A Jornada Para o Último Céu

230 Capítulo 226 - O Templo de Shaolin


Ponto de vista de Jin Manchu


Quanto mais eu andava, mais parecia que eu me afastava do meu objetivo


Eu pretendia chegar até o famoso templo budista do norte da águia, mas eu já andei por duas vilas e ninguém sabe de sua existência


- No final, deve ser mesmo uma lenda...


Eu sabia que poderia não ser real, mas imagina se não fosse?


Quando pequeno todos contavam a história do templo da águia, onde os monges aprendiam técnicas milenares, em menos de um mês eles já conseguia entrar em um estado próximo dos mestres ancestrais


Sua fama era principalmente conhecida por ter as melhores técnicas de defesas de kung fu


Meu mestre disse que conheceu um monge que já viveu por lá, mas aquele miserável mentia demais também, pra um ‘pseudo-monge’, ele tinha hábitos totalmente contrários


Mas bom, quem era eu pra julgar o mestre Thao?


- Essa é a última região que vou, já sei que deve ser uma lenda mas mesmo assim já que to aqui...


Eu resolvi tentar mais uma vez, e, diante da trilha, eu vi uma lebre saltando em um lugar que parecia ter a vegetação diferente


Parecia loucura mas decidi segui-la, como se estivesse fugindo, ela correu para o meio da floresta profunda com eucaliptos e araucárias, havia muitas árvores com espinhos e não entendi como aquela lebre andava por lá normalmente.


- Maldito animal resistente, ele tem QI?


Quando me dei conta já estava em uma trilha diferente, com azulejos quase escondidos sobre a terra na cor dourada, bem gastos pelo tempo


A trilha destes seguia até um morro com alguns pés de tomate que já achei peculiar


“Alguém vive por aqui”


Eu subi um pouco mais e ao apanhar um tomate, me deparei com uma clareira que tinha uma estrutura em blocos de concreto

Chegando próximo da mesma, vi um outro morro, e no seu topo, um templo com adornos que se assemelhavam ao local onde cresci


“Não tem como, tem?”


Andei mais um pouco, tomando precaução, foi então que avistei um monge varrendo o que parecia ser o pátio do templo


Ele me olhou e cumprimentou, como se eu fosse um conhecido


Andei mais rápido até onde o mesmo estava, ficando um pouco ansioso


Ele parecia não se importar com minha presença

Ao chegar próximo do local, vi que o templo era maior do que parecia


Era um templo budista com telhado com telhas que pareciam novas, um pátio amplo, tambores e bandeiras que representavam o local nos cantos, no seu centro, o nome do mesmo: Templo de Shaolin


- Esse nome...talvez eu já tenha ouvido antes (?)

Nas histórias que li e ouvi, apenas diziam que era o templo do norte da águia, mas nunca se referiam ao seu nome


Quando me aproximei, um dos monges do templo surgiu por trás de mim sem que eu tivesse percebido


“Como ele surgiu?”


- Amitaba. Você procura por algo, jovem?


O monge me minha frente era um ancião com uma pequena barba fina saindo do seu queixo, seus olhos murchos e presença fraca o faziam parecer fraco, mas eu sabia que ele era muito mais forte do que eu.


- Vocês são do famoso templo lendário da águia, né?


- Isso depende do que você chama de lendário. Somos apenas monges.


- Eu preciso do treinamento de vocês, eu imploro


“Eu não iria ficar de rodeios, não tínhamos tempo pra isso, queria ir direto ao ponto.”


- E para que precisa disso? Você já é forte


“Droga, ele fica falando em enigmas e questionando tudo? Nem os monges velhotes do templo eram tão chatos assim”


- Vai ter um torneio em breve, esse torneio decidirá o futuro do Murim, e eu estou no time dos ‘mocinhos’


- Oh, e como você pode ter certeza que está do lado certo?


- Porque o outro lado já fez muitas coisas ruins, e querem fazer


- E você nunca fez?


“Que velho desgraçado, não vai ter jeito pelo visto, não tem como dialogar.”


- Eu acho que estou perdendo mesmo meu tempo aqui, desculpe incomodar


Eu me virei já pensando em ir embora, não podia perder tempo, talvez eu apenas quisesse achar um motivo pra ficar mais forte, mas em tão pouco tempo, isso seria possível?


Ao começar a descer o morro, o monge me chamou


- Jin Manchu, criado no templo de Thaozan, um órfão abandonado pelos seus pais, se sentindo amaldiçoado. Você busca redenção ou salvação?


Eu olhei para trás curioso


- Eu busco poder


- Isso não conseguirá aqui


- Mesmo assim, eu quero treinar e aprender técnicas novas


- Você gosta da dor?


- E quem gostaria de sentir dor?


- Se quiser avançar, vai precisar sentir.


- Então vamos logo, não importa se me torturem, se eu ficar mais forte, não tem problema.


“Eu disse isso mas fiquei preocupado com o que realmente aquele monge estava querendo dizer.”


- Venha comigo, se você se mostrar apto, posso te mostrar algo.


Eu fui com o monge até o templo


Haviam vários outros monges treinando de maneira intensa, alguns com espadas curvadas, alguns com bastões, alguns treinando golpes de kung-fu em bonecos de madeira, outros apenas ajudavam com as tarefas no templo e alguns meditavam.


Era um lugar que transmitia uma paz profunda, apesar de ter mais de 100 monges ali, parecia vazio


Eu não conseguia sentir a presença de ninguém, era como se eles conseguisse ocultar suas existências daquele mundo


- Você se sente familiarizado aqui?


O monge ancião me perguntou enquanto me mostrava um pequeno altar com uma almofada vermelha na frente a algumas velas ao redor.


- Não é como se sentisse...


- Para buscar a perfeição, é necessário se rebaixar ao extremo. Só chegando no fundo do poço você pode escalar até o limite dele.


- Entendi já, chega de jogos de palavras, me mostre como ‘melhorar’


- Sente-se ali


Eu me sentei em posição de lotus naquela almofada, por trás de mim, dois monges sugiram e colocaram duas agulhas em meus ombros, eu senti uma pontada forte mas em alguns segundos, não conseguia sentir mais nada.


Eu apaguei e comecei a ver uma luz amarela piscar rapidamente.


Vi toda minha vida em um piscar de olhos


Quando meus pais me abandonaram


O quanto aguentei fora do templo


Os treinamentos que passei, o desprezo dos outros monges...


Todas as memórias dolorosas que eu havia deixado de lado vieram a tona


Thaozan-Feng rindo de mim com os outros monges


Quando eu os matei naquele confronto...


Os dias em que me humilhei para conseguir meu lugar.

Eu comecei a viver aqueles momentos infinitamente, em sequência, sem cessar.

Era como se eu estivesse em um sonho infinito


Eu quero acordar, por favor!

Eu tentei falar mas não conseguia


Estava em um estado de transe em que aqueles sonhos e memórias não cessavam


“ME TIRA DAQUI”


Eles me doparam? Como faço pra sair?


Quando me dei conta, já tinha vivido aqueles momentos por mais de 100 vezes, ou quem sabe até mais.


Ao abrir os olhos, meu corpo estava encharcado de suor


Meus batimentos aceleraram, eu não conseguia enxergar direito, mas ao olhar pra frente, vi um monge com um bastão longo em mãos, ele me golpeou na cabeça e eu caí pra trás


- Se levante, você não sairá dessa sala enquanto conseguir acertar um golpe em mim.