A Jararaca
9 Histeria
Notas iniciais
Dias, semanas, meses se passaram. Luís Carlos procurava qualquer desculpa para interagir com Marta, tanto pessoalmente quanto por telefone.
As conversas eram agradáveis, horas poderiam passar em poucos segundos quando Luís estava com a "bruxa". Porém, pessoas falsas também conseguem comover com sorrisos inocentes e comportamento doce.
Marta parecia mais receptiva ao loiro, a ponto de não conseguir mais disfarçar a felicidade ao vê-lo. Ela não tentava mais fugir dos abraços apertados e demorados de Luís, pelo contrário, ela retribuía de primeira.
A cada dia, Luís Carlos ficava mais ansioso para rever Marta, estudá-la... Ele contava as horas para sair logo do trabalho e ir correndo para a casa de Rodrigo. Às vezes, em casa com a família, o loiro se pegava pensando no que aquela serpente estaria fazendo e por impulso, telefonava ou até largava tudo o que estava fazendo para ir até Marta.
"E se ela estiver interessada em mim...? Então o plano tá dando certo e... Se tá dando certo... Aquela mulher não vale nada e eu vou ter a prova que preciso pra tirar aquela maldita de circulação..." "Afinal, mulher direita não olha pra outro homem mesmo quando tá sofrendo no casamento!"
— Oi! Planeta Terra chamando! — vociferou Sônia, dando um tapa na mesa, forte o bastante para tirar Luís daquele devaneio.
— Quer me matar, porra? — gritou o loiro, quase saltando de sua cadeira. Seus pensamentos voltaram para o jantar em família.
Logo depois do jantar, Luís Carlos arranjou uma desculpa qualquer para correr para a casa de Rodrigo, que havia terminado de jantar, também.
Os dois abriram duas garrafas de cerveja e ficaram papando na sala. Enquanto isso, na cozinha, Marta andava para lá e para cá, cuidando de seus afazeres. A mulher estava tão concentrada nas tarefas que demorou para se dar conta de que estava sendo observada por alguns minutos.
Rodrigo continuava com algum assunto qualquer. A voz do moreno soava cada vez mais distante e confusa, enquanto casa movimento de Marta como secar a louça parecia mais interessante. Finalmente a castanha percebeu os olhares de Luís e fitou seus olhos azuis. Por muitos segundos, Luís e Marta ficaram presos um ao outro através do olhar.
— Quer alguma coisa da cozinha, cara? — indagou Rodrigo, trazendo Luís de volta ao planeta Terra. — Tá olhando tanto pra lá por quê? — acrescentou com rispidez.
O loiro não conseguiu responder. Apenas desviou o olhar, constrangido.
— Perdeu alguma coisa na cozinha? Responde, porra! — Rodrigo quase cuspiu as palavras.
— Nada, cara! — respondeu o loiro, com a mesma rispidez, como quem diz "me deixe em paz". Marta voltou para suas tarefas como se nada tivesse acontecido.
Rodrigo levantou-se do sofá em direção ao raque onde estava a TV e o aparelho de som. Depois de mexer nas gavetas, concontrou uma pequena fita cassete. Abriu o compartimento de fita do aparelho e encontrou outra fita lá dentro.
— Que merda é essa aqui, Marta? — reclamou o moreno. — Eu não disse que não quero que deixe fita dentro do aparelho?
— É que eu tava tentando gravar umas músicas da rádio e esqueci a fita aí. Desculpe!
— Que isso não volte a acontecer. — vociferou o moreno, para mostrar quem mandava na casa.
Isso deu uma ideia à Luís Carlos.
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