Notas iniciais
Capítulo escrito por Mateus Scofield e narrado por Ryan Campbell.
* Falas iniciadas entre "<" estão sendo ditas em portugês arcaico.

Blase se posiciona atrás de um um arbusto, estávamos olhando para uma casinha na ponta do feudo visinho. Lá três soldados espreitavam esperando pela aparição de assaltantes, eram jovens e estavam entediados, queriam entrar em combate e provar o seu valor, mas pelo rosto de Blase, não teriam essa chance.

– Campbell.

– Blase?

– Pronto pra começar a registrar?

– Tente ser rápido ok?

Ele sorriu. Sorriu como uma besta doentia prestes a se divertir estripando alguma criatura.

Uma flecha em chamas sobe aos céus durante a noite, podíamos ver uma agitação na cidadezinha, os mais velhos chingando os pequenos por acharem que estes estavam fazendo alguma brincadeira perigosa com flechas e fogo. Ninguem suspeitava.

Outra flecha segue a primeira, e outra em seguida, as pessoas assustadas começam a gritar, olho para o lado e Blase atirava uma flecha atrás da outra atingido aparentemente o mesmo lugar varias vezes.

Os guardas e cavaleiros do pequeno feudo começam a se reunir no centro da cidade e prepotentes começam a tentar localizar de onde os tiros estavam sendo disparados, mas as trevas da noite os impediam, viam apenas a pequena bola de fogo subir e aterrissar, geralmente em um ponto qualquer, mas em certo momento quando já haviam muitas pessoas no centro uma flecha em particular atingiu um monte de feno, e a brasa começou a se alastrar.

<- ACUDAM! ACUDAM! INCENDIO!> — gritavam algumas pessoas.

Mais soldados e homens feitos apareceram no local. Blase se levanta, o acompanho com os olhos e depois volto a olhar para as pessoas, elas agiam de maneira tão peculiar, era como se cada movimento deles pudesse ser previsto e adiantado.

– Bounjour Les amis! – ouviu-se do topo de um prédio, era Blase. Ele não tinha expressão nesse momento.

As pessoas começam a olhar pra cimas aos poucos meio confusas, mas quando ele pega o arco e aponta uma flecha para um dos cavaleiros o sentimento de duvida é logo substituído por ira. Gritos em português começam a ecoar enquanto muitos deles preparavam flechas na direção de Blase, esse não se movia, apenas esperava. A situação se mantinha tensa, as pessoas preparavam arcos e até suas mão cheias de pedras enquanto Blase mirando em um homem apenas os observava.

– < Este é o homem que matou meu irmão umas noites a trás, pude velo fugindo na data> — Gritava um português.

Nesse momento a tensão se irrompeu, Uma saraivada de flechas e pedras partiram na direção de Blase, ele apenas se jogou pra trás do telhado e por todos estarem mirando alto na intenção se atingir a cabeça dele (afinal eles tiveram bastante tempo para mirar a cabeça, provavelmente por isso Blase passou tanto tempo ali parado. Nenhuma flecha o atingiu.

Um segundo após a primeira saraivada todos apavorados ficaram tentando localizar o francês sinistro, sem sucesso. Salvo por uma criança que o viu subir no telhado a uns dez passos de onde ele estava antes, mas estava tão apavorada que nem disse nada aos pais.

Blase mal para em pé no telhado e já atira contra um guarda da cidade, a esquerda dele um homem para pra ver o que aconteceu e morrer logo em seguida.

Um arqueiro localiza Blase e tenta atingi-lo, mas Blase pula do telhado e o mata com uma flechada fulminante entre os olhos.

A população começa a correr na direção dele, entre eles haviam espadachins e um cara com um martelo.

Daimmem corre para trás do monte de feno em chamas, as pessoas começam a cercá-lo mas logo percebem que ele não estava mais lá. A população enfurecida olhava perdida, não faziam a mínima idéia do que estava acontecendo, até o momento em que os arqueiros começaram a cair mortos com flechas entre os olhos.

Os espadachins corriam de um lado para o outro confuso quando finalmente encontraram Blase em pé sobre o telhado de uma loja de ferramentas. Foi um massacre. Sem arqueiros os ataques a distancia se basearam em pedradas, os que tentavam escalar a construção levavam flechadas antes mesmo de chegar à metade do muro do sobrado, Blase apenas atirava em todos que se aproximavam. Ele foi impecável e em poucos minutos ele exterminou todos os guerreiros do feudo, os homens sobreviventes eram apenas os que fugiram, os que se renderam acabaram por ficar aleijados.

A chuva fina e demorada começou a cair, o incêndio provocado por Deimmem começou a se extinguir, as pessoas choravam apavoradas, um nome em três línguas estava escrito na parede do sobrado em sangue.

Deimmem Blase: O Demônio da noite.

A noite termina, o dia amanhece debaixo de chuva. Eu havia passado a noite inteira escondido no mesmo lugar, aquela insanidade havia me chocado, Blase era muito bom, mas não Haia ali nenhum pingo de humanidade. Na verdade eu nunca havia visto Blase comer, sair com uma garota ou dormir, ele apenas sumia pela manhã e as tardes aparecia para me recrutar a mais uma aventura, ou “massacre”, como preferir.

As pessoas na cidade não haviam saído este dia, apenas choravam e varriam a sujeira no local da batalha, a chuva só piorava a cena.

Sai de trás dos arbustos pra tentar ajudar as senhoras da cidade à reconstruí-la. Foi nesse momento que vi um grande numero de homens uniformizados acompanhando uma carruagem com um cavalo, dentro dela um homem olhava tudo com o nariz grande e redondo e um enorme bigode, ao lado dele um garoto com olhar furioso e uma dama com semblante de doente, um homem com traços ingleses olhou pra dentro da carruagem, as pessoas falaram algo em português, mas entendi apenas uma palavra.

Lorde Castélio.