A Lenda de Irumina (The Irumina Legend)
9 Encontro predestinado
Narrador: Andy
Meio sem perceber, fiquei vagando pelo castelo até chegar ao jardim. Eu não estava com muita vontade de festejar junto com Greenie e Rita, naquele momento eu precisava mesmo era de paz e silêncio.
O jardim do castelo mais parecia uma grande floresta, cheia de árvores e plantas belíssimas. Mas, o que mais havia nesse jardim, de longe, eram flores. Flores de todas as espécies, formas e tamanhos possíveis, cujas cores hipnotizavam os olhos de qualquer observador e cujo aroma penetrava até a alma de qualquer visitante perdido no enorme jardim.
Por um tempo, até esqueci-me da minha conversa anterior com o rei, de toda aquela tensão. Pela primeira vez desde que entrei em Irumina, eu realmente me sentia tranquilo...
Não muito longe de mim, alguém cantava. Era uma voz de menina. Segui o som daquela voz até chegar a uma clareira no meio do jardim. A menina cantava, sentada em cima de um tronco de árvore cortado, no meio das inúmeras flores brancas presentes na clareira.
— Princesa? Ah, então foi a sua voz que eu ouvi agora, enquanto caminhava pelo jardim. Você tem uma linda voz!
— O-obrigada...
— Olha só... Notei que você não parecia tão animada com a festa, né? É o seu aniversário, imaginei que você estaria se divertindo mais com o resto dos convidados.
— É que... Não me sinto muito a vontade com eles. Eles não são exatamente meus “amigos”... A maioria são pessoas que nem conheço, de outras partes do reino, que só vieram na cerimônia para prestar respeito ao meu pai.
— Ou para aproveitar a refeição grátis, hehe...
— É... Ou isso também... Responda-me, plebeu, como você se chama?
— Err... Eu me chamo Andy. Andy Aliance. – não gostei de ser chamado de plebeu por ela... – E você, princesa, qual o seu nome?
— Dianna. Dianna Irumina. Prazer em conhecê-lo, plebeu. – a menina falava com um tom de voz bastante sério e formal, como se nem quisesse conversar comigo. Mas pude enxergar que, no fundo, Dianna queria ter alguém para conversar com ela.
— Ei! Você precisa mesmo me chamar de plebeu? Poderia me chamar apenas de Andy, por favor?
— Aah... Tudo bem, Andy. – A menina se esforçava para manter a conversa e não parecer chata. – Você é tão diferente das outras pessoas que adentraram em meu castelo. Diga-me, de onde você veio?
— B-bem... Digamos que eu vim de um reino muito longe daqui... Mudando de assunto, aquela música que você estava cantando antes, onde você a aprendeu?
— Aquela música... Quando eu era pequena, minha mãe costumava cantar pra mim antes de eu ir dormir, era minha canção de ninar favorita. – Dianna ficou com as bochechas um pouco coradas.
— É uma bela canção.
— É mesmo...
— E a sua mãe, a rainha. Ela também está aqui no castelo?
— S-sim, está. Mas ninguém pode vê-la no momento.
— Por quê?
— Porque ela está “dormindo”. Dormindo há anos. Antes que você pergunte, minha mãe não está morta, nem nada. Mas, ela não acorda faz muito tempo...
— Mas, dormir tanto tempo assim? Isso não faz sentido!
— Acredito que, algum feiticeiro de outro reino se infiltrou em meu castelo e lançou uma maldição em minha mãe, deixando-a assim.
— Ah, entendi...
— Escuta... O motivo que eu não estou tão animada com o meu aniversário de 13 anos é que, com essa idade, as responsabilidades com meu povo aumentam. Meu pai está envelhecendo, e aos poucos ele está entregando o governo do reino de Irumina para mim.
— E isso não é bom para você? Ter o poder de moldar o reino a seu bel prazer?
— Meu pai acha que sim. Desde o incidente com a minha mãe, eu sempre fui criada dentro deste castelo, “protegida” do restante do reino. No máximo, eu saía apenas para estudar, a mando de meu pai. E com o aumento das minhas responsabilidades, viverei ainda mais tempo “presa” neste castelo. Confesso que não tive muitas amizades, por conta de minha classe social.
— Imagino. Muitas pessoas devem ter medo de acidentalmente desrespeitar você... Não, de acidentalmente desrespeitar seu pai, isso?
— Isso. Daí elas ficam com medo de se aproximar de mim.
— Bem, não sou que nem os outros... Você parece ser uma pessoa legal, então não sinto medo de me aproximar de você! – sentei-me no tronco, ao lado da princesa, o que a deixou surpresa. – Até que não foi tão difícil, né, Dianna? – dei um sorrisão naquela hora, e a princesa soltou umas risadinhas.
— Hehehe... Você é esquisito, parece até que é de outro mundo...
— Não é a primeira vez que ouço isso, hehe... – por eu estar sentado tão perto de Dianna, percebi que ela me parecia tão familiar... – Por que sinto como se eu já tivesse visto o rosto dela em algum lugar? Será... Aquele sonho...? – pensei.
Por algum tempo, ficamos ali juntos, sentados no tronco, observando as flores brancas enquanto conversávamos sobre coisas bobas. Dianna me perguntou mais sobre o “reino” de onde vim; até tentei falar sobre algumas coisas da Terra, mas isso apenas deixava a menina confusa. De qualquer forma, Dianna parecia estar apreciando muito a nossa conversa.
— Dianna, seu sorriso é bonito! Nem parece aquela garota séria que eu vi na festa...
— B-bobo! – a menina ficou corada. – Andy... Obrigada por conversar comigo, por não ter medo de mim por causa da minha linhagem nobre.
— Não há de quê, princesa.
— Está ficando tarde. Melhor voltarmos ao castelo, né?
— Verdade, senão o seu pai ficará preocupado... Ah! Antes de voltarmos, poderia cantar novamente aquela canção de antes?
— Aah... Claro! Só mais uma vez...
— Tudo bem. – Dianna cantou novamente aquela bonita canção. Sua voz parecia mais forte e decidida, expressando o sentimento de ternura recordado naquela melodia...
Após a canção, começamos a caminhar de volta ao castelo. De repente, ouvimos um estrondo vindo de fora da muralha do castelo. Dianna subiu numa árvore para poder enxergar a área externa à grande muralha, subi na mesma árvore para também enxergar o que havia acontecido.
Um grande exército de criaturas observava de longe o Castelo Irumina. Na frente das criaturas, um jovem mago, com aparência de ter aproximadamente 18 anos, parecia comandá-las.
Aquele mago... Ele também me parecia familiar...! Esse era o mesmo mago que invadia o castelo naquele meu sonho misterioso! Seria ele... Chaos?!
— Ataquem. Busquem o fragmento da Lágrima Final. – Ordena o mago, com uma voz fria.
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