A Jornada Para o Último Céu

220 Capítulo 216 - Destino Ingrato


Ponto de vista de Hiang-Lin


Quando chegamos ao pico das águias, eu me dei conta de que nada mais seria como antes


Depois de todo aquele ocorrido, nosso grupo ficou diferente


Sem Yi-Fang Jia-Li e com Hui-Lei...totalmente diferente, eu sentia como se nossa jornada tivesse perdido o sentido


Eu ainda queria encontrar meu pai, mas nessa altura, eu já havia perdido as esperanças dele estar vivo, ainda mais sabendo tudo que Zing-On fez


Também queria me vingar do império, mas nosso objetivo inicial era de proteger o Murim, mas eu via que Huo-Lei agora já nem se importava mais com isso

Eu não o culpo, depois de tudo que ele passou, eu não sei se seria a mesma


Saber que seu pai e seu mestre estavam o usando e para objetivos egoístas ainda, ter a sua única família morta em sua frente sem poder fazer nada...


E eu também não pude!

Fui um estorvo, servi para deixar Huo-Lei mais sobrecarregado


Mesmo que eu tenha o poder de um demônio agora, eu ainda era fraca, contra ZIng-On e oponentes desse nível, o que eu poderia fazer?


Eu sei que sou fraca e mesmo cultivando, eu não estaria a altura de Huo-Lei ou Zing-On


Então o que eu poderia fazer era apenas tentar salvar a alma de Huo-Lei


Se ele continuar nesse ciclo de ódio e tristeza, ele irá morrer com arrependimentos, e eu não quero isso...afinal, eu o amo


Eu não sei quando comecei a sentir isso por ele, talvez desde o começo, desde quando tivermos aquela relação, mesmo que eu estivesse me passando por Jia-Li, eu senti sua pureza


Apesar de todo ódio e melancolia que ele guarda, ele é uma pessoa justa, ou ao menos costumava ser


Eu amei esse Huo-Lei, e não quero perde-lo


Pode ser egoísta da minha parte também, mas eu acho que ele vai se tornar um demônio ao nível de Zing-On se continuar assim


Decidi que meu objetivo principal seria esse; Salvar Huo-Lei


Mas eu não sabia nem por onde começar


Durante a viagem até aqui eu tentei me aproximar, tentei conversar e entender o que ele sentia, mas ele se encontra fechado em um casulo nada disposto a se abrir para tirar esses pensamentos malignos da sua cabeça


- Huo-Lei, podemos conversar?


Quando paramos para acampar na beira de um cume com vários arbustos silvestres e cactos cinzentos, eu me aproximei do rapaz que estava fazendo a vigia na frente da fogueira com o olhar distante no horizonte mirando as montanhas prateadas daquele continente


- Eu não vou voltar atrás, Hiang, eu já disse.


Ele me dava a mesma resposta sempre, mas eu o agarrei pelo braço com insistência


- Você irá morrer assim! Não pode se deixar chegar ao mesmo patamar daquele homem


- Se eu não chegar, eu não vencerei. Apenas um demônio como ele pode derrota-lo


- Não! Juntos poderemos


- Juntos? Vocês são peso morto perto dele, não viu o que ele fez? Ele quase te matou, quase matou Yi-Fang e matou Jia-Li!


Aquelas palavras foram duras, mas sinceras. Ele tinha razão, mas não me deixaria abater, se eu desistisse agora, eu não poderia dizer que esse era um objetivo que eu almejava do fundo do coração


- Eu treinarei mais, conseguiremos mais pessoas, você também pode ficar mais forte, Liu-Zeng disse, aliás, você já está, mas da forma que está fazendo...


- Não tenho outra escolha. O mundo vai acabar em pouco tempo, se eu não usar os demônios, nunca ficaria forte, não há tempo pra isso. Agora eu agradeço o meu pai por essa maldição


Huo-Lei havia sorrido enquanto cerrava seus punhos


Ele estava mesmo feliz ou apenas conformado com oseu destino trágico?


- Sempre há outra escolha. Se você continuar usando essa técnica vai ficar consumado pelo mal


- E o que quer que eu faça!?


- Nós lutaremos até você enfrentar Zing-On, até lá, não precisa usar os demônios, eu vou falar com todos, eles são fortes também!


- E se nos deparamos com outro demônio daquele tipo que quase nos matou? Alguém do nível de Yi-Fang? Precisamos dela, se quisermos ter alguma chance, e para tê-la de novo, vou usar minha força.


- Está dizendo que só dela? Nós não somos úteis?


- Eu...


Naquele momento, eu vi que Huo-Lei havia ficado constrangido. Ele mordeu os lábios e fez uma expressão de dor


Eu sabia que ele estava se remoendo, mas não sabia que havia tanta dor


- Vamos lutar por você, não importa quais sejam seus objetivos, Huo-Lei, eu...


Eu não queria mais me arrepender.


Mesmo sendo fraca, eu estava viva, eu ainda podia lutar, eu ainda podia continuar, não importa se eu perder novamente.


- Eu quero ficar ao seu lado


Naquele momento, eu senti que algo me atingiu por trás


Minhas costas ficaram quentes e eu fitei as estrelas ficando menos brilhantes no céu


Huo-Lei me olhou espantada, naquele instante, o tempo pareceu parar, ele tentou me segurar, mas eu já havia caído daquele penhasco na frente do cume, foi quando me dei conta que iria morrer


Depois de tudo que prometi a ele...?


Quão irônico podia ser o destino?


Várias memórias passaram diante dos meus olhos.


Me lembrei do dia em que jantei pela última vez com meu pai


Foi o dia em que ele recebeu um javali como recompensa por seu trabalho, era uma noite chuvosa, mas comemos até passarmos mal


Ele me prometeu que iria acabar com minha maldição, e que eu não precisaria mais me preocupar


Foi a partir desse dia que decidi que iria ajuda-lo, e lidar com essa ‘maldição’ de maneira com que eu nunca mais deixasse ele com problemas


Mas eu não pude cumprir isso...


Meu pai só foi sequestrado porque eu tenho essa ‘maldição’


Eu sou a culpada...E agora talvez eu esteja sendo liberta. Uma liberdade que só viria dessa forma.


Me desculpe pai, me desculpe Huo-Lei, eu não pude fazer nada por vocês, mas eu ao menos tentei, eu tinha alguns arrependimentos, mas não tinha o que ser feito


Uma pessoa fraca morreria como uma pessoa fraca.


Eu nem consegui dizer a ele que o amava..


Eu acabaria aqui mesmo? Era isso?


Huo-Lei tentou me segurar, mas eu vi uma penumbra o atacando por trás enquanto minha visão ficava turva e eu sentia o vento com a queda eminente


Apenas mais uma vez...Eu queria apenas mais uma vez


Eu fechei os olhos aceitando meu destino ingrato