A Jornada Para o Último Céu

156 Capítulo 152 - Névoa


— Que sol maldito! Parece que eu vou morrer Huo-Huo, me desculpa.

Yi-Fang estava jogada no cais do barco onde todos rumavam á seita do sangue com a língua pra fora parecendo bem debilitada.

— Parece que achamos sua fraqueza, mas acho que era meio óbvio que o demônio do gelo não se adaptava com coisas quentes (?) Peraí, quer dizer que você é inútil na seita do sangue!

Jin Manchu começou a rir enquanto comia uma banana na frente de Yi-Fang que, normalmente, iria roubar a fruta do monge, mas devido ao calor que fazia naquela região, ela mal podia ter energia pra se levantar.

— Por quê não avisou isso antes? Então até mesmo demônios tem sua fraqueza. A seita do sangue fica no continente mais quente do murim, a área é repleta de vulcões e áreas baixas, acho melhor jogarmos ela na água.

Até mesmo Guang-Tian se juntou para bullynar a mulher que agora, tentava se levantar querendo matar os dois.

— Quando eu tiver energia de novo eu vou esfolar vocês.

Naquela altura, Yi-Fang estava só com um sutiã e calcinha sem ter vergonha nenhuma dos outros naquele barco, mas Huo-Lei ainda se incomodava com isso.

— Sei que você tá morrendo de calor e tudo mais, mas não é adequado ficar desse jeito.

Huo-Lei dizia enquanto desviava seus olhos do corpo esbelto da demônio do gelo que na hora se animou novamente ao menos conseguiu se sentar.

— Q-quer dizer que o Huo-Huo está com ciúmes e se preocupando nesses safados pseudo estupradores ficarem olhando meu corpo!? Own, mas não se preocupe, ele é seu.

— Jin, jogue na água agora.

Guang-Tian queria soca-la após ser chamado de pseudo estuprador.

Ning-Jiang estava observando o mar enquanto achava graça na situação, ele não imaginava que pudesse viajar com Huo-Lei e seu grupo, mesmo estando no corpo de um lobo.

— Será que falta muito Huo-Huo? Sério, se nos atacarmos agora, vamos morrer.

— Ei, não nos subestime tá? Também temos nosso grau de utilidade.

Dessa vez foi Hiang-Lin que se colocou na frente de Yi-Fang para se defender, mesmo ela no fundo sabendo que era a mais inútil dali.

— Eu consigo ver a costa daqui já, mas estranhamente, tudo está bem calmo.

Ning-Jiang estava com a visão mais aguçada devido a estar no corpo de um lobo, além de sua audição também estar mais aprimorada, ele conseguia sentir o QI a alguns quilômetros dali.

Todos estavam apreensivos para o momento da chegada na seita do sangue, Huo-Lei havia dado os anéis que recebera para todos ali com exceção de Ning-Jiang, que não podia usar um.

— Esses anéis...Irmão, tem certeza que é seguro? Digo, eu sinto que nosso QI está mais condensado e conseguimos também controlar o fluxo melhor, mas eu ainda não consigo confiar em outras pessoas.

Jin Manchu segurava o anel que havia recebido, ele ainda não havia o colocado devido a falta de confiança pelo fato de estarem sendo perseguidos por quase todas as seitas do murim.

“Se eu falar o que aconteceu lá atrás na cabana, é aí que eles não vão usar mesmo, mas não temos escolha, as lutas no sangue podem ser difíceis, se pensarmos que existe algum demônio mais forte que aquele que enfrentamos antes, mesmo que elevássemos nosso cultivo, não conseguiríamos.”

Huo-Lei refletia consigo mesmo se devia ou não contar o ocorrido na cabana e o surgimento daquele ancião novamente, mas percebendo sua atitude, Ning-Jiang se colocou em sua frente.

— Eles são seguros, eu ouvi falar de artefatos do tipo, eles são pedras forjadas por anos que conseguem aumentar o fluxo de QI e permitir o usuário um melhor controle sobre ele, não acho que possa fazer algum mal.

“O irmão Ning está tentando resolver tudo, mas a verdade é que eu sei do que esses anéis são feitos. Por eu ter vários demônios dentro de mim, eu sei também que esses anéis possuem almas dentro deles, apenas isso permitiria um aumento gradativo no fluxo de QI.”

“Mas talvez, mesmo que eu fale isso pra todos, eles entenderiam (?)”

Huo-Lei não gostava de esconder nada do seu grupo, eles eram pessoas até então que ele nunca havia convivido antes mas estavam ajudando ele e Jia-Li, ele não achou justo esconder tais informações, mas quando pensou em contar a verdade, Guang-Tian notou algo de incomum.

— É comum névoa em um ambiente quente? Eu to sentindo até a temperatura abaixar, é algum truque seu demônio?

O homem olhou para Yi-Fang que conseguiu ficar em pé novamente se sentindo com mais vigor.

— Se eu pudesse fazer algo assim, eu teria feito antes! Mas essa névoa...espera!

Antes que Yi-Fang pudesse dizer algo, todos no barco começaram a ficar com sono.

— Eu acho que preciso de um cochilo, me acorde quando chegarmos irmão.

Jin Manchu se deitou encostado em uma rede e virou a cabeça caindo no sono, Hiang-Lin havia se debruçado em um barril e também dormido repentinamente, o mesmo aconteceu com Ning-Jiang que dormiu estirado no chão e com Guang-Tian que tentou dizer algo antes mas caiu encostado no suporte de madeira da entrada da cabine do barco.

Quando Huo-Lei ia desmaiando também, Yi-Fang colocou algo em sua boca, ele sentiu um amargor e rapidamente recobrou seus sentidos.

— O QUE DIABOS?

Ele cuspiu aquela coisa horrível mas olhou para Yi-Fang que deixava QI circulando ao seu redor com uma expressão nada amigável.

— Tem alguém por aqui, tente não inalar esse gás.

Yi-Fang estava com uma expressão séria, como não costumava fazer, aquilo deixou Huo-Lei assustado, mas a garota havia ficado em silêncio depois de alguns segundos, algo incomum também.

“Todos desmaiaram? Um ataque? Essa névoa não é apenas névoa?!”

Huo-Lei tentou se levantar ainda meio sonso, ele olhou para os arredores mas o oceano em todos os cantos estava coberto com uma densa névoa prateada e verde, parecia até que o som do vento e do mar haviam cessado.

— Yi-Fang?

Huo-Lei chamou a demônio mas ela permanecia parada em cima do convés olhando para frente quase que imóvel.

— ...

Huo-Lei se aproximou da mulher, mas naquele instante a viu tirar toda sua roupa fina de seda e deixa-la cair no chão de madeira do navio, ela se virou com um sorriso pervertido e com um salto, se jogou em cima de Huo-Lei que ainda se sentia fraco.

— Huo-Huo, eu vou te devorar.