Notas iniciais
Oi, gente! Espero que gostem da minha história. É a primeira que escrevo. Boa leitura!

Era um final de tarde. O trânsito mais parecia um filme de terror na cidade de Pedra Azul. O calor do ar abafado e o barulho das buzinas e dos gritos raivosos do lado de fora seriam o suficiente para qualquer motorista surtar.

Porém, o motorista daquele Chevette 74 estava com a cabeça longe daquele inferno. Na verdade, ele desligou a mente no instante em que sua esposa começou a gritar com ele por alguma razão qualquer que ela quis usar como pretexto. Ele sempre fazia isso para ignorar as acusações e as cobranças da mulher.

No banco de trás, três crianças brigavam por algum motivo bobo.

— Você me ouviu, Luis Carlos? — perguntou a mulher ao seu lado. Uma bela mulher de cabelos pretos tingidos, lisos até os ombros com uma franja reta na altura das sobrancelhas. — E quanto que me ouve, né? — acrescentou, com seu usual tom de desprezo.

Tudo o que o marido fez foi aumentar o som do rádio, sem olhar para a esposa, que já estava quase cuspindo fogo.

(Rádio)

LOCUTOR — "... Fiquem agora com Mordida de Amor."

" Quando faz amor... Se olha no espelho?

Será que você... Gosta mesmo de mim...?"

Era verão de 1988. Os gritos e as reclamações vindo de todos os lados forçaram Luís a sair de seu "mundo encantado" e encarar a realidade.

— PAI, A JOICE NÃO QUER DEVOLVER O HE-MAN!

— MÃE! MANDE O JARDEL DEVOLVER MINHA PULSEIRA!

— PARA DE CHUTAR A MINHA PERNA!

— O QUE FOI? QUAL É O SEU PROBLEMA? NÃO VAI ME CONTAR O QUE ESTÁ PENSANDO? — indagou Sônia, a esposa, aos gritos!

— O MÃE! MANDA ESSE IDIOTA PARAR!

— AÍ, MEU CABELO!

— DEVOLVA O HE-MAN!

— OU O QUÊ? VAI CHORAR?

— Luís Carlos, eu posso saber o que você está pensando? Você sabe que eu tenho o poder de transformar a sua vida num inferno, não é? — disse Sônia, num tom ameaçador.

"AAMAR.... ASSIMM... JAMAIS DIZER ADEUS... JÁ NÃO... É MAIS... UMA GRANDE SURPRESAAAA"

Luís respirou fundo e apertou o volante, como se sua vida dependesse disso. Encarou os olhos azuis intensos de seu próprio reflexo no espelho retrovisor.

— ENTÃO VAI SER ASSIM? VOCÊ TEM CERTEZA? — gritou Sônia, em tom de aviso.

— CALEM A BOCA!

Imediatamente, o silêncio se instaurou dentro do carro.