Notas iniciais
Capítulo escrito por: Live Gabriela Woiciekoski ^^
E narrado por: Jamie Carter

Após a conversa com Campbell no corredor fui me deitar no sofá da recepção e acabei cochilando. Acordei ao pulo com o susto que levei. Estava tendo um pesadelo. Não me lembro direito agora, só da parte em que tinha a ver com aquele arqueiro da emboscada, parecia que só estava eu e ele, vi o Ferreiro jogado no chão e Campbell assistia ao combate meio afastado e mesmo me vendo perder não fazia nada. Só sei que no final, quando eu já estava perdendo, decidi fugir e assim que dei as costas levei uma flechada. Quando acordei ainda podia senti-la encrava em mim. Ainda bem ter sido só um sonho.

Levantei e fui para meus aposentos, estava arrumando a cama quando Campbell apareceu, ele parecia agitado. Me desejou boa noite e falou para eu tomar cuidado, fora o aviso para eu não me preocupar caso ele não voltasse na manhã seguinte, pois estaria com Hammel.

Eu realmente não gostava de Hammel, claro, a raiva era bem maior antes de conhecê-lo afinal, para mim, era só um idiota metido a valentão sem paciência que matava as pessoas sem mais nem menos. Agora eu o vejo como um guerreiro, continua sendo um idiota, mas dá pra ver que faz isso por causa de seu "trabalho".

Fui me deitar e antes que pudesse pensar em mais coisas acabei dormindo, afinal fora um dia exaustivo e eu precisava descansar. De manhã levantei com o sol brilhando na minha cara. Dessa vez nada dores (devido ao desconforto do lugar), nada de panelas batendo, nada de cavaleiros com notícias ruins. Era só eu e o sol.

Levantei e tomei um banho de bacia (sim, tinhamos esse luxo) e fiz logo todo meu ritual de disfarce. Era um bom dia. Era até melhor do que eu esperava que seria. E o melhor, era meu aniversário.

Fui para a cozinha do lugar tomar meu café da manhã. Campbell ainda não tinha chegado, não havia sinal dele nem de Hammel. Smith e Jhonson logo vieram...

– Carter! Ficando mais velho não é?! — dizia Jhonson enquanto me dava tapinhas nas costas. — Quanto anos faz?

– Estou fazendo 19.

– Mas ainda é um bebê! — tirava sarro.

– Parabéns James. — disse Smith enquanto me cumprimentava com um forte aperto de mão.

Agradeci fazendo sinal de aprovação com a cabeça.

– Como vocês sabiam? — perguntei.

– Steve nos disse. — respondeu Smith dando deixa para o líder entrar na conversa e me parabenizar.

– Parabéns rapaz.

– Obrigado senhor, mas como o senhor sabia?

– Ele sabe de tudo! — dizia Jhonson.

– Nem tudo meu caro Sebastian. Só sei o básico, claro, tinha que saber ao menos um pouco de vocês, do contrário nem os convocaria. — se explicava Steve.

Dei um sorriso e fiz que sim com a cabeça. Logo em seguida perguntei se ele já estava se sentindo melhor. Ele disse que estava melhor do que nunca.

Depois dessa breve comemoração nos alimentamos e fomos ver como Mark estava. Ele parecia bem melhor, claro, ainda sentia muita dor, ele não dizia, mas dava para perceber. Parecíamos todos felizes e Steve já propunha a idéia de partirmos ao entardecer quando notou uma coisa...

– Falando nisso, onde está Ryan e Hammel?

Smith e Jhonson fizeram sinal de que não sabiam, Steve olhou para Mark, que apenas o encarou de volta. O silêncio estava tirando a expressão amigável da cara de Steve e substituindo por uma de raiva. Me senti na obrigação de falar...

– Campbell me disse que estariam treinando.

– Onde?

– Não sei senhor.

– Quando ele lhe disse isso Jamie?

– Ontem à noite.

Ele parou um pouco em silêncio e logo perguntou:

– E Hammel?

– Dele não sei, Campbell apenas me disse que se não voltasse hoje de manhã é porque estariam treinando.

Outro silêncio, mas este, quebrado com uma ordem num tom um tanto amedrontador.

– Saiam daqui, sim? Quero conversar em particular com seu colega. — disse se referindo a Mark.

Saímos os três, os novatos. Ficamos na portaria sentados cogitando o que poderia estar acontecendo.

Smith mostrou a teoria mais válida. Disse que provavelmente Steve conversaria com Mark para descobrir algo, afinal Mark é o melhor amigo de Campbell e mesmo com nosso pouco tempo de convivência com eles já se podia notar isso, e não era só pelas brincadeiras entre os dois, mas pelo tempo que Campbell passou no quarto de Mark, ou seja, o tempo em que ficou com o amigo ferido. Isso, segundo Smith.

– Mas Campbell não disse que estariam treinando? – perguntou Jhonson, ele não era muito inteligente.

– Pode até ser, mas ninguém sabe ao certo, e afinal, que treinamento é esse que dura toda a noite e mais a manhã? Eles nem descansaram da luta da emboscada. Com certeza estão aprontando algo. – dizia Smith.

– E o que você acha que... – ia dizendo, mas fui interrompida por um grito de Steve, que saía furioso de dentro do quarto de Mark.

– Droga Campbell! – ele nos olhou e fechou a porta do Cavaleiro Powell, depois seguiu para fora.

Nos entreolhamos e eu e Smith fomos correndo para o quarto de Mark, que já estava se levantando da cama (ou ao menos tentava).

– O que houve? – perguntou Smith.

– Campbell está numa fria e Hammel também.

– Eles estão bem? – perguntei.

– Se estiverem, com certeza Steve vai fazer com que eles fiquem mal.

– Mas o que houve? – insistia Smith em ganhar uma explicação.

Mark hesitou, mas acabou falando que na noite passada acordou com Campbell falando em seu quarto, ele estava no meio de um discurso, então ele continuou dormindo, ou melhor, fingindo. Mark disse que Campbell disse algo sobre “ir cuidar do Blase”.

– E porque você não o impediu? Sabe que ele vai morrer lá! – exclamei.

– James, ele precisava fazer aquilo, talvez ele consiga, talvez não. Mas há certos momentos da vida em que homens tem que fazer o que homens precisam fazer.

“Você é louco? A flecha por acaso acertou sua cabeça? Homens têm que fazer o que homens precisam fazer?! Mas que droga de discurso é esse? Seu amigo deve estar morrendo nesse momento e você acha que está certo por não impedi-lo?! Tudo por causa de uma vingancinha por um amigo? Mas que belo amigo você é que deixa o outro morrer porque não teve a coragem de impedi-lo, ou melhor, porque NÃO QUIS impedi-lo, muito justo, você perde um pouco de sangue e ele perde a vida!” – Isso, era o que eu queria dizer, mas não, nada disso saiu dos meus pensamentos, nem chegou perto da minha boca, não naquele momento.

Puxei Smith pelo braço e logo gritei para o Jhonson nos acompanhar, fomos lá fora atrás de Steve.

– Nós vamos junto. – disse.

– Agora não Carter!

– Steve, com todo o respeito, mas se eles estão no meio de uma luta, você acha que será mais útil ir sozinho do que levar mais três guerreiros?

– Quatro! – disse Mark vindo pela porta. – Eu ainda não morri. Posso ser útil.

– Mas que merda deu em você para falar assim Carter?! – ficamos quietos. – Cale a boca e suba logo nessa carroça, aqueles idiotas devem estar encrencados.

Sorrimos, claro que toda aquela cena heróica e moralista nos deixava felizes, mas quando notamos que estávamos indo realmente era em direção à morte, os sorrisos se foram. E o sol também.


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Alguns pensamentos que achei interessantes sobre aniversários e ter 19 anos:

“Essa é a idade em que estamos em maior disposição, somos energéticos, mas inexperientes, então não tente nada estúpido achando que vai funcionar, você ainda não sabe de nada”. Smith, 24 anos.

“Agora, você já deverá montar logo sua família, haha, tem que ir atrás DELAS Carter. Ah e não se esqueça da cerveja! – claro, eu comecei isso bem antes dos 19 hehehe.” Jhonson, 22 anos.

“Só porque está mais velho não quer dizer que está menos burro. Agora trate de acertar aquele alvo!”. Ferreiro, 63 anos.