A Jornada Para o Último Céu
160 Capítulo 156 - Demônio da Jade (II)
“Eu costumava ser uma pessoa ruim, ruim ao ponto de ter abandonado meus próprios filhos.
Era uma mulher interesseira que só me importava comigo mesma, eu usava os homens ao meu bel prazer e os descartava facilmente quando me convinha
Cometi vários abortos e nunca me arrependi de nenhum, as vidas para mim eram todas iguais, todas um lixo, fora a minha.
Nunca vi ninguém como sendo uma pessoa que valesse a pena me aproximar ou sentir alguma coisa, eu não me lembro quando havia me tornado assim.
A primeira vez que fui procurada pelo Criador foi quando eu havia acabado de fazer um homem se suicidar por mim.
Havia me tornado uma meretriz famosa em Naihan, aquela cidadezinha estava em seu primórdio e todos se deleitavam com minha beleza, várias cortesãs ficaram sem emprego e adoeceram depois que eu apareci, e vendo toda minha fama, Ele decidiu descer e me oferecer uma vaga em sua corte.
Como eu poderia ser tão sortuda?
Foi isso que pensei naquele momento, eu teria uma vida de luxo, de riqueza e prazeres, por mais que aquele homem fosse um velho repugnante, eu não me importaria em me submeter às vezes, desde que saísse ganhando em todo processo.
Minhas ‘irmãs’ eram todas tolas, elas se importavam com questões como poder, em serem as melhores, dragões que não sabiam aproveitar a vida.
Depois que fomos exiladas para a terra, eu não podia aceitar tamanho rebaixamento. Eu era uma das mais queridas do Criador no seu palácio! Como eu podia ser movida pra uma mera caída, um demônio errante? Não, não aceitaria de forma alguma!
Foi então que eu vi uma oportunidade para me aproveitar de uma das seitas mais ricas do murim, a seita da jade.
Eu já era o dragão da jade, estive de olho naquele palácio por um bom tempo, mesmo que seu status tenha caído muito ao longo dos anos, eu sabia que aquela imperatriz guardava muitas riquezas.
Na minha terceira reencarnação, decidi me aproximar da jade, me infiltrei na sua principal cidade e comecei a ser uma cortesã bem reconhecida.
Mesmo que eu ainda não tivesse a aparência do meu melhor momento há séculos atrás, eu ainda tinha meus métodos de sedução e sabia bem tirar dinheiro de todos os tolos.
Os homens são todos iguais, sempre caindo nas graças de alguém que possui uma boa lábia e charme.
Meu corpo esbelto e meus belos peitos não faziam nenhum deles recuar.
Eu tentei de todas as formas me aproximar de Jion, a imperatriz respeitada por anos, eu queria poder tomar aquele reino ou ao menos, reinar ao lado dela.
Eu não via outras seitas do murim de ter a possibilidade de uma vida tranquila sem conflitos, foi coincidência demais eu ser o dragão da jade, porque essa seita era perfeita pra mim, um local com riquezas e sem conflitos, eu apenas queria aproveitar tudo novamente, todo meu momento de glória.
Comecei a me aproximar cada dia mais daquela mulher, e vi o quão imponente ela era, passei até a admirar o modo como àquela seita fazia seus negócios, mas além de tudo isso, eu vi algo que podia ter usado ao meu favor para derrubar o seu trono.
Jion teve um caso com um homem mercador de uma seita do leste do Murim, ele era o principal negociante de relações entre a seita do dragão e da jade, ela se envolveu com ele, mesmo sendo viúva, e acabou tendo uma filha.
Para não colocar sua reputação em cheque nem sujar o nome de sua seita, ela decidiu doar a criança para um outro mercador, sem que seu pai soubesse.
Eu fiquei muito interessada naquilo, podia ser meu momento de triunfar. Segui aquela família e vi que a mulher era de uma vila proibida que havia nascido com genes dos dragões, eu não sabia qual das minhas irmãs havia feito isso, mas algumas mulheres daquela vila tinham o poder de se transformar ao ingerirem o sangue de outra pessoa.
Muitas foram mortas por isso, mas uma delas fugiu, justamente a que ajudou a cuidar da criança bastarda da jade.
Eu já estava completamente envolvida nisso, decidi então ir até o fim e acompanhar essa criança peculiar.
Os anos se passaram e essa garota havia crescido e se tornado tão perversa como sua mãe, não, acho que sua mãe apenas fazia para sobreviver, mas ela aos poucos foi adquirindo uma sede em enganar cada vez mais homens.
Eu a admirava aos poucos, observando-a de longe e protegendo-a de alguns homens que queriam mata-la obcecados por sua beleza e viciados por sua forma como ela faz amor.
Ela costumava se sobrepor sobre todos e conseguiu se virar mesmo sendo de uma família pobre, algo que eu não entendia bem.
Se ela podia ter tudo devido ao seu poder, por que continuava morando com aquele homem?
Não entendia bem a conexão entre os humanos com seus ‘pais’, não via sentido para tamanho apego, eram apenas pessoas comuns, eles não eram obrigados a cuidar de ninguém nem mantê-los por perto.
Então por quê ela não abandonava aquela vida? Seu pai podia se virar sozinho, e ela podia ser uma imperatriz com esse poder, talvez ela fosse uma das únicas no mundo com essa habilidade!
Eu me segurei para não me aproximar dela, queria fazer sua cabeça, mas eu também queria ver por curiosidade o rumo em que ela levaria sua vida.
Quando tudo àquilo aconteceu, eu vi a oportunidade para finalmente me aproximar, ela havia matado sua própria mãe biológica, se eu falasse isso pra ela...ela poderia se tornar um demônio.
Ela tinha todas as características para ser uma das esposas do Criador, e se eventualmente eu morresse algum dia, eu queria passar minha essência a ela. Não sabia se reencarnaria outra vez, era provável, mas devido a todas às mudanças no murim, eu já nem sabia mais qual seria meu destino, mas quando eu a vi sendo emboscada naquele barco, eu senti que tinha a obrigação de me envolver.
A pessoa que observei pela vida toda, ela e somente ela poderia ser minha sucessora.
— Técnica da jade inquebrável.
Afim de ganhar ao menos alguns segundos, eu usei minhas últimas forças para envolver minha irmã da névoa ao redor de uma pedra de jade, seu corpo foi ‘congelado’ pelo verde reluzente e começou a afundar naquele oceano morto.
Aproveitei esse tempo para subir até o barco e quase sem conseguir me levantar, me arrastei até Hiang-Lin.
Ela havia tomado outra identidade, ela queria mudar de vida...Depois de tudo? É CLARO QUE EU NÃO DEIXARIA HAHAHAHAHAHA!
Eu a acompanhei todo esse tempo, e agora ela quer apenas fugir da sua responsabilidade? Ela seria minha herdeira, alguém que pode ser a futura demônio da jade, como eu a deixaria escapar das minhas garras?
— Menina, você está pronta.
Eu sorri enquanto comecei a exprimir o core do meu QI
Os dragões conseguiam mover livremente o fluxo de QI e abrir seus chakras quando quisessem, por conta disso, eu podia controlar minha força e até mesmo transferir meu QI para cristais, mas naquele momento, a única possibilidade de fazer com que ela absorvesse minha ‘essência’ da jade e pegasse todo o meu cultivo até o momento, seria fazendo-a me comer.
Quando eu era dragão comi vários mestres marciais com fluxo de QI poderosos, e isso me ajudou a evoluir muito minhas técnicas e o refinamento do meu QI, não era algo que se aproximasse do poder original daqueles mestres, mas diria que ao menos 1/3 do seu poder eu conseguia.
Se ela comesse meu coração, talvez até mesmo 2/3 ela pudesse conseguir.
Eu usei um selo rápido para deixa-la ‘imóvel’ e comecei a me apunhalar com minha lâmina.
Perfurei meu peito violentamente, o sangue jorrava em cima de Hiang-Lin que não conseguia se mover e ficava movendo seus olhos parecendo abismada.
Eu arranquei o meu coração que ainda pulsava em minhas mãos, eu conseguiria sobreviver alguns minutos apenas com a alergia catalisadora do meu núcleo.
Eu me aproximei dela ficando em cima da mesma, meu peito escorria sangue por cima do corpo branco de Hiang-Lin, ela começou a lacrimejar e mover lentamente sua boca, eu peguei meu coração e o esmaguei para ficar mais fácil dela engolir, fui enfiando os pedaços em sua boca e movendo seu queixo para ela engolir.
Seu queixo e rosto ficaram sujos de sangue, ela começou a chorar mas eu a fiz engolir quase tudo.
Eu poderia reencarnar tranquila agora, ela ao menos teria a essência do dragão da jade.
— Mate aquela vagabunda da minha irmã e... Antes de morrer, saiba que a Jion era sua mãe, sua verdadeira mãe.
Eu disse isso sorrindo enquanto senti uma lâmina fatiar meu corpo ao meio.
Quando vi, de longe a parte do meu dorso para baixo estava em cima de Hiang-Lin, e aquela puta da minha irmãzinha estava com uma expressão horrível.
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