A Jornada Para o Último Céu

210 Capítulo 206 - O Plano


Quando acordei naquele mundo, eu percebi que havia sido castigado


Vaguei por um deserto por dias, sem ver uma alma viva.


Não havia água, vegetação, nenhum ser vivo, apenas areia e o sol em cima de minha cabeça.


Achei que aquele era o inferno, mas de alguma forma, eu nem sabia o que essa palavra significava realmente


Eu havia perdido minhas memórias, me lembrava apenas do meu nome e que eu era um mestre marcial que ensinava vários alunos, mas... com qual objetivo? Por quê eu lutava? Por quê ensinar outra pessoa?


Mesmo me forçando para lembrar, era como se toda minha vida tivesse sido apagada, mas de alguma forma eu ainda sabia falar, escrever, além de ter golpes e técnicas memorizados em minha mente.


Andei por mais 33 dias naquele deserto sem fim até avistar uma montanha pontiaguda e com as primeiras vegetações que vi.


De alguma forma, eu não havia morrido ou ficado desidratado, meu corpo parecia resistente a muitas coisas, mesmo que pra mim parecesse impossível sobreviver sem comer ou beber água e caminhando em um sol escaldante.


Quando avistei aquela montanha juntei todas as minhas forças e caminhei em direção a mesma


Eu sentia dentro de mim arco percorrer meus órgãos e meus nervos, como se fosse uma energia que partia do meu peito para o resto do corpo


Também sentia algo inerente dentro de mim, como se eu tivesse uma proximidade com coisas que não existiam ali


Eu percebi que o mundo de onde vim não devia ser igual a este, apesar de muitas semelhanças


Ao alcançar a montanha, fui acolhido por uma pequena aldeia que morava em seu sopé, eram comerciantes de especiarias de uma região chamada Pico da Águia


Tentei explicar minha situação pra eles, mas obviamente não acreditaram e me mantiveram preso por alguns dias, ao menos me alimentavam e davam água, que era melhor do que vagar naquele deserto.


Eu entendia a língua daquele povo, mesmo parecendo pessoas estranhas e até mesmo primitivas


Quanto mais tempo eu passava naquele mundo parecia que eu me adaptava rapidamente, como se o conhecesse por completo


Aprendi que aquele lugar se chamava Murim, era um nome familiar pra mim.


Era um mundo dividido em regiões e dominado pela seita demoníaca e a seita da luz


As duas seitas disputavam pelos territórios do murim em uma guerra infinita

O povo era vítima dessa disputa, sendo alvo e sofrendo as consequências das constantes batalhas


A seita demoníaca prezava pela união de todos os povos e a hibridização dos humanos com os demônios. Eles queriam a liberdade de todos os povos e a expansão dos territórios do império


A seita da luz queria erradicar a seita demoníaca e acabar com a presença de todos os demônios no Murim


Por trás dessas duas seitas, havia o Criador. Um ser supremo que havia criado essas duas seitas e dado a eles liberdade para controlarem o Murim, juntamente com os dragões protegendo cada região


Era um cenário que eu não conseguia conceber direito, tudo me parecia deslocado, mas eu senti compaixão por aquelas pessoas


Ao ver aquela aldeia e seus moradores, todos batalhando e se esforçando para sobreviverem, eu senti uma imensa necessidade de ajuda-los, como se esse fosse meu objetivo ali


Talvez eu tenha ido para aquele mundo para dar um pouco de paz àquelas pessoas


Quando comecei a treinar meu QI com alguns xamãs da aldeia, eles perceberam que eu tinha uma força eminente que ultrapassava todos os lutadores que eles conheciam


Muitos ficaram impressionados com meu fluxo de QI, alguns até com medo. Eles queriam que eu fosse embora dali, achando que causaria problemas, mas eu pedi para ficar e aprender mais


Eu prometi protege-los e tentar ajudar no que fosse possível


Aprendi que naquele mundo quem era forte prevalecia.


Os grupos mais fortes dominavam os mais fracos


Haviam oito regiões que prevaleciam por lá, a região da águia, a região do gelo, a região central, a região do sangue, a região demoníaca, a região leste e a região da luz


Todas eram divididas por dogmas que seguiam, elas tinham seitas que se dedicavam a artes marciais baseadas ao culto em algum dos dragões


A aldeia onde eu fui mantido era adepta ao culto ao dragão da terra, eles aprendiam artes marciais baseadas na força física e domínio total


Eu decidi então começar a treinar junto com aqueles homens


No auge dos meus 30 anos, eu possuía muito vigor e disposição


Aprendi algumas técnicas da terra, e ao passar dos anos eu havia me tornado um dos professores daquele lugar


Nossa aldeia ficou conhecida por toda região das águias, ninguém ousava criar problemas com nossos homens


Foi então que algo aconteceu; Um grupo do leste chamado os dominadores do céu chegaram até a aldeia pedindo para salvarmos uma de suas mulheres


Ela era filha de um dos comandantes do exército e se chamava Xia-Lan


Uma bela mulher de 30 anos com olhos dourados e uma pele clara como a neve, apesar de que eu nunca havia visto neve, mas eu sabia como ela era


Ela havia pego uma febre em uma viagem que havia feito com seu grupo, eles estavam indo até um local chamado a caverna do tigre branco

Eles não sabem se ela comeu algo ou se foram as condições do clima, mas sua vida já estava por um fio


Quando os xamãs da aldeia a inspecionaram, viram que ela estava sob efeito de uma maldição


Eu não entendia muito bem como aquilo funcionava, mas sabia que aquele mundo era regido por algo chamado QI


O QI era o que controlava todas as coisas, uma energia que vivia em todo ser vivo, seja animal, plantas, fungos, humanos, criaturas e demônios


Esse QI podia crescer ou diminuir dependendo dos hábitos e cultivo das pessoas


Para se manter o QI elevado, era necessária uma dieta regrada, exercícios, treinamentos, meditação, abertura dos chacras e havia também o caráter hereditário;


As pessoas já nasciam com uma boa base de QI vindo de linhagens antigas


Os moradores daquela aldeia disseram que aquele era o meu caso, apesar de eu nem saber quem era meus pais.


O QI podia ser capaz de fazer várias coisas, controlar elementos da natureza, curar o corpo, materializar objetos, e até mesmo criar maldições e pragas


Alguns feiticeiros usavam o QI o colocando em selos, livros e frases que eram usados para aumentar o poder de alguém, criar alguma doença ou uma maldição


O uso do QI podia ser ilimitado dependendo do seu controlador. Quem quer que tenha amaldiçoado ela, foi alguém hábil o suficiente para não deixar rastros.


Os xamãs disseram que apenas matando quem havia lhe amaldiçoado ela podia ser curada


Os membros daquele grupo não faziam ideia de quem poderia ser, eles revisaram seus passos, não haviam lidado com nenhuma pessoa em um mês, foi então que começaram a supor que a pessoa que havia feito isso era alguém do seu próprio grupo


Havia 15 pessoas no total, eles começaram a duvidar um do outro


Todos respeitavam Xia-Lan e tinham enorme respeito por ela ser a filha de um importante comandante


Tentamos interrogar todos eles, mas ninguém confessava o seu crime


Foi então que, com a ajuda de um dos xamãs, eu usei uma técnica para conseguir me comunicar dentro dos sonhos daquela mulher, já que ela não acordava


Entrando no mesmo, eu havia falado com ela.


Era uma mulher pura e forte, o que destoava de todas as pessoas que eu havia conhecido até agora


Ela também não parecia…nascida nesse mundo


Ela me contou tudo que havia acontecido; O grupo todo estava conspirando para matá-la, eventualmente, eles apenas estavam esperando-a morrer para colocar a culpa em nossa aldeia e depois iria nos matar e levar o corpo dela.


Ela me agradeceu por tentar ajuda-la, eu não sabia o que exatamente era o mundo dos sonhos, mas eu havia consigo me comunicar com ela


Ao voltar para a realidade, eu não tinha mais dúvidas


Usei pela primeira vez uma espada e matei todos daquele grupo sem piedade. Eu não senti remorso, na verdade, senti alívio em expurgar essas almas pecaminosas desse mundo.


A mulher havia acordado, ela chorou por se sentir culpada e sozinha, agora que ela havia sido abandonada.


Eu não aguentei vê-la chorar, queria poder pegar para mim todas as dores daquela jovem inocente.


Ela ficou na aldeia por alguns dias, foi então que resolvi que a levaria de volta para sua cidade.

Os moradores ficaram tristes, afinal, minha presença lá já era algo obrigatório, principalmente para os alunos que eu fiz

Mas eu estava decidido, eu faria o que fosse para ver o sorriso daquela pessoa.


Não me lembrava nada da minha vida, mas agora ao menos eu tinha um motivo para ficar naquele mundo. Eu não sabia se aquilo era o que chamavam de amor, mas eu gostaria de estar ao lado dela.


Fomos em uma jornada até o leste para sua seita dos dominadores do céu.

No caminho, fomos nos aproximando cada vez mais, eu fui vendo que ela era realmente diferente de todas as mulheres que conheci antes naquele mundo.

Como uma alma pura dessas podia existir? Eu tinha que conservar aquilo a todo custo.


Se existisse beleza nesse mundo, ela era o núcleo disso


Eu senti que criei um laço forte com ela, ao ponto de não conseguir mais desfazê-lo.


Chegamos em sua vila e seu pai, o Comandante Yshen-Lon, ficou grato pelo que fiz e me condecorou com a posição de general do segundo batalhão dos dominadores do céu.


Eu aceitei sem pensar, mesmo me sentindo mal pela aldeia que me acolheu, mas eu não queria me separar de Xia-Lan, e esperava que ela também sentisse o mesmo.


Me tornei importante dentro daquela seita e consegui o respeito e a confiança de Yshen-Lon

Ele então me aceitou como esposo de sua filha


O tempo passou e me tornei o primeiro comandante do exército.

Nós tivemos uma filha, uma criança tão pura como Xia, a chamei de Tia-Chun.

Eu tinha agora dois propósitos para seguir em frente nesse mundo, por mais que houvesse guerras, batalhas e muita maldade, aquelas duas eram o que importava.


Eu me tornei um dos mestres marciais do murim.


Depois do torneio organizado e que os dragões caíram, eu me tornei aquele que sucederia a posição de líder da Seita do Céu Prateado.


A nossa seita era uma das mais novas do Murim, mas eu a tornaria a mais forte de todas em horna de Yshen-Lon que me aceitou.


Ele havia morrido na grande guerra, Xia-Lan ficou em choque mas junto de Tia-Chun ela conseguiu suportar.


Mas quando Tia fez 12 anos, eu não podia prever uma tragédia que faria com que o meu mundo acabasse.


Xia-Lan adoeceu repentinamente, e eu sabia quando a levei pra um xamã na seita do dragão que a doença que ela tinha não era desse mundo.


Provavelmente, eu que passei isso pra ela.


Eu nunca contei pra alguém que não era do Murim, mas agora isso iria me corroer até me levar a um fim eminente.


Xia-Lan morreu por essa doença 7 meses depois.


Eu a matei, e só eu sabia disso.


Eu havia destruído meu mundo, mesmo que sem ter consciência. Se eu nunca tivesse ficado junto dela…Se eu nunca tivesse me aproximado!

O xamã Lutsen-Xi, um dos melhores médicos do leste do murim, disse que havia a chance da minha filha também ter herdado essa doença.


Eu não poderia deixar a outra metade do meu mundo acabar, se isso acontecesse, eu certamente iria destruir o murim.


Tia-Chun foi tudo que me restou, eu não podia perdê-la também, e não iria.


Desde a época da traição de Zing-On, eu criei um conselho com os únicos dois mestres sobreviventes


Juntos nós três conseguimos criar a ‘oposição’ ao império e ao controle que Zing-On possuía sobre todas as seitas


Fiquei por anos isolado como mestre do Céu Prateado, me encontrando com o conselho periodicamente


Todos eles tinham a mesma motivação que eu em salvar o Murim, sabendo já dos objetivos de Zing-On, não, melhor dizendo, de Ye-Huei.


Eu, Yue-KangMo e Liu-Zeng eramos dados como mortos, os dois desde muito tempo, mas eu, após o incidente do céu prateado


Eu sabia que Zhao-Kung viria naquele dia, eu consegui com a técnica que Yue me ensinou a sacrificar um ‘corpo’, mesmo que essa técnica tenha envolvido Yan Rong também.


Precisei sacrificar aquela cidade pecaminosa não apenas pelo bem do Murim mas para meu plano ir para frente.


Coloquei aqueles ‘retornados’ em Yan Rong já pensando em treiná-los e enviá-los para o inferno, se eles conseguissem sobreviver, eu saberia que poderiam se tornar os salvadores do Murim, uma pena ter que ser apenas 7


Havia uma profecia deixada pelo Criador que apenas Ye-Huei possuía, mas graças a Yue-KangMo tivémos acesso


Eu poderia escolher mais pessoas para isso, mas como apenas 7 poderiam entrar na barreira do último céu, não havia sentido criar mais, visto que isso poderia ocasionar conflitos

Depois de sacrificar Yan Rong eu dei início a quebra da dimensão, os portais que haviam sido abertos anteriormente no Murim eram fracos ao ponto de que apenas bestas mágicas podiam passar.

Desde a primeira ‘investida’ da seita demoníaca e da infiltração de demônios nesse mundo, graças ao poder dos selos, a ameaça foi contida, mas eu sabia que ao abrir um portal maior poderia ocasionar em demônios mais fortes vindos pra cá, mas eu também pensei nisso, e ter os 7 salvadores não era o único trunfo, além de treiná-los no portal inferior, eu também tinha algo que poderia fazer para garantir minha vitória: Prender Zing-On no inferno


Mesmo que você consiga sair daqui, com minha morte, sua alma ficará amaldiçoada a nunca deixar o Murim, eu sinto muito Ye-Huei, você nasceu aqui e vai morrer aqui!


Eu investi toda minha força cruzando minha espada cintilante no ar, mas Zing-On havia desaparecido


Ele surgiu atrás de mim cravando sua espada em minhas costas


Cuspi sangue enquanto ele sorria


Você acha mesmo que eu estou tão desesperado assim? Eu queria sair do Murim, mas apenas de acabar com ele de uma vez, ISSO JÁ É O BASTANTE!


Eu me afastei sabendo que aquilo não seria fácil, mas se eu acabasse com ele agora, o caminho estaria quase que totalmente livre.


Sendo assim, vou me certificar de você ficar aqui no inferno mesmo.