A Jornada

6 O Passado Retorna


Notas iniciais
Depois de um capítulo bem agitado, vem a calmaria do capítulo 6... Espero que gostem! Desculpem pelo capítulo grande hehe, prometo que tentarei diminui-los futuramente.

Capítulo 6 – O Passado Retorna

Kimberly estacionou o carro em uma das vagas do estacionamento da faculdade e caminhou rapidamente até a coordenação geral da universidade. No caminho, encontrou um casal de garotas conversando calorosamente no corredor. Apesar de reconhecer vagamente uma delas, não deu muito atenção e seguiu em frente.

Uma das garotas olhou aquilo e franziu o cenho, o que chamou a atenção da parceira.

— O que raios você está olhando, Wendy? Agora vai me ignorar descaradamente? – a menina, a qual possuía fios vermelhos e olhos chocolate, cruzou os braços morenos e fez uma careta de desgosto.

— Mary. Eu sei que a nossa discussão não acabou, está bem? E eu sei que você não gosta do meu comportamento quanto ao nosso namoro. Mas, lembra-se daquela amiga de infância minha? Então, eu acho que ela não está bem e eu preciso ajuda-la. Será que podemos terminar essa conversa depois? – a garota de cabelos e olhos negros pediu, mas Mary negou. – Por quê?

— Não tem o que conversar, Wendy. Eu já falei tudo o que tinha que falar. Se você quiser continuar o que temos, você vai ter que contar para os seus pais. – ao ver a namorada empalidecer, Mary se aproximou e tocou gentilmente o rosto dela. – E não importa o que acontecer, seu irmão e eu sempre estaremos te apoiando.

— Eu sei, mas você sabe como meus pais são preconceituosos. – Wendy abaixou a cabeça.

— Se eles te amam, Wendy, eles vão entender que você é feliz assim. – ela disse gentilmente e a outra garota respirou fundo, assentindo. – Agora, pode ir atrás da tal amiga de infância.

Mary se aproximou e depositou um beijo carinhoso sobre os lábios da namorada, que sorriu. Quando Mary estava com ela, não havia nada que ela não pudesse fazer.

— Eu já volto! – disse e saiu correndo por onde havia visto Kimberly passar. Pegou o celular e mandou uma mensagem apressada para o irmão mais velho. Apesar de terem perdido o contato com Kimberly, ela sabia que ela não estava bem.

Achou ela sentada nas cadeiras de espera em frente à coordenação da universidade, mas assim que deu o primeiro passo em direção a ela, seu irmão chegou. O olhar preocupado de Adam fez com que Wendy sorrisse. Ela sempre soube o que ele sentia por Kimberly e o quanto Adam tinha sofrido quando a mãe dela havia a afastado dos dois.

Respirou fundo, sabendo que o que quer que tenha acontecido com ela, Adam a ajudaria. Deu meia volta e caminhou para reencontrar a namorada.

— Kimberly? – Adam chamou a garota, que estava com o olhar perdido. Kimberly ergueu os olhos violeta para o rapaz, que sentiu seu coração aquecer com aquilo. Ela franziu o cenho e tentou lembrar quem era aquele rapaz tão familiar para si. Ela demorou alguns minutos para reconhecê-lo. – É o Adam. Adam Cooper, lembra?

Seus olhos se arregalaram ao reconhecê-lo. Adam Cooper. O garoto de olhos dourados que sempre vivia com um sorriso estampado no rosto, segurando uma pequena garota de cabelos negros como os seus. Adam Cooper, seu primeiro amor. Como poderia esquecê-lo?

— Desculpe. É claro que eu me lembro de você, Adam. – ela sorriu brevemente. – É que você está um pouco diferente, sabe?

Ele soltou um breve risada e abriu a boca para falar algo, mas a secretária chamou Kimberly antes que ele dissesse qualquer coisa.

— Será que... – Kimberly começou quando chegou à porta da coordenação, mas então parou ao pensar que não podia pedir qualquer favor ao rapaz, afinal fazia anos que não conversava com ele. Porém, ao ver o olhar de Adam, aquele mesmo olhar que ele dirigia a irmã mais nova quando eram pequenos e Wendy queria fazer algo perigoso, ela se sentiu segura em continuar. Naquele momento, ela só queria se reaproximar do rapaz. – Será que você poderia me esperar?

— Claro. – ele concordou e ela sorriu agradecida.

Quando entrou na sala da diretoria, a reitora olhou para Kimberly de forma surpresa.

— Oh, senhorita Hayes! Em que eu posso ajuda-la?

— Eu gostaria de pedir o trancamento da minha matrícula.

— Mas, o que houve? Você é uma das alunas mais brilhantes que a Universidade de Los Angeles tem há décadas. – a reitora pareceu ainda mais surpresa depois que Kimberly fez aquele pedido.

— Eu estou tentando fazer uma coisa diferente na minha vida, sabe? Apesar de ter aprendido a gostar do curso, por questões pessoais, eu quero fazer o que eu realmente gosto.

— Bem, eu não sei o que dizer para a senhorita. – a mulher parecia totalmente estarrecida com o que Kimberly havia acabado de dizer. – E qual seria o curso que você iria fazer, senhorita Hayes?

— Ainda não decidi exatamente. Provavelmente, literatura.

— Eu posso tentar arrumar uma vaga para a senhorita, se assim desejar. Sua nota e seu histórico permitem que eu faça isso.

— Bom, se a senhora conseguisse arrumar uma vaga para literatura, eu ficaria muito grata. – Kimberly sorriu e a reitora apenas assentiu. – Qualquer coisa que a senhora precisar, por favor, me avise. Eu lhe agradeço muito, reitora Morrison.

— Sim. Qualquer documento para a transferência, eu pedirei para a minha secretária entrar em contato com a senhorita.

Kimberly assentiu e saiu da sala sem dizer mais nada. Adam ainda estava no mesmo lugar. Ela se permitiu sorrir brevemente, porém quando ia começar a caminhar em direção a ele, uma pessoa apareceu no corredor.

— Kim! – Dylan exclamou seu nome e agarrou seu braço, assim que estava próximo o suficiente. – Precisamos conversar. Você tem que me escutar! Nada do que Hannah disse é verdade!

Kimberly piscou os olhos lentamente, incrédula de que Dylan estava realmente fazendo aquilo, e então arrancou seu braço do aperto. Observou Hannah chorando, a poucos metros de onde Dylan estava, e estreitou os olhos violeta.

— O que você fez?

— Eu não fiz nada! Foi ela que me seduziu! Puxa vida, eu errei, eu sei disso. Mas, não fui eu que dei em cima dela! – ele se aproximou de Kim e tentou pegar a mão da garota, que rapidamente saiu de perto dele. – Por favor, Kim! Há quantos anos você me conhece, ein?

— Há dois anos. E, é por te conhecer muito bem, Dylan, que eu vou lhe dar um conselho. Pare de fazer esse showzinho ridículo, porque eu realmente não quero lhe humilhar na frente de todas essas pessoas.

Sem dizer mais nada, ela caminhou até Hannah para saber o que tinha acontecido ali. Foi quando Dylan tentou lhe agarrar novamente, mas foi impedido dessa vez por Adam, que segurou o pulso do outro rapaz com força.

— Caso você não tenha escuta a Kimberly, eu vou repetir o que ela falou de forma mais clara. Saia de perto dela agora.

— E quem é você? – Dylan estreitou os olhos para Adam e então se voltou para Kimberly. – Você mal terminou comigo e já está saindo com esse aí?

Kimberly revirou os olhos e não deu atenção para Dylan. Ao chegar perto de Hannah, ela gentilmente pegou a mão da menina.

— Ele te fez algo, Hannah?

— Ele me perguntou o que eu tinha dito para você ontem à noite. – Hannah lhe respondeu, agarrando seu próprio braço. Kim pôde notar a marca vermelha na pele clara da garota.

Ela balançou a cabeça e então se virou para Dylan, que já estava próximo o suficiente de si. O rapaz abriu sua boca para falar alguma coisa, mas foi interrompido pelo estralo de um tapa forte. Seu rosto virou e sua bochecha adquiriu um tom avermelhado intenso.

— Eu lhe avisei que se você se aproximasse dela, eu não responderia pelos meus atos. Você é só um babaca, metido a conquistador. Você me dá nojo, Dylan! Nojo! Você pode tentar me convencer um milhão de vezes que você só fez o que fez porque foi seduzido pela Hannah, mas eu não vou acreditar. Eu quero distância de você, entendeu? Você é nojento! – ela apontou o dedo na cara do rapaz, que a olhava completamente estarrecido. – E vou te dizer uma coisa. Só porque seus pais são ricos, isso não lhe dá o direito de usar a vida das pessoas a seu bel prazer. As pessoas têm sentimentos, Dylan, e não são seus brinquedinhos pessoais.

Sem dizer mais nenhuma palavra, Kimberly saiu dali com Adam ao seu lado. Chegaram ao estacionamento e entraram no carro dela, sem trocar nenhuma palavra.

— Por essa eu não esperava. Quem é você e o que fez com a Kimberly que eu conhecia? – Adam passou a mão pelos fios negros, rindo nervosamente.

Kimberly soltou uma risada gostosa, a qual encantou completamente o rapaz.

— Algo não está certo, não é? Se quiser contar para mim, pode ficar a vontade.

— Descobri que sou adotada. – ela soltou de uma vez, e Adam a olhou assombrado. Apesar de não conversarem a muitos anos, ela sabia que podia confiar nele. – Descobri que, na verdade, não sou filha legítima de Justice e Richard Hayes.

O rapaz tentava falar alguma coisa, mas não conseguia pensar em nada, por isso abria e fechava a boca sem emitir qualquer som que fosse. Kimberly sorriu, um sorriso que Adam sabia que era quebrado. Um sorriso que dizia que ela não sabia mais quem ela era.

— Eu te ajudo. – ele disse, simples. – Você sendo ou não uma Hayes, sempre continuará sendo a pequena garota de olhos violeta que brincava comigo e com a minha irmã quando éramos crianças. Sempre vai continuar sendo a garota que me incentivou a seguir a carreira musical.

— Me desculpe. – Kimberly disse, baixinho. Adam não entendeu porque ela estava dizendo aquilo. – Eu não devia ter me afastado de vocês. Mas eu só queria agradar minha mãe para que ela não começasse a tentar controlar a vida da Ramona também. Naquela época, me pareceu o certo a se fazer, mas hoje eu percebo que foi errado. E eu sempre quis falar isso para você.

— Não precisa se desculpar. Você nunca me magoou. – Adam sorriu gentilmente e tocou a mão direita dela. – O que pretende fazer?

— Eu conversei com meus pais e, graças a uma investigação do meu pai, eu agora tenho o nome da minha mãe. Blake Foster. Eu quero descobrir quem eu sou e acho que começar por encontra-la será muito importante para isso.

Ele assentiu e, quando abriu a boca para falar que achava uma boa ideia, alguém bateu na sua janela. Os dois olharam e encontraram duas garotas sorridentes ao lado do carro. Adam abriu a porta e franziu o cenho para a irmã mais nova. Ele sabia que as duas eram namoradas, apesar de Wendy achar o contrário. Ele também sabia que ela tinha medo de sofrer preconceito, principalmente da família dela, mas ele não conseguia sentir outra coisa além de amor pela irmã mais nova. Adam sempre se achou responsável por Wendy e vê-la feliz ao lado de Mary só o deixava feliz pela irmã, porque ela estava ao lado de alguém que a olhava com o mesmo amor irreverente que ele tinha por ela.

— O que está fazendo aqui, Wendy?

— Nós ficamos sabendo sobre a briga da Kim e do Dylan, quer dizer, toda a universidade já sabe. E queríamos saber se há alguma coisa que podemos fazer para ajudar. – Wendy falou e abriu um sorriso gigante, que logo se fechou quando ouviu a tosse baixinha da namorada. – Além disso, quero falar uma coisa para você, Adam.

— Pode falar.

— Mary e eu estamos namorando. – ela soltou de uma vez, respirando fundo logo em seguida. A mão dela estava fortemente agarrada a de Mary, que sorria confidente para Adam e os olhos negros estavam voltados para o chão.

— Eu sei. E qual é o problema? – Adam indagou e sorriu quando os grandes olhos voltaram para seu rosto. – Eu não vejo problema algum no namoro de vocês. O que realmente me importa é a sua felicidade, não quem está ao seu lado. Pode ser um homem ou uma mulher, pode ser gorda ou magra, bonita ou feia. Se você está feliz, é isso que eu quero, Wendy.

Ela sorriu e seus olhos se encheram de lágrimas. Sempre soube que podia contar com seu irmão, mas nunca pensou que ele já soubesse sobre o seu namoro. Abraçou o pescoço de Adam e deu um beijo em sua bochecha.

— Obrigada, maninho. Você não sabe o quanto isso é importante para mim. – e, como se nada daquilo tivesse acontecido, Wendy se voltou sorridente para Kimberly, ainda agarrando a mão de Mary. – Belo tapa, Kimberly. Em que podemos te ajudar?

Kim sorriu com aquilo. Era exatamente como ela se lembrava. Adam sempre estava cuidando das duas, enquanto Wendy estava sempre alegre e distribuindo sorrisos para qualquer um. Kimberly sempre fora muito quieta, mas quando estava com os dois se sentia confortável para ser quem ela achava que era.

— Antes de qualquer coisa, eu preciso investigar algumas coisas. Por exemplo, onde Blake Foster mora, para depois ir até ela conversar. – ela deu de ombros. Não sabia onde procuraria aquilo, mas ela pensaria em algum jeito. – Então, acho que podemos ir embora. Vocês querem carona?

— Claro! – Wendy respondeu antes que Adam negasse a carona. – Preciso conversar com a minha mãe, então vocês dois podem arrumar um jeito de investigar essa tal Blake, seja ela quem for.

Wendy piscou sugestivamente o olho para o irmão mais velho, que torceu o nariz para aquilo, enquanto levava uma cotovelada da namorada.

— Você não devia fazer isso, Wendy. – Mary cochichou, balançando a cabeça. – Dar uma de cupido não combina com você.

Wendy riu baixinho e deu de ombros, enquanto entrava no carro de Kimberly, sendo seguida por Mary.

— Eu não quero atrapalhar, além disso vou conversar com meu pai. Quero ver se ele poderia me ajudar com isso também.

Enquanto arrancava com o carro, o coração de Kimberly se aqueceu. Sentia que finalmente havia encontrado uma parte sua que havia perdido há muitos anos atrás.

[...]

Notas finais
Bem, novamente, a Kim deu uma lição no Dylan, então eu espero que ele aprenda e se torne uma pessoa melhor daqui pra frente. Teremos que esperar para ver o que esse personagem tem a mostrar ainda. O que acharam do Adam e da Wendy? Uns amorzinhos né ^^ A Wendy é totalmente espontânea e cativante com essa aura alegre contagiante, enquanto o Adam tem toda a postura de proteção de um irmão mais velho. Sim, o Adam é apaixonado pela Kim. Clichê? Talvez, mas eu acho que é muito importante esse amor, que é tanto romântico quanto aquele amor fraternal, porque ele tem aquele sentimento de proteção com a Kimberly também. Apesar de não parecer, esse capítulo é muito importante para a história da Kimberly, porque ela finalmente está se reencontrando. Aos poucos, ela está descobrindo uma nova Kimberly e está ficando cada vez mais feliz com isso! Bom, espero que vocês tenham gostado desse capítulo :) Lembre-se de, por favor, deixar o seu comentário! Ele é muito importante para mim, assim eu posso saber se vocês estão gostando da história e o que eu posso melhorar ^^