A Jornada

1 O Início


Notas iniciais
Agora sim, a história vai começar. Não tenho muito o que dizer, apenas pedir desculpas antecipadamente caso houver algum erro ortográfico e desejar uma boa leitura.

Capítulo 1 – O Início

No espelho havia um reflexo. Uma garota usava uma blusa azul bebê, uma calça jeans e uma sapatilha branca; no ombro, havia uma mochila de couro e o cabelo castanho claro estava preso em uma trança sem nenhum fio solto. Mas, o que mais chamava atenção naquele reflexo eram os olhos de coloração exótica que expressavam cansaço.

Talvez Kimberly estivesse cansada de fingimentos. Cansada de ter que aparentar ser quem ela não era. Cansada de ter que sorrir para tudo e para todos, quando ela apenas queria deitar na cama, tomar um delicioso chocolate quente e ler um livro.

Porém, mais um dia começava e ela precisava ir para a faculdade, então se forçou a caminhar para fora do quarto. Fingiu um sorriso ao entrar na cozinha. Sua irmã mais nova, Ramona, estava sentada na bancada da cozinha, mexendo no celular e devorando uma pilha de panquecas com calda de chocolate. Com aquela imagem, o sorriso forçado se tornou genuíno.

Kimberly faria de tudo para que Ramona continuasse daquele jeito, aquele jeito único que só ela tinha. Era por ela que Kim aturava os caprichos da mãe e, era por ela, que ela levava aquela vida de mentira. Seu maior desejo era que Ramona tivesse a vida que quisesse, e não a vida que sua mãe planejava.

— Bom dia, Ramona! – ela desejou enquanto despejava café em uma xícara e pegava algumas torradas com geleia. – Você não deveria estar na aula?

— Bom dia, Kim! – Ramona retirou os olhos verdes da tela do celular e sorriu para a irmã mais velha. – Minha primeira aula foi cancelada por motivos pessoais do professor, então só preciso ir daqui a pouco para a escola. – ela deu de ombros, enquanto Kimberly assentia. – Mamãe pediu que você se arrumasse para ir a um importante jantar de negócios na casa dos Reed.

Kim riu com a imitação de Ramona da voz de Justice, a mãe das garotas.

— Suponho que você não vá ir nesse jantar.

— Pelo que tudo indica, infelizmente não. – Ramona fingiu uma expressão de falsa tristeza, que fez com que a irmã mais velha soltasse outra risada. – Mamãe disse que tenho que adquirir um filtro antes de poder ir nesse tipo de ocasião. – ela deu de ombros e então assumiu uma expressão séria, que era extremamente parecida com a de Justice. – “Você precisa de um filtro, Ramona. Você não pode sair falando o que vem a sua cabeça”.

Kimberly riu da irmã mais nova. Era nesses momentos que sentia que sua vida valia alguma coisa, afinal Ramona era feliz devido a sua escolha. Ouviu uma buzina e então se levantou, bagunçando os fios louros da irmã.

— Cuidado com essas imitações, ein? – ela brincou e sorriu com doçura. – Tchau, Ramona. Nos vemos mais tarde.

— Você devia parar de fazer isso. Eu não tenho mais seis anos! – exclamou a garota, enquanto observava a irmã mais velha sair da cozinha rindo. Ramona sentia orgulho da irmã que tinha, mas também sentia raiva. Sabia que Kimberly era infeliz e também sabia que era responsável pela decisão de Kim em aceitar o controle absoluto de Justice sob sua vida. Balançou a cabeça, desejando que um dia a irmã fosse feliz também. – Tchau, Kim!

Assim que saiu da mansão onde morava, Kimberly viu um conversível branco parado em frente a sua casa, nele havia um rapaz de madeixas louras que acenava enlouquecidamente. Kim sorriu e acenou de volta. Ela não tinha muitas coisas em comum com Dylan, nem era louca de amores pelo rapaz, porém ele possuía uma aura alegre e contagiante, a qual conseguia animá-la nos piores dias. Por mais que seu coração não palpitasse quando o via, Kimberly gostava da companhia do rapaz.

— Bom dia, minha flor! – ele lhe cumprimentou assim que ela entrou no carro.

— Bom dia, Dylan! – Kim lhe ofereceu um sorriso e um carinhoso beijo em sua bochecha. – Dormiu bem?

— Sonhei com você, então sim. – Dylan respondeu de forma cortês, o que fez com que ela risse baixinho. – E você?

A garota apenas assentiu, enquanto o namorado arrancava o carro. O silêncio não durou muito tempo, pois logo o rapaz tratou de arrumar alguma coisa para dizer.

— Eu te falei sobre a minha festa, né Kim?

— Acho que você comentou ontem à noite, pelo telefone. – ela respondeu, mas queria responder de outra forma: “Quase um milhão de vezes, Dylan”.

— Você tem que ir. Afinal, você é minha namorada e seria muito estranho se você não fosse. – lá vinha a chantagem emocional, aquela mesma chantagem que sua mãe fazia, a qual Kimberly estava acostumada.

— Vou sim. – Kim deu de ombros. Se fosse algo que ela pudesse escolher por ela mesma, a resposta obviamente seria “não”. Ela era uma pessoa calma, caseira, gostava de assistir filmes e séries e gostava do silêncio do seu quarto para ler. Aquelas festas só serviam para ela acabar cuidando das peças caríssimas dos pais de Dylan ou da comida, enquanto tinha que aturar Dylan e seus amigos bêbados e conversando sobre futebol durante toda a noite. Ela queria dizer que tinha muitos trabalhos para fazer ou que tinha uma prova dentro de alguns dias, mas ela sabia que quando Justice descobrisse sobre a tal festa, ela a obrigaria a ir usando os mesmos argumentos de Dylan.

— Que bom. – ele sorriu aliviado. Kimberly já sabia o que vinha a seguir, e conteve um revirar de olhos. – Você poderia cuidar da decoração e dos “comes e bebes”? Eu tenho um jogo muito importante amanhã e preciso estar 100% concentrado.

— Bem, eu... – ela quase aceitou, mas então teve uma ideia brilhante. – Eu tenho milhões de coisas da faculdade para fazer, então não sei se consigo sozinha. Mas, se eu pudesse pedir ajuda para a Hannah, tenho certeza que conseguiríamos. Tudo bem por você?

— Bom, se você está muito ocupada... – ele deu de ombros. Não parecia muito satisfeito, mas Kimberly não ligava. Podia deixar tudo para Hannah fazer, enquanto ia para a praia com Ramona.

— Infelizmente, eu estou sim. – ela respondeu, fingindo uma cara de desapontamento. Dylan apenas assentiu e começou a tagarelar sobre o tal jogo de futebol americano super importante que teria, mas Kimberly já estava em outro mundo.

[...]