A Jaula

1 A HISTÓRIA ATÉ AQUI


O ano era 2543. O planeta terra enfrentava uma guerra de proporções gigantescas.

A Organização das Nações Unidas já estava dissolvida, os vôos proibidos, as viagens canceladas. O mundo estava em caos depois que as maiores nações entraram em disputa de interesses pelos recursos naturais em extinção.

Um tratado interno entre duas nações determinou que as nações mais fracas seriam extintas e seus recursos seriam tomados por força maior.

Bombas de gás foram lançadas, militares foram obrigados a lutar contra seu próprio povo, os ricos fugiam para seus abrigos e os pobres foram covardemente assassinados para diminuir o consumo dos recursos.

Uma guerra de cinco anos se desenrolou e, quando perceberam, já haviam dizimado cerca de 2/3 da população humana.

Do lado de fora do sistema solar, longe do alcance da tecnologia terrestre, um grupo de oitocentas naves pequenas e grandes, observava com calma. Os invasores, ainda sem nome, esperavam a hora certa de tomar o planeta e dar um fim ao banho de sangue.

Poucos anos depois, em um momento crítico que parecia ser o final da guerra, os invasores desceram com parte das naves. Eliminaram as cabeças por trás da guerra e aprisionaram os seres humanos fortes que lhes seriam úteis. Deram-lhes uma opção de escolha: morrer ou ser submetidos à lavagem cerebral.

Muitos recusaram, principalmente os apoiadores das forças políticas, sendo executados na frente dos demais para servir de prova da palavra dos invasores.

Como prova de piedade, os invasores prometeram que aqueles que quisessem continuar vivos teriam condições dignas de vida, mesmo sendo monitorados por implantes no cérebro.

Suas ações seriam monitoradas para evitar problemas como roubos, assassinatos, etc. Em troca, toda memória sobre a guerra e seus passados seria apagada e eles teriam que dar sua mão de obra para manter a vida e reconstruir o planeta.

Depois disso, a maioria dos humanos aceitou seu destino, sendo submetidos aos procedimentos dos invasores. A memória da humanidade foi recriada e, juntos, criaram uma super fortaleza para abrigar todas as espécies racionais do planeta. Do lado de fora dessa fortaleza, desceram as naves restantes, que traziam consigo espécies animais e vegetais de todos planetas dos quais os invasores já tinham estado.

Os seres humanos passaram então a ser mão de obra, em um novo sistema de classes e posições sociais, como a linhagem mais baixa da fortaleza, realizando mais serviços braçais. Pouquíssimos seres humanos podiam ingressar em outras carreiras, como a coleta de alimentos fora da fortaleza e a polícia.

Isso porque seu cérebro tendia a combater o chip implantado, ignorando as informações de paz e bom comportamento, levando a comportamentos explosivos que eram rapidamente combatidos pelos "superiores" (invasores). Se o humano tivesse fortes convicções, podia se rebelar e agir do modo que quisesse. O problema disso era que, por serem monitorados, eram facilmente localizáveis.

Dentro da polícia, havia um cargo que era exclusivo dos invasores e de dez humanos controlados completamente: Os Fiscais. Eles tinham a missão de controlar a ordem, fazendo checagem dos chips, caçando pessoas problemáticas e eliminando-as.

Fora da fortaleza isso também ocorria: ocasionalmente, humanos do período anterior à invasão eram encontrados em esconderijos pelo mundo todo, sendo prontamente abatidos.

A fortaleza, um grande cercado, cheio de grades, muros e armamentos, também possuía humanos clandestinos. Alguns foram criados desde bebês em seu interior e passaram despercebidos pelo controle. Outros, invadiram com o tempo, em busca de vida digna, com trabalho e alimentação. Dificilmente sabia-se quem era quem, sendo trabalho dos Fiscais localizá-los e colocar um chip de controle.

Como a ordem social foi restabelecida, com o tempo os invasores deixaram que esses humanos clandestinos trabalhassem para sobreviver, desde que não tivessem sua memória ou contassem nada a ninguém. Sempre que alguém recobrava a memória ou parte dela, todos tinham seus chips acionados, para queimar a informação como se fosse um "espaço em branco" na cabeça.

Desta forma, ninguém se rebelaria, todos acreditavam que sempre existiram diferentes espécies na terra e, desta forma, todos trabalhavam pelo bem da fortaleza.

Os que podiam sair para coletar alimentos, não se assustavam com a quantidade e tamanho dos animais de outros planetas vivendo normalmente em seu meio, já que, para eles, era tudo normal...

Até começarem a aparecer "certos humanos"... Que precisavam ser localizados e executados a qualquer custo.