A Lenda De Shara Shimizu
14 Quatro Anos Depois...
Shara: Vamos Bland! É tão jovem e já está cansado?
Bland: Você se tornou uma mulher muito linda! Nem parece o mesmo bichinho assustado de antes.
Shara: Claro que não pareço. Percebeu que estou mais graciosa e perfeita?
Bland: Andou comendo aquelas frutas vermelhas de novo?
Shara: Isso não vem ao caso. Eu quero aproveitar todos os dias que eu tiver ao seu lado e ao lado da Menely...
Bland: Da Menely? Por que falou dela?
Shara: Ela é sua namorada. Faz muito tempo que você vive me dizendo isso.
A jovem estava conversando com seu mestre, enquanto fazia um pique-nique embaixo das árvores que haviam envelhecido próximas a sua casa.
Enquanto ficavam comendo bolinhos de arroz, Shara deitava no chão para olhar os pássaros voando.
Bland: O que foi?
Shara: Os pássaros são diferentes e mesmo assim são aceitos.
Bland: Vai começar com aquela história de novo?
Shara: Vou sim... Eu quero ser normal.
Bland se aproximou de Shara, deitando no chão e olhando para o céu azul que era quase raro de se ver.
Bland: Shara, você é normal. Sempre foi.
Shara: Bland, que mulher nessa cidade, consegue lutar além de mim? Qual delas tem rabo, orelhas pontudas, presas muito exageradas e garras? Eu queria poder parecer como ela e andar pela cidade como todo mundo.
Bland se sentou, pegou seu livro magicamente, abriu em uma página qualquer e conjurou um de seus feitiços honrosos. Em pouco tempo, um bolo de lua estava nascendo. Quando apareceu, Bland deu o bolo á ela que logo devorou como se estivesse faminta.
Bland: Vá com calma.
Shara: Desculpe, ando com muita fome ultimamente.
Ao dizer isso, a jovem se levantou e sentiu que estava muito quente. Mais quente do que o normal, fazendo com que colocá-se suas mãos no rosto para ter certeza de que não estava derretendo.
Shara: O que você fez comigo?
Bland: Por que não visualiza seu reflexo?
Bland pegou uma bandeja que estava perto de Shara e ela percebeu que seu rosto parecia mais corado e seu cabelo negro, com orelhas humanas e sem calda. Suas garras haviam desaparecido e isso lhe trazia tanta alegria que não conseguia se conter.
Ao olhar para Bland, abraçou-o forte e sentiu uma vontade imensa de correr livre pelos campos, sem se preocupar com as pessoas. Mas, ao fazer isso, ainda não havia apendido como era viver com um corpo humano frágil, acabando por cair.
Shara: Bland! Acho que me machuquei.
Bland: Eu percebi. Venha, vou ajudá-la a se limpar.
Shara estava se sentindo muito bem com a ajuda de Bland, mas se sentia infeliz por não poder demonstrar que seus sentimentos nunca haviam morrido.
Shara: Posso retirar esse medalhão? Agora que sou humana, eu...
Bland: NÃO! — Gritou ele, tentando se acalmar — Não pode fazer isso. Sua aparência é de uma humana, mas não sei como seus poderes podem reagir.
Shara: Entendi! Pensei que fosse me dar um presente de aniversário digno, como minha libertação desse medalhão que me prende.
Bland: Shara, eu te dei a vida que sempre sonhou. Lhe fiz uma humana delicada e frágil. Aquela da qual eu posso proteger.
Shara: É... Parece que nunca se está contente quando se ganha o que quer.
Bland se aproxima de Shara, olhando fixadamente para ela, e bagunça seu cabelo rapidamente.
Os dois começam a correr pela floresta, com os raios de sol passando pelas folhas, reluzindo o brilho de seus olhos.
No chão de onde estavam, permanecia apenas uma rosa, nascida inexplicavelmente de um pensamento bom.
"...Ele olhou em meus olhos e disse que me amava... Esperei anoitecer e fugi pela sacada, procurando um momento bom. Assim, ele me encontraria novamente e me traria aquela antiga paz..."
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