- Porque suas roupas não estão encharcadas como as minhas?

- Eu as tirei e coloquei sob o sol enquanto você estava desmaiada debaixo de uma sombra.

- Ah... Obrigada. — disse enquanto vestia a blusa. Ela fedia e ainda estava um pouco úmida.

- Coloque a capa. — disse ele esticando o braço e alcançando-a de um galho para mim. — Cubra-se bem e quando chegar lá se troque. Ainda temos muito que fazer hoje. Esperarei você aqui.

Concordei, apenas peguei meu coelho e fui até o acampamento comendo-o, com as calças molhadas, as blusas úmidas e a capa tentando cobrir o que poderia levantar alguma suspeita. Entrei em minha cabana e não havia ninguém, então me troquei e voltei as pressas à margem do rio, que descobri ser o mesmo local onde treinávamos, porém do lado oposto.

Cheguei ao local e Campbell pediu para eu acertar os alvos que estavam do outro lado do pequeno rio com o arco novo. Errei nas primeiras vezes, afinal o arco era mais pesado, mas depois acertei todos os alvos.

Os dias foram se passando com muitos treinamentos, estavam difíceis, mas eu estava agüentando. Eu nem pensava mais em sair do acampamento. Estava gostando daquilo, e eu era boa.

Duas semanas se passaram sem nada de relevante acontecer além dos diferentes treinamentos que Ryan passava. Até que em uma sexta-feira um boato começou a se espalhar pelo acampamento...

- Sim, aniversário do jovem do Príncipe. Ouvi falar que o Rei vai convidar alguns cavalheiros para o baile e toda a festança.

- Mas que droga! Os cavaleiros sempre são privilegiados, enquanto nós ficamos treinando aqui.

- Pois é...

Ouvi uns novatos dizerem aquilo enquanto ia em direção à cabana acompanhada de meu mestre. Olhei para ele e perguntei:

- Você foi convidado para o aniversário do jovem Príncipe?

- No que isso interessa? — disse ele me olhando de lado.

- Bom, parece ser algo bem importante.

- Nem tanto assim. Apenas um lugar cheio de comida e pessoas dançando para agradar o Rei.

- Comida...

- Hey, James, foco no treinamento e no que aprendeu hoje. Mesmo que eu fosse você não iria. Então pare de se distrair com coisas sem importância.

- Ta bem. — respondi cabisbaixa.

Naquela noite não parei de pensar na festa do Príncipe, afinal as únicas festas que fui à vida eram apenas as do aniversário do Rei, onde, no meu vilarejo se fazia um pequeno festival com alguma comida, muita bebida e músicos da cidade que faziam alguns poucos casais (que sabiam) dançar. E pelo que Ryan disse seria a mesma coisa. Mas ele se esqueceu do detalhe de que a festa se realizaria no castelo, cheio de nobres e cavaleiros, gente da Igreja e da Realeza. Tudo muito importante. Deveria ser divertido, e com toda aquela comida e gente bem vestida, todos cheios de frufrus no cabelo, e perucas, e vestidos gigantes. Dei uma leve risada quando imaginei Ryan nessas vestes. Infelizmente alguém da cabana ouviu e mandou eu me calar. Virei para o lado e dormi, imaginando, agora, eu, com aquelas vestes.