A Jornada - TERMINADA
21 Dislexia Apocalíptica
Notas iniciais
Cry acordou meio tonto durante a madrugada, estava com fome e sede, e ainda por cima para piorar, dois mortos o descobriram dentro do carro e batiam suas mãos podres e cheias de sangue nas janelas, e isso o incomodava, o incomodava muito.
Bom ele não tinha como acabar com a fome e a sede, mas com certeza ele tinha como acabar com os dois mortos. E isso foi o que ele fez. O vidro do carro era manual, o que ajudou muito assim ele não precisaria sair do carro para acabar com aquelas coisas. Ele abaixou o vidro e com uma das facas, que ele achou nas casas, ele furou a cabeça de um, mas a faca não quis sair ela ficou presa na moleira e o morto caiu no chão, ele ficou desarmado, mas ele viu que em cima do banco do passageiro havia uma barra de ferro. Ele pegou o ferro e destruiu a cabeça do morto que um dia fora uma mulher.
Ele estava ficando fraco, foi difícil acabar com aqueles dois, já estava sem comer e beber por muitas horas. O que ele mais queria agora era chegar no Hospital, e logo contar pro Ricky o que aconteceu: "a morte de Georges, Marie e Santana, e principalmente contar que a Milena mudou de lado!".
Cry já não era mais o mesmo, ele tinha pensamentos diferentes agora, e além de tudo seus pensamento agora eram de pura maldade. Algo aconteceu com ele, para ele mudar tanto de uma hora para outra. Talvez ele esteja ficando louco, talvez o lado malvado dele veio a tona, ou ele simplesmente esqueceu de tudo o que viveu antes do mundo virar uma merda.
– Vai se fuder! — ele disse baixinho — Vai se fuder... Augus!
Mas, nessa hora a fraqueza foi mais forte, Cry se rendeu, ele desmaiou, a última coisa de que lembra foi de ter fechado a janela.
A noite fora longa para o desmaiado, ele acordou pela manha tonto de fome, ele sabia que teria que achar algo para comer, pois se não, também sabia eu a morte era evidente. Mas como a vida já estava em merda, ela sempre pode piorar, e piorou. Um morto filho duma puta bateu no carro que estava a sua frente, e isso fez com que o alarme disparasse, era um alto e agudo som que ecoava pelos prédios.
– Filha da puta! Filha da puta! — ele gritou — Pra que faze isso? Seu filho dum puta! Argh!
Ele esticou o braço pelo painel e pegou sua máscara, e colocou-a. Abriu a porta do carro, pisou na barriga do morto, que estava tão podre que explodiu com a força e com o peso de Cry, ele se abaixou e puxou sua faca da moleira do morto, depois guardou-a em seu coldre. Ele usou todas as suas forças para caminhar até o morto, ele sabia que não iria conseguir eliminar o morto com a faca, ele estava muito fraco, então ele equipou sua M4A1 e deu um único tiro, que explodiu a cabeça do morto, fazendo os miolos voarem pelo ar. Ele andou mais para frente do carro, se abaixou, deitando em baixo do mesmo, puxou sua faca e corto os fios do alarme, fazendo o barulho finalmente parar.
Ele caiu no chão, estava fraco de mais, ali caído começou a escutar alguns gemidos, olhou para frente e viu uma gigantesca horda de mortos vivos caminhando em sua direção, que certamente foram atraídos pelo alto barulho daquela porcaria de buzina.
– Parabéns Cry! — ele disse — Acabou de conceber sua própria morte! Parabéns mesmo!
A morte estava praticamente evidente, era impossível dele acabar com todos aqueles mortos sozinho, ele só tinha uma arma, mais um pente, e estava muito fraco. Mas ele resolveu continuar, lembro de uma promessa que um dia fez: "lutar até o fim, sempre!", ele não iria desistir agora, ele iria até o fim, mesmo que o "fim" acabasse em uma morte súbita.
Cry fechou os olhos, mas ainda estava lutando, engatilhou seu último pente de balas na sua arma, levantou a ponta do cano, e quando os primeiro mortos apareceram, ele não perdoou nada, apertou o gatilho, e começou uma "lavagem", os estrondos das capsulas caindo no chão, eram música para seu ouvido. Ele nem mirando estava, apenas apertava o gatilho sem soltar, e sem pensar na quantidade de balas jogadas fora. Muitos dos mortos nem "morriam de novo", mas levaram tanto chumbo que ficaram impossibilitados de fazer qualquer coisa.
A primeira horda de mortos já era, a segunda já estava a caminho e o pente estava acabando, e era o último que ele tinha. Ele segura novamente o cano da arma para cima, e aperta o gatilho, mas logo depois a arma deu um tranque, e isso foi um sinal de que: "as balas A-C-A-B-A-R-A-M".
A primeira coisa que ele pensou foi em se entregar aos mortos. Só que ele novamente lembrou da promessa: "lutar até o fim, sempre!". E foi isso que ele fez, lutou. Quando ele "acordou" do transe, um morto estava roendo o seu coturno, o que facilitou, ele deu um chute na cabeça do morto que caiu para trás e ficou preso em baixo do carro. E graças a isso Cry teve tempo de se levantar e fugir, ele ainda estava bastante fraco por causa da fome e da sede, e a fuga dele foi lenta, porque para piorar ele estava mancando, ou seja, ele mancou o mais rápido que pode.
Ele escutou um barulho muito alto e forte atrás dele, era tipo uma buzina á ar, aquelas de caminhão. Ele ficou com medo, mas mesmo assim se virou para ver, e o que ele viu foi a sua chance de sobreviver. Um caminhão cheio de sangue e entranhas indo em direção aos mortos, esmagando tudo e todos. O motorista do caminhão estava buzinando especialmente para Cry. Quando o caminhão parou da caçamba dele saiu alguns espadachins, com katanas, e Cry conhecia aquilo de algum lugar. Foi ai que ele percebeu que eles eram do GCS (Grupo de Caça Suprimentos), e o que o motorista era nada mais nada menos que Ricky.
– Sorte filha da puta! — sussurrou ele — Não desgruda de mim!
Cry começou a mancar até o caminhão, ele estava muito fraco, mas mesmo assim conseguiu tirar a mascara, deixando o rosto livre para Ricky o reconhecer.
Quando ele percebeu que era Cry, saiu do caminhão e correu para ajuda-lo, ele só fez isso porque pra ele, Cry é a sua arma mais precisa. Ele deu o ombro para Cy se apoiar, quando estava apoiado, disse:
– Preciso comer, eu to muito fraco!
– Vamos pro caminhão — Ricky respondeu — Temos coisas lá!
Antes de chegaram ao caminhão, Cry desmaiou e caiu no chão.
*****
Sua cabeça estava doendo quando acordou. Cry estava no seu quarto no Hospital, estava recebendo soro direto na veia, estava também amarrado na cama, pelos braços e pelas pernas.
– Ei! Tem alguém aqui? — gritou ele — Ricky? Alguém, cacete?
Nada aconteceu, e ninguém o respondeu, e ele ficou ali amarrado, como um boi em um rodeio, por mais um tempo, até finalmente alguém chegar.
– Me disseram que queria falar comigo! — disse Ricky — O que deseja?
– Como assim o que eu desejo? Não é meio óbvio? — perguntou Cry, gritando -Não enxerga que eu estou amarrado? Me tira daqui!
– Nossa! Que grosseria minha, não é? — Ricky respondeu, com aquele sarcasmo horrível, que só ele tinha — Vou te tirar dai! E antes que perguntes, te amarrei por precaução, tu podia virar um a qualquer momento, não tínhamos seu batimento cardíaco!
– Que bom! — respondeu Cry — Tão bom que chega ser escroto! E meu Deus, precaução? Pra quem? Só pra vocês! Eu estava aqui fudendo minhas costas amarrado desse jeito!
Ricky não gostou da "piadinha", ele olhou para Cry com uma cara de: "continua, que te amarro de novo e te deixo morrer".
Cry entendeu o recado, calou a boca e abaixou a cabeça.
– Tu podia me trazer água e comida? — disse Cry — Por favor!
Ricky nada respondeu, apenas balançou a cabeça positivamente quando saiu do quarto.
Algum tempo depois o médico voltou com um prato de comida e uma garrafinha de 600 mililitros de pura água. Cry atacou a comida, de maneira bem condenada mesmo, parecia que nunca tinha comido porra nenhuma.
– Nunca comi tão bem aqui! — disse Cry — A caça foi boa mesmo!
– Não comemore garoto! — Ricky respondeu — Isso é a comida dos "Caçadores" que acharam os frangos. Só comeu bem, por que disse que era para mim!
– Humpf! — reclamou Cry — Tanto faz!
O médico deu uma risadinha, bem falsa mesmo, e começou a se dirigir para a porta do quarto.
– Espere! — ordenou Cry — Onde estás minha roupa?
– Com isso não te preocupes! — ele respondeu — Ela está na lavanderia, e eu particularmente gostei dela, você pode ficar com ela!
Cry olhou para ele e balançou a cabeça positivamente, agradecendo.
O dia mal tinha começado, e tantas coisas já tinham acontecido, Cry estava contando as gotas do soro caindo e entrando em sua veia, ele já se sentia melhor só de ter chegado até o Hospital. Ele arrancou a agulha que levava o sangue pra sua veia, e começou a andar pelo quarto. Pegou um broche que tinha sido da sua mãe, algumas lágrimas escorreram pelos seus olhos, mesmo depois de Ricky ter matado-a, ele se juntou a ele, e ela queria justamente o contrário, sair da li e ir para algum outro lugar, que já existia. Ele foi até a janela do seu quarto, apertou o broche com bastante força. Mais lágrimas escorriam pelo seu rosto. Apertou ainda mais forte o broche, e depois jogou ele pela janela, deixou ele para trás, deixou sua mãe para trás, jogou tudo fora!
– Me desculpa mamãe! — ele gaguejou, chorando — Me desculpa, mas agora os planos são outros!
Fale com o autor