Ela não queria estar ali. Queria apenas retornar ao sono reconfortante do qual fora arrancada. Assim como suas irmãs, ela nasceu do desejo de vingança e rancor de uma deusa, sua semente maculada pelo cosmo da Discórdia, lhe dando formas diferentes daquela que era da sua verdadeira natureza, ensinada a matar os inimigos daquela que deveria chamar com adoração de “Mãe”.

Mas ela não conseguia. E por ser diferente e mais fraca que as demais, era sempre isolada e menosprezada. Sentia que até mesmo a odiavam por não serem iguais. Se questionavam porque Éris ainda permitia sua existência, mesmo sabendo que ela nasceu “defeituosa”. A cor dos olhos em um tom esverdeado, diferente de suas outras irmãs era a prova de sua imperfeição. Seria por pena que ainda era mantida viva?

Ela desejava apenas voltar a ser o que era antes, seguir o que sua natureza real demandava. Crescer em flor, trazer cor aos campos, não queria aquela existência estranha, aquela forma estranha ao se olhar em algum reflexo: cabelos negros e longos, olhos esverdeados, corpo esguio e bem torneado, mãos e pernas... em nada era a bela criatura que foi um dia.

Junto com outras irmãs, seguiu uma de casta maior para o Santuário, com a missão de reviver para sua mãe cavaleiros de ouro mortos recentemente em uma Batalha nas Doze Casas, mas quase todas foram derrotadas por um cavaleiro de ouro poderoso.

Um homem a quem davam o título de ser “O Mais Próximo de deus”.

A Dríade que era rejeitada pelas demais, por estar afastada, avistou de longe a derrota delas. Naturalmente foi tomada pelo medo e se escondeu.

Escondeu-se e aguardou a morte. Esperava que o cavaleiro que se aproximava fosse piedoso e lhe enviasse ao esquecimento rapidamente e sem dor. Ouvia seus passos e escutou que ele parava próximo. Apertou os olhos. Por que demorava tanto?

—Ainda há uma Dríade aqui? –sua voz grave parecia falar consigo mesmo.

Ela sentiu a pressão de seu cosmo, sabia que aquele poderoso cavaleiro preparava seu golpe final. Um golpe que nunca chegava.

—Interessante... você é diferente das outras.

Ao ouvir aquelas palavras, ela abriu os olhos e com receio ergueu o rosto para seu hesitante algoz. O homem de longos cabelos loiros estava com os olhos abertos, uma força incomum parecia emanar dele e daquele olhar, que parecia analisá-la.

—Diferente? Sempre disseram isso. –a Dríade deu os ombros e voltou a fechar os olhos com força. –Seja rápido, por favor!

—Com o quê?

—Em me matar. –ela fez um gesto com a mão, como se pedisse que ele se apressasse, e o fitou diante da demora. –Não pode ser mais rápido?

—Por que insiste em pedir para que eu a mate logo? –ele ergueu uma sobrancelha, depois estendeu a mão, fazendo ficar em pé com um pouco de brusquidão em seus gestos, fitando-a. –Você... tem alma?

—Eu? –ela não sabia o que dizer, sentia o pulso acelerar com a mão que a segurava firmemente pelo pulso.

—Não vejo maldade em você. Seu cosmo não foi maculado. –ele a solta. –Parta. Outro cavaleiro pode não ser generoso com você da mesma maneira que estou sendo, ao lhe poupar a vida.

Sem olhar para trás, ele parte deixando a jovem Dríade confusa com suas palavras e reações.

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Dois dias depois, naquele mesmo lugar, Shaka caminhava patrulhando. As batalhas contra Éris tomavam rumos cada vez mais desesperadores, e as ordens eram de proteger o Santuário e Atena de qualquer eventual ataque.

Seus passos o levaram até os bosques que circundam o Santuário, e grande foi sua surpresa, ao se aproximar de um lago, escutar alguém cantar. E Shaka tinha certeza absoluta que era a voz mais bela que já ouvira em toda a sua vida. Foi quando de longe a avistou, na beira daquele lago, cantarolando enquanto penteava os longos cabelos negros com os próprios dedos.

Uma Dríade. A mesma a quem ordenou ir embora em um momento de piedade. O que fazia ali? Será que..?

—Cavaleiro! –ela acenou para ele, sorrindo e caminhando em sua direção.

—Está nua. –disse o cavaleiro, na verdade, a única coisa que lhe veio à mente foi esse fato quando a viu se aproximar.

—Como sabe com os olhos fechados? –ela perguntou analisando-o, com as mãos atrás do corpo. –Você finge que não vê, mas está enxergando!

—Eu não... –ele suspira e depois pergunta com a voz grave. –Não mandei que fosse embora?

—Não tinha para onde ir. –ela se afasta, se encostando a uma árvore. –Não posso voltar.

—Por quê?

—Eu falhei. Tenho medo de que ela faça algo que me mude. –ela suspirou. –Não quero mudar, cavaleiro.

—Meu nome é Shaka. –ele se aproximou estendendo sua capa. A Dríade a olhou confusa. –Não pode andar nua por aí.

—Por que não? –ela o fitou mais confusa ainda, afinal, nunca antes fora problema para ela e as irmãs andarem assim pelos domínios de sua mãe.

—Isso causaria problemas. Alguns homens não sabem se portar diante de uma bela mulher, ainda mais nua. -ele coloca sua capa por sobre os ombros da Dríade. –Terá que providenciar roupas.

—Não sei se conseguiria usar isso. –ela começa a rir e percebe que Shaka permanecia sério. –O que foi?

—Eu me apresentei, seria de bom tom se me dissesse seu nome.

A jovem baixou o olhar envergonhada, depois mirou as águas mansas do lago.

—Eu... não tenho nome.

—Como assim?

—Nunca tive um. Só as irmãs das Castas superiores ganhavam nomes de nossa mãe. As outras e eu éramos só... uma coisa. –respondeu com tristeza. –Na verdade, como nunca demonstrei um dom para lutar, e sim para outras coisas, fui deixada de lado.

—E para o que seus dons eram usados?

—Curar.

Ela se abaixou ao notar uma planta partida ao meio, reuniu suas energias e Shaka pôde testemunhar um milagre. Aquela planta destinada a morrer estava se curando graças aos dons da Dríade, voltando a ser saudável e bela novamente.

—Só que sempre gasto minhas forças ao fazer isso. Me consideraram tão inútil para nossa mãe que nem um nome tive direito de ter. –comentou com um sorriso triste.

Shaka olhou ao redor, constrangido. Não queria tê-la deixado entristecida. Foi quando se deu conta de que tratava uma Dríade como se fosse uma pessoa normal, e ela não o era. Mas havia algo naquela criatura que a tornava diferente de todos que conheceu. Seu cosmo havia permanecido imaculado como o de um recém-nascido, sem marcas do mal de Éris. Havia bondade, inocência... havia alma.

Seu olhar foi atraído para uma flor que crescia próximo ao lago e então virou-se para ela:

—Seu nome poderia ser Lírio.

Disse levemente corado, desviando o rosto ao perceber que ela o fitava surpresa e depois lhe sorri.

—Obrigada, Shaka.

—Disponha, Lírio. –respondeu dando um leve sorriso, algo que não fazia há anos.

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Mesmo com a acirrada guerra que se arrastava há alguns dias, Shaka ocultara de seus companheiros e da própria deusa a presença de Lírio nos bosques do Santuário. Não julgava que ela representasse perigo, mas também não desejava que ela fosse alvo de algum outro cavaleiro, que não compartilhasse de suas ideias.

O fato é que gostava muito da presença de Lírio em sua vida. Ela era agradável, gentil e possuía muita curiosidade acerca do mundo. Havia se tornado uma amiga valiosa, alguém que ele desejava proteger. E quando percebeu, contava as horas para poder se encontrar com a Dríade ao fim de cada dia.

Descobriu que ela tinha a mesma idade do atual Receptáculo da deusa da Discórdia, pois havia “nascido” no mesmo instante em que a deusa Éris despertou, mas que nunca antes havia saído dos jardins do Templo da deusa até sua mal fadada missão. E que ansiava conhecer o mar.

—O mar não fica distante daqui. –disse Shaka, ao abordarem o assunto, sentados à sombra de uma árvore que crescia ao lado do lago.

—Poderia me levar lá algum dia? –Lírio perguntou ansiosa.

—Poderia te levar quando as batalhas terminassem. –comentou casualmente e reparou que o semblante dela tornou-se entristecido. –O que foi? Algo que eu disse?

—N-não! Está tudo bem! –ela falava balançando a cabeça, e desconversando. –Há tanto que queria ver desse mundo, mas me contento em ficar aqui por enquanto. Ao menos, você está comigo.

Aquelas palavras aqueceram o coração de Shaka.

—Obrigado. –disse-lhe com um sorriso sincero.

Ela não respondera, mas puxara a cabeça dele para perto dos lábios e os tomara em um beijo tímido e hesitante. A Dríade tentou se afastar, mas a mão de Shaka a impediu ao segurá-la pela nuca e voltar a se beijá-la. Só que dessa vez não era um beijo inocente, mas sim sensual e exigente.

Ele havia tido poucos amores em sua vida, nenhum sério ou duradouro. Suas obrigações e a vida que escolhera seguir dificultavam um relacionamento prolongado. Agora se sentia perdido nos beijos e nos braços da formosa Dríade, como nunca antes havia tido sensação igual com outra mulher.

O cavaleiro ergueu a cabeça e viu o rosto corado de Lírio, e percebeu que aqueles beijos haviam despertado nela sensações ainda desconhecidas. Novamente teve vontade de abraçá-la contra o peito e beijá-la suavemente nos lábios.

Então, antes que percebessem, o ar parecia ter mudado. Um aroma intoxicante parecia envolvê-los. Lírio olhou apreensiva ao redor, como se soubesse o que estava havendo.

—Esse cosmo?

Shaka virou e se desviou por pouco de um espinho lançado contra ele. A pequena seta apenas arranhou levemente sua mão, aparentemente não causando maiores danos. Certamente, se estivesse com sua armadura dourada, tal ferimento jamais teria ocorrido.

Uma risada feminina preencheu o ar e Shaka percebeu o pavor nos olhos de Lírio. Estava certo de que ela conhecia quem os atacara. Um vento forte levantou pétalas brancas e rosadas de grande beleza que se uniram dando a forma de uma bela mulher de cabelos prateados e olhos negros, usando uma Folha da cor de sangue vivo.

—Kalmia? –Lírio murmurou o nome com temor.

—Então era aqui que a desertora se escondia? –a Dríade dizia com certo desprezo na voz. –A nossa irmã Athé ordenou sua morte, e eu vim cumprir seu desejo! Não há lugar para um ser imperfeito como você nos Jardins de nossa mãe.

—Acho de extrema arrogância você estar no solo sagrado do Santuário e soltar suas bravatas diante de um cavaleiro de Atena. –dizia Shaka, colocando-se a frente de Lírio.

A resposta que Shaka obteve foi uma gargalhada divertida de Kalmia.

—E por que me importaria com um cadáver? –ela perguntou, com um sorriso maligno em seu belo rosto.

—Cadáver?

Shaka dá um passo à frente, com a intenção de derrotar logo a invasora que ameaçava Lírio, mas um súbito mal estar o dominou. O cavaleiro sentiu a visão tornar-se embaçada e as mãos tremerem.

—O veneno age rápido, cavaleiro. –disse Kalmia, achando a cena divertida.

—NÃO! –Lírio pega a mão ferida de Shaka, que agora ardia e estava quente. –Ela usou seu veneno mortal! Irmã Kalmia, por favor...

—Cale-se, inútil!

Uma explosão de seu cosmo afasta Lírio de Shaka, jogando-a contra o solo e o cavaleiro, entorpecido pelo veneno que agia em seu corpo, é jogado nas águas do lago e some nelas.

—Shaka! –Lírio tenta saltar no lago para ajudá-lo, mas Kalmia a segura com força pelo braço. –Solte-me.

—Não seja uma chorona, irmã. Aceite o seu fim e o dele. –Kalmia une os dedos como se fossem uma lâmina pronta a dar o golpe final. –Nunca entendi porque alguém sem dons e fraca como você fora designada para lutar por nossa mãe.

—Eu mandei ME SOLTAR!

Lírio grita, explodindo pela primeira vez a energia adormecida em seu corpo, e como se respondessem a esse poder, as raízes e galhos das árvores próximas pareciam ganhar vida e avançavam contra Kalmia, que surpresa ao ver a real força da jovem Dríade, não reage a tempo e tem seu corpo transpassado por eles, ferindo-a mortalmente. Mas antes de seu último suspiro, ela lança novamente seus espinhos na direção de Lírio, antes de seu corpo ser transformado em pétalas e se dispersar no ar.

Sem olhar para trás, Lírio mergulha nas águas do lago e nada na direção de Shaka. Abraça seu corpo, que não mais reagia e sobe até a superfície em busca do precioso ar. Com dificuldades alcança a margem e nota de maneira desesperadora que Shaka não se movia e nem respirava.

—Não... por favor, não... –olhou para os lados sem saber o que fazer, o ferimento na mão do cavaleiro aumentando e tornando-a enegrecida.

Lírio respirou fundo e tocou novamente seus lábios, liberando sua própria força vital para limpar o veneno de Kalmia do corpo de Shaka e devolver-lhe a vida. Uma luz intensa os envolveu, e ela então se afastou com uma expressão de dor e cansaço no rosto.

Observou o rosto do cavaleiro em uma angustiante espera até que ele deu sinais de vida, tossindo e abrindo os olhos devagar. Lírio notou que o ferimento da mão estava quase curado e a pele ao redor havia recuperado a cor natural e sorriu.

—Você está bem... –ela falou, com dificuldade em sua voz.

—Lírio? –ele se levantou rapidamente, olhando ao redor, procurando pela inimiga. –Onde está Kalmia?

—Se... foi. –respondeu ofegante. –Não machucará mais ninguém.

—Você está bem? –ele estendeu a mão e tocou sua face, notando-a quente, como se ardesse em febre. –Lírio, está doente?!

Shaka se levantou, tentando ajudar a jovem a se erguer, mas ela não tinha mais forças, e caiu de joelhos, sendo amparada pelo cavaleiro que a olhava com temor. Foi quando ele notou algo nas costas de Lírio e retirou de lá um dos espinhos venenosos de Kalmia, jogando-o longe. Onde o objeto tocara, a grama verde murchava e morria.

—Foi envenenada! Vou buscar ajuda e...

—Não. –ela tocou em seu braço, impedindo que se fosse. –É... tarde.

—Não é tarde, eu posso... não se esforce...

—Sabe... há uma lenda sobre as Dríades. –ela começou a falar, sendo amparada por Shaka em seus braços no chão. -Cada Dríade nascia junto com uma determinada árvore. Ela deveria viver na árvore ou próxima a ela. Quando a sua árvore era cortada ou morta, a Dríade também morria. Essas são Dríades puras e protegidas pelos deuses... não um espírito maligno...

—Eu conhecia essa história... não precisa falar...

—Nasci de Éris... minha vida está ligada à ela... quando ela fosse derrotada por Atena, eu morreria junto... minhas irmãs e eu morreríamos. Eu...

—Por que não me contou isso?

—Porque era sua missão trazer a paz à Terra. Eu não poderia contar e ... –ela sorri, com os olhos marejados. –Eu não me importava de morrer... pois os deuses foram generosos em permitir que te conhecesse...

—Lírio... –ele a abraça com força, sabendo que nada poderia ser feito.

—Não me importo de morrer... assim...

—Não pode me deixar, não depois de me fazer me importar com você... de me fazer me apaixonar por você!

—Desculpe... meu amor...

—Lírio...

—Diz uma única vez, por favor...

—Amor...

—Amor... –ela sorri, fechando os olhos, o veneno se espalhando pelo seu corpo incapaz de se curar, por ter salvo a vida do cavaleiro. –Ao menos... você está... comig...

Então ela ficou em silêncio. Um vento forte surgiu, tocando seus corpos. Shaka sentia o corpo de Lírio se desfazendo em seus braços em pétalas brancas e sendo levadas pelo vento para longe, e por fim, ele permaneceu ajoelhado sozinho, tendo apenas a dor como companhia.

E sozinho, se permitiu chorar, como não fazia desde que era apenas uma criança, tentando extravasar a dor de ter descoberto o amor, e de tê-lo perdido no mesmo dia, sem perceber que alguém testemunhava sua dor atraído pela presença maligna de Kalmia, e em respeito à tristeza de seu companheiro, um certo cavaleiro de Escorpião se afastou em silêncio.

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Meses depois, as batalhas contra Éris e Poseidon haviam terminado. O Santuário desfrutava de uma paz que todos sabiam ser efêmera, pois todos sentiam que a qualquer momento a Guerra Santa poderia ocorrer.

Em um de seus passeios costumeiros pelo Santuário, Shaka caminhava imerso em seus pensamentos quando percebeu que estava próximo ao lago. Desde a morte de Lírio, Shaka evitava aquele lugar.

—Shaka de Virgem. –a voz de Milo chamava a atenção do cavaleiro, que virou seu rosto na direção do cavaleiro de Escorpião, mesmo mantendo os olhos cerrados. –Patrulhando?

—Apenas caminhando. –respondeu secamente.

—Eu estou patrulhando. –colocou a mão atrás da nuca e a coçou. –Vai ser bom ter companhia.

—Não estou...

Antes de terminar sua frase, Milo praticamente o empurrou para que o acompanhasse na patrulha e sem alternativa, Shaka começou a andar ao seu lado imaginando voltar na primeira oportunidade. Então, notou que Milo seguia na direção do lago e parou.

—O que foi? –Milo perguntou. –As ordens são de patrulhar todos os lugares.

—Nada. –Shaka respondeu, suspirando e concluindo que era hora de enfrentar seus fantasmas. –Vamos?

Caminhou pela trilha em silêncio, ao lado de Milo, até que o cavaleiro começou a falar:

—Sinto muito por sua amiga.

—Quê? –Shaka o olhou surpreso.

—Eu... vi o que houve aqui meses atrás. –Shaka parecia que queria dizer algo, mas Milo o interrompeu. –Desculpe. Não era da minha conta, por isso não comentei nada com ninguém. Só acho que se você se importou com ela, significava que era uma boa pessoa... apesar de ser quem era.

—Ela era... especial.

Shaka respondeu, sorrindo com as lembranças. Era incrível que ainda se lembrava de sua voz, sorriso, de seu belo rosto e de seus beijos. Milo olhou para Shaka surpreso, notando então que os sentimentos do cavaleiro pela Dríade eram maiores do que imaginava.

Então, ambos pararam ao chegarem diante do lago que ainda permanecia calmo e sereno, apesar do que houve ali.

—Bem, tudo calmo. –respondeu Milo. –Vamos voltar e...

Shaka não respondeu ao companheiro, caminhando até o local exato onde Lírio havia dado seu último suspiro. Emocionado, ajoelhou-se e levou sua mão a tocar algo. Milo aproximou-se curioso e olhou surpreso para o que Shaka tocava com tanto carinho e cuidado. Era um belo Lírio branco que florescia naquele local.

Shaka sorria com os olhos marejados, tocando a flor como se fosse algo precioso.

—Bem vinda de volta... meu amor.

Fim.

Notas finais
Sobre as Dríades de Saintia Sho: As Dríades são entidades maléficas que descendem da deusa da discórdia Éris. As Dríades residem num santuário situado no que outrora foi o Jardim do Éden mencionado na Bíblia. Seguindo os desejos de sua progenitora, as Dríades objetivam transformar o mundo num reino de caos semeando sementes de ódio no coração dos homens. Andam praticamente nuas, mas quando lutam usam as vestimentas (armaduras) chamadas de Folhas. Quando mortas, as Dríades se transformam em flores.

A Dríade Kalmia teve seu nome e poderes tirados da Kalmia latifólia, mais comumente conhecida como Louro-da-Montanha, que produz delicadas flores brancas e rosadas no final da primavera, sendo nativa dos Estados Unidos. Ela é belíssima, mas extremamente venenosa. Suas toxinas podem causar parada cardíaca em quem consome seu veneno. Muitas pessoas são intoxicadas graças à abelhas, que produzem o mel após visitaram a Kalmia latifólia. Os gregos já chamavam esse produto de "mel furioso" e eles usaram para derrotar Xenofonte de Atenas por volta de 400 a.C.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!