A Irmãzinha
42 Epílogo
Notas iniciais
Vinte anos depois...
Suspirei sorrindo antes mesmo de abrir meus olhos.
Mesmo depois de vinte anos, eu ainda sorria feito a boba apaixonada que sou ao acordar ao lado do meu marido.
Senti seus braços em volta do meu corpo e abri os olhos ansiosa para ver seu rosto e o observei por um longo momento, sentindo meu coração se acelerar com o peso do meu amor por ele e depois, desacelerar lentamente como todas as manhãs.
Meu Edward continua lindo, o tempo só foi melhorando o que já era perfeito, seu rosto estava mais maduro, digno do jovem senhor de quarenta anos que ele é hoje. Seus lindos cabelos cor de cobre estavam um pouco escurecidos com o tempo e eram tão bagunçados quanto o do menino que conheci há tanto tempo, ainda tinha o mesmo brilho intenso em seus olhos e o sorriso torto que vira e meche brincava em seus lábios e me fazia derreter como sempre fez.
Edward estava agarrado a mim, com o rosto em meu travesseiro, mas longe o suficiente para me fazer chegar mais perto e beijar seus lábios delicadamente, uma... Três... Varias vezes até que ele acordasse e aprofundasse nosso beijo me deixando sem fôlego em pouco tempo. Ao parar para respirar, nós sorrimos um para o outro e ele suspirou me puxou para um abraço apertado.
Meu marido ficou em silencio acariciando meus cabelos e me apertando contra ele por um bom tempo todo pensativo. Ele estava assim há alguns dias e eu tinha a certeza que era pelo dia que se aproximava e sabia também que hoje seria pior por que o grande dia em questão chegou.
–Nossas manhãs são tão quietas agora não é Bella? — Edward me tirou de minha reflexão falando baixinho com a voz saudosa e eu suspirei entrando em seu clima de nostalgia.
Desde que Molly veio para nossa vida, todas as manhãs ela acordava e vinha correndo até a nossa cama desejar bom dia nos enchendo de beijos, abraços e nos presenteando com as suas conversinhas gostosas, exatamente como tinha me prometido no dia do meu casamento.
No começo nós éramos surpreendidos por ela que nos interrompia na melhor parte da nossa manhã de recém casados, até que passamos a trancar a porta. Ela não se intimidava e batia, muitas vezes impaciente sem entender por que nós a trancávamos para fora. Aos poucos explicamos que ela não podia entrar sem bater na porta e sem que dessem permissão e quando ela entendeu nós aos poucos paramos de trancá-la.
Aos finais de semana, nós tomávamos café da manhã na cama e ficávamos ali por horas e horas a fio e, quando Rosário cresceu um pouquinho ela acompanhava a irmã e a tradição passou para meus outros filhos também: Renesmee e Elizabeth, assim como meu Benjamim.
–São mesmo — suspirei tão nostálgica quanto ele ao me dar conta que nossos filhos cresceram e que aos poucos iam deixando essa tradição de lado, já que Molly não comandava mais a turma e Rosário, sua fiel escudeira, também não estava mais ali, Nessie já com quinze anos e Lizzie com treze, até vinham nos fins de semana e em dias especiais, mas Ben o menor com seis anos, era preguiçoso demais para levantar de sua cama e vir aqui
–Eu sinto saudade de toda a agitação de manhã.
–Eu também sinto, mas se nossos filhos estivessem aqui agora nós não estaríamos assim – sussurrei passando minha mão pelo seu corpo nu até parar em seus pelos pubianos, deixando meus dedos passearem por ali arrancando um sorriso, ainda muito fraco, de Edward.
–Eu sei – ele suspirou – eu sinto falta até da nossa correria para encontrar uma roupa e abrir a porta em tempo recorde todas às manhas – eu ri me lembrando.
–Amanhã Molly vai estar em casa querido, tenho certeza que ela vai promover uma excursão como nos velhos tempos. Sabe que nem Ben escapa — ele riu fraquinho e suspirou.
–Não vai ser a mesma coisa sem a Rosário — ele disse me apertando ainda mais em seus braços e eu tive a certeza do que se passava em sua cabeça. Eu olhei para ele que encarava o teto pensativo e toquei seu rosto fazendo-o olhar para mim.
–Edward... — tentei dizer, mas ele me interrompeu com um beijo.
–Eu sei meu amor, eu sei. Acredite, eu estou feliz por ela, estou orgulhoso de nossa menina estar se tornando freira hoje — ele suspirou me abraçando mais forte — mas é estranho, foi tudo tão de repente, eu ainda estou... Perdido.
–Você sabe que não foi uma decisão tomada de uma hora para outra...
–Eu sei Bella, mas isso me assustou e assusta. Desde que ela tinha quinze anos e começou a freqüentar o convento, participar dos projetos das irmãs eu soube que isso acabaria assim.
–Isso começou bem antes amor. Nós a criamos, bem grudada na barra da batina do padre Harry e ela tinha o maior orgulho de ajudar o padrinho no que ele pedia e isso entrou no coração dela de uma maneira irreversível.
–Mas isso não quer dizer nada, Molly e Rosário aprenderam as mesmas coisas e se isso tivesse alguma coisa a ver, nós teríamos duas freiras e assim, Molly não estaria noiva agora — ele disse suspirando. Por mais que Embry fosse um ótimo garoto e ele já ter se adequado a nossa família com perfeição, Edward não conseguia se referir a ele sem a habitual careta de ciúmes.
Molly já com vinte e cinco anos estava com a sua vida em andamento. Como o bem estar do próximo sempre fez parte de sua vida, ela agora mora em Seattle, terminado sua pós-graduação em serviço social e seu sonho era trabalhar em um orfanato ajudando crianças a encontrar lares felizes, assim como seu noivo, que era formado em direito e estava se especializando em vara de família com o mesmo objetivo.
Embry era verdadeiramente a alma gêmea de Molly e eles combinavam em tudo, mas o que mais me impressionava era a forma como ele a olhava e estava sempre buscando o sorriso dela. Era visível o quanto eles se gostavam e isso deixava meu coração em paz principalmente quando eu ouvia os planos de ficarem juntos para sempre.
–Eu sei que não — respondi depois de refletir um instante — elas sempre foram completamente diferentes nesse aspecto e eram os pequenos sinais que faziam a diferença, você lembra? Desde pequena Molly, Lizzie e Nessie me pediam para ensiná-las a fazer as coisas que você gostava, para te agradar enquanto a Rosário perdia a paciência a me ver te ajudando a encontrar coisas que estavam bem na sua cara — eu suspirei saudosa.
–Ela não se conformava em como a mamãe fazia o prato do papai em todas as refeições ou como Esme sempre deixava as coisas de Carlisle arrumadas para ele ir trabalhar — eu ri baixinho — ela sempre achou um absurdo quando Rose tinha que levar a toalha de banho para Emmett no banheiro ou quando Alice escolhia as roupas de Jasper para que ele combinasse as peças corretamente. Eu sempre tive que explicar, várias e várias vezes, que isso são coisas que as esposas fazem para seus maridos e ela nunca entendeu, sempre dizendo que se fosse para fazer isso ela jamais se casaria — Edward riu com a lembrança.
–É verdade ela não suportava brincar de casinha com as irmãs, em pouco tempo ela inventava uma brincadeira diferente, fosse qual fosse.
–Sempre pensei que fosse uma fase normal, como a de algumas crianças que repudiam o sexo oposto e achei que logo ia passar, mas quanto mais o tempo passava, mais ela tinha isso fixo na cabeça.
–Molly até tentou levá-la para algumas festas e apresentar alguns garotos...
–Lembra como ela passou dias muito brava com a Molly por ela ter insistido que ela desse o primeiro beijo? — nós rimos — ela ficou com muito nojo e eu tenho certeza que foi depois disso que ela decidiu que queria ser freira. A partir desse episodio nós passamos a ter longas conversas onde ela me pedia para descrever com detalhes sobre como eram meus dias no convento e o que uma pessoa precisa ter ou fazer para se tornar freira. Sei que ela falou muito com o padre Harry sobre vocação, mas guardava tudo para si mesma, tanto que seu interesse só foi visível de verdade quando ela passou a frequentar e participar dos projetos das irmãs – Edward assentiu suspirando.
–Se é o sonho dela é claro que eu apoio e fico feliz, apesar de nunca imaginar que uma filha nossa fosse seguir esse caminho, ainda mais aquela que foi gerada praticamente dentro de um convento.
–Deus reserva muitas surpresas para nossa vida, coisas que nem imaginamos e que ele tinha planejado há tempos.
–Eu só espero que ela seja feliz, é tudo o que eu mais quero.
–Ela vai ser, não se preocupe — eu cheguei mais perto e o beijei delicadamente, mas ele me puxou para aprofundar. Nossos corpos nus e entrelaçados se arrepiaram, mas antes de mais alguma coisa eu me afastei suspirando.
–É melhor a gente se levantar e acordar as crianças, ou então vamos nos atrasar. Além do mais, a Molly vai chegar daqui a pouco e temos que ficar prontos.
–Sim está na hora — Edward murmurou beijando meu pescoço — mas ainda temos tempo para um banho bem gostoso.
–É melhor não... Não vai dar tempo.
–Você não vai me negar isso não é? Ainda está cedo e eu quero muito te dar um banho — ele me beijou de uma maneira que não havia como negar e sabendo que eu estava rendida, ele se afastou sorrindo — eu vou lá preparar tudo para nós, não demore.
Eu o observei ir para o banheiro em nosso quarto. Nós nos mudamos para uma casa bem maior há sete anos, quando me descobri grávida de Ben. Eu amava nossa casinha, mas nós mal cabíamos nela, quanto mais com mais uma pessoinha a caminho.
Padre Harry ajudou Edward a se formar em teologia e hoje ele dava aulas para futuros padres no seminário onde estudou um dia. Ele era feliz trabalhando nisso, realizado de verdade e como ganhava um pouco melhor, ele conseguiu comprar essa nossa casa, maior e mais confortável e Graças a Deus nós vivíamos muito bem.
Eu assumi parcialmente o trabalho de Edward na igreja quando ele começou a dar aulas, ajudando o padre no que ele precisava, normalmente nos fins de semana, o que me dava bastante tempo para cuidar das minhas meninas e do meu rapazinho.
–Amor? — Edward chamou do banheiro e apareceu na porta me esperando com um sorriso torto, cheio de intenções nada boas e então deixei meus pensamentos de lado, indo até ele sem demora.
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Edward e eu demoramos muito no banho e então tivemos que correr com os preparativos e estávamos todos prontos para sair em menos de uma hora, e depois de tomar café, ainda sobrou um tempinho para esperarmos Molly chegar.
–Mamãe a Molly não vem? — eu estava terminando de tirar a mesa do café e me voltei para o meu caçula que tinha me chamado com a voz toda manhosa. Ele estava lindo, todo arrumado e com seus cabelos milagrosamente alinhados, eles eram da cor dos meus, o único, mas eram tão bagunçados quanto o de Edward. Eu me sentei e abri meus braços para que viesse me abraçar o que ele fez sem demora.
–Ben ainda tem um tempinho...
–Mas já tá todo mundo pronto, só esperando ela. E se ela não vier? A Rosário vai ficar tão triste — ele suspirou e eu o apertei mais um pouquinho sabendo que era ele que sentia muita falta dela.
Molly sempre fez muita festa com todos eles, inventando brincadeiras e os levando para passeios. Eles a adoravam, mesmo quando se gabava de ter ido ao nosso casamento, de ter sido a daminha quando eles nem tinham nascido. Rosário sempre foi mais na dela, mas unidas aos irmãos como Molly. Elas saíram de casa praticamente ao mesmo tempo deixando um vazio enorme em nossa casa, sei que ele sentia tanta falta quanto nós.
–Querido ela vai vir, Molly prometeu e quando um Cullen promete...
–Um Cullen cumpre — ele suspirou completando o lema que seu pai ensinou por toda a vida — é que eu estou muito ansioso mamãe, quero que ela chegue logo, eu estou com saudades.
–Eu também estou morrendo de saudades, mas eu sei que ela vai chegar na hora, não se preocupe — sorri beijando suas bochechas fofinhas — agora por que você não vai ajudar o papai a tirar o carro da garagem?
–Será que ele me deixa dirigir? — ele perguntou ficando de pé e eu sorri.
–Vai lá perguntar meu amor — Benjamin assentiu e saiu correndo gritando pelo pai.
Eu fui até as minhas meninas que conversavam animadamente sobre os detalhes do plano que tinham de ir com as tias para um dia de compras no próximo fim de semana.
Depois de Molly, Nessie era a mais tagarela e ela era, sem tirar nem por, a cara de Edward, sua verdadeira versão feminina. Todos se impressionavam com a semelhança dos dois, inclusive eu, principalmente nas semelhanças que nada tinham a ver com a aparência, incrivelmente eles pensavam da mesma maneira, tinham as mesmas atitudes e manias.
Lizzie tinha algumas coisas que herdou de mim, como a cor dos olhos e sua timidez, corando o tempo todo como eu em sua idade. Seus cabelos se pareciam com os meus, cacheados e cheios, mas a cor, assim como as irmãs, era o mesmo tom de cobre que Edward tinha. Ela era um verdadeiro doce e não passava muito tempo longe de mim.
Eu não passei muito tempo ouvindo as tagarelices de Nessie, já que fomos interrompidas pela saudação alegre da minha primogênita:
–Mamãe! — ela gritou como quando era criança e veio correndo me abraçar. Eu a apertei com força em meus braços e tentando aplacar um pouquinho da saudade que eu sentia. Molly estava tão crescida, tão adulta, mas agia como a menininha alegre e carinhosa que sempre foi com esses seus rompantes espontâneos.
Não tive muito tempo para ouvir todas as histórias que ela tinha para contar por que já estávamos em cima da hora para a celebração, mas eu pude olhar bem para o seu rosto e seus incríveis olhos negros, ouvir sua voz doce e principalmente enche-la de beijos recheados de saudade.
A celebração seria na Catedral dos santos anjos, em Port Angeles, então, fizemos uma viagem de uma hora bem agitada e animada, com Edward e Molly puxando canções bobinhas que nos faziam rir e cantar juntos.
Assim que chegamos, Ben correu para dentro junto das irmãs querendo falar com Rosário. Tentei segui-los, louca de saudades, mas eu fui impedida pelos braços fortes do meu marido que me puxou para um canto do lado de fora, exatamente no mesmo lugar de tantos anos atrás.
Quando estava onde ele queria, Edward segurou em meu rosto, encontrando meus olhos.
–Parece que eu já vi esse filme antes — brinquei sorrindo — nós dois aqui, juntinhos, sozinhos...
–Eu me lembro como se fosse ontem — ele colocou a testa na minha e respirou bem fundo antes de falar com intensidade — tudo o que eu senti naquele dia, eu estou sentindo agora... Sente aqui — ele colocou minha mão em seu peito e pude ver como seu coração estava acelerado — Mesmo depois de vinte anos, eu sinto o mesmo amor desesperado por você, minhas pernas estão bambas, minhas mãos suadas... A única coisa é que eu não estou sentindo é o medo de você me chutar, já que ao contrario da última vez você não está prestes a se tomar um caminho que vai te levar para longe de mim, e agora sei que você e seu coração pertencem a mim, só a mim.
–Eu te amo Edward! — disse o que não saiu da minha boca naquela ocasião e sorri me derretendo com aquelas palavras doces, sabendo que não eram meras palavras, afinal eu sentia com toda a força esse amor e então me deixei ser beijada, também sentindo a mesma emoção do primeiro beijo, igualmente emocionada por ser merecedora desse amor e ainda mais apaixonada do que naquele dia.
O sino da igreja nos avisou de que estava na hora e nos afastamos abraçados e sorrindo um para o outro indo ao encontro de nossa filhinha.
Ela esperava dentro da igreja, vestida no habito branco. Eu sorri sem conseguir evitar, ao ver Rosário com Benjamim no colo e cercada por minhas meninas alegres pelo reencontro. Eu sorri mais que feliz diante daquela cena, agradecendo por meus filhos se darem tão bem e se amarem tanto.
–Mamãe, papai que bom que chegaram, está quase na hora.
–Estávamos esperando a Molly, foi ela quem atrasou — eu disse puxando-a para um abraço estranho com Ben no caminho e ela riu.
–Elas me contaram logo depois que eu me recuperei do ataque do furacão Ben.
–Ele estava com muita saudade pobrezinho — eu disse o defendendo e ele assentiu vindo para meus braços.
–Preparada querida? — Edward perguntou olhando em seus olhos depois de lhe dar um beijo na testa.
–Eu estou papai. Mais pronta do que isso impossível — ela disse girando nos calcanhares e mostrando seu hábito branco com o crucifixo da congregação no pescoço, idênticos ao que eu usei um dia. A única diferença era o novo véu que ela passaria a usar de agora em diante por baixo do antigo. Era como uma touca que lhe cobria o pescoço, as orelhas e toda a cabeça, deixando a mostra apenas o seu rosto.
–Tem certeza? — ele insistiu suspirando — ainda dá tempo de desistir se quiser.
–E por que eu desistiria da minha felicidade papai? Seria o mesmo se o senhor desistisse da mamãe, ou a Molly do Embry. Eu encontrei meu lugar no mundo e é aqui que devo ficar.
–Nós vamos para os nossos lugares, por que já está quase na hora — Molly disse ao segurar nas mãos de Nessie e Lizzie — Boa sorte maninha, vai dar tudo certo! — eu assenti me aproximando de Edward.
–Para de com esse ciúme bobo — eu sussurrei antes de beijá-lo e ri de sua expressão perdida. Dei um beijo na Rosário e disse a ela — eu vejo vocês daqui a pouquinho.
Nós nos acomodamos no lugar reservado a família e logo Ben foi para o colo da minha mãe para se juntar ao primo Thomas sentado ao lado de Esme, Rose e Emmett. Minha sogra acenou, mas o casal nem me viu já que estavam presos em sua própria bolha, esquecendo do mundo ao redor como costumavam fazer.
Eles viviam bem em sua vida de casados e tinham três lindos meninos Theo, Teddy e Thomas com quatorze, onze e oito anos. Eles se casaram cinco anos depois que Rose deixou o convento, por que por mais que estivesse apaixonada e pronta, meu pai queria protegê-la e fez Emmett ir aos poucos enquanto ia controlando de perto todas as fases do namoro: o primeiro beijo, as saídas cronometradas cheias de recomendações e, até a primeira vez.
Foi por isso levou três anos para que eles ficassem noivos e mais dois para que se casassem.
Isso foi bom por que nesse meio tempo Rosalie esqueceu-se completamente de quem lhe fez mal um dia, passando a ser verdadeiramente feliz, sempre repetindo o que professei no convento: Emmett era o seu príncipe bobo que a fazia a mulher mais feliz do mundo.
Junto deles estavam Alice e Jasper sorrindo para as gracinhas de seu filho Ethan. Ele tinha cinco anos e falava pelos cotovelos, igualzinho sua mãe. Eles oficializaram o casamento apenas quando ela se descobriu grávida.
Alice ficou toda nervosa dizendo que não havia escapatória e que precisaria começar a viver um mundo novo, mais sério e adulto, tendo que cuidar da casa e de filhos. Bem, a única diferença seria o filho, já que ela e Jasper moravam juntos há dez anos, mas o que adianta falar? Alice sempre foi impossível.
Carlisle e papai sorriram quando minhas meninas se aproximaram. Por serem as únicas da família, elas eram muito mimadas e protegidas ao extremo pelos avôs, tanto que quando Molly apresentou Embry para Charlie ele achou um absurdo deixarmos que ela namorasse e ficou com um bico enorme por semanas até que Molly resolveu ir conversar com ele e como sempre o teve em suas mãos, ela conseguiu amolecê-lo com seu sorriso.
Coloquei-me no primeiro banco, mas fui impedida de sentar pelo padre Harry que me abraçou.
–Como esta a menina? — perguntou baixinho.
–Ansiosa, feliz e tentando convencer o pai dela disso — ele riu negando com a cabeça, mas antes mesmo de poder me responder, a comentarista fez a saudação chamando a atenção para o inicio da missa e ele foi tomar seu lugar.
Em pouco tempo eu avistei Rosário e seu enorme sorriso se aproximando com os braços dados a um Edward orgulhoso. Ele podia enganar todo mundo com aquele rosto sério, mas não a mim que conhecia cada brilho de seus olhos.
Eles se juntaram a mim enquanto o bispo iniciava a celebração. Minha filha sorria o tempo todo, concentrada nas palavras do bispo que falava sobre os compromissos de uma irmã, sobre a entrega total de sua vida ao serviço de Deus. Edward me olhou algumas vezes, provavelmente se lembrando da maioria dessas palavras que ouviu no dia da minha consagração há tanto tempo.
Na hora das promessas de sua profissão, Rosário prometia com tanta certeza, tanta fé que era impossível duvidar de aquela era a sua vida e, depois que eu a ajudei a colocar seu véu negro, ela foi ordenada Freira. Chorando de emoção ela recebeu os parabéns de todos nós, logo ela estava cercada de pessoas e então Edward me abraçou me levando para fora, deixando que ela saboreasse seu momento.
Só conseguimos nos aproximar dela novamente no jantar de comemoração que a nova Madre da congregação, a Irmã Carmem, ofereceu no convento. Meu coração se alegrava verdadeiramente com o lindo sorriso da minha filhinha, ela estava tão feliz tão realizada que dava gosto de ver.
Meu pai sorria alegre e nem ligava quando alguém caçoava perguntando se Rosário também estava no convento por que ele prometeu, ele só respondia que quem deve fazer esse tipo de promessa é o pai e não o avô. Edward por sua vez, passou o tempo todo bem junto a mim, mais quieto que o normal como todas as outras vezes que estivemos juntos aqui e sorri ao me lembrar de quando ele me explicou o porquê dessa atitude:
"Eu sentia que te perdia a cada vez que te via entrar aqui. Era uma dor tão forte, tão ruim que até hoje me angustia ver você aqui dentro, sinto como se eu pudesse te perder, outra vez, a qualquer instante"
–Você nunca vai me perder Edward — sussurrei quando pela décima vez, ele me procurou com o olhar e suspirou aliviado ao me encontrar — eu amo você — lhe dei um beijo para tranquilizá-lo e ele sorriu assentindo, passando a prestar a atenção nas conversas a sua volta, participando delas e deixando um pouco de lado suas paranóias a fim de aproveitar a festa da filha.
Ao fim do jantar, Rosário foi se despedir de seus convidados próximo ao portão e Edward foi levar Benjamim ao banheiro, as minhas garotas foram com os avós e os tios para o carro e eu passei a andar pelo pátio, me lembrando de quando eu morava ali, e as vezes me sentava naquele mesmo banco para pensar no que seria de minha vida, sonhando com um futuro ao lado de Edward, futuro esse que provavelmente nem aconteceria.
Eu passei anos apenas imaginando, fazendo planos que Edward nem sabia e que se eu tivesse dito o que eu planejava tudo teria sido diferente: eu não precisaria ter vindo para cá e todo o desconforto que houve com a minha família, todos os pecados que cometemos teriam sido evitados. Mas olhando para trás, eu vejo que mesmo se pudesse, não mudaria nada, até por que se as coisas fossem diferentes eu nunca teria conhecido Molly e tenho certeza que minha vida, nossa vida não seria a mesma sem ela.
Por maior que tenham sido as dificuldades ao longo dos anos, aguentando todas as fofocas, as dificuldades com o dinheiro, os desafios de criarmos tantos filhos nos dias de hoje nós nos saímos muito bem e fomos, ou melhor, nós somos muito, muito felizes.
Resolvi me dirigir para o portão ao ver Edward indo para lá e vi a irmã Carmem se aproximar. Desde que a Irmã Irina morreu há alguns anos, ela tinha tomado a frente do convento e eu fiquei feliz por ela, afinal é o que ela sempre quis, o que sempre buscou.
–Saudades daqui? — Perguntou sorrindo ao me alcançar e suspirei antes de responder.
–Foi uma época muito boa na minha vida, intensa, reflexiva, feliz. Mas eu não teria dado certo se continuasse, por melhor que tenha sido, meu coração não pertence aqui. Ao contrário da minha filha, que está tão feliz, tão segura de si aqui dentro tão realizada.
–Sim, ela me lembra muito eu mesma quando cheguei aqui. Ela está sempre sorrindo, disposta a fazer todas as atividades. Vai dormir tarde, acorda cedinho, convidando todo mundo a rezar a todo o momento, sem falar no amor e dedicação, a paixão na voz dessa menina, o brilho nos olhos quando ela fala de sua vocação... Sei que ela ainda é muito nova para estar fazendo seus votos perpétuos, segundo o cronograma, mas não podemos cronometrar o amor.
–Eu fico feliz que ela tenha seguido esse caminho. Eu passei a minha vida toda tentando colocar minha cabeça que eu tinha vocação e entrei aqui tentando me encaixar — sorri olhando para ela que falava com Edward no portão — mas Rosário foi natural, ela nasceu com isso e aos poucos foi aflorando. Minha filha nasceu para isso aqui, igual a você — nós sorrimos uma para a outra e nos abraçamos — Cuida dela para mim tá?
–Não se preocupe, ela vai ficar bem. E você pode vir aqui sempre que quiser, sabe disso.
–Obrigada Carmem, muito obrigada — eu me afastei dela e fui em direção aos meus amores no portão Eu me aproximei dos dois que estava se abraçando há um bom tempo. Edward beijou a testa dela e suspirou sussurrando:
–Você está nervosa? — eu sorri saudosa me lembrando de quando ele tinha dito aquelas mesmas palavras para mim em circunstancias parecidas, minha filha riu revirando os olhos de leve.
–Papai, eu estou bem, estou tão em casa quanto eu estaria com você e a mamãe. Aqui é o meu lugar e o senhor sabe disso. Além do mais — ela colocou a mão no bolso e pegou o terço, aquele pequeno rosário branco que a mãe de Edward deu a ele, o que me fez companhia quando ele estava longe, o mesmo que deu nome a ela — tenho um pedacinho de vocês dois bem aqui, eu nunca vou estar sozinha, nunca estive desde o primeiro ano e nem nunca vou ficar, não se preocupe.
–Ele sabe querida, seu pai sabe o quanto você está bem, mas não consegue evitar — eu a abracei com força já sentindo saudades — eu vou ligar para você todos os dias e vou esperar ansiosamente você no natal. Que Deus te abençoe filha, eu amo você.
–Eu te amo mamãe — ela disse ao se afastar e segurou minha mão e a de Edward — e ao senhor também papai, muito, muito...
–Irmã Rosário? Está na hora — Madre Carmem a chamou do portão e ela apressou-se sorrindo, dando-nos um ultimo beijo e acenando até sumir dentro daqueles portões enormes. Assim que ela entrou, Edward me abraçou e nós nos afastamos juntos bem devagar.
–No que está pensando? — Perguntei quando ele suspirou pela terceira vez em menos de dez passos.
–Estava pensando em como a vida é engraçada – ele riu sem humor balançando a cabeça indignado – Eu acabei de entregar a minha filha a mesma pessoa de quem eu tirei a mulher — eu ri.
–Você não me tirou Dele por que eu sempre pertenci a você, como Rosário sempre pertenceu a ele. Nós encontramos o nosso lugar e sei que nossa filha vai ser feliz em sua escolha como eu fui na minha — Edward parou de andar e olhou em meus olhos.
–Ainda bem que eu tive a sorte grande de você me preferir a ele, não sei o que teria sido da minha vida se você continuasse ser apenas a minha irmãzinha...
–Mas isso eu ainda continuo sendo — eu disse sorrindo para provocá-lo e ele acariciou meu rosto com carinho espelhando meu sorriso.
–Sim, você é. Sempre vou carregar em minha memória meus momentos com você, nossa infância feliz e tudo mais, só que eu agradeço a Deus por não termos seguido adiante com essa ideia de sermos irmãos para sempre, ou melhor, por termos visto que estávamos no caminho errado, que enxergamos a tempo que nosso destino era mesmo juntos só que... De uma forma mais completa. Você continua sendo a protagonista da minha vida — ele disse me olhando, mas desviou o olhar para nossas meninas e Ben rindo a poucos metros de nós — ou melhor,a protagonista principal, a grande estrela da minha felicidade — Edward me abraçou suspirando e sussurrou para mim.
–Muito mais que a minha irmã, que minha melhor amiga e companheira de todas as minhas estripulias — ele olhou para mim com um sorrisinho de lado cheio de significados que me deixou um pouco constrangida — e não adianta fazer essa carinha — ele riu ao perceber meu constrangimento ele suspirou novamente e me deu um beijo leve e dizendo ainda com a boca minha — Bella você é o amor da minha vida.
Edward me beijou sem ao menos me deixar dizer que ele também era tudo isso e muito mais para mim, tão vital para minha existência quanto o ar, sem me deixar dizer o quanto eu sou feliz com ele. Eu me deixei ser beijada por saber que mesmo sem que eu verbalizasse, ele sabia, Edward tinha certeza do meu imenso amor por ele.
Estávamos tão presos em nossa bolha que nos assustamos ao ouvir uma buzina.
–Mamãe, papai, vamos para casa, por favor — Molly ria junto com os outros nos observando. Edward riu e beijou minha bochecha antes de sussurrar para mim.
–Bom minha irmãzinha, vamos para casa, afinal nossa filha já foi entregue.
–Pois é, agora só faltam quatro – meu marido riu de leve e eu me deixei ser abraçada por ele enquanto íamos de encontro a nossos filhos e, mesmo sem dizer nada, eu sabia que Edward assim como eu, torcia para que eles encontrassem a felicidade plena como sabemos que Rosário encontrou e como nós encontramos um no outro.
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