A Jogadora

9 Capítulo 8 - Morte


Notas iniciais
HO HO HO FELIZ NATAL! Era para esse cap ter saído ontem (dia 25), mas eu tive que sair aí não deu :B O espírito natalino em invadiu e eu vim dar um presente de Natal para vocês às 5:50 da madrugada uhuu! Estou morta, acabada, com dor de cabeça, mas passei a madrugada inteira escrevendo para vocês ♥ Para quem não sabe A Jogadora foi plagiada! Acreditam nisso? Um fidamãe pegou a minha história na cara dura e postou como se fosse dele! Graças a Deus a moderação já tomou as devidas providências! Resposta do cap anterior: Eu vou para Porto Seguro ♥ Obrigada pelos lindos comentários ♥ Boa leitura ♥♥ PS: Não revisei galera, tá de madrugada, me deem um desconto ;=;

Isso estava ficando estranho. A Jeu Terminé não iria mudar sua tática sem motivo, algo deveria ter interferido ou até mesmo os pressionado. Pelo que eu sabia, uma pessoa só é dada como desaparecida se ficar ausente por quarenta e oito horas, então o que será que ocorreu há dois dias? A morte de Domicio! Mas por que isso os fez mudar o modo de agir? Afinal, eles mesmos o mataram.

Talvez sua morte marcasse o início de algo, mas o que seria? Fiquei no piloto automático e por isso quase dei um pulo de susto com Mel subindo em meu colo. Afastei todos os pensamentos anteriores de minha mente um pouco, precisava de tempo ainda para tentar bolar hipóteses o mais verdadeiras possível e aquele não era hora nem lugar.

Mel estava comigo há mais de cinco anos, havia achado-a na rua um dia voltando da escola tremendo debaixo de uma pesada chuva. Seu pelo caramelo estava completamente sujo, embolado e encharcado, mas mesmo assim a peguei para mim. Minha mãe quase teve um ataque cardíaco, pois não gostava de animais, mas com o tempo se acostumou com a presença da pequena Shih tzu bagunceira correndo pela casa e trombando nos móveis quando não conseguia frear.

– Marcela, sua cachorra não me deu um pingo de sossego, todos os dias que ficou aqui arranhou a porta e chorou a noite toda de saudades. Não sei pra que tem a bichinha se não cuida dela! – exclamou minha mãe me dando um abraço – Obrigada por ficar com sua irmã à noite e por trazê-la em casa.

Após trazer Giovana para casa, eu e Georg passamos a tarde com meus pais. Conversamos, almoçamos e até mesmo dancei no Xbox. A casa de minha mãe, Bruna, era relativamente pequena. Possuía somente um andar, a cozinha, sala, banheiro e dois quartos.

– Mãe, eu só deixei a Mel aqui porque foi uma emergência, viajei para ter uma reunião com um cliente de São Paulo muito importante e não tinha com quem deixa-la. – respondi revirando os olhos.

– Não faça isso para mim, mocinha. Você sabe muito bem que odeio quando você quase vira seu olho fazendo essa expressão. – ralhou.

– Não seja tão rígida com ela, meu amor. – falou meu pai, Cássio, abraçando-me – Sentimos saudades, filhota. Parece que tem que acontecer algo ruim para você vir nos visitar.

Abri a boca para contestar, mas bocejei.

– Sei que está muito cansada, pode ir para casa dormir. Se você tiver uma folga na faculdade segunda-feira venha assistir a final conosco aqui em casa hoje. – falou sorrindo e se virou para Georg – Você também está convidado, rapaz.

– Verei se posso ir. – disse apertando a mão de Cássio.

– Desculpe não poder ficar mais tempo, gente. Tenho que desenvolver uma plataforma para hospedar um site do pessoal de São Paulo e estou ficando louca porque esse projeto é o principal do ano. – inventei rapidamente.

Despedi-me de meus pais e segui juntamente com Georg para minha casa. Porém, antes que eu entrasse, ele conferiu atentamente as fechaduras e a residência atento a qualquer coisa que indicasse que alguém poderia ter entrado ali. Felizmente não tinha ninguém. Soltei Mel no terreiro e ela começou a correr e a cheirar todo o chão balançando o rabinho peludinho. Joguei-me no sofá e fechei os olhos sentindo-os arderem de sono. A almofada afundou um pouco e senti as mãos de Georg retirando meus sapatos e fazendo uma massagem em meus pés.

– Obrigada. – murmurei – Sabe fazer massagem nos ombros também?

– Assim que terminar aqui faço. Você precisa relaxar um pouco, terá aula de defesa pessoal às seis horas da tarde e para não machucar muito é melhor estar menos tensa. – falou.

Estava quase cochilando e só captei que ele iria massagear meus ombros e que depois teríamos que sair. De olhos fechados e aproveitando o silêncio com o barulho de trânsito abafado tentei pensar no motivo dos assassinos terem mudado o modus operandi. A única coisa que poderia interferir era a morte de Domício, mas eles que o mataram. Será que foi um tiro de largada? Mas que corrida se iniciaria? Provavelmente era a nossa contra eles, mas se for realmente isso, estamos perdendo de lavada. A Jeu Terminé é Usain Bolt e nós somos lesmas nos esforçando ao máximo para andar apenas poucos centímetros por minuto. É, estávamos ferrados.

Quando os dedos de Georg apertaram meus ombros com força, mas ao mesmo tempo com delicadeza, afundei a cabeça ainda mais na almofada dando um suspiro. Tentei manter a mente focada, porém isso se provava ser cada vez mais difícil e acabei adormecendo.

Alguém estava me sacudindo de leve. Depois, a pessoa passou a me cutucar e por fim ela decidiu fazer cócegas em minha barriga. Arregalei os olhos e comecei a me contorcer enquanto ria. Caí de bunda no chão e Mel começou a lamber minha cara e a pular em cima de mim.

– Você tem que acordar e almoçar para sairmos cinco horas. – falou Georg sorrindo.

– Onde nós vamos? – perguntei me espreguiçando – Nossa sua massagem foi ótima!

– Você vai começar a fazer aulas de defesa pessoal, já te falei. Agora ande logo, está claro que se depender de você só iremos duas horas da madrugada, mas como eu não serei enganado igual em São Paulo que você quase nos fez perder o voo, iremos sair às cinco.

– Faço a janta ou pedimos algo? – perguntei trocando a água da vasilha de Mel.

– Você precisará de uma alimentação saudável, portanto nada de comidas prontas, faremos nosso próprio jantar. – respondeu e olhou seu relógio de pulso – São só quatro e meia, dá tempo.

– Sim, mamãe. – ironizei – Eu faço o arroz e a salada.

– Ok, você tem frango? – acenei positivamente com a cabeça – Então deixa comigo.

Por sorte tínhamos todos os ingredientes e logo um maravilhoso cheiro se espalhou pela casa fazendo-me salivar. Parecia até que eu tinha voltado para casa dos meus pais e o odor da comida da minha mãe impregnava o ar nas manhãs dos fins de semana. Quando tudo estava pronto, comemos rapidamente e lavamos a louça.

Tomei um banho com pressa e fiquei encarando meu guarda roupa. Qual é o traje para praticar uma aula de defesa pessoal? Franzi o cenho e olhei para meu computador. Google! É isso! Digitei a minha pergunta e a única coisa que os sites tinham em comum era o aviso de usar roupas confortáveis e que não restringissem os movimentos. E, claro, não usar saia. Optei por uma legging preta, uma blusa azul bebê e um tênis de corrida.

Enquanto Georg tomava seu banho, fiquei lendo novamente todas as seis pastas que estavam em minha mochila, mas não encontrei nada fora do comum. O que aconteceu até agora desde que voltei de Nova Iorque? Deixe-me ver... O garoto morto em São Paulo, a morte de Domicio e o tiro que deram em minha irmã. Lembrar-me da morte do cara espanhol era horrível, meu cérebro tentava a todo custo florear a lembrança para que ela não fosse tão pesada. ¡Ayúdame!, ¡Ayúdame!, será que poderíamos ter ajudado sua mulher? Seu grito desesperado ecoou por meus ouvidos, parecia até que ela estava de frente para mim novamente, olhando-me com os olhos arregalados e desesperados.

– Está pronta?

Tomei um susto, as pastas caíram de minha mão e quase soltei um grito. Encarei Georg com raiva. Ele estava usando uma regata preta, calças de nylon e um tênis parecido com o meu.

– Pra que chegar de fininho assim, cara? – perguntei ríspida pegando todos os papéis no chão.

– Te chamei umas três vezes e você não me respondeu. – respondeu na defensiva – Está na hora de irmos. Vamos resolver essas coisas quando chegarmos, pode ser? Temos que primeiro ir pensando de cabeça fria em tudo que aconteceu e buscando motivos que expliquem a mudança de modo de agir da Jeu Terminé. Alguma pergunta antes de irmos?

– Eu vou poder chutar o saco de alguém hoje?

~♥~

A academia de lutas ficava no centro da cidade e, de fora, parecia uma casa de dois andares com uma enorme placa para mostrar o que havia no lugar. A sala de treino ficava no segundo andar, seu piso era quase todo forrado com tatame azul e as paredes eram completamente brancas. Duas janelas possibilitavam ver o movimento da rua e uma luz clara iluminava todo o local. No centro do aposento havia um homem que deveria ter uns quarenta anos, pois havia alguns fios brancos em suas têmporas contrastando com seu cabelo loiro. Seu nariz era um pouco torto e parecia que já havia sido quebrado anteriormente, os olhos castanhos eram rígidos e os músculos eram evidentes na regata vermelha com uma calça azul de pano grosso. Ele era idêntico ao Duke Nukem!

– Boa tarde, senhorita Marcela. – cumprimentou sem ao menos sorrir – Meu nome é Eduardo.

– Boa tarde. Farei a aula sozinha? – perguntei.

– Sim. – afirmou – A primeira coisa que tem que saber que a técnica da defesa pessoal é baseada na força da mente e do intelecto, sem importância para a força física ou estética. Por favor me imite.

Estiquei meus braços e com uma mão puxei um pelo ombro para a direita depois para a esquerda, fiz abdominal, polichinelo, estiquei meu corpo e tentei tocar meus dedos do pé sem dobrar o joelho. No fim de tudo aquilo já estava exausta e me sentia pronta pra ir embora. Já estava quase recolocando meus sapatos quando Eduardo pigarreou.

– Onde está indo? – perguntou – Só nos aquecemos, agora que a aula começará.

É o que? Eu estava suada, quase morrendo só por causa de um aquecimento? Ah que ótimo! Fechei a cara e fui resmungando até ficar de frente para ele. Parabéns, Marcela, lembra-se de todas as vezes que Larissa te chamou para ir malhar e você dispensou? Agora você aprendeu a lição.

– Vamos começar por uma fácil. Se o agressor vier por trás de você, pise com o calcanhar com toda sua força no peito do pé do sujeito e dê uma cabeçada para trás, nessa ordem. A dor o fará abaixar a cabeça e ao impulsionar a sua para trás acertará o queixo do homem fazendo-o te soltar. Treine com o Georg esse movimento, mas não ponha força. – instruiu.

Opa! Agora sim estava ficando bom. Georg fingiu me agarrar em um abraço por trás e treinei os movimentos. Eduardo vez ou outra cutucava alguma parte que estava errada ou me auxiliava até eu conseguir fazer a sequência com perfeição três vezes seguidas.

– Vamos passar para o próximo movimento. Em um ataque frontal, abra as pernas deixando-as uma na frente da outra, estique os braços em direção o rosto do agressor e aplique um golpe de dedos nos olhos ao mesmo tempo que force a cabeça dele para baixo. – explicou.

Tomar cuidado para não enfiar o dedo no olho de Georg mal me deixava concentrar nos outros movimentos e toda hora o senhor Duke me cutucava e ajeitava minha posição. Eu já estava quase morrendo quando finalmente consegui fazer a sequência com perfeição. Sentei-me no tatame e comecei a beber a água da garrafinha que Georg havia me dado como se tivesse passado anos no deserto. Engasguei com o líquido, lágrimas vieram em meus olhos e comecei a tossir sem controle. Ótimo, pagando mico de novo. Quando me acalmei limpei o suor da testa com o braço e prendi meu cabelo que deveria estar horrível.

– Fim da pausa. Vamos ao último movimento do dia e depois só iremos fazer um resumo de tudo que aprendemos. Você tem mais chances de acertar alguém com um chute a uma distância maior, mas não dá para correr o risco do seu agressor segurar seu pé e te derrubar. Mesmo precisando de uma distância menor, uma joelhada nas bolas é sua melhor escolha. Não perca tempo tentando se vangloriar por derrubá-lo, corra assim que desferir o golpe, está me entendendo?

– Sim, senhor Miyagi . – respondi tentando parecer séria.

Encenei aquele golpe com Georg e ele foi o mais fácil do dia com certeza. Depois, tive que treinar os outros dois e eu mal lembrava de como eles eram. Quando eram sete horas em ponto, a aula acabou e tive que fazer mais alongamentos. Segundo Eduardo era para os músculos não doerem tanto no outro dia, mas eu duvidava de que funcionariam. Entramos no taxi e eu estava completamente louca para tomar um belo banho e cair desmaiada na cama.

Por sorte não pegamos trânsito e a primeira coisa que fiz assim que pisei em casa foi correr para o chuveiro. Pude ouvir, mesmo com o barulho da água, os foguetes indiando o início do jogo decisivo que haveria dali a alguns minutos. Confesso que demorei, mas ninguém pensa em economizar a água do planeta após fazer uma atividade física pesada.

Sequei meu cabelo com a toalha e vesti um pijama que consistia em uma calça lilás e uma regatinha cinza. Estava na hora de discutirmos sobre a mudança da Jeu Terminé e mesmo não estando nem um pouco animada para aquilo naquela hora, fui em direção à sala. Mas não encontrei ninguém.

– Georg? – chamei hesitante, mas não obtive resposta.

O que será que estava acontecendo de errado? Será que ele estava fora de casa? Mas não teria motivos para isso, certo? Meu coração batia acelerado, minhas mãos suavam e minha garganta estava seca de apreensão. Algo definitivamente estava errado. Pus o pé na cozinha e senti vontade de gritar e sair correndo. Lágrimas invadiram meus olhos e minhas pernas cederam sob meu peso.

Georg estava caído no chão extremamente pálido, de olhos fechados e com uma grande poça de sangue ao seu redor que ficava cada vez maior com o líquido vermelho que saía de um buraco de bala em sua cabeça.

Notas finais
FERROU ASUHASUHASUHAS Georg is dead! Adiós Casalzinho ♥ Sou dumal mesmo u-u Comentem aí galera! Quem sabe vocês me animam e me fazem escrever mais rápido e de modo mais dubem? *-* Por favor comentem eu realmente quero saber a reação de vocês! Pergunta: Como vocês esperam que 2015 seja?