A Lenda da Chama Sagrada
15 Especial - Lire e Ryan
Notas iniciais
Ryan tinha certeza que estava vermelho feito um pimentão maduro.
–Eu também gosto de você, Ryan. – Ela respondeu com um sorriso.
“Ela respondeu fácil, assim? Tem algo errado...”
–L-lire, acho que você não me entendeu, eu disse que gosto de você...
–Sim, e eu também gosto de você, você é meu amigo, e----
–NÃO!!
–Você não é meu amigo? –Lire estava confusa.
–Não é isso, é que... Porque você não entende de uma vez que eu te amo?! – Ryan estava confuso, com raiva, decepcionado consigo, com Lire, com tudo, tudo de uma só vez. Num impulso, se levantou e começou a correr mata adentro, não se importando se iria encontrar os clones, o fim da dimensão, Cazeaje, ou seja lá o que for.
Lire estava paralisada.
“Lire, sua idiota! Ele acabou de se declarar pra você, e você nem entender, entendeu! Como sou burra!”
Lire ficou tão irritada com ela mesma, que grossas lágrimas de raiva escaparam de seus olhos verdes. Abraçou seus joelhos e ficou de tal modo por vinte e cinco minutos, quando ouviu um barulho na moita atrás de si.
“Não me importo com quem seja... Não me interessa. Se for um dos clones, legal, se for o Ryan, vou pedir desculpas.”
–Ara, ara... Miiiitsuketa~.
~**~
Ryan correu floresta adentro sem nem olhar por onde ir, acabando por bater a cabeça numa árvore.
–Maldita. – e pôs-se a correr novamente. Caso não estivesse tão bagunçado por dentro, jamais praguejaria uma árvore por entrar em seu caminho.
Depois de trinta e cinco minutos correndo e se suicidando mentalmente, chegou a uma parte da dimensão que estava amanhecendo. O nascer do sol naquela parte era realmente lindo, e muito parecido com o de Ernas.
Tal cena, ele gostaria de mostrar à Lire, mas quando seus pensamentos se voltaram à loira, novamente veio uma tristeza em seu coração, junto com um sentimento, uma sensação de que algo precioso para si era perdido aos poucos.
“A única coisa preciosa pra mim, nesse momento, é... Lire!”
~**~
–Que foi? Está surda? Ou será que já aceitou a morte? – a alternativa deu um sorriso de canto.
–...
–Eu falei com você! – a alternativa deu um chute no rosto de Lire, que rolou alguns metros. Mas não se levantou. – O gato comeu sua língua?! – Outro chute. – Está querendo me fazer de idiota, garota? – Levantou Lire pelo colarinho, encarando sua expressão vazia. Seus olhos inchados denunciavam que ela chorava.
–Aaaawn... Tadinha, tava chorando... – disse, fazendo uma expressão misturando desdém, pena e raiva. Logo depois, a expressão mudou para puro ódio da existência de Lire, e a jogou de rosto numa árvore, onde bateu o nariz. Seu rosto escorreu pela árvore, deixando uma pequena trilha de sangue, e caiu deitada.
A alternativa agora carregava um sorriso de canto um tanto insano. Começou a chutar Lire em seu rosto e seu estômago. Mas Lire, simplesmente, não tentava se proteger.
–Ah, tente se proteger, implore por sua vida! É mais divertido. – E então a alternativa começou a cantarolar uma música.
Watashi ga shuuyaku no KUREEJI NAI
Eu sou a estrela desta noite louca
KUNAAIFU katate ni sharekoube
Com uma faca em mãos, a perfurar caveiras
Hodoyoku furi mawashittara...
Apenas com um movimento...
...Tanoshiku natte kichatta!
...Estou apenas me divertindo!
–LIRE! – Sua cantoria foi interrompida por um elfo de cabelos alaranjados, que a socou no rosto e foi acudir sua amada, que se encontrava deitada no chão com suas roupas massacradas, seu rosto machucado. Assim que sua mente percebeu que quem havia feito tanto mal para com ela foi a alternativa, seu olhos encheram-se de pura raiva. – Foi você...
–Hah? Ahh... Então a laranja ambulante ficou com raivinha...
–Você vai morrer. – Ryan sussurrou.
–Não... Quem vai morrer vai ser você, meu caro Original. No próximo desafio. – O alternativo saiu de trás de uma árvore com um sorriso brincalhão, típico do Original, porém, este não se alegrou nem um pouco, tampouco estava para brincadeiras.
–Vem pra cima, cópia barata.
–Tá be---- Ei! – A alternativa iria começar a lutar, porém o alternativo segurou-a pela blusa.
–Você sabe. Conta pra ele, eu vou tratar da loirinha. – Dito isso, ele tentou se aproximar de Lire, sendo impedido por Ryan, que se colocou na frente.
–Por cima do meu cadáver.
O alternativo revirou os olhos.
–Já que o orgulho idiota dela não deixa dizer que foi vencida, quem vai falar sou eu. Você passou.
Ryan olhou os alternativos de cima a baixo.
–Acha mesmo que vou acreditar? – Ryan tinha completa razão de desconfiar. Eles já provaram que são mais fortes que eles, e já se fingiram de bonzinhos antes, e querem chegar perto de Lire, no qual bateram sem pudor algum.
–Hai, hai... Se não quer acreditar, olha ali. – O alternativo apontou com o polegar para uma porta com uma paisagem de um circo com a tenda vermelha e amarela na frente de uma montanha em meio a uma floresta.
–...Essa porta dá medo. – Alternativa
–Só de chegar perto dela, sinto como se fosse morrer... – Ryan
–Por isso eu disse que iria ser no próximo desafio. Agora eu poderia fazer os primeiros socorros na sua namorada? – Alternativo
–Eh? Ah, c-claro... – Ryan se apressou em sair do caminho.
No fim das contas, Lire e Ryan sobreviveram. Lire, apesar da grande surra que levou de sua imitação, não teve nenhum ferimento grave, para alívio de Ryan.
–Ryan... ROXO! A-alternativo...? O quê? – Lire havia acordado, e deu de cara com o alternativo arroxeado, tomando um susto. Olhou para Ryan como se estivesse perguntando “Você tem certeza?!”, e o mesmo apenas assentiu.
Depois de quinze minutos, Lire tinha um curativo no nariz, um no queixo, um na testa e um na bochecha esquerda. Ela estava sentada com as costas apoiadas na mesma árvore que Ryan, os dois estavam lado a lado.
–Ah, como vocês nos ganharam, vão ganhar uma coisinha. – A alternativa disse, e uma cortina branca de fumaça os envolveu. Quando ela se dissipou, havia duas caixas arroxeadas no chão, com um bilhete.
Quando estiver em perigo, basta colocar seu dedo na parte de cima desta caixa.
–Ah... Você entendeu alguma coisa? – Lire
–Deve ser uma recompensa, ou algo do tipo... – Ryan
Assim que Lire deu conta de que estavam sozinhos, se abraçou aos joelhos, como da última vez. Ryan pareceu notar isso, e ficou com um semblante preocupado.
–L-lire... S-sobre o que eu disse... Desculpa, eu não devia ter gritado. – Ryan desviou o olhar, mesmo que ele, antes, não estivesse focado na loira.
–N-não tem problema... – “Porque meu coração bate mais rápido? Ele só pediu desculpas...”
Lire havia corado com o pedido de desculpas.
–Lire... Acabei de notar uma coisa.
–O-o quê...?
–Você ainda não me respondeu.
–R-responder...?
–É. Eu disse que te amava e você não disse nada... M-mas não se sinta obrigada a responder agora...!
–H-hai...
Os dois adormeceram recostados na árvore. Porém, o clima ameno começou a tornar-se frio, e Lire, mesmo que inconscientemente, recostou sua cabeça no ombro de Ryan.
"MALDIÇÃO! MALDITA GRAND CHASE!! Como esses meros humanos ousam entrar no meu caminho?!"
"Você deve me odiar agora... Eu te abandonei, e fiz tudo o que você menospreza, inclusive mandei o pai de sua amiga para uma fenda entre as dimensões... Apenas queria que me perdoasse, Arme querida... E não ao maldito do seu pai."
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