A Jornada de Abraham
4 O Poder do Andarilho
Notas iniciais
O Monge Meehiel estava muito disposto em ajudar o Abraham. Mas Abraham ainda estava confuso em relação a isso, aliás ele estava confuso com muita coisa.
Meehiel continuou a explicar alguns conceitos do Arayashiki para o Abraham, mas os mesmos foram interrompidos por um jovem, um jovem branco e careca e que aparentava ter 18 anos. O jovem chegou desesperado acompanhado de dois budistas logo atrás que estavam carregando um monge se sentindo mau.
Desesperado o jovem gritou:
— Jovem: — Senhor Meehiel, senhor Meehiel, nos ajude por favor.
Meehiel olhou preocupado para o mesmo, que estava bastante ofegante, pelo fato de tanto correr.
— Meehiel: — Calma Denis! respire! — Meehiel coloca uma das mãos nas costas de Denis, na tentativa de acalma-lo. — Me diga, o que está acontecendo?
— Denis: — O Monge Nélio está muito mal. Responde Denis ainda bastante ofegante.
Logo um dos homens que está segurando o monge Nélio se pronuncia:
— Ele está se sentindo muito mal, precisamos da água da cachoeira sagrada para fazer o remédio para curá-lo.
— Meehiel: — A água acabou hoje, os serventes irão buscar amanhã.
— Denis: — Precisamos dela agora! — Fala bastante exaltado o Denis.
— Meehiel: — Calma, mesmo que eu mande um deles e buscar as pressas irá demorar um pouco, a cachoeira é um pouco longe daqui. Sem falar que eles são lentos, demoram quase um dia para ir voltar.
— Além disso a maioria dos serventes do templo estão fazendo o trabalho meditação diário nesse momento. Não tem problema, eu vou!. — Exalta um dos homens que estava segurando o monge Nélio.
Meehiel sabe que eles não conseguiriam a tempo, o estado de Nélio é grave mas ele não vê muita escolha... de repente Abraham interrompe seu raciocínio.
— Abraham: Não, deixa que eu vou. Vocês ficam aqui cuidando dele e mantendo ele vivo.
— Meehiel: — O que? você tem certeza? — Meehiel questionou, mas sabia que não havia muita saída diante daquela situação.
— Abraham: — Eu sou um andarilho, viajo muito, sou o mais capacitado para ir lá e voltar bem rápido. Sem falar que não podemos perder tempo.
— Meehiel: — Tudo bem, você tem razão. — Meehiel aceita e rapidamente vai em uma das sala do templo perto de onde estão, pega um recipiente para armazenar a água e entrega rapidamente a Abraham. O mesmo bota um leve traje de pano pelo seu corpo e em volta do seu pescoço e parti rapidamente logo em seguida.
Muitos diziam que aquela água fazia milagres, por isso muitos moradores da região optavam por ela para fazer seus remédios e até mesmo para outros objetivos caseiros.
Abraham viveu no templo desde pequeno, então sabia como chegar na cachoeira, sem falar que ele conhecia vários atalhos. Realmente Abraham era o mais capacitado para chegar lá rapidamente. A vida do monge Nélio estava em suas mãos...
Abraham pegou vários atalhos e em um tempo curto de quase uma hora conseguiu chegar na cachoeira. Mesmo tendo corrido tanto ele se vê pouco ofegante, possivelmente pelo fato de ele andar muito.
Logo Abraham corre em direção à cachoeira e percebe que a pouco movimento. Ele então começa a encher o recipiente que mede 22 centímetros. O mesmo acha estranho a tão pouca movimentação no local, e logo depois começa a sentir o ar meio tenso e calmo demais ao mesmo tempo, exatamente como tinha ocorrido na noite passada quando ele se encontrou com Agenor. Abraham logo fica preocupado, começa à olha para os lados, para trás e fica bastante tenso. Ao olhar para frente se depara com aquela mesma figura que tinha visto no quarto na noite passada, Agenor, o filho de Poseidon. Novamente com a aparência meio opaca e sem os pés sobre a água. A cachoeira começa a ficar agitada e Abraham fica muito tenso diante do momento, começa a pensar se tudo aquilo é apenas uma ilusão ou se realmente está acontecendo.
— Abraham: — Esse cara de novo, não pode ser! — Fala sem acreditar no que está vendo.
— Agenor: — Eu tentei lhe avisar no que resultaria se você seguisse por esse caminho, não foi !? — De repente tudo fica mais calmo ainda e a cachoeira para de se agitar diante das palavras de Agenor, é como se Abraham já soubesse o motivo pelo qual Agenor estava ali.
— Abraham: — Veio tentar me convencer de novo? — Pergunta Abraham de forma bem segura.
— Agenor: Lhe convencer? Não. Já tentei isso e não funcionou. Você insistiu e pretende continuar com seu propósito, minha ordem agora é de execução!
Abraham cai numa leve gargalhada maliciosa, Agenor não entende o mesmo e pergunta: — Porque está rindo? é assim que quer morrer? — Pergunta Agenor com um tom de deboche.
— Abraham: — Não! Só me dei conta de uma coisa!
— Agenor: — Se deu conta de uma coisa? — Pergunta Agenor com curiosidade.
— Abraham: — Sim. Se você foi mandando para me matar por conta dos objetivos que eu tenho é porque realmente eu estou certo, os humanos podem ser melhores do que são. — Diz Abraham de uma forma empolgante e com um leve sorriso.
— Agenor: — Nesse momento nada disso importa, o poder é tudo, e eu tenho o poder, e se eu tenho o poder, eu tenho tudo! — No mesmo momento eu que fala isso o mesmo ergue seus braços fazendo com que a água da cachoeira acompanhe seus movimentos.
Abraham fica impressionado e assustado ao ver o movimento!
— Agenor: — No fim, seus objetivos lhe levarão para um lugar, o inferno!
— Abraham pensa: Não posso morrer aqui, ainda mais agora que sei que tenho muita chance de alcançar meus objetivos. — Diz abraham receoso. Ao mesmo tempo Abraham fecha os olhos e busca uma saída daquilo tudo em sua mente, ele entre em um estado de concentração total. Ele ergue suas mãos e forma o simbolo da meditação com as mesmas.
— Agenor: — Estou sentindo novamente aquela energia emanando nele, algo forte vindo de suas emoções e seus sentimentos. Essa energia, essa vontade vindo das suas emoções, é demais para um humano.
Abraham se prende em seu consciente e tudo que pensa é em sair daquela situação. Agenor decide não perder mais tempo e realiza um movimento com os braços fazendo com que a porção de água vá na direção de Abraham.
— Agenor: — Vá para o inferno infeliz! — Diz Agenor em um tom ameaçador.
A porção de água se aproxima cada vez mais de Abraham, mas o mesmo não realiza nenhum movimento, fica apenas em pose de meditação e preso em um transe universal dentro de sua mente.
O ataque finalmente chega em Abraham, porém esse ataque é parado e a água fica espirrando em um curto espaço antes de Abraham, sem lhe cair uma gota sequer. Ele se mantem em um ciclo de proteção, criado no universo de sua consciência na qual ele só pensava em não morrer.
— Agenor: — O que está acontecendo, como meu poder não alcança ele, ele não tá fazendo nada, está parado! Além do mais, eu sou um semi-deus! — Diz Agenor impressionado — Será que tem haver com essa energia? essa vontade vindo de suas emoções? Os humanos podem chegar tão longe assim?
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