A Irmã De Renesmee 1ª e 2ª temp- Fanfic em revisão
37 Voltando aos Eixos (E)
Notas iniciais
PDV Seth.
A dor dentro de mim era dilacerante. Então corri para a floresta, já que eu lutava contra o meu lobo que queria explodir. E aquele humano idiota não poderia saber do segredo.
Fiz meus pés correrem o mais rápido que podia. Tentar algum esforço físico poderia dissipar pelo menos parte da raiva. Eu queria socar Brady por me apunhalar pelas costas. Queria olhar naqueles olhos verdes e ver que ela não faria isso comigo. E eu sabia que só estava me enganando.
Parei de correr, respirando pesado. Eu não me sentia cansado. Entretanto meus nervos estavam muito agitados. Soquei uma árvore, e fiz um buraco fundo. Estilhaços se formaram ali.
Me sentindo derrotado, sentei na grama. Passei as mãos pelo rosto, nervoso e ainda aflito. A cena deles quase se beijando não saia da minha mente. E nem dela beijando o namorado. O caráter dela tinha mudado a ponto de ela ser capaz de cometer uma traição? Ou não era um relacionamento sério ou assumido?
Respirei fundo e soltei o ar. Encostei a parte de trás na cabeça no tronco atrás de mim, e observei a que eu soquei começar a partir-se.
Pobre árvore.
Com os meus sentidos aguçados ouvi passos. Pisadas suaves e rápidas. Parecia alguém correndo. E eu sabia que não era um humano.
—Seth?
Ela.
A mulher da minha vida. Dona do meu coração e mente. Do meu corpo. Do meu eu. Ao me ver a alguns bons metros de distância, desacelerou bruscamente até estar caminhando.
Aqueles olhos me encaravam com cautela.
—Seth, eu...
—Não.
—Seth, por favor, me deixa explicar...
—Explicar? – indaguei, ficando de pé. – Carlie, você deixou bem claro na carta que não temos mais nada. Que estamos desimpedidos. Eu vou ficar bem.
Seus passos só cessaram quando ela estava na minha frente. Um choque percorreu em meu corpo ao sentir sua mão quente e delicada afagar meu rosto. Seu toque me acalmou, fazendo o receio de eu explodir em lobo ir embora.
Mas tinha algo em seu olhar. Algo que eu desconfiava que fosse pena. E isso eu não queria dela. Então da forma mais suave que eu pude, tirei sua mão de mim.
—Seth, por favor, não faz isso. – ela implorou.
—Fazer isso o que?
—Ficar assim. – sua voz se tornou um sussurrou enquanto lágrimas cresciam em seus olhos. – Eu realmente sinto muito. Eu jamais pensaria em fazer aquilo. Brady é um amigo nosso, e sei que ele é seu melhor amigo.
Estudei seu rosto procurando algum vestígio de que apenas queria me convencer. Mas era verdade. Seu olhar não vacilava. Aquelas esmeraldas transmitiam sua honestidade.
—Está me matando ver você desse jeito e saber que a culpada, sou eu.
—Está tudo bem.
—Não, não está. – ela discordou. – Você não merece isso.
—Eu fui desonesto com você primeiro. – dei de ombro, desesperado para prolongar o assunto e continuar perto dela.
Abriu a boca para falar, mas pensou melhor e a fechou. Eu não esperava pela aproximação súbita de seu rosto.
—O que você está fazendo? – o máximo que eu consegui foi sussurrar ao sentir seu nariz roçar a ponta do meu.
—É tão inocente assim, Seth?
Estremeci ao ouvir sua voz sexy em meu ouvido. Ela riu, só não sei se de sua própria pergunta ou do efeito que tinha em mim. Seus lábios fizeram o caminho da minha bochecha e se arrastaram pelo meu pescoço. Ela estava querendo me comprar? Se sim... Estava conseguindo.
—Me desculpa. – ela sussurrou em meu pescoço, seu hálito quente batendo em minha pele mais quente ainda.
—Ãn... – murmurei boquiaberto, me sentindo enfraquecido por ela.
—Me desculpa. – estremeci quando sua unha roçou minha nuca. Se afastou para colocar seu rosto perto do meu. – Eu não quero que fique magoado.
Sem conseguir pronunciar algo decente, agarrei sua cintura e a puxei contra mim. Seu coração deu uma vacilada antes de voltar a bater como asas de passarinho, e tive que conter um sorriso que queria rasgar em meus lábios.
Meus olhos pousaram em seus lábios entreabertos. O desejo tomando conta de mim. Quase incontrolável.
—E então?
Desviei de sua boca para olhar em seus olhos, que me encaravam com expectativa.
Passei a mão em seus cabelos cheios de molas acobreadas. A maciez deles era um deleite. Eu poderia ficar o dia inteiro massageando aqueles cachos.
—Eu te perdoo, Carlie.
Sorriu de orelha em orelha, e mordeu o lábio em seguida.
—Tem algo que eu possa fazer para te recompensar?
Quase ia escapando pelos meus lábios que não precisava. E meu lado egoísta pensou... Será?
Seria muito egoísmo eu lhe pedir um beijo? Eu poderia descobrir se ela estava em um relacionamento sério ou seria só casual. Algo aberto.
—Pode falar. – me encorajou.
PDV Renesmee.
—Nessie, Seth pode estar magoado, mas ele não é explosivo. – Jake me assegurou assim que Carlie correu atrás de Seth pela floresta.
—Não é só isso. – exasperei, cansada. – William está começando a notar algo de estranho por aqui. E com vocês correndo para a floresta não ajuda.
—Você quer ir atrás deles, vá. – falou sem se importar com minha grosseria. – Mas confio nele.
Olhei para ele, derrotada. Depois dei uma olhada em Brady, que parecia estar muito culpado.
Olhei mais uma vez por onde eles tinham saído. O rosto de Emily em minha mente. A cicatriz chamativa em seu rosto feita por Sam quando explodiu em lobo perto demais. As garras de um lobo podiam destroçar a pele de um vampiro, dirá de minha irmã meio humana.
—Se Seth fizer algo com Carlie, eu juro que esgano ele. – rosnei para ninguém em específico.
—Pode contar comigo. – Jake falou, cruzando os braços.
PDV Carlie.
—Por que não me diz o que você quer? – o pressionei.
Ele hesitou, mas acabou dizendo. Sua voz saiu num simples sussurro.
—Me beija.
Ok, por essa eu não esperava. Eu o beijei no pescoço, sim, mas ainda fui surpreendida.
Pousei a mão em seu rosto e fui me aproximando lentamente. Meu corpo amoleceu quando nossos lábios roçaram um no outro. Sua mão subiu pelas minhas costas, passou pelo meu ombro e parou ali, em meu rosto. Agarrei seus cabelos com as mãos, o trazendo desesperadamente para mim.
Minha mão percorreu por suas costas musculosas, e senti-o estremecer com o meu toque. Meu orgulho estava me ordenando para me separar dele, porém a frenesia já havia começado desde o início do beijo. Eu já não pensava por mim mesma. Mordi seu lábio inferior, e senti um rosnado vibrar em seu peito.
Distanciei minha boca da sua para distribuir beijos em seu pescoço. Ele suspirou. Seu cheiro de floresta entrando pelas minhas narinas me enlouqueciam.
Depois voltei novamente aos seus lábios e dei três quase selinhos demorados em sua boca quente.
E então me separei dele.
—É melhor nós irmos. – murmurei sem encará-lo. – Devem estar preocupados conosco.
—Está tudo bem entre a gente?
—Claro. – respondi confusa, tomando coragem para levantar o olhar. – Já esclarecemos as coisas.
—Estou falando...
Parou, sugestivo.
—Eu preciso colocar minha cabeça no lugar certo. – dei de ombros, entendendo finalmente. – Prometo que assim que tiver uma resolução, te deixo sabendo.
Seth suspirou de forma longa, parecendo desapontado. Não comigo, com a situação.
—Tá bom. – ele se rendeu sabendo quem ganharia essa discussão. – Já que você quer assim, eu prometo que não vou te beijar a não ser que você queira.
—O certo seria a não ser que eu peça. – corrigi.
—Ok. A não ser que você peça.
—Não vai precisar manter a sua promessa por muito tempo.
Ele sorriu ao ouvir aquilo. Eu estava precisando medir as minhas palavras antes de pronunciá-las.
Veio até mim em passos lentos e hesitantes. Chegou perto de mim e pousou sua mão em meu rosto. Aproximou-se hesitante e pareceu pensar muito. Ele foi chegando e pensei que ele me beijaria novamente, o que quebraria sua promessa. Entretanto apenas deixou um beijo em minha testa.
—De qualquer jeito, se não me quiser mais como seu namorado, nem mais cedo, nem mais tarde, saiba que a sua amizade para mim, sempre bastará.
Ouvir essa declaração fez eu sentir como se mil facas afiadas cutucassem meu coração. Por mais que eu pensasse se queria voltar com ele, eu não conseguia o imaginar mais como um amigo apenas.
—Vamos. – ele pegou em minha mão para me guiar.
Não estava completamente ciente de meus movimentos físicos. Eu estava uma bagunça. Eu queria beijá-lo, mas ao mesmo tempo não queria. Era uma mistura de sentimentos totalmente estranhos. Nunca achei ser capaz de sentir tudo isso.
Quando chegamos perto de sair para a orla da floresta, eu colei meus pés no chão. Não sabia se era a decisão certa a ser tomada. Eu o amava mais do que a mim mesma, e a ficha só estava caindo agora. Iria tentar engolir meu orgulho e aceita-lo de volta. Eu não tinha uma boa autoestima para acreditar que o imprinting o faria me esperar para sempre. Não sei se podia ter uma data de validade, e ele arrumar outro alguém.
Isso doeria mais do que tudo que eu já senti. Mais do que um joelho ralado. Quando ele se afastou ao saber da notícia que passaríamos um tempo na Ilha da Mamãe. Ou quando viajamos para Nova York antes. Ou então quando descobri sobre as fotos. Ou quando meu pai gritou comigo e me pôs de castigo sem ver Seth. Nada disso seria tão doloroso comparado ao que eu sentiria caso Seth me trocasse por qualquer outra.
—O que...?
Ele parou quando me viu estática.
—Nada. Só me promete uma coisa?
—O que?
—Promete que não vai desistir de mim?
Ele veio até mim e segurou as minhas mãos. Olhou no fundo dos meus olhos e disse:
—Eu seria um covarde se desistisse da minha vida.
Um sorriso comovido evadiu pelos meus lábios ao ouvir aquilo.
Após checarmos que William estava ocupado demais com os cavalos, corremos para dentro de casa.
—Carlie! – Renesmee gritou assim que me viu e veio na velocidade da luz para me abraçar. Tive que usar todas as minhas forças para não nos derrubar. – Você está bem? Está machucada? Seth fez algo com você?
Ela revirava meus braços e meu rosto em busca de um arranhão.
—Eu não a machucaria! – Seth falou indignado.
—Eu estou bem. – reclamei e puxei meu braço para longe dela.
Me senti incomodada por ela ficar assim em cima de mim. Todos estavam ali, pareciam esperar a hora que voltaríamos.
—Do jeito que você estava temperamental, você podia ter perdido o controle perto dela!
—Mas eu não perdi!
—Mas poderia ter perdido!
—Eu nunca a machucaria!
—Um lobisomem é imprevisível!
—Eu nunca perderia o controle com ela por perto!
—Como você pode saber? Não é a tia Alice!
—Ei! Parem vocês dois! – gritei me posicionando ao meio dos dois, os afastando com as mãos. Se Seth não perdeu o controle comigo, poderia rapidamente perder com Ness. Jake iria interferir e não seria legal nossa casa ser demolida por uma briga de lobos com um humano testemunha. – Não precisam discutir por minha causa. Eu não estou machucada. Nem um arranhãozinho.
—Ele podia ter te matado! – ela indignou-se.
—Ness, eu estou inteira, pode se acalmar?
—Você ficaria bem encrencado, não só conosco, mas com o resto da minha família se encostasse um dedo na minha irmã. – ela falou entredentes, apontando o dedo em seu rosto.
Respirei fundo, desistindo daquela conversa e subi a escadas. Estava quase anoitecendo e não tinha nada para comer.
Mendy, pode pedir algum delivery, por favor? O dinheiro está no pote de biscoitos no armário lá no fundo.
Peço, hã, peço sim...
E então me dei conta de que tinha interrompido um pensamento íntimo, já que ela e Embry estavam sentados no sofá, abraçados, e ela como uma boba apaixonada.
Desculpe. Pedi e encerrei a ligação.
Arrumei meus materiais para a aula, coloquei meu uniforme dobrado em cima da cômoda dentro do closet e desci depois de um tempo. Fiquei satisfeita ao sentir o cheiro de comida.
—Pedi um pouco de tudo. – Mendy encolheu os ombros, mostrando a mesa repleta de deliverys. Yakissoba, sushi, pizza, mexicana, crepes doces e salgados, e algumas besteiras de sobremesa.
—Decidiu recriar nossa festa do pijama? – brinquei, pegando pratos e talheres. Ela riu.
O estômago de Jacob roncou quando ele cheirou o ar.
—Não é algo que eu possa controlar. – ele se defendeu quando captou o meu olhar.
Ri dele. Fui me sentar-se à mesa junto aos outros.
Seth parecia não conseguir tirar um sorriso de seu rosto. E eu sabia o porquê daquele sorriso.
—O que foi, Seth? – Embry lhe perguntou. – Até parece que voltou com Carlie.
Esperei ele o xingar. Mas nada aconteceu. Apenas o ignorou e continuou sorrindo.
Desejei que suas palavras fossem realidade. Eu o queria de volta, só não sabia como dizer ou mostrar.
PDV Renesmee.
Nova York. Um paraíso de cidade, muitos lugares turísticos para visitar. Muitas lojas para fazer compras. Mas ultimamente não sinto vontade de sair para lugar nenhum. Acho que Jacob me prendia aqui em casa, já que ele também não saia.
Balancei a cabeça, tentando clareá-la.
Larguei meu notebook com a lição de casa finalizada e saí do meu quarto.
—Au! – reclamei ao esbarrar em algo forte. Até perceber quem era.
—Oops. – ele falou, me segurando quando meu corpo ameaçou a cair.
Nunca sairia da minha boca como foi gostosa a sensação que percorreu meu corpo quando ele me tocou.
—Você não olha para onde anda, é? – fingi estar furiosa.
Bufei e continuei saindo.
—Lá vai você, fingindo que não se importa. Fingindo que não sente.
Uma raiva me atingiu ao ouvir aquilo. Não por ele ter dito, e sim porque era verdade.
Cheguei perto e vociferei:
—O que você está querendo dizer com isso, seu idiota?
Ele deu um passo em minha direção, o que nos deixou muito perto um do outro.
—O que está fazendo? – tentei ser dura, pois ele estava muito próximo de mim. Onde eu conseguia sentir sua respiração na minha boca, e eu odiei ter o desejado. Eu podia sentir o gosto do chocolate que havia comido há pouco tempo.
—Eu amo você, Renesmee.
Um “pop” se fez quando meus lábios se dividiram e meu queixo fez uma cratera no chão. Eu fiquei literalmente sem palavras.
E então fui surpreendida quando ele segurou meus braços e me puxou para perto. Dessa vez seu corpo estava contra o meu.
—Como ousa...? – comecei a falar, mas fui literalmente surpreendida quando ele... Beijou-me. Na boca. Forte. De início eu correspondi, mas depois voltei a realidade e uni todas as minhas forças, me separando dele.
PDV Jacob.
Céu. O gosto do paraíso era divino. E somente os lábios de Renesmee possuíam este sabor. Mágico.
Seus lábios moviam-se em sincronia com os meus, e ela estava entregue ao momento. Meu coração poderia ter um ataque cardíaco fulminante a qualquer comento. E eu estava surpreso de ela não me afastar.
Oops. Pensamento muito cedo.
Ela colocou suas pequenas mãos em meus ombros e me afastou. Um sorriso se abriu devagar em minha boca enquanto eu olhava em seus belos olhos castanhos. E então o que aconteceu foi muito rápido. Ela levantou sua mão, e quando eu menos esperava, foi de encontro a minha cara. Foi forte o suficiente para fazê-la virar.
Nesse momento descobri que Nessie nunca usava sua força para me bater de brincadeira. Seus tapas nunca doíam, mas esse doeu pra caramba.
Levei a mão até a minha bochecha, onde levei a pancada e esfreguei, encontrando seu olhar. Parecia... Prazeroso. Seu olhar e seu sorriso. Se bem que ela estava se esforçando para apaga-lo.
—Au. – exclamei por causa do tapa. – Por que está sorrindo?
—Não sei. – ela respondeu. – Estou furiosa, mas gostei de fazer isso. Doeu?
—O que você acha?
—Sim?
—Claro que doeu! – reclamei.
—Que bom. Assim você aprende a não beijar as pessoas a força.
Ela começou a andar, e esbarrou em mim de propósito. Virei-me para acompanhar seu caminhar. Tão... Graciosa. Seus cabelos voavam contra o vento conforme ela andava apressada.
Quando ela estava fora do alcance do meu olhar, levantei as sobrancelhas. Ok. Por essa eu realmente não esperava.
PDV Renesmee.
Assim que eu estava longe de sua visão, e tinha certeza de que ele não estava me seguindo, encostei-me à parede, quase sem forças para ficar em pé. Eu simplesmente odeio o fato de ter gostado de seu beijo caloroso.
Mordi o lábio inferior e encostei meus dedos nos lábios, ainda sentindo sua boca da minha. Eu gostei demais. Talvez mais do que deveria. Ou talvez como devesse.
Ainda arfante, me virei de lado com a cabeça apoiada na parede.
Ah, Jake. Você está me deixando louca...
PDV Carlie.
—Seth? – o chamei.
—Sim?
—Fui convidada para a festa da cunhada da Anne. – comecei tímida, chutando a bola em sua direção. A quadra de basquete/futebol era bem convidativa a noite. – Começa as oito. E eu estava pensando se você quer me fazer companhia.
—Cunhada da Anne, hm?
Engoli em seco. Ele não deixou se enganar. Chutou a bola de volta.
—William me convidou. – confessei sem manter contato visual, lhe passando a bola.
—Vou. – falou rápido demais, me surpreendendo. – Quero dizer, não vou deixar minha melhor amiga ir sozinha numa festa.
Sorri, agradecida. Não me importei com o seu ciúme disfarçado.
—Será que consigo me arrumar a tempo? Já são sete e meia. – falei após olhar no meu relógio de pulso.
—Você está linda. – afirmou. – Ah, mas é claro. Estou falando com a sobrinha da Alice.
—Ah, claro. Estou falando com o cara que é da matilha de Jacob Black.
Rimos.
—É melhor eu me arrumar, então. – falei parando a bola com o pé ao que passou para mim. – Não quero me atrasar. Temos aula amanhã, de qualquer forma.
—Beleza. – pegou uma respiração profunda, parecendo se preparar para dizer algo. – Qual roupa você quer que eu vista?
Senti meus olhos pularem para fora do rosto.
—Ahhh, sério? – soltei um gritinho de felicidade e me joguei nele, nos derrubando no gramado. – Você vai ficar maravilhoso de terno, sabia? – por precaução, joguei meus olhos mais pidões possíveis em cima dele.
—Está bem. – riu de mim, me segurando pela cintura. Meu corpo estava metade em cima dele, e de repente eu não tinha mais tanta vergonha da proximidade. Não me importei de ter teu rosto pertinho do meu, com o meu sorriso preferido em seus lábios. – Não precisa desse olhar, ok? Você pensa que eu não sei o que significa? Você faz isso desde pequenininha. Já estou até acostumado.
Eu ri.
—Tudo bem. – me rendi levantando. – Vou pegar uma roupa para você, tomar um banho e me trocar. Até daqui a pouco.
—Até.
Ouvi seu coração acelerado conforme eu entrava em casa. Forcei minha audição. Eu podia ouvir todo mundo na sala de jogos, porém um barulho de teclado denunciava que Leah estava focada em sua faculdade. E da cozinha dava para ouvir algo macio esfregando em algo duro, e a torneira se abrindo e fechado.
Decidi seguir o último som.
—Não sei o porquê de você não voltar com ele. Até separados vocês parecem um casal. – Renesmee comentou enquanto lavava a louça. Fiquei sem jeito de ela insinuar que nos observava.
—Não tenho ideia do que está falando. – falei. – A máquina de lavar louças realmente parou de funcionar? – reclamei indo ao seu lado e pegando o pano de sua mão. Ela ia protestar, mas falei: – Você lava, eu seco.
—Ok.
—Jacob me beijou.
A olhei, chocada e feliz.
—Não brinca?! – gritei feliz, enquanto ela tentava a todo custo fazer sinais para que eu me aquietasse. – Caramba! Jacob beijou você, e você parece muito feliz! – falei alto o suficiente para ele ouvir onde que ele estivesse em casa.
—Cala a boca! – exclamou aos sussurros e tapou minha boca com as suas mãos, uma em cima da outra.
Segurei seus pulsos com minhas mãos e afastei as suas. Sequei meu rosto quase encharcado por elas.
—E você fez o que?
—Dei um tapa nele. – falou, parecendo sem jeito ao tocar no assunto, e voltou a lavar os pratos.
—Tapa, tipo, o estapeou?
—Foi só um. E foi na cara dele.
Com essa eu ri alto, e ela me olhou indignada.
—Sério que você deu um tapa na cara dele? – falei entre gargalhadas.
Ela corou e, silenciosamente, voltou sua atenção aos pratos.
Cessei meus risos. Mas comecei a pensar em suas palavras de quase agora.
Não sei o porquê de você não voltar com ele. Até separados vocês parecem um casal.
Ela tinha razão. Não éramos amigos. Amigos não ficam próximos dessa forma. Não se beijam do jeito que beijamos. Não ficam colados um no outro de forma provocante.
Mas é assim que fazem os casais separados, certo? Eles continuam amigos. Pode até rolar um beijo, mas é supernormal... não é?
Acho que não. Talvez, se a pessoa tivesse vontade de beijar o seu ex, ela ainda teria que ter algum tipo de atração. Ou nunca ter deixado de amar.
Renesmee estava redondamente coberta de razão. Devia seguir meu coração. Seth me respeitava. Acima de todas as suas qualidades, estava o fato mais importante: eu o queria também.
—Está demorando. – Renesmee chamou minha atenção para si mesma.
Pisquei os olhos me sobressaltando. Caramba! Eu nem tinha percebido o quão eu havia demorado. Olhei a pequena pilha de louça já limpa.
—Sei bem onde estava essa cabecinha.
—Sabe nada. – discordei em tom de aviso.
—Seth Clearwater, claro.
—Calada! – gemi.
Ela riu.
—É tão bom ver pimenta nos olhos dos outros, né? – falei sarcástica.
—Que exagero. – ela discordou. – Você é muito dramática.
—Mudando de assunto... vai à festa?
Ela arqueou uma sobrancelha, confusa.
—A festa da cunhada do Will.
—Ah, sim. Ele mencionou sobre a festa da Lydia. Eu vou, acho.
—Leva o Jake. – sugeri dando de ombros, encarando o garfo que eu secava. Fiz de tudo para não rir de minha armação.
—Por que eu levaria?
—Para irmos em pares. Vou com Seth, você com Jake. – falei guardando o último prato no armário. – Ele é uma boa companhia para a festa.
—Ele devia ter pensado nisso antes de beijar a mamãe.
O prato que estava em sua mão se rachou ao meio com um barulho.
—Droga, Ness. – reclamei, enxergando os cacos no chão. – Não podemos deixar assim, temos Nick para cuidar. – sibilei, pegando um pano úmido e recolhendo os fragmentos.
—Droga! Droga! Droga! Droga!
—Vou te ajudar, espere.
Me direcionei até a área de serviço para pegar as coisas necessárias, e vi a silhueta de Jacob sumindo escadas acima. Com certeza ouviu ela.
Respirei fundo e fechei os olhos para esses dois. Renesmee era cabeça-dura demais! Mais orgulhosa do que eu. Estava na cara que ela ama ele. E deve ter uma explicação plausível para isso.
—Segure esse alvejante. – lhe ofereci após colocar no pano e limpar o restante.
—Me desculpe. – sussurrou. A olhei, surpresa. – Eu estou um pouco fora de mim. Não sei o que pensar, o que sentir. Estou uma bagunça.
Suspirei, a empatia me batendo com força.
—Eu entendo. – franzi os lábios. – Esses caras vão deixar a gente maluca.
Ela riu fraco.
—Vou lá em cima me arrumar. – falei. – E levante esse astral. – coloquei o dedo em seu queixo, erguendo seu rosto. – Uma Cullen não fica assim.
Ela suspirou e recuperou a sua postura.
—Tem razão. – ela concordou. – Uma Cullen tem dignidade.
Ri de sua frase. Tudo valia para ela não ficar mais triste. E pelo menos não estava tão para baixo.
—Fui.
PDV Jacob.
A sala de jogos não estava me distraindo. Tinha videogame, dardos, pebolim, sinuca, e nada disso me agradava. Só o que eu queria era fazer as pazes com Renesmee. Ela é o meu sol. A minha vida. Mas eu não chegaria a lugar nenhum sem falar com ela. Sobretudo, eu era tão covarde. Não queria arriscar perdê-la. Não de novo.
Decidi ir tomar um banho, e encontrei Carlie no corredor.
—Hey, Jake. – me cumprimentou apressada.
—Hey.
Parou ao notar meu tom desanimado.
—Ei, faça as pazes com minha irmã para irmos numa festa.
—Como eu faço isso?
—Sei lá, dá o seu jeito. – falou grossa, se encostando na parede atrás dela. Fiz o mesmo do outro lado, ficando de frente para ela. – Quer que eu desenhe? – revirei os olhos, mas não a repreendi. – Só tente fazer isso logo. É muito drama para esse lugar.
—E você e o Seth? – apontei.
—Logo tudo se ajeita. – corou, entretanto sustentou meu olhar.
—É assim que se fala.
Fiquei feliz de ela decidir voltar com o garoto. Eles se mereciam. Completavam-se.
—E de quem é essa festa mesmo?
Se antes o rosto dela estava corado, agora ganhou um tom de escarlate.
—Da cunhada da Anne.
Ri disso, não me deixando enganar.
—Vai levar Seth para a festa da cunhada do seu ex? – provoquei, e ela deu um tapa no meu braço.
—Calado. – falou entredentes. – Vou me arrumar. Pode entregar isso ao Seth?
Só agora tinha percebido uma muda de roupa em suas mãos. Concordei. Ela se foi para o seu quarto e eu joguei na cama do quarto de Ness, avisando o garoto cujo estava no banho.
PDV Renesmee.
Joguei os panos fora após me certificar de que tudo estava limpo.
Esse sentimento por Jacob estava me embaralhando. A raiva era porque eu o amava, talvez. E não queria que tivesse tanto obstáculo entre nós.
Eu o queria. E queria saber sobre ele e mamãe.
—Você pegou toc da sua avó?
Virei-me para a súbita voz. Jake estava encostado na soleira da porta. Usava uma bermuda e uma camisa simples.
—Não. – respondi finalmente, voltando a atenção para onde eu lavava minhas mãos. – É que eu quebrei um prato e não quero que Nick se machuque. – dei de ombros. Fechei a torneira e a encarei.
Fez-se silêncio por alguns segundos. Estava estranhamente desconfortável na presença dele. Odiei me sentir assim. Era para sermos apenas melhores amigos!
—Soube que vai a uma festa hoje. – não consegui destinguir em seu tom se estava apenas puxando assunto, se era ciúme, ou queria que eu o chamasse para ir comigo.
—É, mas não sei se vou. – murmurei enquanto me virava para encará-lo.
—Por quê? – ele franziu o cenho. Senti meu coração errar uma batida com o jeito como ficou lindo.
—Não tenho companhia. – suspirei. – Carlie, que se diz minha melhor amiga, vai levar Seth. E eu to sentindo que vou ficar de vela. Então ficaria sozinha a noite toda, prefiro ficar em casa.
—Quer que eu vá com você? – perguntou Jacob, sem rodeios.
—Prefiro ir sozinha. – recusei rudemente. Fui para fora, chateada. Toda a mágoa se sobressaindo da vontade de beijá-lo e tocá-lo.
—Ei, Ness. – ouvi sua voz tão perto de mim murmurando o meu apelido em que ele me dera quando eu era criança. – Vamos conversar!
—Conversar o que? – fiz uma pergunta retórica enquanto parava. Não estava esperando pela minha parada súbita, então ficamos próximos um do outro. Seu rosto estava tão perto do meu, nossos narizes quase se tocando.
Fiquei com vergonha de ter seu corpo perto do meu, então dei um passo para trás.
—Me deixa explicar tudo isso, por favor!
—Me deixa em paz, Jacob.
Virei-me para continuar andando, mas sua mão em meu braço me impediu.
—Jacob, me solta. – pedi calma e cansada de atacar.
—Por favor, me ouça!
Suspirei, doendo por dentro vê-lo assim de repente, sem seu tom brincalhão de costume.
—Tá legal. – me rendi e me desvenchilhei cuidadosamentede sua mão. Ainda que tivesse me ferido por dentro, não queria o magoar.
Meus olhos pousaram em seus lábios. O desejo tomando conta de mim. E eu sentia que estava jogando gasolina no fogo.
—Olha, você já soube da história dos seus pais, certo?
Assenti sem saber aonde ele queria chegar.
—Então. Comigo e com você foi quase a mesma coisa. Seu pai amava a sua mãe, mas ao mesmo tempo queria matá-la. Com nós dois foi assim também, mas era como se você fosse a sua mãe... Ou uma parte dela o tempo todo. Depois que você nasceu, eu descobri que quem eu amava era uma parte de você na sua mãe.
A verdade que transpareceu em seu olhar tirou uma tonelada das minhas costas. Eu não sabia dessa parte. Nunca soube. E foi bom entender que em momento algum ele foi um canalha comigo.
—Estou falando a verdade! – ele assegurou assim que captou a hesitação em meus movimentos.
—Mesmo assim. – falei sem pensar. – Você beijou minha mãe!
Enquanto eu falava, eu o socava no peito, tentando ficar com raiva dele.
—Nessie, calma! – ele pediu, segurando meus pulsos.
—Me solta! – grunhi tentando me livrar de suas mãos.
Fui surpreendida quando ele puxou minhas mãos que ele segurava, e nos deixou mais próximos. Nunca estive tão perto dele dessa forma. A palavra “amigos” não existia mais entre nós. O gosto de sua boca ainda estava em minha mente de mais cedo, e eu seria a maior mentirosa do mundo se dissesse que não queria experimentar outra vez. Sua respiração pesada contra a minha face me alertava do que estava prestes a acontecer. As mãos que ele segurava viraram gelatina; pararam de lutar contra o inevitável.
Seus olhos variavam entre meus lábios e meus olhos, para ver minha reação. Parece que ele não queriria levar outro tapa. Eu teria rido com esse pensamento, se não tivesse com a minha boca ocupada.
E então finalmente caiu a minha ficha; eu não tinha mais como escapar.
Passei o braço ao redor em torno de seu pescoço e agarrei seu cabelo com a outra mão. Ele me puxou para si com a mão em minha cintura e a outra no meio de minhas costas. Foram as mesmas sensações do primeiro beijo. Com a sutil diferença de que eu não queria bater nele.
Jacob inclinou sua cabeça para juntar mais nossos lábios. Logo eu já estava em suas mãos. Abriu a boca e eu o segui, e assim começamos um beijo quente. Apertei meus braços em seu pescoço para não cair, já que minhas pernas se tornaram quase inuteis em sua função. Ele contornou meu lábio com sua língua. Não consegui controlar meus instintos. Levei a minha para encontrar a sua.
Não sei quanto tempo o beijo durou. Porém depois do que pareceu muito pouco tempo, nos afastamos.
Olhei em seus olhos, e ele parecia feliz. Seu sorriso também não negava nada.
—Jacob Black, eu te amo. – falei. Seu sorriso se esticou mais ainda, e me contagiou.
—Eu te amo, Renesmee Cullen. – e me abraçou.
Levei meus lábios para encontrarem os seus.
—Renesmee?
Gemi me separando dele quando ouvi minha irmã me chamando.
—Ela não faz por mal. – ele me disse quando viu minha cara.
—Eu sei. – suspirei.
—Renesmee!
Falou mais alto.
—Deus! Vamos logo.
Ele segurou minha mão e entramos em casa. Eu não podia estar mais feliz.
PDV Carlie.
Tomei um banho rápido. Vesti uma roupa adequada para a festa e me maquiei. Em surpreendentes quarenta minutos eu estava pronta.
Estava na hora de encontrar Seth.
Seth.
Sempre foi um mistério como ele mexia comigo. Desde que voltamos para Forks ficou tudo diferente. E agora a resposta era clara como água: imprinting. Eu estava começando a me sentir honrada de ser alvo disso. O imprinting me dava a certeza de que sempre teria alguém ali por mim.
Suspirei e me levantei da cadeira. Me certifiquei de que tinha todos os acessórios que faziam parte da minha vida comigo. Meu anel da família, certo. O colar que Seth me deu, certo. A pulseira que ganhei da mamãe quando era pequena, certo.
A observei por mais um momento. Mais que a minha própria vida em francês. Renesmee tinha um colar com essa frase.
A mulher que nos deu esse colar e pulseira estava prestes a dar sua vida por nós duas nesse dia. Ela jamais magoaria a mim ou a minha irmã. Tinha que ter uma explicação sobre tudo isso. E eu torcia para que fosse esclarecido logo.
Saí do quarto, me surpreendendo que Seth também saiu do quarto de Ness. O único barulho que eu ouvia eram os lobos no quarto de jogos – eles viciaram em ficar ali – e Leah dedilhando o teclado de seu notebook. Pude captar a respiração calma de Nick, e as vozes de Mendy e Embry cochichando. Com certeza ficariam e babás.
—Uau. Ficou muito bom. – elogiei, temendo gaguejar. Ele estava avassalador.
Usava uma calça jeans escura e um tênis social. Mas o que destacava era a camisa social preta com estampa em +, e um blazer que parecia muito um terno. Seu cabelo estava penteado para o lado, e eu nunca imaginei que pudesse ficar charmoso com o cabelo maior.
—Fiquei um pouco brega, sim. Os caras me zoaram. Mas confio no seu bom gosto.
—Eles estão com inveja. – afirmei. Num gesto impensável, peguei a sua mão. Pensei em soltá-la, mas iria ficar sem jeito.
—Aliás, você está linda. – Seth apertou minha mão, é claro que eu tinha que corar nessa hora!
—Obrigada. – murmurei de cabeça baixa.
Descemos as escadas.
—Renesmee? – a chamei, mas não a ouvi de volta. Seu cheiro estava recente e por perto.
—Não vi Jake também. Será que...?
—Eu espero que sim. – falei entendendo o que quis dizer. – Renesmee!
Segundos depois ouvi passos lá de fora, agora entrando em casa.
—Quer parar de gritar que eu não sou surda! – ela exclamou irritada. Observei a cena maravilhada. As mãos dos pombinhos grudadas uma na outra.
—Agora sabe porque não viu Jake antes. – falei com Seth na intenção de provocação. Aproveitei a deixa para soltar sua mão. – E aí? Se acertaram mesmo?
—Sim. – ela abaixou a cabeça constrangida. – Jacob apenas me explicou algumas coisas que eu precisava entender. E vocês? – ela perguntou levantando a cabeça com um olhar malicioso. – Também voltaram?
—O “também” não é nesse caso porque vocês nunca terminaram. – tentei me esquivar.
—Tanto faz! – ela se recusou a desviar do assunto. – Vocês voltaram?
—Só estamos indo para uma festa como amigos. – me limitei a dizer isso.
Ela semicerrou suas pálpebras, frustrada com a minha resposta.
—Sério, Carlie? Seth, faça algo a respeito!
A olhei chocada. E eu não tinha direito de opinião?
—Hello! Eu estou aqui! – exclamei sem acreditar.
—Desde que você não enxerga o casal perfeito que são, não tem direito a fala.
Me rendi ao riso, ao invés de explodir com ela. Eu a entendia. Me sentia assim em relação ela e Jake.
—Desculpe, Nessie, mas a decisão final vai ser sempre dela. – Seth deu de ombros, e lhe mandei um sorriso terno.
—Se vocês vão na festa, precisam se arrumar agora. – alertei, desviando do assunto.
—Droga! – Renesmee exclamou. – Eu nem me arrumei. Será que vai dar tempo?
—Elas duas falam a mesma língua.
—Engraçadinho. – torci o nariz para Seth e seu comentário bobo.
—Vou me arrumar bem rápido e...
—Ness, olha. Faz assim: Seth e eu vamos na frente, ok?
—Tudo bem. – ela respondeu rapidamente, com seus olhos se esbugalharam e um sorriso malicioso.
—Como você nem sequer disfarça! – minha voz subiu três oitavas, indignada. – Só... vá logo. Já está ficando tarde.
...
Era meia noite. A festa não durou muito já que era no meio de semana. Mas nos divertimos.
William estava lá. Não ficou feliz em me ver com Seth, entretanto tinha classe o suficiente para não demonstrar. Ou tentar. Eu podia ouvir seu coração acelerando quando nos falamos. Ou as vezes que engoliu em seco ao olhar para nós. Anne também não simpatizou muito com Seth. Em sua cabecinha me devia ter como a cunhada perfeita.
Tomei uma respiração profunda. Pareceu uma eternidade até estarmos de volta em casa. Em meu quarto, já arrumada para dormir.
Minha garganta parecia muito seca de repente, e eu desci para beber água. Agucei minha audição e eu era a única acordada. O silêncio predominava na casa toda. Do lado de fora, eu via através da janela de vidro da sala. Sempre que era à noite, o vento ficava mais forte. Eu ouvia nitidamente o som dos grilos e outros demais animais pela floresta.
Pensar neles fez minha garganta arder. Eu simplesmente odiava o fato dela parecer estar em chamas. Era tão incomodante!
Com o inverno chegando, junto viria a neve. O frio já estava a anunciando com ímpeto. Sempre gostei da neve, mas era decepcionante quando se formava uma poça de água em minhas mãos. Nunca conseguia ver se tinha forma diferente.
Saí dos meus pensamentos quando pisei em falso na escada e caí. Ficou tudo confuso em minha mente, e só enxerguei algo ao me ver no pé da escada. Ótimo. Rolei tudo com um baque alto.
Não sei como, mas meu tornozelo e minha cabeça estavam doendo muito. Tentei levantar, e uma dor me impediu.
Um arrepio surgiu em meu corpo, e tive a sensação de estar sendo vigiada. Minha respiração acelerou, e meu coração vacilou em seu batimento. Tentei enxergar com minha visão além da janela, mas sem conseguir me erguer não adiantaria muito.
Ouvi passos lá em cima e me sobressaltei, até que o cheiro encheu minhas narinas, me preenchendo de alívio.
—Carlie, o que houve com você?
Assisti Seth correr escada abaixo, aflito. Eu segurava meu pé, tentando conter a dor.
—O que está fazendo acordada nessas horas? – me perguntou ficando sobre seu joelho, sua voz sempre preocupada. Suas mãos estavam estendidas para me pegar a qualquer momento, mas parecia ter medo de que fosse me causar alguma dor.
—Estava com insônia. – respondi.
Ele aparentava estar com sono ou simplesmente cansado. Percebi que nem havia se trocado desde que chegamos. Apenas o blazer não estava mais ali. Sua camiseta estava com a maioria dos botões abertos. Seu cabelo despenteado, denunciando que já tirou uma soneca antes de me encontrar aqui.
Eu percebi todos esses detalhes, todavia meus olhos não conseguiram sair de sua barriga definida praticamente nua.
Acordei do transe quando ele me pegou no colo. Minha blusa tinha se levantado um pouco quando ele me segurou em seus braços, fazendo minha cintura entrar em contato com seus gominhos. Meu coração disparou totalmente ao senti-lo em mim.
Enquanto me levava para dentro da cozinha, deitei a cabeça em seu peito quente e aproveitei para descansar meus braços em seu pescoço. O deixei me acalmar do sentimento estranho de agora há pouco.
—Vou fazer uma compressa de gelo para você. – ele avisou, puxando uma cadeira com o pé e me sentando na mesma. Quase no mesmo instante já tinha outra com o meu pé descansando em cima. Prendi o riso de sua urgência desnecessária.
Seth começou a andar pela cozinha a procura das coisas necessárias.
—É só o seu pé que dói? – falou ele, seu corpo ágil indo para lá e para cá.
—Minha cabeça dói um pouco também.
—Aqui.
Pouco tempo depois estava perto de mim outra vez. Levantou minha perna da cadeira para se sentar, e a pôs em cima de sua coxa. Senti meu corpo esquentar com esse mero contato.
—Dói muito. – resmunguei depois de ele colocar a compressa em meu pé.
—Já, já passa. – ele tentou me tranquilizar. – Acho que não quebrou. Foi apenas uma torcida.
—Uma torcida que doeu pra valer!
—Desse jeito não dá mais para sair de perto de você! – falou com um tom repreensor e preocupado, e meu coração acelerou só de imaginar ele comigo o tempo inteiro. Eu jamais reclamaria. – Em todo lugar que você vai, arranja problemas.
—Eu me distraí com pensamentos. – me expliquei, tímida.
Por um momento, ele ficou concentrado em meu tornozelo, tentando ser delicado. E eu me concentrei nele, observando sua perfeição. Seu cabelo negro, todo desarrumado, dando-lhe um ar sexy. Sua pele branca e jovial, parecia chamar meus lábios. Suas bochechas com uma cor vermelha, presumi que ele estava sentindo meu olhar sobre ele. Seus lábios franzidos, e eu compreendi que estava tentando focar em meu machucado. Me perguntei se eu o estava o distraindo.
O silêncio era de uma forma chato, porque eu queria conversar com ele. Por outro lado, sempre foi confortável ficar assim com Seth. Ele tinha uma aura amigável, trazia paz.
Depois de observar sua feição, pude desfrutar de seu abdome. Acho que eu nunca tinha notado o quão ele era lindo. Obvio que eu não o ficava observando igual uma maníaca toda vez que ele tirava a blusa. Pelo menos não como agora, que estávamos a sós num momento... íntimo. Eu o tinha só para mim, e não arrancaria pedaço só olhar.
Pelo menos só de olhar. E se eu...
—Carlie.
Ele falou finalmente levantando seus olhos, e seu rosto ganhou mais cor quando me pegou o encarando. Estranhamente não me envergonhei por ter sido pega no flagra. E sustentei seu olhar.
—Eu sempre me pergunto; por que a gente está separado?
Franzi levemente os lábios. Eu sabia que mais cedo ou mais tarde ele me perguntaria isso.
—Eu queria entender porque não me deixou me explicar, por que foi embora sem mim...
—Eu não queria ir embora, eu não queria me afastar; mas também não queria me machucar.
—Eu só queria que você me desse uma chance. – ele quase me interrompeu, puxando minha cadeira em sua direção com o seu pé.
Fiquei nervosa quando deixou minha perna dolorida cair delicadamente para o lado, e a minha outra perna estava do outro lado de sua cadeira, o fazendo ficar entre minhas pernas. Só o que dificultava mais a nossa aproximação era que cada um estava sentado em cadeiras diferentes.
—Será que é pedir demais? – ele aproximou seu rosto do meu.
Meu coração ficou partido com o que ele disse.
Como não queria fazê-lo sofrer mais, deixei que ele roçasse seu lábio superior no meu. Sem querer, deixei meu hálito sair de minha boca em uma respiração entrecortada. Levou seus dedos a colocarem meus cabelos para trás, e durante isso eles rasparam pela minha nuca, me fazendo estremecer. O canto de sua boca encostou-se à minha, e eu quase me virei para capturar seus lábios. Mas o deixei continuar.
Suspirei quando sua boca se encostou a minha orelha, e ele mordiscou o lóbulo da mesma, fazendo um arrepio atingir meu corpo.
—Eu te amo.
Fechei os olhos, me entregando a sensação maravilhosa de seu sussurrar em minha pele. Me surpreendi ao sentir sua mão em minha cintura, parecia queimar de uma forma gostosa ali.
—Eu te amo.
Essas foram suas últimas palavras antes de ele inclinar sua cabeça para trás, levando seus lábios de encontro aos meus.
Nos sobressaltamos com um baque que pareceu vir de um dos quartos. Suspirou e se afastou, e xinguei mentalmente quem fez esse estrondo.
—Alguém esqueceu que Nick mora aqui. – resmunguei me levantando após empurrar a cadeira para trás.
Fui mancando até a bancada após constar que meu pé ainda estava doendo quando levantei.
—Parece que não deu muito tempo para você se arrumar antes do sono te vencer. – Puxei assunto assim que me sentei ali, já que estava constrangida por causa do que quase aconteceu entre nós. Eu não queria que nada tivesse atrapalhado. Seu toque em mim estava tão bom e tão... excitante.
—Pelo jeito deu tempo de você se arrumar. – ele comentou olhando meu corpo, e depois disfarçou. Sorri do seu jeito sem graça.
Meu pijama da vez era um baby doll. A parte de cima era mais para um cropped preto rendado, e um short de cetim na cor vinho com renda preta na barra.
—É. Eu estava cansada, mas resolvi me preparar para dormir logo.
—Eu não tive a mesma sorte.
Rimos.
—O sono me venceu.
Rimos novamente. Era tão gostoso ficar nesse clima leve com ele.
—Estou com sede. Onde ficam os copos?
Apontei para o armário acima da minha cabeça. Eu conhecia a cozinha como a palma da minha mão. Isso me daria vantagem com o plano que eu tinha em mente.
Esbocei o sorriso em meu rosto ao vê-lo levantar e andar hesitante em minha direção.
—Pode me dar licença?
—Pegue. – dei de ombros. Deus sabe o esforço que eu estava fazendo para não rir de sua dificuldade.
—Mas como?
—Tente.
—Você sabe onde provavelmente isso vai dar, certo?
—Sei.
Ele suspirou. Era explicito seu nervosismo. Vi seu pomo de Adão se mexer com nossos rostos próximos conforme tentava alcançar o armário acima de mim. Eu já tinha dificultado um pouco, já que eu tinha sentado na beira do balcão com as mãos apoiadas nele, casualmente inclinando meu corpo para frente.
Seth se esforçava em concentrar em alcançar o armário. E eu tirei proveito disso para me aproximar de forma sorrateira.
Deixou sua mão cair na bancada com um leve baque ao que nossos narizes se tocaram. Sorri vitoriosa. Era maldade fazer isso com ele. Tão doce e meigo que parecia até um tipo de abuso da minha parte.
Soltei meu hálito em sua boca propositalmente, e sua respiração se tornou ofegante. Senti sua mão trêmula hesitar em minha cintura. Eu percebia sua luta interna para não me beijar, como havia prometido.
—Carlie. – seu sussurro me atingiu com ímpeto, e eu mordi o lábio tentando resistir. Queria ver onde isso iria dar antes de me entregar.
Levei as mãos para deslizarem em seus braços fortes, enquanto os mesmos se fechavam em minha volta. Seus lábios estavam a um milímetro dos meus.
De repente senti medo. Medo de ser interrompida por alguém entrando na cozinha, ou Nick acordando, ou um meteoro caindo no meu jardim.
Mas antes que eu tivesse qualquer outro pensamento, ele se inclinou de uma vez selando nossos lábios.
Levei a cabeça para frente, apertando nossos lábios. Colocou o dedo em meu queixo, erguendo minha cabeça. Sua mão hesitou em minha bochecha e depois se afastou. Quando ele foi para trás, eu tentei capturar seus lábios, portanto se afastou de vez.
—Ah, droga! – exclamou agarrando seu cabelo com força.
—O que houve? – perguntei assustada. Seu olhar tinha uma mágoa que eu desejei desesperadamente poder tirar.
—Eu quebrei minha promessa! Eu prometi que não ia te beijar enquanto você não pedisse. Droga!
Quando aquilo se encaixou em minha mente, fiquei aliviada.
—Seth. – segurei sua roupa antes que pudesse se afastar, já que andava de um lado para o outro, preocupado. Isso prendeu sua atenção em mim. – Você se lembra quando falei que não ia precisar manter a sua promessa por muito tempo?
Ele assentiu lentamente, confusão e dor estampada em seu rosto.
—Esse tempo já esgotou.
Sem perder nem mais um segundo, o puxei para mim, colando nossos corpos e rostos. E lhe roubei um beijo ardente, com muita saudade. Eu senti naquele momento como o início de tudo. Nós dois em sua casa a sós, depois no carro quando o clima entre nós esquentou.
E cá estamos, sozinhos outra vez, e sem meus pais por perto para me barrar.
Com esse pensamento, levei minha mão para dentro de sua roupa aberta, entrando em êxtase com o contato de sua pele. Senti minha mente explodir de vontade, tendo imaginando tudo isso por muito tempo sendo que nosso relacionamento durou pouco.
Seus lábios nos meus eram ágeis. Pareciam saber com exatidão o que fazer. Uma mão sua foi para trás da minha cabeça, segurando meu rosto para si mesmo. A outra passeava sem pudor desde o meu joelho, subia minha coxa, caminhava por meu quadril e cintura, e parava nas minhas costas. Depois fazia o mesmo caminho outra vez. Já eu explorava seu peitoral e barriga, me segurando para não rasgar aquela droga de camiseta.
Escorreguei para a ponta da bancada, assim ficando corpo a corpo com Seth. Meu corpo se contorceu ao sentir sua intimidade. Aquilo estava me enlouquecendo. Eu precisava dele mais do que nunca.
PDV Renesmee.
Respirei fundo frustrada. Não conseguia pegar no sono. Eu me sentia inquieta. A insônia tinha me pegado como nunca antes. E a causa também era nova.
Jacob.
Seus lábios não saiam de minha mente. Nosso primeiro beijo de verdade.
Havia tantas qualidades em Jake; inteligente, bonito, forte, romântico, cabelos negros, lábios cheios, alto. Tudo o que uma garota sonha. Mas o que não parava de passar em minha cabeça era: por que justo ele? Tantos garotos no mundo e tinha que ser ele?
Eu o amo. Não havia dúvidas disso. Entretanto me matava por dentro não saber se era somente eu... ou o imprinting. Eu me sentia levemente manipulada.
Soltei um suspiro exasperado. Podia ser só paranoia da minha mente. Jake me trata como uma princesa. E meu pai sempre me ensinou a nunca deixar um homem me tratar como nada menos que uma.
As vezes o ciúme me faz esquecer de “agir” como uma. Já que ao voltar do banheiro lá na festa, uma ruiva estava ridiculamente se jogando para cima do meu namorado. Deus sabe o esforço que fiz para não avançar nela e destruir aquela trilha de dentes brancos. O que com certeza me acalmou foi que assim que cheguei nele, me puxou para perto fazendo questão de me exibir.
Desistindo de tentar dormir, me levantei. Meu pé pisou errado no chão, fazendo um baque alto. Olhei ao redor, e fiquei aliviada que ninguém tinha acordado.
Calcei minha pantufa e saí após desviar dos colchões. Me surpreendi ao dar de cara com Jacob sentado no chão encostado na parede. Não tinha visto que seu colchão estava vazio.
—O que faz acordado a essa hora? – chamei sua atenção enquanto caminhava até ele e me sentava ao seu lado.
—Não consegui mais dormir.
—Está com sono?
—Nem um pouco. Por quê?
—Vamos caçar? – sugeri.
—A essa hora? – ele perguntou, franzindo o cenho, surpreso com a minha sugestão.
—Qual o problema? Está escuro demais para você? – caçoei.
—É área desconhecida. Não sabemos quem vamos encontrar. É melhor esperar amanhecer.
—Tudo bem. – falei me levantando, seus olhos me seguindo. Minha arma secreta já estava preparada. Eu sabia que ele não resistiria. – É melhor mesmo eu dormir bem. Stefan me chamou para jogar com ele e os irmãos qualquer dia. Talvez eu já vá depois da escola... – dei de ombros e comecei a andar.
—Ness, espere. – ouvi sua movimentação. – Vá se trocar que estou te esperando lá em baixo.
Virei-me contente e corri em sua direção, o abraçando e o beijando.
—Obrigada. – sussurrei contra os seus lábios. Ele pôs os braços em minha cintura, colando nossos corpos. – Jake, desse jeito não consigo me trocar.
—Talvez eu não queira deixar você ir. – ele murmurou, sua voz de repente rouca causou um tremor em meu corpo. Engoli seco. Aquilo foi muito sexy. Tive a impressão de que minha temperatura subiu, e não era por causa dele.
Fui surpreendida quando, ainda mantendo um braço ao redor de minha cintura, se apoiou na parede me colocando contra a mesma. Ele juntou ainda mais os nossos corpos. Sua boca era urgente na minha.
—Jacob. – murmurei baixinho quando ele começou a beijar meu pescoço. Minha respiração se alterou. Fechei os olhos, me entregando à sensação de seus lábios em mim. – É melhor a gente ir logo antes que fique muito tarde.
Apesar das minhas palavras, passei as mãos em seus braços e ombros, me deliciando com o que sentia.
—E se eu não quiser que você vá?
—Jake. – resmunguei baixinho, o fazendo rir.
—Tudo bem. – deu mais um beijo ali e se afastou, mas ainda com o seu rosto perto do meu. Seus olhos profundos me encarando davam a impressão de poder enxergar a sua alma. – E se ainda não falei o bastante para você: eu te amo.
Fiz cafuné em seu cabelo, uma paz se estabelecendo em mim.
—Eu também te amo. Só levei um tempo para descobrir.
Ele me deu um último selinho.
—Ok. Então vá se arrumar. Vou te esperar aqui.
—Ok. – sorri e fui ao meu quarto.
Entrei no closet e coloquei um moletom e um tênis de corrida. Prendi meus poucos cachos num rabo de cavalo e voltei ao seu encontro. Como havia dito, me esperava ali.
—Vamos?
—Vamos.
—Só vou beber um pouco de água primeiro.
Descemos as escadas.
Nos dirigimos para a cozinha. Congelei no batente ao ver quem estava ali. Olhei para Jake, e ele tinha sua boca num O.
Fale com o autor