A Irmã Perdida

2 Conheço o acampamento


Notas iniciais
Espero que gostem :)

A primeira coisa que vi quando abri os olhos foi um homem-cabra segurando um copo. Eu quase tive uma ataque, pulei da cama e o olhei assustada, fazendo-o se afastar de mim com a bebida que, só no momento, percebi que era deliciosa e estava se direcionando ao meu estomago.

–Quem é você? Fala, menino-bode. — Falei, com um dos tenis na mão, pronta para atacar.

–Grover. E MENINO BODE? Hoje em dia os sátiros não são conhecidos não? Que vergonha! Não acredito! Eu simplesmente não...

– Ei, calma ai. Sátiro? É uma piada? — Olhei para os cascos dele. — Ta, não é uma piada. Mas isso, é tipo, IMPOSSÍVEL, de acontecer! Você não deveria existir.

–Obrigada. — Resmungou ele, me interrompendo.

– E aliás, o que era essa bebida?

– Néctar. Mais um ponto para que você acredite que isso é a sua realidade. Se você não fosse especial, se não fosse filha de um olimpiano, se não fosse uma meio-sangue, não teria sobrevivido isso. E muito menos a ambrosia. A bebida e a comida dos deuses, aquilo teria matado uma garota normal. Teria transformado seu sangue em fogo e seus ossos em areia e você estaria morta. A sua realidade é que você é desse mundo, você é uma cria dos olimpianos.

Depois dessa fala, ele limpou seus cascos no tapete e desceu as escadas, com a cara emburrada. Ok, isso foi estranho.

Isso não era possível, eu tinha família. Papai, mamãe, meus irmãos. Aquilo era a minha realidade. Então me lembrei. Enquanto estava aqui, meus irmãos devem estar mortos. Meus olhos começaram a lacrimejar. Me levantei, vesti as roupas que estavam ao lado de minha cama, limpas e passadas. Desci as escadas, então vi um garoto e uma garota, parados ao lado de um homem de cadeiras de rodas. Estavam conversando baixo, até que me viram.

–O que está fazendo, menina? — Perguntou o homem.

– Eu... eu quero ir para casa! Ver minha família! Isso aqui é um internato, para pessoas loucas! Só me deixem...- Comecei a chorar.- Salvar meus irmãos, eles são... são tudo... — Não consegui mais falar.

Retomei o passo, respirei fundo e disse de novo.

– Vou embora, e não quero mais ver vocês.

Estava saindo do lugar, até que uma espada bloqueou minha passagem.

– Você está completamente maluca, se acha que vai a lugar algum.

Notei que um vulto loiro se posicionou na minhas costas, cercando-me. Olhei para as paredes. Muitos troféus, fotos e outras coisas esquisitas estavam ali. Vi uma cabeça de onça pendurada, e tive a impressão de estar bocejando. Esqueci isso e avistei uma espada, de bronze, reluzente. Era minha.

Botei minhas mãos para o alto e virei para a garota loira.

– Ok, então. Vou ficar. — Eles ficaram mais calmos.- SÓ POR CIMA DO MEU CADÁVER!

Emburrei a loira para o lado, onde estava o homem de cadeiras de rodas. Pulei por cima dela e comecei a correr loucamente até a espada. Vamos lá, é rápido corre, corre. Senti uma mão segurando meu braço, ou seja, o menino estava perto. Dei um chutão para trás, e uma de suas pernas foi para trás, o fazendo resbalar e dar de cara no chão. Sua espada voou de sua mão. Eu a peguei e o fiz recuar, a colocando sobre sua garganta.

– Cheque mate.

Todos estavam estupefatos. Até eu. Da onde aquilo tinha vindo? Nunca tinha treinado e...

– Só pode ser. Um dos três grandes. — Murmurou o velho. Ele tinha a cara confusa e pensativa. — Olhe, menina, não a obrigaremos a ficar. Mas temos de dar uma palavra com você. Tire a espada da garganta de Percy, por favor.

– Vocês tem de ficar longe de mim, se quiserem "conversar". E eu posso soltar ele, mas a espada nunca. — Respondi, sentando em um banco longe deles, esperando Percy se levantar.

– Bom, vamos começar com o seguinte. Você é sim, uma meio-sangue. Não tem "porém", nem "mas" , é , e ponto. Sua família? Uma visão. Seu pai a fez para te proteger dos monstros. Seus irmãos são uma miragem, então não tem o porquê de ir procurá-los. Grover já falou um dos fatores que comprovam que você é sim, uma semideusa. Sua habilidade na esgrima é outra. Os monstros da sua escola são outra. Tinha muitos monstros ali, por SUA causa. Você é especial, aceite os fatos Cefira. Além do mais, ali havia muitos monstros reunidos, por uma só causa. Tanto que depois de você desaparecer com Nico, eles foram embora. Tinha dezenas de monstros lá, ou seja, você é uma semideusa especial, filha dos três grandes.

– Eu sou um filho de Poseidon, e não sou derrotado tão facilmente assim. Será Zeus? Ou Hades? Porque Poseidon acho que não seria possível... — Começou Percy.

– Seria bem possível. Não é porque Poseidon é um dos três grandes que não gosta de sair por ai à procura de gatinhas que gostam de imortalidade. Ele é igual a você. Ainda pensando em Calipso, Percy? — Falou a loira.

– Annabeth, não comece! E...

– A por favor! Estou perdendo tempo com uma briga de casal? — Os interrompi. — Eu... eu ainda não estou decidida se esta é a verdade, mas como não posso sair, eu fico. E como assim vocês não sabem quem é meu pai?

– Ah, não sabemos mesmo. Ele... ele ainda não mandou nada, nenhum sinal.

–Ah, Ok, então. — Resmunguei. — E aonde eu durmo?

– Por enquanto, no chalé de Hermes. — Fiz uma cara estranha para a menina. — Sabe, deus dos ladrões, mensageiro?

– Ah sim, o de pés com asas. — Percy deu um pequeno sorriso junto com Quíron, enquanto Annabeth rolou os olhos. — E onde fica?

– Deixe que eu levo ela. Venha me siga.

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Segui Annabeth por todo acampamento, primeiro ela me apresentou a parede de Escalada- Uma parede com mais de três metros de comprimento, cujo topo solta lava e pedras incandescentes. Vi pelos seus olhos cinzentos que estava louca para me fazer escalar e me jogar lá de cima. Notei que era melhor não ser a garota engraçada perto de Percy. Depois vimos o anfiteatro- Uma construção que lembra o Coliseu. Passamos pela quadra de volêi onde mais sátiros jogavam contra campistas, pelos estábulos, onde ficavam os cavalos e pégasos. Demos uma olhada pela arena e pelo refeitório.

E finalmente chegamos ao Arsenal. Annabeth me explicou que lá os filhos de Hefesto faziam as armas e armaduras.

– Bom, eu tenho que ir. Tenho treino, sabe, esgrima. Escolha sua arma e vá para os chalés. Entre no chalé 11, com a pintura descascando e um caduceu com duas cobras envolta entalhado acima da porta. Ah, e hoje tem um novo jogo que Quíron inventou. Depois do jantar ele nos apresentará, já tenha suas armas a mão. Tchau.

Dei uma olhada nas armas. Sinceramente, nenhuma me agradava. Como não tinha nada a fazer, fui a praia. Sentei na areia, e observei o mar. Sinceramente, aquilo era até que bom. Sem ter irmãos para cuidar, sem provas para fazer, sem responsábilidades, além de claro, sobreviver.Mas alguma coisa me doia, porque nunca mais veria minha família. Sentia saudade dos meus irmãos, de suas brigas, de nossas brigas.

Um brilho me chamou atenção e me tirou dos pensamentos. Trazida pelo mar, um colar, com uma linda pedra azulada no centro preso pelas correntes de ouro, estava brilhando. Sério. Brilhando. Eu fui pegá-lo, mas quando toquei não era mais um colar, e sim uma espada, de bronze celestial, como a de Percy, só que maior. Entalhado no bronze havia ondas, e algo escrito. Não conseguia ler, era outra lingua, mais velha que o grego antigo, e poderosa. Fiz menção de colocá-la sobre o pescoço e ela virou um colar novamente. Era minha. Ouvi a corneta soando e me pus a correr.

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Notas finais
Brigada por lerem