A Lenda
20 Arco 5 As 12 Casas/Sacrifício
Notas iniciais
KIBA
Após deixarmos Sakura no andar de baixo, subimos o que parecia ser uma interminável escadaria circular em direção aos céus. Subimos e subimos atravessando nuvens carregadas de eletricidade, porém nenhum mal nos aconteceu. Estava ligeiramente puto por estar sendo preso a essa técnica, impotente a não ser seguir as regras desse estupido jogo doentio.
A escadaria terminou subitamente. Estávamos agora em uma enorme floresta de gigantescas árvores com folhagens das mais diferentes cores, a terra era macia abaixo de meus pés e folhas caídas tomavam conta do chão e o cheiro da floresta era tão vivo que parecia real.
Assim que o ultimo de nós passou a escadaria desapareceu como se nunca tivesse existido, e uma nova surgiu entalhada dentro de uma gigantesca sequoia diante de nós. Farejei o ar em busca de algo estranho, mas tudo que consegui sentir foram os cheiros característicos encontrados em uma floresta como aquela.
Kiba. Chamou Naruto calmamente.
Sim?
Parece que essa arena é perfeita para alguém com suas habilidades.
Estava pensando a mesma coisa. Comentei acariciando a cabeça de Akamaru. Agora onde está meu oponente?
Camuflado na selva. Falou Naruto seriamente. Está esperando vocês.
Entendo. Falei pensativo.
A passagem para o próximo andar se abriu. Informou Hinata. Temos que ir.
Sim, eu sei. Falou Naruto me encarando fixamente. Boa caçada Kiba.
Hai.
Naruto e os outros começaram a subir na escadaria, ela era circular como a que havíamos acabado de subir porem o fato mais curioso sobre ela era que ela era entalhada dentro de uma gigantesca sequoia, mas acho que já disse isso. De súbito a passagem se fechou me deixando apenas com Akamaru por me fazer companhia.
Estamos por nossa conta garoto.
Sim. Concordou Akamaru com um latido.
Consegue sentir algo? Perguntei para ele.
Não. Latiu Akamaru. Mas sinto que estamos sendo observados.
É, eu também.
Avançamos com cautela para dentro da floresta, em todos os aspectos ela se pareceria com uma normal. Mas estava silenciosa demais, não conseguia escutar nenhum som de outros animais, apenas os sons que Akamaru e eu fazíamos ao caminhar, tal sensação eram enervantes. Um ar pesado e opressor parecia tomar conta do lugar e até mesmo as árvores pareciam mais escuras e juntas conforme eu avançava mais e mais para dentro da floresta.
Como que por instinto os pelos da minha nuca se arrepiaram, sem pensar duas vezes saltei para o lado agarrando a barriga de Akamaru e rolando na terra macia para amortecer a queda. Ouvi o barulho de algo pesado atingindo o solo onde segundos antes eu estivera. Levei meu olhar para o lugar e vi duas pesadas lanças de metal cravadas quase que totalmente no chão. Ambas as lanças era de cabo de madeira com uma longa ponta de metal, rapidamente tomei nota disso e ergui meu olhar para meu inimigo.
Após o primeiro ataque ele havia ficado agachado esperando, me estudando ao que parecia. Possuía cabelos loiros lisos e compridos que lhe caiam quase ate a nuca. Os olhos eram frios e perspicazes, de uma cor castanho-claro e me fitavam fixamente sem piscar, os lábios estavam travados em uma linha fina e dura. No rosto possuía uma tintura azul que ocupava quase que totalmente a testa dele e descia em linhas pelo resto do rosto ate o queixo. Vestia-se com pedaços de armadura, uma manopla de ferro na mão esquerda, um meio peitoral e pesadas botas de metal. Por baixo da armadura incompleta usava uma túnica branca esfarrapada e algum tipo de pele de animal. Na mão direita usava outra lança de madeira, idênticas as que quase haviam acertado Akamaru e eu. Podia ver que nas costas presa na altura da cintura carregava uma pesada lamina de ferro com um cabo que parecia ser de osso com alguns entalhes tribais desenhados. Era uma figura intimidadora não havia qualquer duvida.
Finalmente apareceu. Falei me levantando lentamente enquanto mirava meu inimigo. Tentei manter a voz o mais tranquila possível para não mostrar qualquer traço de medo. Meu nome é Kiba e meu companheiro aqui se chama Akamaru.
Prazer. Falou o estranho de forma lenta e calma. Não me recordo o nome que me foi dado ao nascer. Perdi ele assim como perdi minha liberdade ao entrar nesse lugar. Explicou ele em um tom lento e sem vida. Mas pode me chamar de Caçador se quiser.
Caçador? Questionei curioso.
Sim. Concordou ele. Afinal aqui eu sou o caçador e você e minha pressa. Um curto sorriso se formou nos finos lábios dele ao dizer isso.
Com um breve movimento ele sacou sua faca na cintura e cortou o que parecia ser um fio invisível, vindas de todas as direções voaram varias Kunais vindas das arvores ao nosso redor, saquei minha própria Kunai e girei rebatendo as afiadas lâminas que desciam prontas para me liquidar. Enquanto rebatia algumas esquivava de outras tantos, Akamaru desviava com facilidade e maestria já eu não tive tanta sorte e uma da Kunais raspou em minha perna esquerda abrindo um fino e pequeno corte, nada que viesse a dificultar minha movimentação na luta futuramente. Olhei para Akamaru me certificando que ele não havia se ferido, ele estava bem por ser pequeno e ágil não havia sido problema para desviar dos ataques.
Essa armadilha havia sido um ataque simulado. Não tinha real intenção de me matar e sim de observar e analisar meus movimentos para saber como eu agiria no futuro. Era algo bastante usado para caçar animais na selva, eu tinha que admitir ele estava fazendo justiça ao nome de caçador.
Ele continuava no mesmo lugar de antes me olhando fixamente sem mover-se um centímetro sequer, apenas aguardando meu próximo movimento. Peguei duas pílulas de soldado, ambas eram de um vermelho escuro, joguei uma para Akamaru que abocanhou a sua com avidez em seguida engoli a minha. Ela não possuía gosto especifico, mas a sensação que trazia era de calor. Senti como se meu próprio chakra queimasse, minhas garras e caninos cresceram involuntariamente, Akamaru pareceu crescer alguns centímetros enquanto seu pelo ficava arrepiado e vermelho, ele rosnava furiosamente para nosso inimigo.
Jūjin Bunshin(Clone da Besta Humana). Falei fazendo um selo.
Akamaru se transformou em um clone idêntico a mim, tanto nosso chakra quanto nossos cheiros estavam misturados agora, não haveria como nos diferenciar.
Shikyaku no Jutsu(Técnica da Imitação da Fera). Rosnei firmemente.
Fiquei sobre quatro patas assim como Akamaru, ambos rosnávamos em direção de nosso inimigo que continuava imóvel como uma pedra em seu lugar. Avancei rapidamente na direção dele com Akamaru ao meu lado, nos pulamos enquanto girávamos nos tornando em um violento ciclone cinzento.
Gatsūga(Presa Sobre Presa). Falei furiosamente.
Guiei-me pelo cheiro do inimigo e avancei diretamente contra o peito do caçador que continuava parado ali sem fazer nada. Tolo. Akamaru e eu iríamos partir ele em pedaços sangrentos com nosso Gatsūga. Ele se moveu mais rápido do que eu julgaria possível. Girando sua lança com facilidade ele a esticou apontada diretamente para mim.
Essa não.
A ponta da lança atravessou meu casaco parando totalmente o giro do Gatsūga. Fique ali preso por meu casaco incrédulo demais para processar o que havia acontecido, ele havia achado o ponto cego da minha técnica. Akamaru descia pela lateral pronto para acertar o flanco esquerdo do caçador, porém ele foi mais rápido e girando a lança me jogou na direção de Akamaru. O Gatsūga de meu companheiro me acertou em cheio me arremessando com violência para trás enquanto eu sentia o gosto de sangue inundar minha boca e uma forte ardência se espalhar por meu peito. Capotei vários metros antes de se chocar contra uma velha árvore, apoiei minhas duas mãos na terra fofa e tentei me erguer, cuspi sangue e com grande esforço me pus de pé.
Maldito.
Akamaru ainda estava com minha aparência e me lançava um olhar em um pedido mudo de desculpas, a culpa não havia sido dele e sim do bastardo que de alguma forma tinha achado o ponto cego do Gatsūga. Procurei pelo caçador onde ele estava antes, mas para minha surpresa ele havia sumido, os pelos da minha nuca se arrepiaram e sem pensar joguei meu corpo para trás. A lança do caçador passou rente o suficiente de meu pescoço para abrir um pequeno corte, rapidamente firmei os pés no chão e disparei um golpe com toda a força pronto para retalhar ele com minhas garras. Com um simples movimento o caçador bloqueou meu golpe com seu braço envolto na manopla, prendendo minha mão na sua em seguida, rapidamente ele retraiu sua lança e a girou em minha direção pronto para me acertar no peito com a ponta afiada. Porém Akamaru foi mais rápido e com um tapa acertou a lança a mandando girando para longe, aproveitando a oportunidade inclinei meu corpo e com força acertei minha testa na dele. O aperto ao redor do meu braço sumiu e aproveitei isso para desferir um poderoso corte na direção do pescoço dele, com uma velocidade incrível o caçador se abaixou, porém Akamaru aproveitou a oportunidade e acertou um potente chute no rosto dele o mandando capotando para trás.
Obrigado companheiro. Sussurrei agradecido para Akamaru que se limitou a dar um pequeno rosnado satisfeito.
O caçador se ergueu lentamente com um pequeno filete de sangue escorrendo do lábio onde Akamaru havia lhe acertado. Se comparado a mim as condições físicas dele eram muito melhores, com poucos golpes ele havia me feito uma considerável quantia de dano.
Atacando-me de frente com toda a insolência do mundo. Falou o caçador em sua voz lenta e calma. Exatamente como uma fera selvagem.
Então essa fera ira te matar. Falei com fúria. É uma promessa.
Palavras são vento. Falou ele simplesmente. E irei te provar isso.
O caçador juntou as mãos fazendo um selo e suas formas começaram a ondular e desaparecer lentamente. Rapidamente me concentrei em meu olfato apurado para localiza-lo, mas para minha surpresa não consegui sentir qualquer tipo de odor.
Mas que mer...
Senti um poderoso golpe acertar meu estomago me fazendo se curvar de dor e em seguida outro acertar meu queixo me mandando de costas para o chão, Akamaru olhou confuso ao redor e então uma explosão vermelha surgiu em seu peito.
NÃOO. Gritei.
Akamaru tombou para trás se transformando de novo em sua forma original, seus pelos agora não estavam vermelhos por causa da pílula de soldado e sim por causa do sangue que fluía cada vez mais do ferimento. O ar pareceu tremular por um momento e as formas do caçador ficaram visíveis novamente. Em suas mãos sua faca de caça com cabo de osso pingava vermelha por causa do sangue de meu companheiro, ele se virou com calma em minha direção e seus lábios se moveram lentamente sem emitir qualquer som, mas ainda sim eu entendi o significado da palavra dita.
Corra.
Sem pensar duas vezes joguei duas bombas de fumaça no chão criando uma cortina de fumaça roxa ao nosso redor. Imprudentemente avancei na direção dele, eu precisava pegar Akamaru, eu não podia abandona-lo sangrando perto daquele bastardo. A lança disparou de algum lugar da fumaça, porem fui mais rápido e deslizei por baixo dela e cheguei ao meu companheiro. Akamaru sangrava muito pelo corte feito pelo caçador, mas não podia tratar daquilo naquele lugar, por isso o agarrei e o coloquei dentro de meu casaco e corri para dentro da floresta o mais rápido que podia. Corri sem rumo passando por árvores gigantescas e pequenas, por árvores verdes e mortas. Corri pelo que pareceram horas, mas podiam ser apenas minutos, eu não podia dizer com exatidão visto o frenético desespero de minha corrida louca pela floresta. Tudo que eu sabia era que eu precisava correr.
Por fim encontrei uma cavidade entre duas árvores antigas que podia fornecer um abrigo razoável, me enfiei nesse abrigo e coloquei Akamaru carinhosamente no chão, sangue seco manchava seus pelos brancos, e mais sangue fluía no local onde a lamina havia lhe acertado, retirei meu casaco e cortei uma tira de tecido depois peguei um cantil de água em um pergaminho de minha bolsa ninja e lavei o ferimento o melhor possível, Akamaru ganiu quando fiz isso, mas parecia fraco demais para fazer mais do que isso. Usando a tira de tecido retirada de meu casaco envolvi o ferimento firmemente visando parar o sangramento, não era muito, mas teria que servir por enquanto.
Aguente firme companheiro. Sussurrei carinhosamente.
Senti um assovio baixo vindo em minha direção e sem pensar duas vezes arremessei minha Kunai para fora do meu abrigo. As laminas se chocaram no ar com um barulho estridente, saquei outra Kunai e pulei para fora do abrigo, visando manter o caçador longe de Akamaru.
Nada.
Não havia nenhum sinal do caçador por perto, mas eu sabia que ele estava ali em algum lugar. Esperando. Concentrei-me em meu olfato, mas não consegui sentir nada, igual antes. Algo pousou suavemente as minhas costas, girei meu corpo tentando acertar o caçador com minha lamina, mas ele foi mais rápido do que eu esperava e acertou um pesado golpe em meu peito me jogando com força para trás em direção ao chão, antes mesmo que eu pudesse me levantar um forte chute acertou minha barriga me fazendo perder o folego. Mãos fortes envolveram meu pescoço me erguendo do chão e me deixando suspenso no ar.
Patético. Falou o caçador de forma lenta. Esperava mais de você. Isso nem ao menos chegou a ser uma boa caçada.
Com um leve movimento na mão livre dele outra lança de ferro surgiu e o caçador com indiferença estocou em direção ao meu peito no golpe que terminaria com minha vida. Tudo aconteceu rápido demais para que meu cérebro atordoado conseguisse processar. Akamaru de alguma forma arranjara forças para saltar na frente do golpe fatal destinado a mim. A lança atravessava o pequeno corpo de Akamaru espalhando o sangue quente dele em meu rosto atordoado. Não tive forças para gritar devido ao choque. Mas de alguma forma achei forças para me soltar das mãos do caçador e pegar o corpo de Akamaru e me afastar. O caçador me lançou um olhar de desdém misturado com pena.
Olhei para meu companheiro em seus últimos momentos de vida, eu não podia deixa-lo morrer assim. Não dessa forma. Não por minha culpa. Não pela minha fraqueza. Eu precisava fazer aquilo.....
O que está fazendo aqui em baixo Kiba? A Voz de Hana saiu severa.
Os garotos mais velhos contarão uma historia. Falei baixando os olhos envergonhado. Eles falaram que nosso clã tem uma Nukenin que podia se transformar em lobo. E que ela obteve esse poder com algum Jutsu maligno.
E você acreditou? Perguntou ela suavemente.
Não. Falei firmemente. E só historia para assustar filhotes.
E por que desceu aqui, então?
Eu....Hesitei. Precisava ter certeza. Se for verdade deve haver um registro em nossos pergaminhos. Se for mentira não haverá.
Entendo. Respondeu minha irmã caminhando lentamente pela sala empoeirada. As costas dela seus três cães gêmeos se espalharam. Não perca seu tempo, não vai achar nada aqui.
Então era apenas uma historia? Falei sorrindo.
Não.
Como? O sorriso morreu em meu rosto enquanto eu observava minha irmã.
Inuzuka Kira é o nome da Nukenin que procura. Falou Hana de forma lenta. Ela foi banida do nosso clã ao desenvolver um Kinjutsu profano.
O que tem de errado com esse Kinjutsu?
Ele possui um preço a se pegar para ser usado. Falou Hana lentamente. Se pagar o preço ele te dará um poder imenso. A Capacidade de se transformar em uma forma superior. Uma mistura de humano com Lobo. Chamamos essa técnica de Rōkyō(Licantropia).
E qual é o preço para obter esse poder?
Ele exige que você sacrifique seu companheiro.
A declaração de Hana me emudeceu por um momento. Logo após veio a raiva, a repulsa o nojo pelo que aquela mulher havia feito. Sacrificar o próprio Banlu(Companheiro)daquela forma por pura busca por poder. Para mim aquilo era inconcebível. Era como tentar arrancar o próprio braço. Não havia como. Akamaru se encolheu dentro de meu casaco e eu acariciei o topo de sua cabeça de forma tranquilizadora.
Isso é monstruoso. Por fim consegui dizer.
Com certeza. Acenou Hana tristemente. Kira obteve o poder que tanta desejava e com isso se tornou invencível, nem mesmo nosso clã inteiro pode deter ela. A única forma de conseguir derrota-la foi com as mesmas armas apresentadas por ela.
Quer dizer que outra pessoa usou o Rōkyō dela?
Não. Falou Hana seriamente. Como você mesmo disse era monstruoso demais para se cogitar usar isso. Porém nosso líder de clã na época. Aquele cujo nome se perdeu nas brumas do tempo, por fim achou uma solução. Ele pegou o Kinjutsu criado por Kira e o modificou.
Modificou de qual forma? Perguntei absorto na historia.
Ao invés de sacrificar seu Banlu. Ele sacrificou a si próprio. Respondeu Hana de forma solene. Arrancando o próprio coração com as mãos nuas ele evocou o Kinjutsu e ofereceu o próprio coração ao seu companheiro. Quando fez isso ambos alcançaram um poder semelhante ao de Kira. Porém ambos ainda estavam vivos podiam se separar e se unir quando quisessem. Mas houve consequências e claro. Ambos ficarão tão ligados que nenhum dos dois podia viver sem o outro.
O que quer dizer?
Quero dizer que se um morresse o outro morreria junto. Falou Hana seriamente. E vice e versa. Esse foi o preço do poder. Com isso ele foi capaz de derrota-la e trazer paz ao nosso clã.
Isso ocorreu quando?
Há muito tempo atrás. Falou Hana de solenemente. Antes mesmo da fundação das próprias aldeias.
Não é apenas uma historia?
Não.
Tal técnica existe?
Sim.
Você sabe como usa-la?
Sim.
Respirei fundo enquanto processava a informação dada por minha irmã. Isso ia muito além do que eu esperava. E se fosse verdade não era um poder que valeria a pena se obter? Se unir de tal forma com seu companheiro e ainda ganhar um poder como aquele.
Sei o que está pensando Kiba. Falou Hana seriamente. Tal poder não é algo que deva ser usado com leveza. Uma vez que use ele sua vida e a de seu Banlu mudaram para todo o sempre.
Mas ainda sim. Falei firmemente. Pode me ensinar?
Posso. Afirmou Hana. Mas com uma condição.
Qual?
Que nunca ira usar técnica até a hora certa chegar.
E quando saberei que a hora certa chegou? Respondi levemente irritado.
Um sorriso triste tomou conta dos lábios de Hana e por um momento ela pareceu perdida em velhas lembranças.
Acredite em mim filhote. Você vai saber quando a hora chegar.
Não podia deixar Akamaru morrer. Disso eu tinha certeza. A hora certa havia chegado. Era o momento de eu me sacrificar por ele, assim como ele havia se sacrificado por mim.
Aguente mais um pouco.
Executei uma complexa sequência de selos e coloquei ambas as mãos no chão. Centenas de Kanjis se formaram ao meu redor e de Akamaru em um circulo ritualístico. O caçador me olhava de forma divertida esperando para ver o que eu faria. Que esperasse. Um pequeno altar de pedra estava diante de mim com uma pequena tigela de pedra em cima.
É hora. Falei com uma estranha tranquilidade tomando conta de mim.
KIBA.
O grito mental me atordoou por um momento, me puxando para dentro das profundezas de minha mente, quando me dei conta estava em um local totalmente branco, um vazio imenso que se estendia pelo infinito. A única coisa além de mim em toda aquela imensidão branca era uma pessoa. A que eu menos esperava encontrar naquela situação.
Naruto.
É você mesmo? Perguntei confuso. Onde estamos?
Na sua mente. Falou Naruto seriamente.
Como disse?
Exatamente o que ouviu. Falou ele rispidamente. Não temos muito tempo, portanto me escute. E me escute com atenção. Estou conseguindo falar com você por conta de um Holocron que instalei em seu corpo enquanto viajávamos. Naruto ergueu as mãos em minha direção. Sei que deve estar confuso e deve estar cheio de perguntas. O que você precisa saber e que coloquei essa técnica para ajudar vocês de certa forma contra as armadilhas da torre. Como ela não permite ajuda direta, achei a solução com isso.
Entendo. Falei ordenando meus pensamentos e tentando entender tudo aquilo.
Aposto que não. Falou ele dando um curto sorriso. Não posso lhe dar poderes, mas posso lhe aconselhar.
De que forma?
O que está prestes a fazer. Falou Naruto lentamente. Eu vi suas memórias Kiba e isso pode vir a se tornar um risco.
Estou bem ciente disso. Falei baixando os olhos. Mas e a única maneira de salvar Akamaru.
Talvez isso seja verdade. Respondeu ele firmemente. Porém isso trará consequências para você.
Eu sei disso.
Não estou falando das consequências que sua irmã disse a você. Falou ele agarrando meu braço com força. Estou falando que se fizer isso, estará aceitando sua natureza selvagem. Entrará por um caminho de sangue e morte que não conseguira sair. Essas são as consequências que sua irmã não lhe disse.
Então aceitarei elas de bom grado. Falei convicto. Se mudar é o preço então aceitarei ele de bom grado.
Então. Naruto soltou meu braço e sorriu ferinamente. Que assim seja. Minha utilidade termina aqui. Queria apenas que soubesse o que está próximo de fazer.
Agradeço. Falei tranquilamente.
Vá Kiba. Sussurrou Naruto enquanto suas formas sumiam lentamente diante de mim. Mostre o demônio que se esconde dentro de seu coração. Mostre a todos a sua fera adormecida.
Hai.
Minhas mãos acertaram meu peito rasgando a carne com fúria, um grito de dor e raiva saiu por meus lábios, mas não parei continuei rasgando meu corpo com minhas próprias garras em um frenesi sangrento enquanto recitava como um mantra as ancestrais palavras que caracterizavam o Kinjutsu que eu estava prestes a executar.
Ouça minha suplica Deus da Noite.
Aceite essa oferenda como prova de minha devoção.
Duas carnes em uma.
Dois sangues em um.
Nos una pela eternidade.
E nos torne um.
Envolvi meu coração com minhas mãos, eu podia o sentir pulsando entre eles no ritmo de minha vida, que parecia se esvair mais.... e mais.... A cada instante.
Ouça minha suplica Deus da Noite.
Aceite essa oferenda como prova de minha devoção.
Duas carnes em uma.
Dois sangues em um.
Nos una pela eternidade.
E nos torne um
Sacrifício nunca foi e nunca será fácil. Quantos teriam a coragem de em plena consciência sacrificar a si mesmo em prol do próximo? Poucos, sem duvida nenhuma. Sacrificar a si mesmo requer uma dose extraordinária de coragem e loucura e claro.
Eu gritei.
E tão rápido quando havia começado acabou. Não foi um momento glorioso ou memorável como as historias contam. Com um ultimo puxão arranquei meu coração do peito e o depositei na tigela de pedra diante de mim antes de desabar e meu mundo cair em escuridão.
Você já esteve dormindo e de alguma forma conseguia ouvir o que acontecia ao seu redor? Não é a melhor forma de me expressar, mas acho que a que chega mais perto, sem dúvida. Eu vagava nos limites da inconsciência e de alguma forma, senti o vento soprar com força ao meu redor. O cheiro da terra e das arvores. E o uivo de um lobo. Não me lembro de ter me levantando, mas de alguma forma devo ter feito isso, foi como tirar uma roupa do corpo e vestir outra nova. Meus olhos se abriram para o mundo novamente. Eu havia despertado. Eu ainda estava vivo.
Observei minhas mãos.... Não eram mais mãos. Eram patas brancas com longas garras amareladas, uma intensa sensação de satisfação tomou conta de meu ser.... não... do nosso ser. Éramos finalmente um. Éramos um Lobo. Joguei meu pescoço para trás e uivei longamente. Um longo e sombrio uivo, carregado da mais pura ameaça. Observei o caçador me fitar chocado devido a nossa transformação, arreganhei os dentes em um rosnado ameaçador e comecei a avançar lentamente na direção dele enquanto arrastava minhas garras no chão deixando profundos sulcos na terra.
Vamos acabar com ele. Rosnou de forma furiosa Akamaru em minha mente.
A caçada começa agora. Respondi.
Comecei a correr em alta velocidade em direção ao caçador que ficou firme no mesmo local me esperando, quando me aproximei o suficiente saltei e estendi minha pata, pronto para acertar o caçador no pescoço com minhas garras. A velocidade dele continuava me espantando. Com um elegante movimento de corpo ele desviou de meu ataque e contra atacou com sua faca de caça na direção de meus olhos, desviei da melhor maneira possível o golpe que ainda assim atingiu minha bochecha, rosnei furiosamente e com minha outra pata atingi o centro do peito do caçador o arremessando capotando para trás ate se chocar contra uma árvore. Avancei correndo como uma fera na direção dele pronto para dilacerá-lo com minhas garras, o caçador sem perder tempo saltou para o lado fazendo meu ataque atingir a árvore a partindo em duas. Virei-me para ele e rosnei com fúria. Ele estava de joelhos com as mãos formando um triangulo.
Katon- Kaosu Kasai(Elemento fogo- Chamas do Caos).Falou ele firmemente.
A partir do centro do triangulo um redemoinho de chamas surgiu avançando em minha direção e me envolvendo em uma espiral flamejante. As chamas não me feriam como eu esperava, apenas causavam um leve desconforto na melhor das hipóteses, rosnei triunfante e avancei com as chamas lambendo meus pelos para cima do caçador. Levantei minha pata e desferi um golpe pesado com minhas garras, ele foi lento para desviar totalmente, minhas garras atravessaram o peitoral dele rasgando a pele de leve, o caçador recuou rapidamente pondo uma grande distância entre nós enquanto pedaços da sua armadura incompleta caiam no chão.
Acabemos com isso. Rosnou Akamaru. Não vamos conseguir manter a transformação por muito mais tempo, a conexão está instável.
Sim. Concordei. Hora de usar nossa técnica.
Comecei a concentrar meu chakra, eu podia o sentir fluindo pelo meu corpo de forma selvagem e incontrolável, joguei minha pata direita para trás e deixei a energia fluir, ela começou a formigar enquanto chakra negro a envolvia redemoinhos de energia.
Um último ataque então. Falou o caçador sorrindo largamente pela primeira vez. Minha melhor técnica contra a sua melhor técnica.
Ele juntou suas duas mãos e quando as separou uma longa lança dourada repleta de kanjis apareceu em suas mãos, ele a girou com ambas as mãos em cima da cabeça ate apontar em minha direção.
Ninpou-Saigo Kari(Arte Ninja-Ultima caça). Falou o caçador de forma furiosa antes de arremessar a lança dourada em minha direção.
Instintivamente joguei minha pata para frente como se arremessasse algo e senti a energia concentrada ali disparar em alta velocidade contra meu inimigo.
Getsuga Tenshou(Presa Afiada Da Lua Que Rasga O Céu)." Rosnei de forma animalesca o nome da técnica enquanto a via disparar em forma de V de uma cor negra na direção do caçador.
Ambas as técnicas se chocaram em pleno ar sem emitir um som sequer.
A explosão de luz e calor gerada me arrastou alguns centímetros para trás, mas me mantive firme observando, fascinado, as técnicas se chocarem como duas ondas no mar, uma tentando subjugar a outra. Gritei com todas as forças enquanto deixava o restante da energia animalesca de meu corpo fluir em direção à técnica a aumentando de tamanho e força. A técnica negra absorveu a do caçador e seguiu em diante como um grande Tsunami escuro destruindo cada pedaço de chão e arvores que tocava, por fim tudo acabou em um enorme redemoinho de energia.
A destruição ao nosso redor era gigantesca, enormes sequoias jaziam deitadas umas sobre as outras, arrancadas do chão pela violência da técnica, o chão havia sido aberto em uma valeta ate terminar em uma enorme cratera e no centro dessa cratera estava o caçador, deitado imóvel, ou pelo menos o que sobrara dele.
Outrora forte e orgulhoso o corpo dele jazia mutilado e desfigurado pela minha técnica. O braço direito fora totalmente arrancado, assim como a perna direita. Em sua barriga um estilhaço enorme de madeira atravessava o corpo dele o prendendo contra o chão. Saltei em direção ao buraco para me assegurar que ele estava morto e para minha surpresa, consegui sentir os batimentos cardíacos dele claramente, fracos, mas ainda batendo.
Parece que no fim das contas você era o caçador aqui. Falou ele roucamente enquanto me lançava um sorriso vermelho. Agradeço por ter me proporcionado uma caçada tão divertida. Fazia séculos que não me divertia assim. Ele tossiu uma grande quantia de sangue antes de parar respirando pesadamente. Acabe com isso, por favor. Falou ele me lançando um olhar de suplica. E obrigado.
Após isso ele fechou os olhos e ficou em silêncio, os únicos sinais que ainda estava vivo era a fraca respiração que ele dava a intervalos cada vez mais longos.
Acabemos com isso. Rosnou Akamaru. Devore ele Kiba.
O que? Perguntei chocado.
Ele é nossa pressa e sabe disso, nós o submetemos e agora ele está a nossa mercê, acabe com o sofrimento dele e se alimente de sua carne isso nos tornara mais fortes.
É errado. Falei enojado. É desumano.
É a lei da selva. Falou Akamaru selvagemente. Você não é mais humano, não depois do que fez. Lembre-se das palavras de Naruto.
Estou falando que se fizer isso, estará aceitando sua natureza selvagem. Entrará por um caminho de sangue e morte que não conseguira sair. Essas são as consequências que sua irmã não lhe disse. Falou Naruto de forma firme.
Eu farei. Falei firmemente.
Não Kiba, nós faremos. Falou Akamaru suavemente.
Curvei-me sobre o corpo do homem moribundo e encostei minha pata sobre seu peito de forma suave, os olhos dele se abriram de leve e ele sorriu, antes de levantar um pouco a cabeça, expondo o pescoço para mim. Sem pensar avancei contra a garganta dele envolvendo a carne de seu pescoço com minhas pressas. E pela primeira vez na vida eu provei o gosto da carne humana.
O PISTOLEIRO
A noite já havia caído há algum tempo e o acampamento estava montado enquanto uma forte fogueira aquecia o lugar e trazia luz nessa escura noite. Não havia lua no céu e nem estrelas e podia sentir a chuva chegando há pouco tempo. Sentei-me de pernas cruzadas diante do cepo de uma árvore cortada a muito tempo atrás e retirei meu equipamento de manutenção colocando em cima do lugar, em seguida tirei minhas duas pistolas de seus coldres e as coloquei com cuidado em cima da mesa improvisada.
Ambas eram pretas e possuíam uma empunhadura curvada com o desenho de uma caveira em cada cabo, eram ambas armas magnificas e também minha maior relíquia. Elas eram chamadas de Diablos, nome dado por meu irmão mais velho antes de me entrega-las, desde então eram minhas companheiras inseparáveis. Peguei uma delas e abri desmontando ela peça por peça e as colocando ordenadamente em sequência sobre minha mesa de trabalho improvisada. Em seguida comecei a passar um pano oleado em cada peça.
O que vamos fazer Arkyn? Questionou uma voz feminina com o sotaque arrastado do leste as minhas costas.
A resposta para isso era obvia. Esperar. Portanto não me dei ao trabalho de respondê-la, ao invés disso continuei com tranquilidade a manutenção de meu armamento. A garota suspirou exasperada e passou por mim ficando de pé ao lado oposto do cepo em que eu estava usando como mesa. Em minha frente se erguendo em toda sua graça Aksana Ramanoff me fitava com desaprovação.
Você poderia ser um pouco mais simpático e me responder, não acha Arkyn? Falou ela com desagrado.
Achava engraçado a forma como ela arrastava o R para falar meu nome, estávamos falando a língua do continente Shinobi naturalmente e isso fazia a pronuncia dela ficar com um sotaque arrastado, mas de que certa forma era atraente e exótico. Ergui meus olhos e a encarei com tranquilidade.
Sou um amante do silêncio Romanoff. Falei com calma.
Akasna era alta, algo em torno de 1,80 ou tão próximo disso que não fazia diferença. Possuía o rosto delicado, em formato de coração com queixo pontudo, bochechas coradas com maquiagem, lábios de boca pequena cheios pintados de vermelho vinho. Possuía longas sobrancelhas finas, olhos penetrantes de cor verde acinzentado, destacados discretamente com sombra roxo escuro. Sua vestimenta era igualmente roxa de couro, com desenhos em losangos, destacando seu decote, piercing e sua pele pálida. Os cabelos eram lisos, curtos e pintados de um roxo escuro. Uma gola alta se erguia ao redor do pescoço, que possuía um colar de pedras negras. Luvas sem dedos subiam da mão quase ate o cotovelo tampando parte de seus braços. Um cinto de couro marrom envolvia a cintura dela, no cinto alguns utensílios e dois frascos de poção pendiam pendurados. Aksana vinha do extremo leste logo depois do grande deserto de gelo no reino de Weib Länder(Terras Brancas), ela se formara na Guilda dos Alquimistas e quando terminou seu treinamento partiu atravessando o Deserto e finalmente chegando ao continente Shinobi onde conheceu nosso mestre.
E isso é irritante às vezes sabia Herr(Senhor)? Falou ela exasperada.
Não pude deixar de sorrir internamente pelo uso da palavra na língua nativa dela, Aksana apesar do sotaque falava o idioma continental melhor que eu, e ter usado uma palavra em seu próprio idioma enquanto conversamos na língua comum era sinal que eu havia deixado ela irritada, como de costume. Dei de ombros indiferente a reclamação e voltei ao meu trabalho, após terminar a limpeza das peças remontei a arma com agilidade e a deixei de lado, partindo para a manutenção da arma seguinte.
O que acha que viemos fazer aqui? Perguntou ela se sentando de pernas cruzadas diante de mim.
Essa era uma pergunta que eu vinha me fazendo desde que havíamos nos reunido, fitei ela com calma.
Naturalmente é uma missão. Falei tranquilamente. Mas de qual tipo? E por que tão próxima de Ark(Folha)?Balancei a cabeça negativamente. Essas são minhas duvidas.
E suponho que você tenha alguma teoria. Falou ela dando um curto sorriso.
Algumas. Confessei. A maioria descartável e claro.
Mas não todas?
Não todas. Fui forçado a admitir. Porém não quero falar de algo que pode estar totalmente equivocado.
Como quiser. Falou ela me estudando. Mas gostaria de ouvir mesmo assim.
Suspirei pesado e continuei a manutenção por um momento enquanto pensava seriamente se deveria responde-la ou não. Porém sabia que Aksana podia ser bastante teimosa e insistente quando queria. Levei meu olhar para meus outros dois companheiros os observando atentamente enquanto puxava suas fichas em minha mente.
Sentado perto da fogueira estava Vincent. O mais misterioso membro do grupo, de longos cabelos negros, sobretudo marrom discreto, e chapéu Fedora. Sorria ironicamente como se tudo soubesse, de olhar afiado e atento para tudo o que o rodeava. Antes de se juntar a Causa Vincent era um mercenário bastante conhecido pelo continente, como forma de provar isso ele carregava consigo uma pulseira com várias moedas de diferentes países entrecruzadas em um complexo elo de metal. Dessas moedas uma ele parecia considerar especial. Uma moeda grande e redonda de ouro com um dos lados tingindo totalmente de vermelho. Certa vez, haviam perguntando quanto estavam pagando pra ele se manter fiel, ele apenas havia sorrido daquela sua forma enigmática e girado sua moeda tingida entre os dedos.
O suficiente para uma vida. Fora sua resposta.
De todos os meus companheiros era com ele que eu mantinha mais cautela, seus sorrisos nunca chegavam aos olhos e sua força destrutiva era inegável por isso mantinha um olho atento sobre ele. Por precaução.
Meu outro companheiro era Kenta Yamasaki. Um rosto simples para um homem simples era a melhor definição para ele. Antes ele servia a Ordem dos Shinigamis, tal ordem se gabava de criar os melhores guarda-costas do continente. Pegos desde crianças os Shinigamis passavam por um rígido treinamento onde duas leis eram infundidas severamente. Servir e Proteger. Quando o treinamento acabava eles eram vendidos por uma alta quantia de dinheiro para servir pelo resto de seus dias a algum senhor. Nosso mestre havia feito isso naturalmente. Kenta amava mulheres, e se gabava de ter se deitado com uma centena delas e gerado um milhares de filhos. Mas mais que isso, ele amava era suas duas esposas de aço. Shojo (Donzela) e Mibōjin (Viuva). Duas monstruosas laminas de braço com quase 1,85 de altura o quer era quase o tamanho do próprio Kenta. Estremecia em pensar o peso que aquelas armas deveriam ter, e a força necessária para empunha-las com a precisão que Kenta usava.
Aksana ainda me observava atentamente, aguardando minha resposta. Juntei meus pensamentos e franzi as sobrancelhas pensativamente antes de respondê-la.
Eu acredito que nossa missão se passara dentro de Ark. Comecei lentamente. E será algum tipo de assassinato.
Assassinato? Falou ela arregalando os olhos por um momento em uma expressão peculiar.
Pense comigo. Falei erguendo um dedo. Temos dois guerreiros implacáveis, uma envenenadora e um pistoleiro. Isso só pode significar uma coisa.... Falei deixando espaço para Aksana completar minha teoria.
Assassinato.
Sim. Concordei seriamente. A questão agora é de quem? Falei terminando a manutenção de minha segunda arma.
Definitivamente alguém importante para exigir a participação de nós quatro. Apontou ela.
Penso da mesma forma. Falei calmamente. Mas isso tudo é pura especulação.
Mas acho que faz certo sentido.
Dei de ombros e guardei minhas pistolas em seus coldres na minha cintura enquanto me levantava e me espreguiçava de leve. Aksana se pós de pé também e me fitou pensativa por um momento antes de dar de ombros também e sorrir. Nos dirigimos para onde estavam Keita e Vincent e sentamos ao redor da fogueira em um silêncio amigável.
Não podia dizer que eram meus amigos, mas acho que era o mais próximo disso que eu já havia chegado. Confiava a minha vida a eles assim como sabia que eles confiavam a deles a mim. Tal confiança só era gerada por varias batalhas lutadas lado a lado, e isso tínhamos de sobra. A fogueira estalou alegremente quando Kenta colocou mais um pedaço de madeira nela, fogo era algo que eu considerava fascinante só sendo superado pelo meu fascínio por Chuva. A Chuva. Tão bela. Isso me lembrava duma canção cantada em um Saloom qualquer de minha terra que ficou comigo pelo resto dos dias futuros, fechei os olhos e passei a melodia suavemente por minha mente, nota por nota, letra por letra. Estava prestes a cantarolar ela quando a mão suave de Aksana encostou em meu ombro, abri os olhos subitamente percebendo a mudança no ambiente.
Olá
A voz era calma e suave, claramente feminina. A dona da voz se encontrava parada diante de nós do outro lado da fogueira com uma tranquilidade fria, um longo manto verde escuro cobria seu corpo claramente pequeno e não totalmente em sua plena maturidade, enquanto o capuz ocultava suas feições em sombras. Em cada mão uma Kunai apontada em direção ao chão, como se prontas para serem usadas.
Escorreguei as mãos para minhas Diablos em um movimento automático. Anos e anos de experiência fluindo por meu corpo em um gesto tão natural quanto erguer um dedo, as armas saíram dos coldres bem oleados com facilidade, as coronhas firmes e certas em minhas mãos. Os revólveres descarregaram sua música pesada e atonal em um ritmo belamente mortal. Os projeteis voaram com a perfeição que eu desejava, porém a estranha encapuzada estragou a sinfonia harmônica criada por mim ao erguer suas mãos e arremessar suas Kunais para o alto ao mesmo tempo em que uma barreira dourada a envolvia. Meus tiros atingiram a barreira como uma pedra atinge a superfície de um lago, ondulando por um momento antes de desaparecer e voltar a sua serenidade.
Ao mesmo tempo em que eu disparava meus companheiros agiram, não era preciso palavras, conhecíamos cada passo que faríamos nessa dança, Aksana avançou pelo flanco esquerdo com uma de suas mãos agarrada firme em um de seus preciosos frascos enquanto a outra desenhava símbolos estranhos no ar. Vincent foi pelo flanco esquerdo puxando um baralho de cartas do bolso de sua jaqueta. Kenta saltou na direção da oponente com as mãos presas em suas laminas gêmeas, pronto para partir em dois quem entrasse em seu caminho. Rolei para trás com facilidade e me pus de joelhos e sem nem precisar mirar disparei fazendo minhas amadas Diablos voltarem a tocar sua doce canção fúnebre. Kenta acertou a Barreira com suas laminas fazendo a mesma estourar como vidro, ao mesmo tempo em que Aksana, Vincent e eu atacávamos em uma sincronia ensaiada, nossos golpes atingiram a intrusa em uma explosão de fumaça e calor, esvaziei os tambores de minhas armas antes de analisar os estragos. Os Revolveres estavam quentes em minhas mãos, pequenos fios de fumaça saiam de seus canos, em movimentos automáticos e precisos recarreguei ambas com a precisão de uma maquina no intervalo de apenas 10 segundos, tempo suficiente para a fumaça baixar e revelar o corpo de nossa oponente.
Não havia corpo.
O chão abaixo de meus pés explodiu em uma confusão de terra, poeira e folhas. Saltei para trás enquanto a encapuzada saia do chão com uma Lamina dourada envolvendo seu braço direito, avançando em minha direção com seus olhos verdes brilhando de empolgação. O Capuz havia sido jogado para trás revelando quão jovem ela era. Não podia ter mais que 14 anos, com absurdos olhos verdes e um rosto bonito, seus curtos cabelos castanhos desenhavam formas estranhas no ar. Analisei tudo isso em menos de 3 segundos antes de fazer a velha canção soar novamente. Com facilidade e desenvoltura ela balançou seus magros braços envoltos na luz dourada defendendo-se de meus tiros enquanto avançava incansável em minha direção, continuei deslizando em retirada com os passos precisos de um dançarino experiente enquanto meus dedos trabalhavam em disparar chumbo quente. Meus companheiros estavam em movimento como o enredo do combate ordenava. Agora seus bastardos peguem a desgraçada. Ouvi o som que nenhum pistoleiro gostava de ouvir, o som de um revolver sem munição. Ainda sim um sorriso se forçou em meus lábios, não um sorriso completo, apenas um leve sorriso de canto. Senti a vertigem familiar sempre que ela usava isso, e subitamente me vi ao lado de Aksana, um frasco dourado brilhava em sua mão direita e um dispositivo metálico de forma redonda com o símbolo do redemoinho na esquerda. Observei o desenrolar de nosso magnifico teatro com uma satisfação macabra, onde eu estava anteriormente Kenta havia me substituído, e com uma de suas Laminas gigantes atravessou o corpo da jovem garota fazendo a mesma sair pelas costas em uma explosão de sangue, observei Vicent parado de joelhos olhando a cena atentamente. Suas cartas formavam um circulo ao redor da intrusa e de Kenta. Game Over .
Nada mal. A Voz dela era calma, não parecia de alguém a beira da morte e também não parecia vir do corpo empalado por Kenta.
Girei meu corpo agilmente enquanto minhas mãos começavam o trabalho frenético de recarregar os tambores de meus revolveres, quando senti uma intensa pressão rodear o local e meu corpo congelar diante de uma força invisível. Ao redor da clareira que havíamos acampado, centenas de espadas douradas flutuavam no ar acima de nos em cinco anéis perfeitamente simétricos um acima do outro. A jovem invasora nos encarava com um olhar divertido enquanto suas mãos formavam passavam de selo a selo com velocidade espantosa.
Hikariton-Tsurugi Tenkei Kōgōshī(Elemento Luz-Espadas Da Revelação Celestial) Bradou ela solenemente enquanto suas mãos terminavam em um selo formando um triangulo.
Era sem duvidas o Ninjutsu mais belo que havia visto desde que havia tido contato com Shinobis. Desde a forma em que cada anel de espadas estava disposto ao nosso redor subindo em cinco camadas em direção aos céus, à cor dourada e brilhante repleta de vida em contraste com a noite escura. Tudo era de uma beleza digna de uma pintura. Apaguei meu espanto rapidamente quando percebi que meus companheiros também estavam paralisados no mesmo local que estavam obviamente era algum tipo de efeito especial vindo daquela técnica. Nessas circunstâncias havia apenas uma coisa a se fazer...
Relaxei meus ombros e deixei aquela familiar sensação de paz invadir meu corpo ate se tornar parte completa de meu ser, era como um rio fluindo pacificamente em seu leito, um rio da mais pura energia e poder.
Shield(Escudo) Sussurrei calmamente em minha língua materna.
Uma aura invisível a olho nu se formou ao redor de meu corpo me fazendo ficar imune ao efeito paralisante da técnica da garota. A Sensação da Shield em meu corpo era como ter água gelada escorrendo por meu corpo em um dia de inverno, terrivelmente desagradável. Porém seus efeitos eram o que eu já previa, nenhum Ninjutsu me afetaria. Avancei na direção dela me concentrando novamente naquela sensação de calma e paz...
Speed (Velocidade) Ergui minhas Diablos contra ela enquanto energia envolvia meus pés.
Sumi do alcance da visão dela aparecendo as suas costas, pronto para disparar. Seu corpo girou para trás de súbito acompanhando meus passos. Novamente sumi do alcance da visão dela tentando a achar uma brecha para um disparo perfeito. Mas os olhos dela me seguiam implacavelmente, analisando e acompanhando cada movimento meu com uma precisão assustadora. Parei minha corrida e a fitei friamente, os olhos dela estavam fixos em mim sem medo algum, ao contrario disso pareciam brilhar de aparente satisfação. Suspirei tentando relaxar e analisar alguma forma de passar por sua defesa. Não podia me dar ao luxo de recarregar minhas armas com a munição em minhas cartucheiras, tinha absoluta certeza que ela atacaria e isso poderia vir a ser fatal mesmo com minha atual imunidade a Ninjutsu. Eu precisava cria uma abertura e usar uma das minhas técnicas.
Vamos Pistoleiro. Falou ela em seu tom tranquilo. Estou esperando.
Fitei de canto de olho meus companheiros paralisados, eles pareciam relativamente seguros, a garota parecia completamente indiferente a eles, sua atenção era toda para mim, seus olhos verdes me estudavam da mesma forma que os meus estudavam ela. Ambos procurando fraquezas um no outro. Havia algo me incomodando, uma sensação cada vez mais crescente. Por que ela não se movia? Desde que havia utilizado a sua técnica a invasora havia permanecido no mesmo local, havia apenas virado o corpo no mesmo local para acompanhar meus passos. Isso podia significar que sua técnica de certa forma limitava a movimentação dela e isso era uma abertura para mim.
Avancei novamente em direção a ela correndo em alta velocidade em uma linha reta, usei meu Speed novamente sumindo do alcance da visão dela por um momento e aparecendo novamente as costas dela, os olhos dela começavam a se virar em minha direção quando usei minha técnica novamente aparecendo na frente dela de joelhos com apenas cinco passos nos separando. Ergui meus dois braços juntos, com meus revolveres colados um no outro e deixei a energia fluir...
Last Sentence (Ultima Sentença) Falei firmemente.
Minhas Diablos brilharam por um momento antes de dispararem uma rajada de energia preta e vermelha. O disparo de energia acertou a invasora causando uma enorme explosão escura, jogando destroços para trás. Senti a energia próxima de mim devido a pouca distância entre nós, mas ainda sim me forcei a aguardar imóvel a poeira baixar, respirava pesadamente, minha técnica consumia bastante energia. Meus olhos se estreitaram e um breve arrepio desceu por minha espinha. Parada imponentemente diante de mim estava ela. Imaculada, como se nada tivesse acontecido. Apenas dois de seus dedos esquerdos estavam erguidos enquanto duas valetas passavam pelos lados de seu corpo
Nada mal Comentou ela sorrindo de leve. Nada mal mesmo.
Sua mão direita disparou em minha direção e antes que pudesse recuar a palma da mão dela encostou-se ao meu peito, não era nem uma técnica ou algo do tipo apenas um toque meramente casual. Seu rosto se aproximou do meu e os lábios dela encostaram-se a minha orelha.
Você perdeu Arkyn Sussurrou ela calmamente.
Arregalei os olhos surpreso, como ela poderia saber meu nome? A menos que ela fosse...
Rainha Dourada... Falei lentamente baixando minhas armas.
Observei os anéis de espadas acima de nós e percebi um deles havia se dissipado por completo restando apenas quatro deles, fiquei curioso com o que isso queria dizer. Akiko se afastou um pouco, porém suas mãos ainda encostavam-se ao meu peito, lentamente ela retirou a mão do local e um pequeno símbolo dourado jazia ali. Fitei os olhos dela antes de baixar a cabeça de forma respeitosa, diante de mim erguia-se Hiraki Akiko, A Rainha Dourada. O Mestre é claro havia mandado mensagens a todos os integrantes da Causa e havia gerado centenas de boatos. Diziam que ela era tão forte quanto ele. Parece que os boatos eram verdadeiros no final das contas. Ali diante de mim estava à noiva do Uzukage e a Mão Esquerda do Imperador.
Peço perdão minha senhora. Falei de forma solene. Por minha insolência.
Não tem que se desculpar Pistoleiro. Falou ela sorrindo. Todos vocês se saíram muito bem. São dignos de todos os elogios que ele dá para vocês. Ela deu um tapinha descontraído no topo de minha cabeça de forma brincalhona. Agora se levantem, todos vocês. Temos muito que conversar.
Ergui-me lentamente e percebi que meus companheiros também estavam de joelhos, Akiko sorriu preguiçosamente e estalou os dedos fazendo os Anéis de espadas sumiram a única luz que restou na clareira agora parcialmente destruída pelo combate foi de uma bola de luz dourada que flutuava como um pequeno sol acima de nos.
Desculpem por ter aparecido assim de maneira tão rude. Falou serenamente. Não resisti a tentação de testar vocês por conta própria apesar de todos os elogios que Naruto teceu a respeito de vocês. Agora sentem-se o tempo é curto.
Sentamos eu e meus companheiros lado a lado com Akiko sentada de pernas cruzadas diante de nos a expressão dela era calma e tranquila. De certa forma lembrava Naruto, ambos possuíam a mesma aura de comando e tranquilidade naturais, e os olhos de ambos eram bastante semelhantes, apesar das cores diferentes, ambos passavam uma sensação de poder gritante. Observei meus companheiros a fitarem com mistos diferentes de emoção, Aksana tinha um olhar cauteloso e de respeito para ela, Kenta parecia bastante à vontade, sua personalidade simples fazia ele nem se importar com a presença de Akiko. Já Vincent apenas mantinha seu irritante sorriso de canto, enquanto seus olhos se mantinham neutros e atentos nela de forma analítica.
Normalmente Naruto teria vindo pessoalmente. Começou Akiko nos fitando intensamente. Porém ele se encontra em uma missão no momento, assim como um de meus clones.
Ninguém percebeu? Questionou Aksana. Quero dizer seus companheiros, não perceberam que mandou um clone? Falou gesticulando sem jeito ao Akiko fita-la.
Eles nem ao menos possuem capacidades de diferenciar um clone de mim. Falou com descaso. São um bando de idiotas se quer saber. Mas agora vamos falar de algo mais interessante. Vocês estão aqui, pois são o melhor esquadrão de operações atualmente. E a missão designada por Naruto vai exigir os melhores.
Que tipo de missão é essa?
Algo que ira abalar a estrutura de todas as nações Shinobis. Falou Akiko com calma, quase poeticamente. Algo que será o estopim para a ascensão de nossa causa, de nossa Vila. Algo que ira iniciar mudanças.
A forma apaixonada que ela falou fez um arrepio passar por minha coluna e eu me inclinei um pouco mais para frente de forma atenta, totalmente ciente que as próximas palavras dela poderiam mudar muita coisa...
Nós iremos assassinar o Hokage. Finalizou ela com um sorriso sombrio tomando conta de seu rosto.
Kuroi Tenshi No Ichizoku — (Clã Dos Anjos Negros) -黒い天使の一族
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