A Janela do Quintal
1 Capítulo Único
Notas iniciais
° Escrita e postada hoje - 06 de abril de 2024.
Era uma tarde típica de verão, e o calor se fazia sentir com uma intensidade que parecia derreter o asfalto. Andréia Menezes, a vizinha conhecida por sua personalidade forte e independente, decidiu que era o momento perfeito para um banho refrescante nos fundos de sua casa, onde a privacidade era garantida pela alta cerca que dividia sua propriedade da do vizinho de trás.
Por anos, a única janela que dava para o seu quintal permaneceu fechada, coberta por pesadas cortinas que nunca se moviam. Mas naquele dia, após o almoço, Andréia notou algo diferente: a janela estava aberta. Sem cortinas, sem barreiras, apenas o vão que revelava um pedaço do interior da casa vizinha.
Com um sorriso desafiador, Andréia proclamou em voz alta, "Eu vou tomar banho nua quem quiser ver, aproveite." Era uma declaração de liberdade, um ato de rebeldia contra a vigilância invisível que aquela janela representava.
Após o banho, enquanto se secava ao sol que começava a se pôr, Andréia olhou novamente para a janela. Ela ainda estava aberta, como se os olhos invisíveis tivessem se acostumado à presença dela. Mas algo dentro de Andréia se agitou, uma sensação estranha de que aquele ato de rebeldia tinha sido mais significativo do que ela imaginava.
As horas passaram, e o relógio marcava 17:00 quando Andréia lançou mais um olhar casual em direção à janela. Para sua surpresa, ela estava fechada. Não apenas fechada, mas como se nunca tivesse sido aberta, com as cortinas novamente no lugar, imóveis e impenetráveis.
Dias se transformaram em semanas, e a janela permaneceu fechada. Andréia muitas vezes se perguntava sobre o mistério por trás daquele breve momento de abertura. Seria um sinal, uma mensagem, um convite para algo mais? Ou simplesmente uma coincidência, um descuido de alguém que rapidamente corrigiu o erro?
A janela fechada tornou-se uma constante em sua vida, um lembrete de que, por mais que tentemos nos abrir para o mundo, sempre haverá momentos em que nos fechamos novamente, protegendo nossos segredos e histórias não contadas.
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