Notas iniciais
Capítulo narrado por Ryan Campbel e narrado por Mateus Scofield.

Olho para o vale a nossa frente, sinto a mão dele pousar sobre o meu ombro. Blase estala o pescoço frio como sempre.

- Hora de partir Campbel, não temos tempo a perder.

O sol começa a se por.

Agora uma pequena pausa para perguntas, que diabos eu fazia com Daimmem? Pra ondeiríamos? Bom, vamos voltar um pouco no tempo, até a grande batalha no castelo de Londres.

- O que veio fazer aqui Deimmem? Pensei que não se importava com os jogos de poder aqui instalados? Por que ajuda os Franceses no embate? Qual é o desafio em uma emboscada comauxiliares?

Ele sorriu.

- Não vim pelo desafio Campbel, vim por você...

- Já lhe disse que não faz o meu tipo Blase.

- Tu e teus gracejos Campbell, acho que preciso calar a sua boca depois de uma bravata como esta. — disse ele levantando o arco e apontando para a minha cabeça.

- Pode vir, FRANCÊS — enchi a boca pra ultima palavra.

Ele abaixou o arco e permaneceu me olhando com o ar mais frio e sem emoções possível, aquela sala era mais fria com Blase dentro.

- Quero que parta ao meu lado Campbel.

- O quê?

- Quero que abandone esse lugar, venha comigo, preciso de você.

- Alguma razão em especial?

- Você é o único digno de presenciar as minhas façanhas.

- Devo me sentir lislongeado?

- Deveria parar de gracejar e me ouvir.

Súbito ouvimos um barulho.

- Blase...

- Calado.

- Eu cuido disso.

Ele ficou em silencio, nesse momento pude ver um vulto saindo das trevas:

- Jamie! — gritei ao ver a pequena e magra garota disfarçada saindo das sombras e avançando sobre Blase.

Não pude fazer nada, assim que olhei para a minha aprendiz Blase rodou a mão no ar e a encravou no peito com um flecha.

- JAMIE! JAMIE! JAMIE!!!

Me ajoelhei próximo ao corpo de minha aprendiz como que se eu tivesse desabado, segurei a sua mão e então olhei nos seus olhos.

Sua pele branca se destacava sobre o chão de pedra, segurei a sua mão, ela ainda tinha pulso, mas este estava fraco, seus olhos estavam fechados.

- BLASE SEU DEMÓNIO DESGRAÇADO!!!

Avancei sobre Deimmem com um soco direto no nariz, ele não se mexeu.

- Reaga monstro!

Mais um soco, dois, três, quatro... Meu corpo se mexia por impulso, meus punhos se mexiam sozinhos, o rosto de Blase começou a se encher de manchas vermelhas, por fim desabei no chão.

- Por que fez isso? — perguntei a Blase furioso.

- Fiz o que?

Olhei para trás, na direção de Jamie.

- Por quê?

- Olhe para ele novamente Campbel.

O fiz.

- O que foi?

- O que vê?

- Jamie.

- Vê a flecha?

- Vejo.

- Vê o sangue?

Olhei novamente

- Como?

- A flecha estava sem ponta, tem apenas um erva que o fará dormir. Sei que este é seu protegido, o devo dizer, protegida?

- Blase...

- Não se preocupe, não a machucarei, preciso que parta comigo, é de seu interesse.

- O que quer dizer com isso Blase?

- Ainda quer derrubar o sistema Ryan? Acho que sei como eu posso te ajudar, desde que você me ajude.

- Eu... Como?

- Como eu disse, preciso que me acompanhe, você é o único que acredito ser capaz de me acompanhar e permanecer vivo, preciso de alguem que possa seguir-me e registrar os meus feitos.

- E como isso me ajudaria a derrubar o sistema?

- Não tenho meios para explicar-lhe aqui, preciso que viaje comigo a uma terra fora desses cantos, a outro lado do mar, você precisa ver com seus próprios olhos.

- Onde pretende me levar Blase?

- Te levarei onde o príncipe dessas terras lutou, próximo ao reino de Castela e de onde viviam os Gauleses, vamos a um reino chamado de Portugal, lá encontrara o que precisa para derrubar os reis.

Olhei para Blase e depois para Jamie.

- Desculpe, mas tenho que cuidar de algo mais importante aqui.

Blase me olhou.

- Abandonaria o sonho de mudar o mundo por essa garota?

- Sem pensar duas vezes.

- Ótimo.

Ele retirou uma faca e se ajoelhou próximo a Jamie.

- Encoste nela e eu te mato Blase.

- Não se preocupe... — ele posicionou a faca sobre o braço — ela ficará melhor assim do que se você estivesse com ela — ele fez um corte no próprio braço e o sangue começou a se espalhar sobre ela. — a flecha tem meu nome, se você sumir e encontrarem-na viva e ferida por uma flecha minha ela será considerada uma heroína, a vida dela vai ficar mais fácil sem você.

- Você... Têm razão....

- Sim, mas temos que partir logo. A luta contra os franceses em breve irá findar, devemos partir antes que a festa tenha um fim.

- Sim... Mas... Antes preciso fazer uma coisa.

Me ajoelhei ao lado de Jamie e segurei a sua mão.

- Vá na frente Blase, te encontrarei depois está certo?

- No vale ao fim do jardim do rei, tem até o sol se alaranjar para comparecer.

- Estarei lá em menos tempo.

- Está dito.

Nisso Blase pulou por uma janela deixando a mim e a Jamie sozinhos.

- Vou sentir sua falta menina...

Olhei para a flecha em seu peito e a retirei, abri a sua blusa, retirei as suas faixas. Sobre o seio esquerdo havia um pequeno furo com pouco sangue escorrendo, o limpei e então a enfaixei.

- Me perdoe o atrevimento.

A vesti novamente e então olhei em seus olhos. Mirei a sua boca por um instante.

- Me perdoe por isso tambem.

Seus lábios eram quentes, exatamente como eu me lembrava, não admiti a mim mesmo relembrar nos dias que se passaram ao beijo roubado por Jamie, me apaixonar por uma garota cujo o futuro dependia parecer um garoto seria condena-la a morte ou a mim a uma penitencia auto infringida, por estas razões nunca me permiti ver Jamie como uma garota. Até agora.

- Adeus Jamie.

Me levantei e caminhai até a Janela.

- Ryan?

Olhei para trás.

- Leyla?

- O que está fazendo Ryan?

- Estou partindo. Mas que bom que apareceu, precisava falar com você

- Ah só pode estar brincando.

- Preciso que me faça um favor Leyla.

- Não Ryan, não vai partir de novo, não, não, não, não, demorei tanto a te achar, não lhe permitirei a partida, não perderei você novamente.

- Irei voltar Leyla.

- Você disse isso da ultima vez.

- E voltei.

- Depois de anos.

- Mas voltei não é? Olhe Leyla, por favor, te garanto que voltarei o mais breve possível.

- Ryan...

- Só me escute certo? Preciso que treine o garoto no chão.

- O que?

- Isso, eu te ensinei a se defender, preciso que treine o garoto ai no chão, irei assinar algumas coisas antes de partir, você ficará responsável por ele.

- Onde vai Ryan?

- Irei aprender coisas novas, mas se alguém perguntar parti para próximo do grande pai, agora tenho que ir Ly.

- Você é um grande idiota se acha que vou fazer um favor à alguém que não liga para mim.

- Talvez, mas sei que tem bom coração. Cuide dele para mim certo? Pelos velhos tempos.

Ela sorriu.

- Eu gostava dos velhos tempos... Hum... Talvez Campbel, ele até que é bonitinho, talvez de um bom trato quando for treina-lo "pelos velhos tempos".

- Ah... Aconselho não tentar isso.

- Hum... Pensarei no caso dele.

- Adeus Leyla.

- Cala-te, adeus nada, você vai regressar, e é bom que regresse, se não o fizer vou te buscar.

- Irei lembrar disso.

- Lembre-se.

- Então até mais Leyla.

- Até mais meu noivo...

E então saltei da janela.

...

- Campbel?

- Blase?

- Vamos, temos trabalho a fazer.

- Ok, vamos partir.

Vamos partir... Vamos... Par... Tir...

- Adeus Jamie...