A Jornada Para o Último Céu

217 Capítulo 213 - Impedidos


O grupo de Mowang finalmente havia chegado às províncias da Seita da Lua.

Eles tiveram que atravessar um mar tempestuoso em um navio que, se não fosse pelo conhecimento de Ting-Lu, teria afundado.

Após momentos de tribulação, desembarcaram na costa. Da praia, avistaram uma rocha vermelha em formato de meia-lua no horizonte, cercada por montanhas cinzentas.

— Então é por isso que chamam de Seita da Lua? Hehe, faz sentido.

Biao olhou para a grande rocha em forma de lua, e seus olhos brilharam.

Na verdade, todos estavam admirados com o bioma e a vegetação daquele lugar. Era totalmente diferente do restante do Murim — ao menos do que estavam acostumados.

— Aqui parece realmente outro mundo. Olha para aquelas árvores... é como se fossem de metal. E aqueles coelhos... aquilo são mesmo coelhos?

Yui-Ki também parecia fascinada ao ver aquele ambiente tão inusitado. No entanto, todos ficaram em alerta, pois, ao desembarcarem, sentiram uma imensa presença de QI nas redondezas — e logo imaginaram que poderia ser Huo-Lei.

— Não fiquem distraídos. Esse tal Huo-Lei pode já estar ciente da nossa presença aqui.

Piao-Zan observou atentamente os arredores, mas não viu nenhuma cidade, nem sinal de seres humanos.

— Pelo mapa que tenho aqui, esta é a região sul. A próxima cidade fica a uns 10 quilômetros em linha reta, a partir daquela floresta de bambus. Mas então... como estamos sentindo essa energia? Será que Huo-Lei é tão poderoso assim?

Hseng olhou novamente para o mapa, tentando analisar se havia cometido algum erro.

— Será que fomos enviados direto para a morte? Haha... agora não tem mais volta.

Mowang começou a suar frio. Achavam que eram fortes, que haviam cultivado o suficiente naquele portal demoníaco, mas a força que sentiam emanando daquele lugar poderia matá-los em questão de segundos.

— Também não podemos avançar de cabeça. Não vim aqui para morrer. Será que não há um jeito de reabrir aquele portal?

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Hseng disse isso olhando para Mowang, que segurava a pedra que lhe havia sido dada para acessar o portal por onde haviam passado.

— Não sabemos se vai ser igual à outra vez, nem se vamos conseguir sair. Acho que demos sorte naquela ocasião... ou então foi proposital.

— Aquele velho Mujang devia ter nos informado melhor sobre isso. Agora não dá pra saber se vai dar merda.

Biao ficou irritada e começou a brincar com algumas conchas na areia.

— Eu ainda não entendo como funcionam esses portais. Parece que, se morrermos lá, não morremos fisicamente, mas corremos o risco de ficar presos. Se sucumbirmos mentalmente, talvez não haja saída.

Ting-Lu, que havia voltado ao normal após sua instabilidade mental, ainda demonstrava sinais de nervosismo, mexendo constantemente a mão.

— Acho que não temos escolha. A opção mais segura seria tentar ficar um pouco mais fortes dentro do portal. Já sabemos que, se formos encarar essa “ameaça” agora, vai dar muito ruim.

Xin finalmente havia falado, com sua habitual calma e cortesia.

— Vamos todos juntos, então.

Mowang segurou o cristal roxo na mão e concentrou seu QI nele. Sentiu uma série de choques elétricos percorrendo seu corpo; sua cabeça doeu levemente, e então um portal azulado e brilhante surgiu na borda da praia, rente à água.

— Quem vai ser o primeiro?

Yui-Ki perguntou, mas Hseng já se preparava para entrar.

— Vocês são todos uns cova—

Antes que Hseng desse mais um passo, seu braço foi decepado, e ele rolou para longe, gritando de dor.

Todos ao redor sacaram suas armas e se voltaram para a direção de onde viera o ataque.

— Não vão fugir agora, já que chegaram até aqui.

Um homem de cabelos longos e negros, usando uma capa preta e emanando uma aura estrondosa, saltou de uma rocha, pousando suavemente na areia.

— Você é o Huo-Lei?

Yui-Ki cerrou os dentes, trêmula, apontando sua espada para aquela presença avassaladora.

— Eu? Não sei por que, mas é a segunda pessoa que me faz essa pergunta. Aquele moleque ainda está longe de me alcançar.

Dito isso, Liu-Zeng desferiu outro golpe — desta vez contra Piao-Zan —, mas Mowang se jogou à frente dele e, com um golpe da espada, desviou o ataque de QI para o céu, provocando uma enorme explosão nas nuvens.

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— Vocês estão indo rumo ao suicídio. Recomendo que parem de procurar por Huo-Lei. Sigam suas vidas... vocês ainda são jovens.

O homem permaneceu imóvel enquanto guardava a espada na bainha, sem mover um músculo. Seu olhar frio estava fixo em Mowang, que havia desviado de seu golpe, mas ainda assim sentia o dano em seus músculos.

— Você sabe que Huo-Lei vai destruir o Murim?

Mowang caminhava em direção a Liu-Zeng enquanto o questionava.

— Eu sei.

— E mesmo assim quer protegê-lo?

— Quero.

— Então você não se importa, mesmo que morra?

— Eu não vou morrer. Isso eu garanto.

Num instante, Liu-Zeng desapareceu da vista de Mowang. Quando ele menos percebeu, o homem já estava atrás dele, desferindo um golpe com a espada. Mas Xin apareceu, bloqueando o ataque com uma técnica de barreira de QI. O impacto lançou Mowang para trás e forçou Liu-Zeng a recuar.

Biao aproveitou a oportunidade e invocou duas fitas de seda que saíram debaixo de seus robes largos, indo na direção do inimigo. Liu-Zeng as cortou com facilidade, mas sua espada ficou coberta por uma substância pegajosa e gosmenta.

— Hah! Seu idiota, não vai mais usar essa espada!

Biao usava técnicas alquímicas que aprendera com seu mestre — técnicas originalmente utilizadas para torturá-la.

Durante os dias em que serviu como cobaia de Gao-Fei, a garota absorveu todo o conhecimento que podia, planejando um dia usá-lo contra seu carrasco.

— E quem disse que eu preciso de espada?

Incapaz de usá-la para cortar, Liu-Zeng atirou a lâmina de lado. Então, desaparecendo novamente, surgiu atrás de Biao, segurando-a pela cabeça. Golpeou seu rosto repetidamente contra o joelho até o nariz dela se partir.

Hseng, tomado pela fúria por ter perdido um dos braços, rugiu enquanto balançava sua adaga, desferindo uma série de golpes contra Liu-Zeng. Este, sem hesitar, usou o corpo de Biao como escudo. A garota foi atingida diversas vezes pelas punhaladas de Hseng, ainda em surto.

— TÁ LOUCO, SEU MALDITO?!

Yui-Ki voou na direção de Hseng para detê-lo, mas Liu-Zeng a interceptou com um chute no estômago.

Atrás dele, Ting-Lu reforçou sua espada média com QI e ativou seu selo da terra, desferindo um golpe pesado nas costas de Liu-Zeng. No entanto, o homem apenas se inclinou levemente para a frente. Com um giro ágil, cortou o estômago de Ting-Lu com a palma da mão nua.

— Afastem-se todos! Só há uma maneira de lidar com esse filho da puta!

Mowang gritou, cortando seu próprio pulso e deixando o sangue escorrer na areia branca.

— Eu vou usar o que aquele demônio me ensinou.