A Jornada Para o Último Céu

146 Capítulo 142 - É Tarde


Todos ficaram imóveis com a presença daquela mulher, eles sabiam que não era mais o demônio do sangue, mas sim, alguém que havia tomado seu corpo.

— Hm? Por que não se mexem? Estão encantadas com minha beleza? Você é o famoso Huo-Lei, é?

A mulher nua se aproximou de Huo-Lei e começou a esfregar seu corpo ao do rapaz que suava frio tentando não olhar para seus olhos, pois, ele sabia que se o fizesse, não teria mais volta.

— Achei que não fosse tímido, fiquei sabendo que fodeu com aquela outra gostosa no corpo da sua irmã, então qual o problema? Não sou boa o suficiente?

Até mesmo Yi-Fang, que mordia seus lábios com muita raiva, hesitava em se aproximar.

— Você…De onde você veio?

A demônio do gelo perguntou enquanto havia se levantado e dado dois passos.

— QUEM PERMITIU SE MOVER?

Apenas virando sua cabeça para o lado, a mulher cortou um dos braços de Yi-Fang, o mesmo caiu no chão jorrando sangue enquanto a mulher gritava se ajoelhando.

— YI-FANG!

Huo-Lei se moveu mas em segundos seu corpo foi movido para o chão como se algo o puxasse e não o deixasse se levantar.

— Você se importa com uma puta dessas? Que digno, que digno. Eu na verdade preciso ser grata a vocês, sabe. Os demônios dragões apesar de terem corpos físicos, tem sua essência etérea, é por isso que elas podem usar a ilusão e criar ‘formas’ dependendo do elemento proeminente das mesmas, elas possuem ainda a maior parte da sua essência no mundo espiritual, mas nós não temos ainda a capacidade de se hospedar em corpos de carne e osso, com uma exceção, que são a dessas mulheres demoníacas, no caso da demônio do sangue, ela ofereceu sua alma a mim, em um contrato que, quando percebesse que estava prestes a morrer, eu poderia tomar controle.

Eu achei que ela era forte, mas vocês são apenas dragões incompletos mesmo, tenho até nojo de estar em um corpo corrupto e degenerado desses, mas fazer o que, acho que ao menos vou conseguir dar uma olhada melhor na situação desse mundo, me diga, jovem, você tem mesmo o caminho para o céu maior?

A mulher se abaixou segurando o queixo de Huo-Lei para ele a olhar nos olhos.

— Como se eu fosse te responder algo.

— HAHAHAHA, gosto assim, dos difíceis, mas sabe, não espero também nada de graça, eu garanto que posso lhes recompensar por essas informações, então, que tal fazermos um trato?

Alguns Minutos Antes

“Ai…minha cabeça.”

— Onde eu to?

Hiang-Lin havia acordado e começou a se debruçar em um armário tentando se levantar.

— Aqui é a vila do porto…O que aconteceu? Huo-Lei!?

Naquele momento, a mulher se lembrou que alguém havia a golpeado e levado para um salão no fundo das casas abandonadas.

“Quem? Eu senti a presença daquela maldita, não pode ser…”

Hiang-Lin começou a ter os batimentos acelerados, ela correu mesmo sonsa e procurou em todos os cantos.

— HUO-LEI! MONGE!?

Ela sentiu que um QI poderoso não estava muito longe dali, vindo da direção da floresta do sul.

“Não, eles foram enganados. Por quê ela me deixou viva?”

A garota não conseguia raciocinar direito, mas ela continuou a se mover na direção da floresta, correndo enquanto ficava ofegante.

“Eu não consigo ser útil ainda! Merda, tudo que queria era poder fazer algo, fazer algo para pertencer ao grupo, eu sei que sou fraca, mas por que sempre estou perdendo?”

Hiang-Lin corria sem olhar para trás, ela sabia que ainda não era capaz de se igualar a Jia-Li, a Yi-Fang ou a qualquer um do grupo, mas ela ainda estava vivo, era isso que ela pensava para continuar dando passos largos para frente.

“Meu pai ainda está vivo, eu sei disso, ele espera por mim.”

A garota começou a sentir um QI poderoso que antes não havia presenciado, algo que a fez parar por um momento e quase se ajoelhar.

— Que merda é essa!?

A mulher arregalou os olhos sentindo um enorme medo surgir em seu peito.

“Não, não posso parar, eles podem estar em perigo.”

Ela se reergueu e continuou a correr mesmo que mais lentamente devido ao intenso QI que parecia arrebatar toda região.

Ela havia chegado em uma área afastada da pequena cidadela do porto onde eles estavam hospedados.

“Por quê isso foi acontecer? É culpa minha novamente, eu devia ter parado o demônio naquela ocasião, mas não pude fazer nada… NADA!”

Hiang-Lin começou a sentir falta de ar e remorso, se algo tivesse acontecido, ela iria perder a única oportunidade de reencontrar seu pai e a única oportunidade novamente de ser alguém.

Quando ela se deu conta, havia chegado em uma copa aberta próximo a uma floresta de bambus e seriguelas.

— HUO-LEI!?

Ela correu meio ao mato fechado e escorregou em algo viscoso no chão.

“Eu quero ser útil, por favor, se há alguém acima dos céus, me faça conseguir lutar!”

Hiang-Lin ia se levantando quando olhou para sua coxa direita e viu sangue cobrindo a mesma, a garota olhou para frente e viu uma trilha de sangue que seguia, dando no corpo de Jin Manchu que estava estirado no chão, e logo mais a frente, Yi-Fang, Guang-Tian e até mesmo Huo-Lei.