A Lenda.

6 Capítulo 6 - Renuncia.


Enterramos o corpo de Miguel no campo de flores, logo acima da gruta das fadas demoníacas, a medida que o sol ia se pondo, terror crescia em nós, pois não sabíamos como sair dali, e como terminaria tudo aquilo, a unica coisa que nos restava era viver naquele lugar, ou, morrer.

Voltamos para a cabana as cinco da tarde, sentamos em volta da mesa e ficamos em silencio, Ani chorava nos braços de Teo, eu só conseguia encarar a mesa, sem dizer uma palavra.

Uma raiva tomou conta de mim, eu sabia que aquilo tinha haver com aquela Sra estranha que nos ofereceu a casa, tudo estava conectado, tudo na nossa frente, mas não pensávamos, o medo não deixava nosso cérebro trabalhar.

Levantei num sobressalto, quebrando o silencio daquela cozinha.

– Tenho certeza que aquela velha tem um pingo de culpa nessa história.

– Sra Matilde ? — Teo disse, me encarando com aqueles olhos fundos, cheios de tristeza.

– Sim — disse, olhando para fora da janela e vendo o sol se pondo — Vocês nunca perceberam que quando ela chegou aqui ela sabia meu nome sem menos nunca ter ouvido falar em mim ? Por que ela viria aqui as onze da noite? Aquele jeito estranho, a proibição dela de não nos deixar de descer até o porão… Tudo faz sentido, é só querer enxergar !

Peguei um copo de cima da mesa e joguei no chão, descontando toda minha raiva, aquela velha, eu precisava encontrar aquela Sra Matilde.

– Já volto — disse pegando meu moletom e saindo para fora, não sei onde ia, mas precisava achar um jeito de encontrar com aquela senhora.

– Espere Lizi ! — disse Issie vindo atras de mim — Está escurecendo e não pretendo perder mais ninguem.

Fui andando sem direção, no sentido onde as noticias falavam do circulo estranho e sobre os corpos mutilados.

– Lizi, onde pretende ir ? — Issie falava cabisbaixo, com medo.

– Vou encontrar aquela Matilde, e ela vai me explicar tudo.

– Você não tem medo dela ?

– Não tenho mais medo de nada aqui.

Por um momento parei. Medo. Essa palavra que na verdade estava cercando todos ali, seria o medo nosso pior inimigo? Imagens veio em minha cabeça, imagem de um lobo com colar parecido com os dos indios norte americanos. Sua energia era divina, doce, esperançosa, algo naquele lobo me dizia que o bem existia, estava dentro de nós, a paz, a força, a coragem.

Issie me balançou dizendo pra eu acordar, nem reparei que havia fechado os olhos, a imagem do lobo me deu uma sensação muito boa, cerrei os dentes e continuei rumo a morte.

Expliquei a Issie sobre minha visão, sobre a esperança que existia ali naquele lugar, uma esperança que estava sendo consumida com o medo das pessoas, a força vital estava acabando, o medo apenas aumentando.

– Então para sairmos disso temos que ter coragem ? — Ele disse, sério — Meio impossível esse lugar é horroroso, e da muito medo, apesar de ser lindo.

– Ta vendo ? Você acha esse lugar lindo, já é um começo, apesar de todo o mal que cerca esse lugar, sua beleza é como se fosse uma esperança, porem, também serve de iscas.

– Iscas para o medo abocanhar. — Issie falou, num tom mais baixo.

– Metáfora perfeita — Apesar de estar totalmente triste, acabada, aquela visão havia me deixado com esperanças de sair daquele lugar.

Chegamos ao circulo, era riscado no chão, como aquele do porão; Símbolos estranhos o circulava, não sei porque, sentia a presença daquela velha naquele lugar, então fiz a coisa mais idiota que um ser humano poderia fazer.

Entrei no circulo.