A Jornada Para o Último Céu
158 Capítulo 154 - Névoa (III)
“Eu ainda continuava sendo uma inútil.
Não importa se eu tivesse ajudado na luta anterior, na verdade, eu não consegui fazer nada. Eu deixei a Jia-Li ser capturada, eu não consegui ajudar contra o demônio do sangue, eu não consegui salvar o amigo do Huo-Lei, e agora estou aqui, tremendo diante dessa monstruosidade.
Em uma situação normal eu não me sentiria envergonhada por ter medo diante de um inimigo desse nível, acredito que se ela quisesse, já teria me matado, mas mais uma vez, Deus estava me dando uma chance (?)
A irmã Yi-Fang está incapacitada, o velho e o monge também estão desmaiados, o Huo-Lei parece que está enfeitiçado, só restou mesmo a mim? De novo eu?
Deus talvez queria apenas me sabotar, ou era um teste para que eu visse que eu não valho nada, apenas minha habilidade de transformação é útil.
Eu sabia disso desde o começo, a primeira vez que dormi com um homem usando minha habilidade, por mais que tentei negar depois, eu era apenas uma prostituta assassina.
Eu matei a imperatriz da jade friamente, mesmo ela não sendo uma pessoa ruim.
Comecei a viajar com Huo-Lei com a ‘desculpa’ de saber o paradeiro do meu pai, mas a verdade é que eu apenas queria me provar alguém útil.
Eu não queria ser mais ser uma vadia que apenas usava o corpo para conseguir as coisas.
Não quero mais depender desse poder de merda, mesmo ele sendo útil na viagem.
Eu queria lutar, queria lutar como a irmã Jia-Li.
Mas contra o demônio do sangue, eu fui impotente, não pude fazer nada, e contra essa maldita, o que eu poderia fazer?
Me matar?
Eu olhei nos olhos cinzas da mulher em minha frente, ela parecia nem ligar para minha existência. Eu teria que depender de novo de Huo-Lei? NÃO!
Mesmo que eu morresse, eu não iria depender de mais ninguém.
Essa situação era a melhor pra mim, porque era minha última chance de provar meu valor.
Se eu morrer, que se dane, não quero mais viver como uma pessoa suja.
Eu quero abandonar aquela habilidade que me matava a cada dia.
Me desculpa mãe, por desonrar seu clã.
Depois de passar um tempo com o Huo-Lei e todos os outros, eu percebi que a força não vem apenas dos selos e poderes, mas eles lutam por algo a mais.
Eu sei pelo que estou lutando muito bem, por quê eu não daria um passo mais a frente?
— Escuta, garota, você tem o cheiro de uma irmã minha, não quero te matar.
Eu não entendia o que essa desgraçada estava dizendo, mas comecei a carregar o QI do selo da psique enquanto eu esperava.
— Eu posso ser uma vadia, mas não me coloque no mesmo nível de vocês, demônios. Me diga, antes de tudo, por quê resolveram aparecer agora? Está puta porque matamos duas de suas irmãs? Haha
Mesmo dizendo aquilo eu ainda estava com medo, minhas pernas estavam fracas e eu suava frio, a demônio apenas riu enquanto se levantava caminhando em minha direção.
O barco pareceu parar juntamente com as águas, era como se estivéssemos em um lago calmo e imóvel.
— Você acha que eu LIGO pra essas filhas da puta? Eu apareci aqui apenas justamente porque descobri que tinham pessoas fortes por perto, quem conseguiu matar minha irmã do sangue, então é ALGUÉM DIGNO DE ME ENFRENTAR!
— Todas vocês são loucas?
— Hahahaha, quem sabe, vivemos tempo demais para sermos sãs!
A mulher balançou sua mão e quando percebi, eu já estava com um rasgo na barriga, caí ajoelhada cuspindo sangue e vendo tudo de forma embaçada.
— MAS você não é minha oponente, eu quero aquele ali.
A mulher apontou para Huo-Lei que mal conseguia ficar em pé.
— O foda é que realmente, não tem homem que resista ao meu feitiço não, eu vou trepar um pouco com ele igual minha irmã vagabunda fez e depois eu deixo ele voltar ao normal e aí podemos ter uma luta digna!
A mulher riu maleficamente mas eu segurei seu calcanhar ativando o selo da psique.
— Reversão.
Eu apliquei um golpe que havia aprendido no livro que peguei no domínio em que fomos levados pelo velhote, essa técnica da psique reverte o dano sofrido para o usuário tocado por 3 segundos.
O estômago da demônio foi aberto e sangue escorreu do mesmo enquanto o meu havia ficado curado.
— Oh, ela sabe alguns truques HAHAHAHAHAHAHAHA
A mulher me segurou pelos cabelos e me jogou com tudo no deck do navio, eu chutei a parte de madeira e me aproximei dela sacando a espada curta em minha cintura, comecei a desferir movimentos rápidos tentando acertar o seu pescoço, mas como esperado, ela desviava facilmente.
— Mas não é um truque muito simples, e vocês, pelo visto, são meio burras.
Eu fiz algo que nem eu imaginava fazer, usei a reversão mais uma vez mas depois de me apunhalar na barriga, eu cravei a espada com uma mão e toquei o braço da mulher, ela recebeu um golpe em seu ventre e cuspiu sangue se deslocando para trás.
— Hahahaha, muito bom menina! Você tem uns truques interessantes mesmo, mas eu sinto lhe informar, suas brincadeiras acabam aqui.
A demônio sorriu e quando percebi, eu havia recebido um golpe na cabeça e caído de costas no chão, cuspi sangue e me contorci, rolei para evitar um segundo golpe, mas ela pisou em minha coxa me fazendo gritar de dor.
Eu abri os olhos com fúria e a chutei com a outra perna, ela deu dois mortais para trás parando em pé graciosamente, como se fosse uma pluma.
Esses demônios estavam em outro nível, não era algo que podíamos lidar, talvez nem Huo-Lei fosse páreo, o que EU poderia fazer então?
Foi no momento em que quase estava desistindo, que ouvi uma voz ecoar em minha cabeça.
“Você quer vencer, irmãzinha?”
Eu achava que era um delírio por ter perdido sangue, ou a loucura tomou conta do meu ser ao saber que iria partir pra outra vida.
Se é que existia alguma vida após essa...
Eu estava tendo os sentimentos da Hiang-Lin mesmo!?
Quando ‘tomei’ essa identidade dela, comecei a crer mais no Criador, como se fosse uma faísca de esperança correndo dentro de mim, mesmo depois de ouvir tudo daquele demônio, eu não sei mais em quem acreditar.
O Criador era um demônio? Será que não havia esperança em lugar algum?
“Minha amada irmãzinha, é só me pedir ajuda!”
— Essa voz...
Eu estava sendo socada pela demônio de cabelos cinzas que ria enquanto me tirava sangue, ela estava apenas brincando comigo, eu já nem conseguia mais resistir.
“Então me ajude logo!”
Eu não sabia quem estava falando comigo, mas naquele momento, eu não queria morrer.
“ME AJUDE!”
Eu queria poder viajar mais com Huo-Lei, eu queria ainda, pelo menos alguma vez, ser útil.
Quando me ajoelhei no chão preparada para entregar minha vida para aquela mulher, algo surgiu do horizonte e com um golpe, arremessou aquele demônio para o oceano em nossa frente, seu corpo ricocheteou na água e apenas o vi sumindo diante da névoa.
Na minha frente, aquela mulher que havia nos encontrado antes junto com a irmã Jia e o demônio do sangue havia aparecido novamente, eu não sabia se ria ou se chorava, porque a pessoa que eu pedi ajuda, era justamente o demônio da jade.
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