A Jornada
3 Duas Irmãs
Notas iniciais
Capítulo 3 – Duas Irmãs
Kimberly batia o pé rapidamente no assoalho do carro enquanto esperava Ramona aparecer. Por mais que ela não fosse sua irmã biológica, Kim ainda possuía um grande afeto por ela e, portanto, não poderia tomar uma decisão, qualquer que fosse, sem antes conversar com a irmã mais nova.
— Kim? Aconteceu alguma coisa? – ouviu a voz de Ramona, preocupada, e levou um susto. Estava tão distraída que nem viu a irmã chegar. – Você parece que viu um fantasma.
— Nós precisamos conversar. – Kimberly disse e arrancou com o carro assim que ela entrou no veículo.
Ramona ficou em silêncio, esperando que a irmã continuasse. Mas tudo o que Kimberly fez foi perpetuar o silêncio.
— Kim. Gostaria que dissesse o que está acontecendo! – exigiu Ramona, cruzando os braços e torcendo a boca em uma expressão que Kim sabia que queria dizer que ela não aceitaria um “não” como resposta.
— Descobri uma coisa hoje que não estou sabendo como lidar. Preciso de um tempo para absorver o que aconteceu e decidir o que vou fazer. Precisava conversar com você sobre o que houve.
Ramona assentiu e esperou a irmã estacionar o carro. Caminharam em silêncio até a areia da praia e sentaram-se para observar as ondas do mar. Havia muitas pessoas naquele dia na praia, surfistas aproveitavam as ondas enquanto crianças brincavam na areia molhada, sendo observadas pelas mães a todo instante.
— Eu sou adotada. – Kimberly revelou, depois de alguns minutos.
Ramona levou alguns minutos para conseguir entender o que a irmã havia acabado de dizer.
— Não faz sentido. Por que a mamãe não contou isso para você?
— E eu que sei? Encontrei os papéis da minha adoção na gaveta da cozinha. Pedi para que ela me ajudasse a encontrar meus pais biológicos, afinal eu tenho o direito de tentar conhece-los, mas ela me negou ajuda.
— E o que pretende fazer?
— Pensei em ir procura-los sozinha, já que ela me negou ajuda. Eu não sei. – Kimberly deu de ombros e apoiou a cabeça nos joelhos. – Eu quero descobrir quem eu sou, Ramona. Mas como vou fazer isso? Como eu poderia descobrir quem são meus pais biológicos? Eu não sei o que fazer.
— Isso já era de se esperar. Afinal, apesar de nossa mãe ser uma megera controladora, ela sempre te amou e não deixou que nada faltasse. Ela sempre te tratou como filha, e não acho muito justo que você simplesmente a negue como mãe. – Kimberly abriu a boca para dizer algo, mas a irmã mais nova a impediu. – Porém, eu não concordo que nossos pais tenham escondido isso de você, porque seja qual for a história por trás da sua adoção, é seu direito natural saber sobre sua própria história. Então, eu entendo que você queira sair em busca deles. Por mais que eu não goste da ideia de você nos renegar como família, acho que deve ir em busca de respostas.
— Quero descobrir quem eu sou, Ramona. E não estou renegando vocês. Vocês sempre serão a minha família, e Justice sempre será a minha mãe. Mas, não posso continuar vivendo essa mentira. Quero ser a Kimberly que eu sempre achei que eu fosse, e não a garota que vivia como uma marionete de uma mulher que escondeu um segredo desse tipo, e acho que o primeiro passo para conquistar isso é ir atrás dos meus pais biológicos.
Ramona assentiu e pegou a mão da irmã mais velha.
— Qualquer coisa que precisar, pode contar comigo. Se precisar que eu converse com a mamãe e o papai, eu conversarei. Só não tente fazer as coisas sozinha, achando que você consegue, está bem? – ela indagou e, então, puxou a irmã para um abraço forte. – Independente de você ser ou não minha irmã biológica, você sempre vai ser o meu exemplo de vida e eu sempre vou te amar como minha irmã mais velha.
Kimberly sorriu e depositou um beijo suave e carinhoso no topo da testa da irmã mais nova.
— Você sempre será a minha irmãzinha, Ramona. E eu sempre farei qualquer coisa para te proteger.
— Eu sempre ficava brava com você, Kim. Porque você sempre abdicava das suas vontades para fazer o que a nossa mãe queria, mas eu também sentia raiva de mim. Porque eu sabia que era o motivo para isso acontecer. Eu sempre soube que você era infeliz por minha causa, porque enquanto a mamãe se preocupava com a sua vida, ela deixava que eu vivesse a minha em paz. – as lágrimas começaram a encher os olhos verdes, mas Ramona as segurou. – Eu nunca tive a chance de dizer isso para você, Kim. Mas eu sempre te admirei e sempre quis te agradecer por me proteger, mas também sempre quis te dizer que eu queria que você vivesse a sua vida e parasse um pouco de se preocupar tanto com a minha.
Kimberly começou a abrir a boca para contestar o que Ramona estava falando, mas ela ergueu a mão para impedir que a irmã mais velha a interrompesse.
— Por mais que tenha sido uma situação dolorosa ou por mais que eu não concorde com a sua atitude com a nossa mãe, eu agradeço que você tenha descoberto a verdade. Porque, agora, finalmente você vai começar a viver a sua vida de verdade. E eu espero que eu possa retribuir todos os anos de proteção que você dirigiu a mim.
— Você sempre será a minha irmã mais nova. A única coisa que me manteve inteira foi você, Ramona. Sempre foi você que me mantinha firme e que não me fazia surtar com a vida que eu levava. Porque eu sabia que eu aguentava os caprichos da minha mãe por você, porque eu sempre quis que você mantivesse aquele sorriso inocente e aquela personalidade única. – Kimberly sorriu e bagunçou os fios louros da irmã, que chorava copiosamente. – Não me importa se você é minha irmã de sangue ou não, Deus te colocou na minha vida porque sabia que eu precisaria de você para tomar as melhores decisões. Eu irei conversar com a nossa mãe de novo, não por ela, não por mim, mas por você. Eu prometo que, de agora em diante, eu não só lutarei pela sua felicidade, mas também lutarei pela minha própria felicidade.
Não havia mais palavras para serem ditas. A única coisa que Kimberly fez foi puxar a irmã mais nova para si e sussurrar o quanto a amava. E naquele cenário pacífico e deslumbrante, Kimberly agradeceu. Não era muito religiosa, mas sabia que Deus havia colocado Ramona na sua vida para que uma servisse de alicerce na vida da outra. Ramona apoiou a cabeça no ombro da irmã mais velha e sussurrou baixinho que também a amava.
[...]
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