A Irmãzinha
22 Capítulo Vinte e um
Notas iniciais
—Humm... – murmurei me deliciando com a caricia delicada e distraída que Edward fazia em minhas costas. Eu descansava em seu peito depois de termos feito amor mais uma vez naquela tarde maravilhosa.
A noite já estava caindo do lado de fora e eu sabia que em breve teríamos que voltar e sabia também que era por isso que Edward estava tão longe de mim, perdido no mundo da lua todo pensativo e sério, provavelmente pensando na separação ao invés de aproveitar que os nossos corpos nus estavam tão emaranhados que parecia um só.
Tentando tirar a seriedade que emanava dele e chamar a sua atenção eu fui acariciando seu peito e beijando depois de acariciar, mas ele não reagia, por isso eu subi nele me sentando sobre o seu membro e nós gememos com esse simples contato e Edward ofegou parecendo surpreso.
—Meu Deus Bella, você já quer mais? – eu assenti rindo.
—Ainda não matei toda a saudade que estou sentido – eu me inclinei e beijei seus lábios. Começou com um beijo terno e delicado, mas a forma com que os nossos corpos se tocavam foi fazendo com que o beijo fosse ficando mais urgente. Edward beijou meu pescoço enquanto suas mãos passeavam pelo meu corpo, me ascendendo.
—Eu acho que nunca vou ter o bastante de você – falei ofegante olhando em seus olhos escurecidos pelo prazer – Edward eu queria ficar aqui com você para sempre.
—Eu também meu amor – ele me abraçou e tomou meus lábios outra vez – já está chegando o dia em que esse pesadelo todo vai acabar e ai vamos ser só você e eu pelo resto dos nossos dias.
—Edward por que temos que continuar aqui? Por que esse sofrimento todo? Vamos voltar para casa, vamos ficar juntos, por favor – enquanto falava eu ia massageando seu membro que já estava mais que pronto para mais uma – por favor, amor eu não aguento ficar mais nenhum dia sem você.
—Não faz assim Bella, não fala desse jeito que eu tenho vontade de jogar tudo para o alto, te pegar no colo e só te soltar em um lugar seguro onde não tem nada e nem ninguém para separar a gente – Edward se sentou na cama colando o nariz no meu e me apertando em seus braços.
—Então por que não faz isso?
—Não dá... Não podemos, ainda não. Mas o ano está passando bem rapidinho, como eu disse que aconteceria, já estamos em maio...
—Edward...
—Se já chegamos até aqui, Bella, vamos continuar firmes e aguentar esse ano. Vamos conseguir.
—Por quê? – Perguntei desesperada – A única coisa que eu quero é ficar com você nada mais importa para mim Edward. A minha vida toda, tudo o que eu mais preciso está bem aqui – eu beijei seus lábios levemente – Eu só preciso de você.
—Jura? – Edward perguntou com o cenho franzido parecendo confuso eu segurei em seus cabelos com força, olhando em seus olhos.
—Como pode duvidar? Eu juro Edward, sempre te amei e nunca, nem por um segundo tive dúvidas sobre isso eu só quero e preciso de você meu amor, só de você – Edward começou a sorrir, maravilhado enquanto eu falava, abrindo meu coração – Por mim eu jamais teria voltado para aquele convento, ou melhor, para falar a verdade eu nem teria entrado se você...
Parei de falar quando Edward me beijou e com um movimento rápido guiou seu membro para dentro de mim me penetrando. Eu fechei os olhos gemendo alto ainda agarrada aos seus cabelos quando ele segurou minha cintura iniciando os movimentos.
Desci minhas mãos pelo seu pescoço cravando minhas unhas em seus ombros, ao mesmo tempo em que ele guiava meu corpo a se mover em sincronia com o dele, para cima e para baixo fazendo crescer dentro de mim aquela sensação que já me era tão conhecida e que Edward sempre me proporcionava. Quando abri meus olhos vi Edward estremecer e intensificando os movimentos até que gozamos juntos, com os olhos nos olhos.
Ficamos abraçados em silencio até que finalmente paramos de tremer. Minha cabeça estava sobre o seu coração e ele passava a mão preguiçosamente pelas minhas costas.
—Vamos embora daqui Edward – pedi baixinho e ele parou com o carinho tirando a mão de mim. Olhei para cima e ele tinha uma expressão dolorida no rosto.
—Eu já ia te levar. A irmã Irina deve estar esperando por nós...
—Não era disso que eu estava falando. Eu quero ficar com você sem convento, sem seminário, sem nada que nos atrapalhe. Só nós dois, por favor, eu já não aguento ficar sem você nem mais um dia – ele me olhava parecendo muito angustiado e vê-lo assim deixou meus olhos tão lagrimejantes quanto os dele. Tentei segurar minhas lágrimas, mas não consegui e Edward acariciou meu rosto.
—Amor... Tudo o que eu mais quero é ficar com você, mas... – ele balançou a cabeça enquanto suspirava.
—Mas o que? O que impede de irmos agora mesmo pedir a nossa dispensa e ir juntos para a casa? O que nos impede de ficarmos juntos.
—Eu quero que você tenha certeza do que quer... – eu bufei perdendo a paciência.
—Eu já te disse que não há nenhuma sombra de dúvidas em mim... Quantas vezes eu tenho que repetir? – beijei seus lábios levemente antes de olhar para seus olhos – Edward eu já te disse que te amo desde criança, não duvide, por favor.
—Eu não duvido amor, até por que é difícil duvidar do que você vê, do que você sente, mas eu acho que é muita sorte para uma pessoa só, é tão maravilhoso que eu quase não consigo acreditar que você está apaixonada por mim – ele sorriu balançando a cabeça como se realmente não acreditasse – eu ainda custo a acreditar que você me deixou beijá-la naquele dia e a cada beijo que eu te dou, a cada vez que fazemos amor, eu me sinto o homem mais feliz da face da terra. Quase não acredito que você me aceitou, que aceitou o meu amor.
—Como eu não ia aceitar, Edward? Seus beijos, o seu amor é tudo o que sempre quis. Como eu recusaria o que sonhei a vida toda para mim? – Perguntei sorrindo e ele me deu um beijo mais longo, me olhando com adoração.
—Você é a mulher mais linda que existe, Bella, o seu sorriso ilumina o meu mundo, ilumina tudo em volta. Por onde você passa, todo mundo que te vê e que tem o prazer da sua companhia tem a certeza de que Deus existe, sabe por quê? – Eu neguei – Como alguém pode duvidar depois de presenciar a sua bondade, seu carisma? Depois de conhecer alguém tão linda por dentro quanto é por fora, a obra mais perfeita de Deus. Você nasceu para ser freira, meu amor. Nasceu para espalhar essa bondade e essa beleza pelo mundo e eu acho que é um tremendo desperdício tirar você desse caminho, ainda mais depois de tudo o que a gente sonhou juntos, ainda mais depois de tudo o que passamos.
—Não, Edward, eu jamais sonhei... – tentei falar, mas ele colocou um dedo sobre meu lábio me fazendo calar.
—Foi por isso que eu quis voltar durante esse ano, eu precisava ter certeza que não estava te induzindo a se afastar, que você estava saindo por conta própria, por estar mesmo apaixonada por mim e não por estar com pena do seu amigo que de repente se viu apaixonado por você... – eu franzi o cenho e ele riu – não adianta negar Isabella por que sei que é o que faria. Eu conheço você e sei o quão altruísta é. Sei que abriria mão de seus sonhos por alguém que te pedisse isso, abriria mão de sua vida por mim, se achasse que deveria, mesmo sem eu pedir... – eu dei uma risadinha interrompendo o que ele estava dizendo.
—Acho que você me conhece de verdade por que eu faria mesmo, mas eu faria por que te amo e nunca me arrependeria. Se eu voltei para o convento foi por que você me pediu... Eu entendi que ainda tem algumas dúvidas pairando sobre a sua cabeça e eu entendo. Se esse tempo é do que você precisa para ficar comigo de uma vez, então tudo bem – foi a vez de Edward rir.
—Acha que eu tenho alguma dúvida sobre nós? – assenti olhando em seus olhos e ele acariciou meu rosto deixando um beijo leve em minha boca – amor não existe nada nesse mundo que eu queira mais do que você, por mim eu não te soltava nunca mais. Meu coração dói só de pensar que daqui a pouco eu vou ter que te devolver para o convento.
—Então não vamos! – falei esperançosa, tentando convencê-lo – Edward o que estamos fazendo? Estamos ficando longe um do outro sem necessidade, não precisamos de nada disso.
Ele olhou para mim por um longo tempo, pensando parecendo tentar encontrar uma saída. Enquanto isso seus olhos não se desviavam dos meus e suas mãos não paravam de acariciar minha pele. Eu apenas esperei. Sua voz era bem tranquila quando finalmente disse:
—Agora que eu sei que você tem certeza meu amor, eu te levaria embora e não me afastaria nunca de você, mas... nós ainda não podemos...
—Por quê? – tentei disfarçar o meu nervosismo e entender seu lado mais uma vez.
—E a Molly? Como podemos ir embora de uma hora para outra e deixá-la aqui desamparada? Ela ficaria arrasada se nós simplesmente desaparecêssemos do nada depois de ter se apegado tanto a nós.
—Mas não tem nada que possamos fazer – falei com o coração apertadinho – Um dia nós vamos embora e vamos deixá-la aqui. Acho que vai doer muito mais em nós do que nela, mas podemos vir visitá-la sempre e matar as saudades apesar de que não vai ser a mesma coisa.
—Eu sei – ele suspirou – Agora eu entendo o porquê de você falar tanto sobre ela. Molly é um amor, eu a amo tanto quanto você.
—Não dá para ficar imune aquele sorriso não é? – ele assentiu sorrindo e eu suspirei – O que vamos fazer então?
—Eu acho que podemos adiar um pouco mais a nossa volta por causa dela. Vamos continuar com o combinado ficando até o fim do ano e nesse tempo podemos prepara-la para a nossa despedida e aproveitarmos a companhia dela o máximo que der.
—Mas até o fim do ano? – reclamei.
—Por ela amor, pense na Molly. Eu disse que um ano passa rápido e agora só faltam sete meses, vai dar tudo certo.
—Nós passamos cinco meses difíceis Edward, por mais que eu te veja sempre e que conseguimos trocar alguns beijos de vez em quando, eu ainda sinto sua falta sinto falta de fazer amor com você e acordar ao seu lado, como fazíamos quando estávamos em casa.
—Eu vou dar um jeito de conseguir te trazer para cá mais vezes, do mesmo jeito que teremos mais dias especiais com a Molly como foi hoje. Você vai ver o ano vai passar rapidinho e quando menos esperar vamos ir para a casa. O que me diz?
—Você promete?
—Eu juro. Depois desse dia nada e nem ninguém vai nos separar nunca mais – Olhei para a imensidão verde de seus olhos e assenti concordando. Ficamos deitados ali por incontáveis minutos nos beijando e aproveitando a companhia um do outro até que Edward suspirou.
—Por mais que eu queira ficar aqui com você nós precisamos ir embora, ou a irmã Irina não te empresta nunca mais – eu olhei para ele intrigada.
—O que foi que você disse para convencê-la?
—Nada de mais, apenas usei o meu poder irresistível de persuasão.
—Esse seu sorriso maravilhoso é capaz de conquistar até o mais duro dos corações – eu ri e ele me beijou.
—O único coração que eu quero conquistar é o seu.
—Meu coração já é seu amor, sempre foi e vai ser sempre – ele me beijou outra vez se deitando por cima de mim. Sua mão deslizou pela lateral do meu corpo acariciando minha coxa e subindo para o meu sexo. Eu me agarrei mais ainda a ele, mas Edward se afastou.
—Eu tenho que te levar logo daqui, por mais que eu queria ficar e te amar o resto da noite – eu choraminguei quando o corpo dele se afastou do meu e ele riu – não se preocupe amor, em breve eu vou te trazer de volta aqui, eu prometo. Agora vem, antes que fique tarde demais.
Sem muita escolha eu me levantei para me vestir e logo estávamos prontos para ir. Ficamos em silencio por todo o caminho o mais juntos que podíamos. Ao me deixar no convento Edward deu um beijo carinhoso na minha testa e se foi.
Quando passei por aqueles portões eu estava mais esperançosa do que me sentia há meses. Estava me sentindo bem por ter conversado com Edward e deixado algumas coisas esclarecidas, além de ser um alivio saber que ao fim desse ano ele não vai desistir de mim.
Vamos ficar aqui pela Molly. A separação que se aproximava me doía muito, mas eu poderia visitá-la não é? Todos os dias e de vez em quando poderemos até leva-la para passeios como o que tivemos hoje. Se fecho os olhos posso ver Edward brincando com ela levantando nos braços e empurrando no balanço, as risadas deles não saiam da minha mente e era impossível não pensar em como era magico vê-los daquele jeito e em como era isso que eu queria para mim todos os dias.
Se ao menos houvesse algum jeito de não ter separar e levar a minha menina conosco...
—Irmã Isabella – irmã Irina interrompeu meus pensamentos, levantei os olhos para ela vendo um sorriso inédito em seus lábios – vejo que finalmente voltou. Como foi o passeio?
—Foi muito bom senhora, obrigada por me deixar ir.
—É uma data especial merecia comemorar, e seu amigo parece que gosta muito de você.
—Sim, Edward e eu somos amigos desde crianças...
—Eu ouvi a história de vocês, descobriram cedo a vocação e resolveram vivê-la juntos, isso é muito bonito e eu admiro isso. Espero que consigam realizar os sonhos de vocês – eu franzi o cenho tentando entender o que estava acontecendo e a irmã me sorria esperando uma resposta minha e eu falei a primeira coisa que me veio a cabeça.
—Desculpe me, mas eu pensei que... A senhora não gostasse de me ver com ele.
—Não é que eu não goste irmã, mas as pessoas são maldosas e por mais que vocês tenham sido criados como irmãos, e se sintam assim, as pessoas não sabem e vão pensar besteira, sabe como são as más línguas. Eu apenas quis proteger a imagem e a honra de vocês, é o meu dever como madre e mãe, por que é assim que eu me sinto em relação a cada uma de vocês aqui dentro, e como toda mãe eu posso parecer um pouco ranzinza as vezes.
—Eu posso imaginar que todo o trabalho que tem a faça ser séria, mas isso é o que tem que fazer não é? — ela sorriu para mim.
—Sim filha, exatamente. Creio que nunca te disse isso, mas você pode contar comigo sempre que precisar de mim.
—Obrigada irmã. É bom saber — ela colocou as mãos nas costas e saiu caminhando pelo pátio e eu sorri vendo ela passar. Pela primeira vez eu me senti bem perto da irmã Irina, por entender o lado dela de querer proteger e cuidar de todas nós.
Tomei um banho e fui para o meu quarto, ainda era cedo, mas Rosalie já estava dormindo e eu a imitei deitando na cama e deixando minha mente vagar para cada parte desse dia lindo.
.
Fui para o orfanato na manhã seguinte depois de terminar os meus afazeres no convento, ansiosa por ver Edward e a Molly também. Quando cheguei as meninas mais velhas estavam saindo para a escola, acenei para elas do portão e a senhora Clarke chamou para o seu escritório.
—Eu preciso sair para resolver algumas coisas e daqui a pouco vai chegar um casal que quer adotar uma de nossas meninas. Você pode falar com eles para mim?
—Sem problemas.
—Hoje é a primeira visita. Eles querem ver e conhecer algumas meninas, é muito difícil que se decidam hoje, mas se acontecer peça que voltem outro dia para que começamos com a papelada.
—Tudo bem. A senhora pode ir tranquila.
—Obrigada irmã — ela saiu logo em seguida e antes que eu pudesse encontrar a Molly o casal chegou.
Conversando com eles eu soube que estavam juntos há dez anos e não conseguiam ter um filho, a senhora queria muito ser mãe e como já estavam perdendo a esperança de uma gravidez resolveram tentar a adoção. Levei eles para conhecer as meninas que estavam por aqui. Elas compreendiam perfeitamente quando um casal estava por ali significava a possibilidade de um lar então elas conversavam, mostravam seus brinquedos e tentavam impressionar.
Eu vi os rapazes do seminário montando um brinquedo novo que havia chegado no jardim e procurei ansiosa por Edward sem encontrá-lo, como eu não vi a Molly em lugar nenhum imaginei que estariam juntos ficando um pouco mais tranquila.
O casal conversou com várias meninas, mas no fim decidiram voltar outro dia para conhecer também as que estavam na escola. E inevitavelmente pensei em como eu me sentiria se um casal resolvesse adotar a minha Molly. Quase enlouqueci com a hipótese por não ter conseguido encontrá-la no outro dia e se acontecesse de verdade eu... Nem sei.
Quando o casal foi embora, sai à procura dos dois e os encontrei debaixo de uma árvore bem no fim do jardim. Molly estava esparramada no colo de Edward olhando para ele e prestando muito a atenção no que ele contava, mas pulou depressa levantando quando me viu chegar.
—Oi Bella!
— Oi minha querida. O que vocês estão fazendo aqui?
—O Edward estava me contando uma história por que você estava ocupada.
—Com o Edward aqui você nem sentiu a minha falta não é?
—Claro que não — Edward riu — se eu estou aqui ela nem pensa em você. Por que ela gosta mais de mim — ele piscou e Molly ficou chocada.
—Não, isso não é verdade — ela protestou — eu gosto de vocês dois bem igualzinho.
—E nós amamos muito você querida, não é Edward? — ele assentiu enquanto eu me sentava ao lado dele na sombra da grande árvore com Molly em meus braços.
—O que você estava fazendo? — Edward perguntou depois de beijar minha testa.
—Eu estava acompanhando um casal que queria adotar uma das meninas.
—Quem eles levaram? — Molly perguntou interessada.
—Ninguém ainda, eles vão voltar para conhecer todas as que não estão aqui...
—E conhecer você também quem sabe eles não te levam para casa? — Edward completou.
—Eu não quero ser adotada.
—Por que não Molly? Você vai ter uma família, mãe, pai e talvez até irmãos... –Edward argumentou — Pense em como seria legal.
—Sim, é muito legal — ela abriu um sorrisão imaginando como seria, devagar ele foi sumindo até que ela disse — mas ai eu não vou mais ver vocês dois.
—Nós podemos visitar você — Edward disse e ela me olhou e eu fiz de tudo para sorrir enquanto assentia. Ela estava seria com o cenho franzido, pensando — que foi? Não acredita?
—Eu acredito, mas...
—Mas o que meu amor, fale.
—O que eu queria de verdade é que a Bella fosse minha mãe e você fosse meu pai Edward — ela me abraçou apertado enquanto eu olhava para Edward. Ele se aproximou de nós passando o braço em volta de nós duas.
—Molly — ele disse de mansinho — nós seriamos muito felizes se fossemos seus pais, seriamos as pessoas mais felizes desse mundo, mas... — Ela sorriu mostrando todos os dentes e cortou o que Edward dizia falando animadamente.
—Então vocês vão me levar para casa?
—Não é bem assim querida, para sermos seus pais nós teríamos primeiro que nos casar e...
—Oh sim, sim! Eu posso ser daminha?
—Molly — nós rimos vendo ela pular — não vamos nos casar, não podemos.
—Por que não?
—Por que as freiras não se casam, nem os padres — ela franziu o cenho e olhou com a cabeça tombada.
—Mas os namorados se casam e eu sei que vocês são namorados– eu ri e disse.
—Não somos não querida. Edward é meu amigo.
—Edward beijou na sua boca igual os namorados fazem. Eu vi — eu ofeguei sem saber o que dizer e Edward riu.
—Aquilo foi uma brincadeira — ele olhou em volta e me deu um selinho depressa — viu?
—Não foi assim que eu vi você beijando ela...
—Era só uma brincadeira Molly, mas mesmo assim não conte a ninguém, é mais um segredo nosso tudo bem?
—Tudo bem — ela deu de ombros deixando o assunto para lá — vamos brincar agora?
—Vamos. Do que estavam brincado antes?
—Não estávamos brincando por que a gente estava te esperando, mas eu quero brincar de escolinha. A Bella era a professora e o Edward era o papai que vinha me buscar.
—Grande ideia! Por que não vai chamar mais alguém para brincar conosco? — ela assentiu e saiu correndo — Molly não corre! — Edward gritou mas ela já estava bem longe. Olhei para ele e suspirei — o que foi?
—Eu não gosto nem de pensar nela com outra família. Eu sei que é egoísmo e que ela não merece ficar aqui para sempre, mas eu não suporto a ideia de que ela seja adotada.
—Por que não?
—Eu tenho medo de que ela seja adotada por pessoas ruins, ou que ela não goste da família, ou que aconteça algo com ela. Além é claro de que a Molly é minha e não gostaria que ela chamasse uma mulher de mãe que não fosse eu – Edward segurou meu queixo me fazendo olhar para ele.
—Amor não pense assim. Se a Molly for adotada ela vai ter um lar e ser feliz. Por mais que ela tenha amor e carinho aqui, um orfanato não é o lugar para uma criança. Não importa quem cuide de você, quem está ao seu lado, você sempre se sente sozinho. Eu me lembro bem. Então não fique mal se ela ganhar um lar, por que vai ser melhor do que aqui e ela vai ser feliz e é isso que importa não acha?
—Sim. Se ela for feliz eu também serei — falei baixinho.
—É assim que se fala amor — ele beijou minha testa e sorriu de um jeito enigmático, típico de quando estava tramando alguma coisa. Antes que eu perguntasse o que ele estava em sua mente ele sorriu ficando em pé — professora é hora de preparar sua aula por que as suas alunas estão chegando — olhei para onde ele estava olhando e vi Molly voltar com mais algumas meninas para começar a brincadeira.
A semana toda foi assim.
Passei com as meninas em meio a brincadeiras divertidas. Resolvi que Edward tinha razão e que o melhor para nós agora seria aproveitar cada segundo com elas e com a minha Molly já que a separação está tão próxima. Edward e eu estávamos nos divertindo bastante com elas.
Ele sempre arrumava um jeito de escapar para ficarmos juntos e trocar alguns beijos, mas com um pouco mais de discrição já tínhamos sido pegos em flagrante uma vez. E assim a semana passou num piscar de olhos e era sábado o dia da festinha que a Alice preparou para nós.
Depois do almoço Alice chegou ao convento com minha mãe e Esme. Elas me abraçaram e a Rose que estava comigo, olhando para todos os lados a procura de Emmett que não estava com elas.
—Cadê o resto do pessoal? — perguntei para ajudá-la
—Os rapazes vem mais tarde, nós precisamos arrumar tudo, vem — ela foi dançando para o salão de festas e eu fui atrás dela. Minha mãe e Esme ficaram com a Rose e eu resolvi aproveitar que elas estavam longe para conversar com Alice.
—Eu preciso da sua ajuda.
—Para que? — perguntou interessada.
—É sobre a Rose. Ela descobriu que está apaixonada pelo Emm...
—Eu sabia! Sabia que isso ia acontecer em algum momento. O que foi que ela disse? Me conta tudo!
Contei toda a história que Rose tinha me contado no outro dia e Alice ouviu atentamente. Quando terminei ela ficou em silencio enquanto arrumava um arranjo sobre a mesa. Alguns arranjos depois ela finalmente disse.
—Eu preciso falar com o Emm com calma, ele provavelmente sabe que eu percebi seu interesse e estava tentando ajudá-lo por que ele não é bobo, mas não confiou em mim para conversar e pedir minha opinião. Tenho que encontrar alguma forma de mostrar a ele o caminho correto, mas sem parecer intrometida demais, tenho que dar um jeito.
—Eu sei que vai conseguir, vamos fazer esses dois felizes.
—Eu não consegui fazer com que você e o Edward ficassem juntos, mas esses dois não me escapam, de jeito nenhum — eu revirei os olhos e ri — Você também tem que fazer a sua parte, convença a Rose a não fugir dessa vez, para que ela aceite o que o Emm propor.
—Sim eu já disse isso a ela, eu até disse que ela deveria falar com ele, mas ela não me ouve.
—Eu imagino. Vou falar com ela também, mas tem que ser depois que eu falar com o Emm...
—Vá com calma Alice, nós só podemos levar o cavalo até a água. Não se preocupe por que com o nosso empurrãozinho eles vão para frente, pode ser que seja dó isso que eles precisam.
—Certo — ela respondeu com uma careta — agora chega de papo irmã por que temos uma festa para preparar.
Ficamos arrumando o salão e logo as outras chegaram para nos ajudar, trazendo os pratos quem tinham preparado. Elas estavam muito animadas, rimos e conversamos bastante. Rose a todo momento olhava discretamente para a porta esperando que Emmett chegasse, o que só aconteceu as quatro da tarde. Ele veio acompanhado de Jasper, Carlisle, padre Harry e meu pai.
As irmãs vieram todas para o salão parabenizando Rose e eu pelo nosso primeiro aniversário. Mais tarde os rapazes do seminário chegaram, mas Edward não estava com eles, exatamente como há um ano atrás, mas eu sabia que em breve ele chegaria sorrindo o meu sorriso favorito e com o cabelo bem despenteado.
Cerca de uma hora mais tarde eu comecei a ficar preocupada quando vi que Edward ainda não tinha chegado, mas eu sorria e tentava parecer normal conversando com minha mãe e a irmã Carmem. Antes que eu pudesse dar um jeito de terminar a conversa para perguntar a alguém onde Edward estava, Alice se aproximou dançando e me puxou com ela.
–Vem Bells tem uma surpresa para você.
–Surpresa? O que é?
—Ai para de perguntar e vem — Alice cantou e minha mãe riu nos acompanhando. Ela nos levou para fora onde a senhora Clarke estava com todas as meninas do orfanato. Assim que eu apareci lá fora elas correram em minha direção me abraçando e me desejando felicidades. Depois que todas — menos uma — me abraçaram a senhora Clarke se aproximou.
—Meus parabéns irmã, que seus votos continuem dando frutos tão bonitos, por muito e muitos anos.
—Obrigada senhora. Obrigada por estar aqui com elas.
—É um prazer para nós. Foi Edward quem deu a ideia e foi nos buscar.
—E onde ele está?
—Bella! — Molly gritou correndo para mim. Eu me abaixei e abri os braços para recebê-la e a ergui no colo.
—Oi Molly que bom que você veio meu amor.
—O Edward disse que é o seu aniversário e a gente veio na festa, quando a gente chegou aqui eu fiquei com muita vontade de fazer xixi ai o Edward — ela apontou para o lado em que ele estava e nossos olhares se cruzaram. Ele piscou para mim e sorriu, enquanto Molly continuava a falar — me levou no banheiro por que eu não sabia onde era, mas ele também não sabia e a gente se perdeu. Ai uma freira igual você mostrou para a gente, ai eu fiz xixi e vim aqui com você – eu ri vendo como ela parecia satisfeita com a sua explicação. Depois ela deu uma olhadinha em volta e me chamou com a mão. Eu aproximei meu ouvido do seu rostinho e ela sussurrou – tem bolo de chocolate?
—Tem sim sua gulosa, mas a gente só vai comer mais tarde. Me dá um beijo — ela sorriu e me beijou.
—Feliz aniversário Bella– ela falou entre beijos.
—Obrigada meu anjo. Eu estou muito feliz com você aqui, na verdade com todas vocês. Obrigada por virem. Agora vamos todas para dentro — Acompanhei todas para dentro com a Molly ainda em meus braços. Ela olhou para a minha mãe e depois para mim algumas vezes.
—Bella, essa mulher ai parece com você.
—Ela é a minha mamãe. Diz oi para ela.
—Oi mamãe da Bella.
—Oi linda. Qual é o seu nome?
—Molly.
—Eu vou te contar um segredo Molly. Quando a Bella estava lá em casa ela não parava de falar de você. A minha filha te ama muito — ela sorriu olhando para mim.
—Amo mesmo.
—Por que você não vem comigo pegar alguma coisa para comer, eu poso te apresentar para todo mundo — eu coloquei ela no chão e elas foram para junto do resto de nossa família. Elas mal tinham se afastado quando Edward se aproximou de mim.
—Já era, elas nunca vão devolver a Molly para você. Vai ter que ficar sem ela o resto da festa.
—Eu acho que não me importo se você estiver comigo.
—Que bom, por que é o que você vai ter. Eu vou ficar com você a cada minuto.
—É só o que eu quero da minha vida — Edward beijou minha testa e ficamos olhando um para o outro até que ele balançou a cabeça e me puxou pela mão — vem vamos falar com o padre Harry antes que eu dê um jeito de te tirar daqui — eu ri e fui com ele. Edward cumpriu o que disse e ficou comigo todo momento da festa, enquanto eu falava com os convidados, na hora da oração e enquanto comíamos. Como ele previu elas não me devolveram a Molly, Esme e Alice a disputavam com a Renée e até Charlie e Carlisle se encantaram com ela.
Rose por sua vez estava aproveitando a festa ao lado do Emmett, que estava com ela para todos os lados eles estavam rindo e conversando, hora com alguém, hora só os dois. Parecendo se dar bem e estar felizes.
Quando anoiteceu, depois de se despedir de mim, Edward levou as meninas de volta para o orfanato e alguns minutos depois os outros convidados começaram a se despedir também.
Eu estava no portão me despedindo dos meus pais, Jasper e do Padre Harry enquanto os Cullen se despediam de Rose. Emmett a abraçou a tirando do chão e cochichou algo em seu ouvido. Ela olhou para ele e assentiu e ficou toda corada se despedindo dos outros. Assim que eles partiram, Edward desceu do carro em frente ao seminário vindo até mim em silencio ele seguro minhas mãos e me puxou para seus braços enterrando seu rosto em meu véu.
—Eu estou louco de vontade de beijar você, mas eu não quero correr o risco de alguém nos ver – ele falou baixinho em meu ouvido e eu suspirei enquanto ouvíamos a movimentação das irmãs do outro lado do portão bem próximo de nós.
—É eu entendo, mas eu morri de vontade de te beijar desde o momento que eu te vi entrar aqui — Edward afagou meu rosto e passou o polegar em meus lábios delicadamente, suspirou e beijou minha testa.
—Você está feliz? — sorri.
—Só por que você está aqui e enquanto você estiver comigo.
—Eu sempre vou estar meu amor, sempre. Eu já não aguento mais essa distância, não aguento mais te dividir com Jesus, nem com ninguém eu quero você só para mim e quando eu tiver vou te trancar em um lugar comigo para não ter que te dividir com ninguém.
—E depois joga a chave fora — nós rimos — Sabe que eu vou com você a hora que quiser, sem nem pensar duas vezes não sabe? – ele fechou bem os olhos e balançou a cabeça.
—Ainda não podemos Bella, ainda não dá, mas eu juro que em breve. Quero te dar tudo o que você merece e estou trabalhando para isso, nós vamos ter a felicidade completa, esse tempo que passamos longe vai valer a pena, eu prometo a você meu amor.
—Eu confio em você — Edward olhou em volta de nós e me deu um beijo rápido nos lábios.
—Amor, eu preciso ir agora — ele disse baixinho e eu assenti.
—Eu te vejo amanhã na missa.
—Acho que talvez vou precisar resolver umas coisas na sacristia e você vai ter que ir comigo — eu ri.
—Vai ser um prazer. Eu amo você Edward.
—Eu amo muito você Bella – ele suspirou e beijou minha testa, sorrindo e foi embora. Eu fiquei mais uma vez, daquele mesmo lugar vendo Edward ir embora para dentro do seminário e quando ele entrou, eu também entrei.
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Pouco mais de um mês se passou desde o dia do aniversário dos meus votos e depois daquele dia era muito comum que a minha mãe e Esme aparecessem no orfanato de surpresa querendo ver a Molly. A minha menina tinha encantado a todos tal como a mim e ao Edward. Elas vinham ver as meninas trazendo doces e as vezes alguns presentes passando horas agradáveis com elas.
Edward e eu nos divertíamos muito com as meninas no orfanato, tentando aproveitar cada momento que passávamos ali, além é claro dos momentos que conseguíamos dar uma escapada para ficarmos juntos algumas vezes, na casinha das bonecas ou no banheiro dos fundos enquanto elas estavam tomando lanche ou fazendo alguma outra atividade.
Edward, como sempre cumpriu com a promessa de ficar comigo mais vezes e nós conseguíamos fugir de vez em quando para o nosso refúgio escondidinho quando a Irmã Irina me deixava passar a noite no orfanato, eu esperava as irmãs irem embora e depois inventava algo para fazer no convento, Edward sempre me dava uma carona de volta e me deixava no orfanato outra vez. Era quando tirávamos um tempinho para nós e matávamos a saudade que quase doía.
—Bella, Bella acorda — abri os olhos e vi Rose sorrindo em pé a minha frente.
—Eu não estava dormindo Rose.
—Você estava até babando. O que está acontecendo com você Bella? Anda chegando atrasada nas orações da manhã por que não consegue acordar e dormindo sentada no jardim...
—É eu estou um pouco cansada ultimamente, mas deve ser por que as meninas estão de férias de verão e estão me consumindo demais. – Rose riu enquanto eu me esticava com dor nas costas por estar de mal jeito naquele banco duro. O terço de Edward caiu do meu colo e eu peguei depressa, Rose acompanhou meu movimento com o cenho franzido.
—Você só tem esse terço? Se quiser eu posso doar alguns para você– eu ri.
—Não que não tenha outros, é que esse é muito especial para mim, por que foi o Edward que me deu. Quando estou com ele eu sinto como se ele estivéssemos juntos, com um pedacinho dele aqui comigo e eu dei um a ele para que assim como eu ele se sentisse comigo a todo momento e assim nunca estamos sozinhos.
—Que lindo. Você o ama de verdade não?
—Amo, Rose, amo como a minha própria vida — ela franziu o cenho, mas antes que dissesse algo a irmã Carmem me chamou:
—Bella, telefone!
—Já vou — gritei para ela e depois para Rose — Deve ser a minha mãe.
—Mande um beijo para ela.
—Pode deixar — falei correndo para o escritório da irmã Irina e atendi o telefone ofegante.
—Irmã Isabella Swan? — uma voz masculina me chamou do outro lado.
—Sim, sou eu. Quem é?
—Aqui é o Dr. Alistair do hospital central de Port Angeles. A senhorita fez uma doação de sangue há alguns dias não é?
—Sim — respondi tremula.
—É que fizemos alguns exames no sangue da senhorita e precisamos que venha para refazer os exames e tirar a limpo os resultados.
—Mas o que houve? Eu estou doente? É grave?
—Eu prefiro conversar com a senhorita frente a frente. Pode vir aqui hoje?
—Eu já estou indo, eu vou agora.
—Estou esperando irmã.
Desliguei o telefone e respirei fundo. Eu estava apavorada pela forma como o médico tinha falado e ele não me chamaria se não tivesse dado algo de muito grave em meu sangue.
De repente eu senti um enjoo muito forte e sai correndo para o banheiro. Vomitei muito durante alguns minutos, depois lavei minha boca e escovei os dentes enquanto tentava me acalmar. A possibilidade de estar doente agora que eu estava prestes a realizar o sonho da minha vida, era muito triste.
Sai do banheiro depois de me recompor, ainda me sentindo um pouco tonta e dei de cara com a irmã Irina
—Irmã Isabela, você está bem?
—Sim — menti — só estou um pouco preocupada. É que acabaram de ligar do hospital e pediram para que eu fosse até lá. Deu uma alteração no exame que fizeram no sangue que eu doei na semana passada e eles querem falar comigo. Posso ir?
—Sim, claro que sim. Quer que alguém te acompanhe? Eu posso ir com você.
—Não precisa, eu estou bem, posso ir sozinha.
—Então vá querida, vá com Deus — assenti e peguei as chaves da van na mesa.
Corri para fora e logo estava dirigindo na estrada molhada a caminho do hospital apertando forte o volante, para conter a tremedeira. Peguei o terço de Edward para tentar me acalmar, pedindo a Deus que me ajudasse.
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