A Jornada Para o Último Céu

170 Capítulo 166 - Mou-Rang


“Eu queria poder fazer mais por minha seita.

Eu queria poder me redimir pelos meus erros.

Mas de alguma forma, naquele momento em que encarei aquele demônio, eu senti que isso não seria mais possível.

A seita da cobra possui a proficiência de sentir todo tipo de substância ou mudança de fluxo de qi no seu corpo devido ao ingerimento de veneno que todos os membros passam já no início dos treinamentos

Eu fui treinado especialmente por meu pai, eu tomei vários venenos, fui picado por muitas cobras e outras bichos peçonhentos até ficar imune e me adaptar a qualquer tipo de droga ou substância tóxica.

Eu quase morri nesses diversos ‘experimentos’, mas senti que eu havia ganhado uma grande imunidade

Ensinei algumas técnicas do meu pai para meus discípulos, a cobra realmente tinha suas características próprias, eu sentia que podíamos alcançar um lugar melhor no murim se nos dedicássemos

Somos capazes de modificar nossa estrutura óssea e nos tornarmos mais flexíveis e ágeis, além de sermos resistentes a venenos e até mesmo, podemos guardar veneno em nossos corpos para atacar nossos inimigos.

Eu havia aperfeiçoado todas as técnicas da cobra e também conseguia usar algumas ensinadas pelo próprio Mujang, mas então...Por quê? Por quê eu sentia que não podia se quer fazer nada com aquele ‘homem’?

Quando tentei ataca-lo novamente usando o fluxo total do meu QI impulsionado pelo veneno, Bai-Song — ou seja lá o que for ali -, começou a receber os golpes deixando que seu corpo fosse espancado, afinal, ele não devia sentir dor.

— Movimento da cobra cega!

Eu usei 3 dedos de cada mão e comecei a perfurar todo seu corpo aplicando diversos tipos de veneno, inclusive um que causava cegueira, mas o homem em minha frente ficava sem reação apenas movendo seu corpo para trás, ele pisou no chão firmemente por um momento e gritou, eu me afastei e dei um chute em seu pescoço, o mesmo não se moveu, ele segurou meu calcanhar e me jogou para cima, eu dei dois mortais no chão com as mãos e arremessei vários dardos de veneno, eu estava mais ágil do que nunca, pulei para perto dele e comecei a cortá-lo com minha navalha, eu cortei suas juntas e nervos, mas o filho da puta ainda continuava em pé

“Mestre Mou! Obrigado por compartilhar seus ensinamentos!”

Tudo que eu me lembrava naquele momento era dos meus discípulos me agradecendo a primeira vez que os ensinei sobre a técnica da reversão sanguínea, onde mudávamos a direção do sangue para nosso corpo atingir o limite, onde o fluxo de QI ia em uma direção oposta se chocando contra o movimento do sangue, as plaquetas integradas ao QI atingiam o núcleo dos nossos chakras, o que nos deixava invencíveis por pelo menos um minuto.

Somando isso com o veneno que eu havia usado, nada podia me atingir naquele momento.

“Eu não posso perder aqui, eu ainda tenho que me desculpar pela morte dos meus irmãos”

Avancei sem pensar e comecei a desferir dezenas de golpes consecutivos naquele demônio, ele nem usava mais suas pequenas barreiras roxas ou se teleportava, apenas recebia os golpes como se não se importasse mais, mas eu via sua expressão deformada rindo.

— Hahahahahaha, tolo

Ele finalmente havia falado, mas eu não podia perder nem um segundo me distraindo

Peguei minha espada e cortei um dos seus braços, o homem reagiu e começou a pular para trás, mas minha velocidade era maior, eu picotei o seu corpo cortando-o em vários locais, arranquei um de seus olhos, uma orelha, metade do seu ombro esquerdo, me esgueirei por baixo do mesmo e cortei suas duas pernas e cravei a espada em sua barriga perfurando-a várias vezes seguidas.

— AAAAAAAAAAAAAAAAAAAH!!!!!!!!!!

Eu comecei a esfaqueá-lo de maneira frenética sem parar até abrir um enorme buraco e seus órgãos serem estraçalhados, eu arranquei suas tripas e joguei para longe e voltei a furar o seu rosto com a espada até não sobrar nada de sua face

— SEU MALDITO! MALDITOS DEMÔNIOS!!!

Eu ainda tinha alguns segundos sobrando, eu usei a espada e a navalha para cortar o seu corpo até não sobrar mais nada.

— MORRE, MORRE!!!

Depois de golpeá-lo por quase dois minutos até não sobrar mais nada do seu corpo, eu não senti mais o seu QI.

Eu achei que era uma armadilha, mas talvez esses espíritos não tivessem total controle sobre esses falsos corpos criados por Zing-On, se ele tivesse pleno comando, eu não poderia vencer, mesmo usando todo meu poder.

Depois que eu me afastei, senti uma dor enorme tomar conta de todos os nervos do meu corpo, eu sabia que as consequências de usar o veneno fatal e a técnica do sangue invertido poderiam me trazer a morte, mas antes que eu pudesse sucumbir, eu olhei novamente para o corpo mutilado do homem no chão e vi algo se mexendo do mesmo, era uma larva verde coberta de sangue e vísceras, ela tinha uma boca com vários dentes e um pequeno olho amarelo no centro de sua cabeça rugosa, medindo cerca de um palmo, a criatura saiu do coração exposto de Bai-Song.

— O que é isso?

Eu mal conseguia me mexer pela dor, meu corpo estava perdendo o equilíbrio e a visão ficando turva aos poucos, era como se meu QI estivesse ficando negativo, mas aquele verme rastejando no chão me deixou preocupado.

Era com aquilo que Zing-On controlava os corpos?

— Hehehehehe, tolo, humanos quando são fortes, ao mesmo tempo, ficam ignorantes crentes que conseguirão tudo.

Aquele verme havia acabado de falar, sua voz saiu fraca e baixa, parecia mais como um grunhido de um animal selvagem, mas eu consegui entender suas palavras.

— Eu só preciso te esmagar, mesmo sem forças, eu ainda consigo ao menos isso.

Eu me aproximei da criatura e me preparei para pisar na mesma, foi quando eu senti meu coração doer, como se algo estivesse se remexendo dentro do mesmo.

Caí no chão e comecei a segurar meu peito enquanto gritava

— AAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHH!!! AHHHHHHHH!!!

Eu senti como se algo estivesse comendo meu coração, conseguia sentir pequenos dentes afiados o roendo internamente sua carne.

— HEHEHEHEHEHEHE, entendeu agora, humano?

O verme continuava rastejando enquanto ria e deixava uma gosma roxa sair de sua pequena boca, eu o observei tentando me levantar, mas eu comecei a perder o controle dos meus membros.

“Não pode ser, pode?”

Por mais que eu quisesse negar, eu já sabia o que havia acontecido.

— Zing-On colocou praticamente em todos vocês, humano. Provavelmente em alguns minutos meu irmão irá tomar seu corpo.

“Não tem como! Eu não podia acabar assim.”

— Maldito... COF COF...

Eu cuspi muito sangue mas consegui me levantar, peguei minha espada e joguei contra o verme o cortando na metade, mas caí de joelhos novamente vomitando.

“Me desculpa Mujang, mestre...Eu...”

Zing-On havia planejado tudo, aquela bebida que tomamos na reunião, ele me fez engolir um parasita, quem sabe ele fez isso com todos do conselho, então no final, ele nunca acreditou em ninguém?

Eu tentei juntar todas as últimas forças que possuía para pegar a espada que havia caído no chão novamente, mas sentia que algo já estava começando a entrar na minha cabeça.

— MEU, AGORA É MEU!

Eu ouvi uma voz dentro da minha cabeça, olhei para frente e vi o sol se pondo, me lembrei dos dias pacíficos que tive na cobra com meus discípulos, imaginando que nunca passaríamos por nenhuma guerra, o meu erro foi realmente ter...esperança.

— Mas no final, você não vai fazer o que quer, Zing-On.

Eu olhei para a direção de onde sentia o QI de Huo-Lei, agora, só me restava confiar o futuro a ele.

— Irmão, espero que me vingue.

Mou-Rang, enquanto segurava sua espada com as duas mãos, decepou seu próprio pescoço.