A Jogadora

12 Capítulo 11 - Verdades?


Notas iniciais
Alguém ainda lembra da existência dessa história? Não? Ok então. Como já se tornou um hábito peço desculpas pela demora, eu desanimei de escrever. Sério, foi uma luta escrever esse capítulo. Estou pensando em abandonar algumas histórias e focar só em uma até terminá-la e depois escolher outra para fazer o mesmo, caso contrário é capaz de eu ter um surto e largar de vez o Nyah ;=; ♥ Wolfy43, muuuito obrigada pela linda recomendação ♥ UASHUSHSA Meu Deus! Que maldade o canudinho vir sem canudo xD Fico imensamente feliz por saber que gosta tanto da fic ao ponto de recomendá-la ♥ ♥ Lulu, não sabia se ria ou se chorava quando li sua recomendação. Ela e a da Wolfy me deram forças para lutar contra a ociosidade e estar aqui postando um capítulo ♥ Não sei nem como te agradecer apropriadamente por achar que a minha é uma das melhores histórias do site. Me beija sua linda ♥ Respondendo a pergunta do cap anterior: Meu filme preferido é Mulan. Não importa quantos outros lancem ele estará sempre no meu coração ♥ Não há palavras nesse mundo que podem descrever o quanto sou grata a todos os leitores que tenho no Nyah! Obrigada, vocês são mega incríveis, espero que não me abandonem ♥ Boa leitura ♥

J.T. Jeu Terminé. Aqueles eram documentos dos assassinos que estavam fazendo aquela merda toda. Era graças a eles que minha irmã, Domicio, Georg e sei lá quantos mais exatamente haviam tomado um tiro. E agora eu estava em algum tipo de base secreta deles. Só possuía uma certeza naquele momento: havia muitas chances de eu morrer ali. O pior é que nem terei tempo de escrever um testamento dos meus bens, meus lindos e maravilhosos jogos iriam todos para minha irmã que provavelmente os jogaria no lixo assim que enjoasse deles. Que destino horrível eu sentenciei para meus bebês comprados com tanto esforço e pela economia de meses de almoço e pelo troco do ônibus.

Encarei o envelope cor pastel temendo abri-lo, como se minha ação fosse explodir algum hospital infantil. Respirei fundo tomando coragem e retirei as diversas folhas de dentro do pacote com um puxão forte e rápido. Havia aprendido com o brinquedo Cai não cai que quanto mais rápido você retirasse as varetas de baixo, menos chance teria das bolinhas de gude caírem. Esperava que aquela lógica funcionasse naquele momento e eu não desencadeasse alguma coisa maligna.

– Por favor, que nada exploda – murmurei.

Apurei meus ouvidos atenta a qualquer ruído diferente, mas não havia nada além do silêncio. Ainda não virei uma cópia barata da Viúva Negra que sai explodindo cidades, isso era um bom sinal. Encarei a porta, desconfiada de que alguém apareceria, porém estava errada novamente. Só me restava agora uma opção: ler a meia dúzia de papéis. Folheei-os rapidamente para ter uma pequena noção de como era o arquivo. Antes de ler a primeira folha, notei um pequeno bilhete preso com um clipe juntando todas as folhas.

‘‘ Prezada Marcela Bicard,

É um imenso prazer tê-la aqui nesse momento, peço desculpas se meus funcionários não a trataram bem, toda a massa deles está nos músculos, incluindo a massa cinzenta. Deve estar se perguntando onde está, quem somos e, principalmente, o motivo para quere-la aqui. Sei que a senhorita é inteligente, então já sabe quem somos. Não a trouxemos aqui para mata-la, no momento você está segura. Esperamos que continue assim.

JT ’’

Um frio percorreu minha espinha e notei que minhas mãos estavam trêmulas. Puts, ferrou de vez. Engoli em seco e reuni toda coragem que eu tinha para não entrar em pânico e começar a chorar mais que uma criança birrenta em uma loja de brinquedos. Regulei minha respiração e tentei não pensar que a qualquer instante eu poderia virar um queijo suíço pelos tiros das armas de meus sequestradores. Não que pensar assim ajudasse de fato, mas era uma boa distração me imaginar em um episódio do Papa-Léguas, com a Jeu Terminé sendo o coiote e eu o pássaro fugitivo que nunca se dava mal.

Folheei novamente todas as páginas, dessa vez de forma mais calma, notando que haviam muitos textos e imagens, mas o que mais me surpreendeu foram os gráficos que pareciam mostrar o desenvolvimento de um determinado número de jogadores. Comecei a ler a primeira parte que consistia em uma apresentação de uma nova droga que tornava as pessoas extremamente dependentes dela e que estimulava o córtex pré-frontal. Segundo o documento, essa área do cérebro era responsável pela estratégia, ou seja, decidir quais sequências de movimento ativar, em que ordem e avaliar seu resultado. Além disso, ele também incluía a fluência de pensamentos e da linguagem, respostas afetivas, capacidade para ligações emocionais, julgamento social, vontade e determinação para ação e atenção seletiva.

De acordo com o escrito, essa droga inibia as ligações emocionais, o julgamento social e as respostas afetivas, ao passo que aumentava drasticamente a estratégia, a vontade, a determinação e atenção seletiva voltados para os jogos. Basicamente aquilo reprogramava a cabeça das pessoas para que elas só se focassem no videogame posto em sua frente. Nada as distraía nem as fazia parar, nem mesmo o esgotamento de seu corpo. Parecia até com a história da Cammy, de Street Fight, que havia sofrido uma lavagem cerebral para trabalhar para a Shadaloo. Entretanto, naquele caso não haveria ninguém parando com aquilo. A terceira folha mostrava que os corpos dessas cobaias estavam sendo desovados em lugares ermos. Quando elas chegavam ao limite e morriam, eram desovados sem o menor cuidado ou humanidade.

A penúltima página descrevia o modo como as pessoas viravam cobaias. Os organizadores do experimento selecionavam jovens que possuíam gosto por videogames e os atraíam com uma pílula da droga em alguma festa ou colocando-a na bebida dos alvos sem eles saberem. Quando a substância química entrava em seus organismos, já ficavam viciados tornando fácil para os capturadores os levarem aos laboratórios. Assim que chegavam recebiam uma dose mais alta do narcótico e imediatamente eram colocados em um cubículo para jogarem seus jogos preferidos.

Se as cobaias mostrassem resultados imediatos de avanço na perícia do jogo, recebiam alimentos e a droga por meio intravenoso, caso contrário eram deixadas para definhar lentamente por serem inúteis à pesquisa. Os que melhoravam eram mantidos nas sondas até seus corpos não aguentarem mais a baixa nutrição e morrerem. Seus resultados eram analisados e os narcóticos, aprimorados para a próxima remessa de jovens. Segundo aqueles documentos, tudo ocorria há mais de oito meses em todo o mundo. Como as autoridades nunca perceberam nada? O tamanho do suborno que o responsável estava pagando para deixar aquilo sob panos quentes deveria ser exorbitante.

A última folha continha alguns gráficos mostrando a monstruosa melhora de produtividade nos jogos de alguma cobaia. O resultado era assombroso dentro dos dois meses que provavelmente ela sobreviveu. A pessoa que estava em 13456º na colocação mundial de Grewl havia alcançado a quinta posição naquele pouco tempo. Aquele videogame era um dos mais difíceis de subir de nível, requeria tempo até você se adaptar ao estilo extremamente estratégico e com a jogabilidade complicada. O objetivo do jogo era sair de um loop temporal em uma casa de dois andares, em que somente os corredores estavam liberados. A cada volta que você dava, havia alguma mudança minúscula e bem difícil de achar, ao recolher todas as piscas (que eu nem sabia quantas eram ao todo) a pessoa se via livre da casa e ganhava um prêmio real em dinheiro. Até mesmo eu que adoro jogos em geral havia desistido de jogá-lo por não me adaptar a ele.

Reli todos os papeis novamente prestando atenção em cada detalhe e analisando as imagens da droga com cautela. Não era possível aquilo tudo estar acontecendo sem ninguém desconfiar ou sem surgir um boato sobre algo do tipo. Esses desaparecimentos e testes ocorriam ao redor do mundo, principalmente nos países emergentes como o Brasil. Eu sei que a polícia brasileira não é lá essas coisas, mas não era possível ninguém ter o conhecimento do que estava acontecendo. Possuía duas hipóteses: ou o dono do experimento estava tampando a visão do alto escalão com o imenso suborno ou tudo era tão bem feito que as pontas soltas estavam difíceis de serem localizadas.

Estava tão concentrada nos arquivos que quase caí da cadeira ao ouvir o ranger da porta. Congelei no lugar. Olhei para o homem que adentrava na sala tentando controlar minha expressão de completo pavor. De acordo com o que já havia lido em livros, os assassinos sentiam prazer em ver o medo no rosto das vítimas e eu não iria dar aquele gostinho a ele. O cara parecia ter trinta e poucos anos, sua pele era negra, os olhos tinham coloração castanha e o cabelo crespo era cortado em estilo militar. Usava uma calça jeans, tênis e uma blusa branca que realçava seu tom de pele. Mas o que mais me chamou atenção foi a arma em sua mão. Fitei o relógio na parede.

Horário da minha morte: 14:16.

– Já terminou de ler os papéis? – perguntou atento a qualquer movimento meu e posicionando o dedo indicador quase imperceptivelmente no gatilho.

Esse cara achava que eu iria tirar uma bazuca do além igual a algumas personagens de anime? Naquele instante eu era mais inofensiva que uma mosca. Odiava me sentir completamente inútil, mas o fato era que minha atual situação era completamente desfavorável. Apesar do bilhete dizer que estaria segura, não acreditei nisso em momento algum.

– Sim – afirmei tentando pelo menos manter a voz firme.

Se fossem me matar pelo menos morrerei com um pouco da minha dignidade intacta. O brutamonte pegou um celular antigo do bolso, discou um número e após três segundos avisou a alguém que eu estava pronta. Minha hora havia chegado.

Hasta la vista, Marcela.

A porta foi aberta e, apesar de todo meu pavor, não consegui desviar os olhos dela. Um homem de cerca de cinquenta anos entrou em meu cárcere com tranquilidade. Seu cabelo era loiro, quase branco, e falho no topo da cabeça, onde uma careca já era visível, profundas mascas de expressão marcavam seu rosto como cicatrizes, seus olhos verdes, entretanto, possuíam frieza e perspicácia. Ele usava uma roupa social com uma blusa branca e calça de linho preta.

– Boa tarde, senhorita Marchela – falou o homem com um levíssimo sotaque francês – Sou Flecher Bernard e irei responder algumas de suas perguntas.

– Por que me trouxeram aqui para ler esses papéis? – perguntei – Não sei se sabe, mas inventaram umas coisas bem legais chamadas e-mail e internet há algum tempo.

– A senhorita possui realmente um ótimo senso de humor como nos foi informado. Você está aqui parra conhecer a verdade sobre a situação em que está envolvida. Nós somos a Jeu Terminé e, ao contrário do que a empresa de Cristopher a levou a crer, não somos os vilões da história. Na realidade não há vilão nem mocinho nessa situação, nós somos os menos errados no momento, nenhum dos lados é completamente bom ou mau. Você descobrirá tudo que precisa saber durante o tempo que ficar conosco.

Aquilo estava ficando cada vez mais estranho. Eu sabia que não estava em uma história da Marvel ou da DC, tinha conhecimento de que não havia essa coisa de herói com capa e um vilão totalmente maligno e obcecado pela dominação mundial. Estava cansada de ser enganada. Qual era a dificuldade desse pessoal em parar de mistério e colocasse todas as cartas na mesa de uma vez? Muitas pessoas já haviam perdido a vida por conta de uma briguinha entre esses dois grupos e algo me dizia que, se eu não fingisse acreditar na Jeu Terminé, eu faria parte das estatísticas. Minha mãe sempre dizia que pior do que ter um filho morto, é ter um filho desaparecido. Eu iria morrer e minha família iria continuar procurando por mim mesmo após meu corpo se decompor. Que legal, hein, Marcela. Você só se mete em enrascada. Se eu contasse tudo o que estava acontecendo para minha mãe, provavelmente ela repetiria ‘‘ Eu te avisei que ficar jogando esse joguinho por tanto tempo te faria mal’’.

– Eu não me lembro de ter feito reserva de um quarto em um lugar desconhecido em que as pessoas tratam armas como ursinhos de pelúcia andando com elas pra lá e pra cá. Por que me sequestraram? Que diferença farei nessa briguinha que está acontecendo?

– Não se sinta tão importante, menina. A trouxemos aqui sem nenhum motivo especial, tê-la do nosso lado ou no de Christoper não mudaria nada para nenhum dos dois lados – afirmou Flecher – Entretanto nosso informante nos pediu para esclarecermos tudo para você e aquele adorável garoto japonês que de tão esperto e mais inteligente que você, esbarrou em nós ao passo que você só ficou correndo igual barata tonta sem juntas nada concreto nem chegar a algo realmente conclusivo.

Esse cara sabia como elevar a moral de uma pessoa, meu Deus. Senti-me mais burra que uma porta naquele momento por um pirralho conseguir ter avançado infinitamente mais do que eu em suas buscas.

– Para você ficar mais receptiva à nós, direi algo antecipadamente: não fomos nós que atiramos em sua irmã muito menos naquele agente, Georg. Ele já possuía desconfianças a respeito da verdade que a pilha de suborno escondia e ficou insistindo para acompanhar algum dos escolhidos para coletar mais informações, então Cristopher bolou um plano para o eliminar.

– E minha irmã? Como ela entra nisso tudo já que não tinha conhecimento de absolutamente nada? – questionei sentindo minhas mãos suarem frio graças àquela reviravolta.

– De acordo com que sei a respeito de Christopher e seu modus operandi, você precisava de um incentivo para nos odiar e não se juntar a nós. Marcela, sua presença nesse cenário não passa de uma marionete, uma distração, um simples capricho do dono da Entergame de envolver mais inocentes.

Capricho? Georg estava em coma por capricho de algum doido varrido? Minha irmã fora baleada apenas para me incentivar a correr como um rato em uma rodinha dentro da gaiola? Agora sim eu estava muito puta. Que cretino filho de chocadeira! Como alguém pode ter uma mente tão perturbada a ponto de criar todo um cenário em que inocentes eram simples marionetes com sentimentos?

Uma pontada me atingiu. Será que aquilo que eles falaram era realmente verdade? Será que aqueles documentos em minha frente eram reais ou foram forjados para me manipular novamente?

– Sei que é muita coisa para assimilar e provavelmente você não sabe em que acreditar, mas nosso informante está vindo para cá. Se ficar do nosso lado ou não, tanto faz, desde que não saia espalhando sobre isso por ai – e eu sei que não irá porque não é tão burra a ponto de fazer isso – não há problema em te libertarmos. Mas fique ciente: Christopher irá te caçar até no inferno pelo cachorrinho de estimação dele, no caso você, ter lambido a mão de outra pessoa além da dele.

Interessante o jeito daquele cara propor opções: ou fica aqui ou leva um tiro na testa assim que pisar lá fora.

– Bem, parece que terão que me aturar por mais um tempinho então – afirmei sorrindo sem um pingo de felicidade.

A porta foi aberta de supetão e olhei assustada para a figura masculina que entrava. Por que não poderia ser uma mulher? Onde as vilãs fodonas, as personagens femininas que são tão incríveis que faz você babar por elas? Mas aquilo não tinha mais importância, porque quando reconheci aquela pessoa, o tal informante, senti como se o chão tivesse sido tirado de meus pés.

– É bom ver que ainda está viva, Marcela – falou Ivan guardando seu videogame no bolso.

Notas finais
Acho que a história já está indo para o final, talvez tenha uns dez capítulos pela frente ou menos, ainda não sei UASHUSA Tivemos muitas revelações importantíssimas nesse capítulo, mas será que elas são verdadeiras mesmo? BWHAHA Por favor comentem e me digam o que estão achando, chegou na parte em que eu queria e estou mega empolgada. Mas essa empolgação irá embora se vocês não comentarem nada porque acharei que está ficando uma droga e que minha existência é uma falha no mundo (sim, sou dramática) UAhuaH Perguntinha: Quais são seus hobbies preferidos? Para quem anda esquecido, Entergame é a empresa de Christopher, desenvolvedora de Urei.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.